Quando esse canudo entope, os resíduos se acumulam na base, que se alarga, dando à formação a aparência de um cone, típica das estalactites. No chão, logo abaixo delas, surgem as estalagmites. A água que escorre do teto acumula minerais no solo, criando outra escultura que cresce em direção à estalactite. Se o pinga-pinga continuar, a tendência é que os dois blocos se juntem numa só coluna. Essa união, é claro, não acontece do dia para a noite.
"A taxa de crescimento é de frações de milímetros por ano. E isso se houver bastante umidade na caverna", afirma o geólogo Ivo Karmann, da Universidade de São Paulo (USP). Além de serem um cenário de rara beleza, as cavernas esculpidas pela água gotejante guardam a história do clima na região. "Medindo a taxa de crescimento de estalactites e estalagmites, temos uma idéia do índice de chuvas do lugar. São os únicos registros preservados do vento e da erosão que permitem estudar variações climáticas de até 100 mil anos atrás. Por isso, é muito importante conservá-las", diz Ivo.
Revista Mundo Estranho Edição 10/ 2002
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