A evolução e a
diversidade dos testes atômicos revelados por fotos recém-descobertas nos
arquivos do Exército americano.
Começou no dia 16 de julho de 1945. Depois de três anos de
um projeto que envolveu 300 mil pessoas, os americanos detonaram “Trinity”,
primeira bomba de fissão nuclear. Dois meses depois, as bombas de Hiroshima e
Nagazaki mataram 130 mil e encerraram a Segunda Guerra. Os testes virariam
rotina dali para frente. Uma rotina de uma explosão no mundo a cada nove dias.Até 23 de setembro de 1992, os americanos operaram 1054 testes nucleares, e os soviéticos, 715. Mas as explosões que puderam ser vistas – e fotografadas – foram pouco mais de 400. Duraram até 1963, quando os dois países acordaram em fazer apenas testes subterrâneos.
Nas provas visíveis, o Exército americano destacava equipes de fotografia para captar as explosões no espaço, no fundo do mar e no deserto desde seus primeiros milésimos de segundo. Produzidas para análise dos cogumelos radioativos, as fotos também eternizaram a a incrível beleza das mais poderosas armas da história.
Perto demais
É preciso ficar a
pelo menos 12 quilômetros do epicentro de uma bomba como essa para não ser
afetada pela radiação. Mas em 1951, no deserto de Nevada, a tropa acima
assistiu a explosão de "Dog", de 21 quilotons (21 mil toneladas de
TNT), a 10 quilômetros de distância. Houve casos em que os soldados a menos de
3 quilômetros.
Uma bomba para John Wayne
Em 1953, a bomba
“Harry” espalhou radiação por 160 quilômetros, atingindo a equipe do filme O
Conquistador, que fazia tomadas no deserto de Nevada. Em 1983, 91 dos 220
participantes do filme tiveram câncer, que foi fatal para o protagonista, John
Wayne. Na foto tirada 0,0001 segundo após explodir, “Harry” engole ainda sua
torre de detonação.
Explosão pacífica
“Orange” foi detonada
a 43 quilômetros de altura sobre o Pacífico, em agosto de 1958. Ela cortou as
comunicações por rádio durante 2 horas no Havaí e 9 horas na Austrália. Também
criou um campo magnético que apagou os sistemas eletrônicos da região, provando
que bombas nucleares poderiam funcionar como armas antimísseis.Duzentos andares de água
Em julho de 1946, o
primeiro teste nuclear submarino, no atol de Bikini, criou uma coluna d`água de
600 metros de altura (equivalente a um prédio de 200 andares). Os primeiros dos
71 navios vazios abandonados ao redor foram atingidos por uma onda de 30 metros
de altura que se estendeu por mais de 6 quilômetros.
A arma definitiva
Com 15 megatons, mil
vezes maior que a bomba de Hiroshima e 2,5 mais potente que o planejado,
“Bravo” mostrou, em 1954, no atol de Bikini, o poder incontrolável da fusão do
hidrogênio. Sua radioatividade afetou pescadores japoneses a 140 quilômetros e
fez a área afetada com os testes chegar a 1% da crosta terrestre.
Aventuras na História n° 019
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