Filme conta como o zoólogo Alfred Kinsey desvendou a vida
sexual americana.
"Boicote o homem que degradou os valores morais da
América.” Com frases assim, grupos conservadores americanos atacaram o
especialista da sexualidade humana Alfred Kinsey (1894-1956). Os protestos não
aconteceram há mais de 50 anos, quando Kinsey publicou seus polêmicos estudos,
mas no lançamento do filme Kinsey – Vamos falar de sexo. Em tempos de retomada
dos valores morais, as idéias do pesquisador que acreditava que nada é errado
quando se trata de sexo se tornaram tão escandalosas hoje quanto nos anos 40.O filme, que estréia por aqui em abril, conta a história do zoólogo que, em 1938, virou sexólogo estimulado pela total falta de informação sexual da época. Depois de estudar insetos por 17 anos, Kinsey juntou uma equipe de pesquisadores e mandou-os para a rua com um questionário de 521 perguntas na mão. Cerca de 18 mil pessoas dissecaram sua vida sexual na mais ampla pesquisa sobre o assunto feita até hoje. E Kinsey descobriu que os costumes sexuais americanos eram muito, mas muito mais variados do que se imaginava ou do que as leis americanas permitiam. Com olhar e vocabulário de zoólogo, ele surpreendeu os americanos mostrando que o sexo dentro do casamento era só um entre vários meios de os americanos chegarem ao orgasmo. Os resultados foram reunidos nos livros O Comportamento Sexual do Macho Humano, de 1948, e O Comportamento Sexual da Fêmea Humana, de 1953.
O que ninguém sabia na época era que, além de ter fama, Kinsey deitava na cama. Vivendo um casamento aberto com sua ex-aluna Clara, ele transava com seus ajudantes (que trocavam de mulheres entre si) e curtia práticas masoquistas. Enfiava escovas de dente no pênis e fez a própria circuncisão com um canivete.
Em 1954, deputados americanos acusaram o zoólogo-sexólogo de trabalhar para os comunistas, e ele perdeu financiamento para seus estudos. Para continuá-los, fundou o Instituto Kinsey, ainda em funcionamento. Hoje, o instituto é dirigido por Julia Heiman, que também vê o dinheiro federal sumir. “Infelizmente, o estudo do comportamento sexual ainda é confundido com questões morais”, diz Julia. “E muita gente acredita que Kinsey foi a fonte de todos os problemas sociais.”
O QUE AS LEIS
AMERICANAS DIZIAM
• Até 1962, o sexo
anal era crime em todos os estados americanos. No estado de Idaho, o “culpado”
podia pegar prisão perpétua.• A Flórida proibia o sexo fora do casamento até a década de 90, com a ressalva: a mãe que amamentava seu bebê não violava essa lei.
• O estado de Columbia proibia não só o sexo oral ou anal, mas a penetração em qualquer local que não fosse a vagina.
O QUE KINSEY
DESCOBRIU
• 11% dos homens
afirmaram já ter praticado sexo anal com suas mulheres.• 55% das mulheres e 50% dos homens disseram que já haviam se excitado apanhando.
• A estimulação manual ou oral dos seios eram a segunda e a quarta preliminares favoritas dos entrevistados.
• 37% dos homens e 13% das mulheres afirmaram já terem chegado ao orgasmo com pessoas do mesmo sexo pelo menos uma vez na vida.
Aventuras na História n° 019
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