sábado, 4 de maio de 2013

Timor-Leste independente


Rodrigo Cavalcante
Cinco séculos da história do país.
Até conquistar sua independência, em 20 de maio de 2002, há cinco anos, e se tornar um dos países mais jovens do planeta, a parte leste do Timor, ilha do sudeste asiático – hoje chamada de República Democrática do Timor-Leste –, foi dominada por quase cinco séculos. Passaram por lá portugueses, espanhóis, holandeses, japoneses e indonésios.

1520 - Entreposto português
Os portugueses, primeiros europeus a colonizarem o sudeste asiático, montam entrepostos comerciais na ilha do Timor de olho no sândalo. A madeira da árvore tinha alto valor comercial por ser utilizada na fabricação de móveis de luxo, óleos e perfumaria.

1613 - Dominação holandesa
Os holandeses, em guerra contra a Espanha e Portugal (que, nesse período, vivia sob o domínio espanhol), desembarcam na cidade de Kupang e, assim, passam a dominar toda a parte ocidental da ilha – território conhecido atualmente como Timor-Oeste.

1859 - Timor dividido
Em 20 de abril, um tratado entre Portugal e Holanda divide a ilha do Timor em duas colônias: uma holandesa, a oeste, e outra portuguesa, a leste. O tratado, que só teria efeito prático em 1861, é seguido por outros nas décadas seguintes. As fronteiras do Timor só são definidas pelos países com clareza em 1914.

1942 - Invasão japonesa
Na Segunda Guerra, o Japão invade o Timor e disputa a ilha com os australianos, recém-chegados. Em 1945, Portugal reavê o domínio da parte oriental. A parte oeste passa a ser província da Indonésia.

1975 - Primeira independência
Um ano após a Revolução dos Cravos, que põe fim à ditadura em Portugal, a Fretilin (Frente Revolucionária do Timor-Leste) declara a independência do país. Isso aconteceu após ela sair vitoriosa de uma luta contra a União Democrática Timorense (UDT), favorável à manutenção dos laços com Portugal.

1976 - Invasão indonésia
Sob a ditadura de Suharto (que, como muitos javaneses, tem apenas um nome), a Indonésia anexa o Timor-Leste, ignorando o governo português e a ONU, que votou pela retirada das tropas indonésias do país. Cerca de 200 mil timorenses morrem na invasão.

1996 - Pressão internacional
Com a concessão do Prêmio Nobel da Paz para dois defensores da independência do Timor-Leste – o bispo Carlos Ximenes Belo e o ativista da Fretilin José Ramos-Horta –, cresce a pressão internacional pelo fim da ocupação da Indonésia no país. Suharto renuncia dois anos depois.

1999 - Massacre civil
Em um plebiscito em 30 de agosto, 78,35% dos timorenses votam pela independência. O resultado não agrada a Indonésia, que massacra centenas de civis. Em setembro, chegam tropas da ONU e, em novembro, o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello assume lá o cargo de administrador de transição da ONU.

2001 - Governo provisório
Os timorenses elegem a Assembléia Constituinte e dão 55 das 88 cadeiras para a Fretilin. O secretário-geral, Mari Alkatiri, assume o cargo de primeiro-ministro do governo provisório.

2002 - Independência definitiva
A nova Constituição entra em vigor e, em março, o ex- líder da guerrilha separatista Xanana Gusmão é eleito presidente com 82,7% dos votos. Em maio, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello deixa o posto, o país se torna oficialmente independente e o governo provisório assume plenos poderes.

Aventuras na História n° 045

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