segunda-feira, 21 de maio de 2012

De meia-tigela

 Flávia Souto Maior

Durante toda a monarquia portuguesa, as pessoas que prestavam serviços domésticos à corte obedeciam uma hierarquia. Competia a cada um – oficiais, camareiros, pajens e criados – obrigações maiores ou menores, conforme o foro aristocrático. Como era costume na época, os empregados se alimentavam no local de trabalho e a porção de alimento a que tinham direito era proporcional à função que exerciam, de acordo com o que figurava no Livro da Cozinha del Rei, prescrita pelo “veador”, supervisor do mordomo-mor. O tempo de serviço também contava na hora de distribuir a ração. Os recém-chegados à corte, além de não terem direito a moradia, recebiam pouca comida, e isso era motivo de piada entre os funcionários que já moravam no Paço Real. Como estavam longe de ocupar posições importantes, os novatos eram chamados de “fidalgos de meia-tigela”. A expressão atravessou alguns séculos e continua sendo usada para designar algo sem valor, mixuruca.

Aventuras na História n° 020

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