segunda-feira, 21 de maio de 2012

Edmund Burke: um conservador moderno

Tâmis Parron

O fim do século 18 foi um dos períodos mais quentes da história. Em pouco tempo, revoluções explodiram aqui e acolá detonando o Antigo Regime e as relações feudais. A mais importante dessas convulsões foi, sem dúvida, a Revolução Francesa, em 1789. Como a ação e a reação na Física, o fenômeno estimulou o surgimento de seu pior inimigo: Edmund Burke, um irlandês membro do Parlamento Britânico que sistematizou em Reflexões sobre a Revolução em França (UnB), de 1790, um pensamento “contra- revolucionário”, censurando ponto por ponto o que ocorria no país vizinho.
Burke defendia que a natureza humana tende ao despotismo e, por isso, deve ser restringida pelo controle social. E é justamente na religião e na hierarquia, solapadas pelos franceses, que se encontraria o freio a esses impulsos. Naqueles tempos de mudança, lamentava, o homem perdia “toda a roupagem decente da vida”, necessária para “dissimular os defeitos de nossa natureza nua”.
Mas Edmund Burke não era daqueles reacionários que acreditavam no absolutismo ou no poder divino dos reis. Pelo contrário, era um liberal de marca maior: defendia o fim do poder absoluto em prol do Parlamento, o direito inalienável à propriedade e o mérito como fundamento da hierarquia. Essas características o fizeram influenciar e fundamentar o pensamento conservador de todo o século 19, tornando-o eloquente para as elites do mundo inteiro.

Aventuras na História n° 020

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