domingo, 13 de março de 2011

O Masp, quem diria!

por Sérgio Miranda
A história do Masp começou em 1946, quando o empresário das comunicações Assis Chateaubriand conheceu Pietro Maria Bardi, um marchand italiano recém-chegado ao Brasil, e o convidou para dirigir um museu que dotasse o país de uma coleção de arte ocidental. Chateaubriand escolheu a cidade de São Paulo para instalar o que chamava de Museu de Arte Antiga e Moderna. Argumentando que “arte é uma só”, Bardi o convenceu a abreviar o nome para Museu de Arte de São Paulo.
O pós-guerra favorecia a compra de obras de arte no mercado europeu e Bardi – com os recursos de Chatô – conseguiu adquirir uma significativa coleção, que incluía telas de Picasso, Goya e Rafael. Assim, no dia 2 de outubro de 1947 o Masp abriu suas portas, na rua 7 de abril, no centro da cidade. Em 1968, o museu se mudou para o prédio da avenida Paulista, projetado pela arquiteta modernista Lina Bo Bardi. Atualmente, o Masp é considerado o mais importante museu da América Latina, além de ser um dos símbolos da cidade.
1. Bailarina de Catorze Anos, de Degas
O Masp possui 73 peças em bronze de Edgar Degas, comprados por Pietro Maria Bardi por 45 mil dólares. Hoje, apenas a peça abaixo vale 400 mil dólares. Além do Masp, apenas o Metropolitan de Nova York e o Museu d’Orsay, em Paris, possuem a coleção das peças de Degas
2. Rosa e Azul, de renoir
Um dos 13 trabalhos do mestre francês no acervo do Masp, o retrato das crianças Cahen d’Anvers, feito em 1881, é exemplar do impressionismo de Renoir
3. Anunciação, de el greco
Pintada em Toledo no início do século 17, a tela mostra o encontro das culturas grega, italiana e espanhola. Também exibe o estilo já maduro do artista, livre da influência de Tintoretto
4. Auto-Retrato com a Barba Nascente, de rembrandt (?)
A polêmica sobre a autoria desse quadro de 1634/35 permanece. Nos anos 80, a Comissão Rembrandt a analisou e concluiu que ela deve ter sido feita pelos assistentes do artista
5. A Estudante Russa, de anita Malfatti
Pintada em Berlim depois de 1912, a tela foi uma das obras apresentadas por Anita Malfatti em uma exposição polêmica em dezembro de 1917. Duramente criticada por Monteiro Lobato, que a chamou de paranóica, a artista acabou abrindo caminho para as discussões sobre os rumos das artes e o modernismo no Brasil
6. Retirantes, de portinari
O Masp possui uma rica coleção de obras do autor. Essa pintura, de 1944, representa um dos melhores momentos do pintor que, desde seu período acadêmico até as últimas fases em que retratava temas do cotidiano, sempre buscou a defesa dos pobres e a denúncia das injustiças sociais
7. Léopold Zborowski, de Modigliani
Nessa tela de 1919, Modigliani retratou o poeta e marchand polonês pela sexta vez. Em seu curto período de atividade, deu a suas telas, principalmente retratos e nus, características tão particulares que fazem com que elas sejam facilmente identificadas como de sua autoria. Também por isso, é considerado um dos mais originais mestres da pintura
8. Cinco Moças de Guaratinguetá, Di Cavalcanti
Fundador e protagonista da Semana de Arte Moderna de 22, Di Cavalcanti dedicou-se a retratar cenas populares. Esta é uma das obras mais originais do artista, entre sua vasta produção de pinturas, desenhos e caricaturas, que o representaram em inúmeras exposições no exterior
9. A Ressurreição de Cristo, de rafael
O painel do mestre italiano foi encontrado no mercado de arte de Nova York sem qualquer referência bibliográfica. Adquirido pelo Masp, sua autenticidade foi baseada em um estudo de 1884. Mesmo assim, quando apresentada na Tate Galery de Londres, em 1954, foi preciso uma ressalva de que a atribuição a Rafael era de responsabilidade do museu brasileiro. Hoje o painel é reconhecido como original e é uma das obras mais valiosas do museu
10. O Escolar, de van gogh
Pintada em 1888, a obra do período final da vida de Van Gogh mostra toda a expressividade do artista: o contraste das cores e das linhas nítidas, a matéria densa. Adquirida por 40 mil dólares, a tela está avaliada em mais de 30 milhões de dólares
Aventuras  na  História Edição 005 Janeiro de 2004

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