Desde o início do século XX, intensificaram-se as tensões entre Estados Unidos e Japão, pois ambos expandiam suas influências sobre áreas da região. Ao longo da segunda metade do século XIX, com a compra do Alasca e Ilhas Aleutas e com a ocupação do Havaí e das Filipinas, os Estados Unidos estabeleceram sua presença no Pacífico. O Havaí – onde Washington instalou sua maior base aeronaval – situa-se a meio caminho entre o Extremo Oriente e a costa oeste do país, desfrutando de uma posição estratégica no controle do abastecimento das rotas marítimas e aéreas trans-pacíficas. A base funcionava como algo parecido a um imenso “porta aviões” permanentemente ancorado no meio do maior oceano do mundo. O ataque japonês tinha o propósito de anular essa vantagem.
O Japão conheceu uma guinada histórica durante a segunda metade do século XIX, quando centralizou o poder político na figura do imperador, dando início à chamada Era Meiji. Sua economia rapidamente se modernizou, ao mesmo tempo em que se fortaleciam suas forças armadas.
Com isso, foram criadas as condições para um processo de expansão territorial para além do arquipélago japonês.
Numa primeira fase, o Japão declarou guerra contra a China, já enfraquecida pela ocupação estrangeira e pelos conflitos internos. A vitória, conquistada em 1895, evidenciou que a China, por sua extensão, recursos e população, seria uma preocupação constante da geopolítica nipônica. O triunfo permitiu a ocupação da Coréia, portal de entrada japonesa na Ásia do Norte. Com isso, o Japão entrou em choque com interesses russos na área.
Entre 1904 e 1905, Rússia e Japão se envolveram num conflito essencialmente naval, vencido pelos japoneses. Pelo tratado de Portsmouth, o Japão tomou aos russos a parte meridional da ilha de Sacalina, reafirmou seu controle sobre a Coréia e anexou um pequeno território ao sul da Manchúria. Em seguida, com a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, Tóquio apoderou-se das colônias germânicas do Pacífico Norte. A incorporação das ilhas Marianas, Carolinas e Marshall estendeu a influência japonesa na esfera do Pacífico.
Ao longo da década de 1930, o Japão acelerou sua política expansionista, promovendo contínuas agressões a países da região seguindo duas estratégias: a “continental” e a “colonial”. A primeira, levada a cabo pelo Exército, expandiu o domínio japonês para a China setentrional e Mongólia.
A colonial, sob a égide da Marinha, tinha como objetivo a conquista das colônias britânicas, francesas e holandesas no sul, sudeste e leste da Ásia, assegurando o acesso a recursos minerais e energéticos dos quais o país carecia. O principal obstáculo para a concretização desse projeto era a presença dos Estados Unidos na região.
A hora de enfrentar os Estados Unidos chegou em 1941, após a assinatura de um pacto de não agressão com a União Soviética.
O vitorioso ataque a Pearl Harbour tornou inoperante grande parte da frota americana do Pacífico. No final de 1942, o Japão controlava praticamente todo o sudeste e leste asiáticos, englobando um enorme território de oito milhões de km2 que abrigava quase meio bilhão de pessoas. No final da guerra, o Japão perdeu todas os territórios anexados após 1895, retornando à sua condição insular.
No plano tático, o ataque a Pearl Harbour foi uma grande vitória. Do ponto de vista estratégico, contudo, conduziu o país a uma derrota devastadora. Em agosto de 1945, o Japão se rendeu incondicionalmente, logo após o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. Menos de quatro anos após do Dia da Infâmia, como o presidente Franklin D. Roosevelt batizou a data do ataque a Pearl Harbour, o Pacífico converteu-se num “lago americano”.
Pearl Harbor deu a Roosevelt os meios para derrotar os isolacionistas, que não queriam a participação americana na guerra mundial. De certo modo, a ONU, a Guerra Fria e a OTAN são fruto do Dia da Infâmia.
Boletim Mundo n° 6 Ano 19
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