Durante toda a monarquia portuguesa, as pessoas que
prestavam serviços domésticos à corte obedeciam uma hierarquia. Competia a cada
um – oficiais, camareiros, pajens e criados – obrigações maiores ou menores,
conforme o foro aristocrático. Como era costume na época, os empregados se
alimentavam no local de trabalho e a porção de alimento a que tinham direito
era proporcional à função que exerciam, de acordo com o que figurava no Livro
da Cozinha del Rei, prescrita pelo “veador”, supervisor do mordomo-mor. O tempo
de serviço também contava na hora de distribuir a ração. Os recém-chegados à
corte, além de não terem direito a moradia, recebiam pouca comida, e isso era
motivo de piada entre os funcionários que já moravam no Paço Real. Como estavam
longe de ocupar posições importantes, os novatos eram chamados de “fidalgos de
meia-tigela”. A expressão atravessou alguns séculos e continua sendo usada para
designar algo sem valor, mixuruca.
Aventuras na História n° 020
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