Nos séculos 18 e 19, falar sobre carvão mineral era tão
importante quanto, hoje, discutir petróleo ou urânio enriquecido. Graças às 100
milhões de toneladas de carvão que chegaram a extrair por ano, os ingleses
conseguiram trocar o esforço humano por locomotivas, teares e máquinas de
fiação com rendimentos aceitáveis, impulsionando a Revolução Industrial.
As minas de carvão
não são apenas uma consequência da Era das Máquinas, mas também uma causa. Nas
primeiras jazidas, os mineiros usavam bombas de água para retirar a água que se
acumulava. “Essa tecnologia rudimentar foi adaptada pelo escocês James Watt
para os teares, criando seu motor a vapor que desencadeou a Revolução
Industrial”, diz José Jobson de Andrade Arruda, professor de história da
Unicamp. Até a invenção de Watt, motores a vapor eram geringonças dispendiosas
demais. Depois dele, seriam os grandes amigos do homem.
Ouro negro
Como o combustível da
Era das Máquinas era extraído na Inglaterra.
FORÇA ANIMAL
Apesar de moverem as
máquinas da Revolução Industrial, as minas de carvão contavam com pouca
tecnologia. Pôneis e mulas, animais baixos e resistentes, eram usados para
puxar os pequenos vagões cheios de carvão e mover os elevadores. Uma mina de
tamanho médio tinha mais de 50 animais trabalhando.
NO INÍCIO, A EXPLOSÃO
Para abrir túneis e
extrair o carvão da terra, os mineiros utilizavam dinamite – criada graças a
uma invenção dos chineses, a pólvora, que chegou à Europa no século 16. Vigas
de madeira sustentavam as galerias, que tinham pouco mais de 1 metro de altura
e que chegavam até 400 metros de profundidade.
SEPULTURA
Umidade, calor e
gases resultantes da queima de lampiões se misturavam à terra para criar um
cenário dos mais perigosos. Mas o maior risco que os mineiros corriam era o de
dar adeus à luz. Erros na dosagem da dinamite ou problemas na sustentação
transformavam, com frequência, a mina em sepultura.
ELEVADOR
O espaço pelo qual
passavam o elevador e a mangueira da bomba d`água era a principal referência
espacial da mina. Para ele convergiam as galerias principais, equipadas com
trilhos para os carrinhos que transportavam o carvão mineral recém-extraído.
DESPERTADOR
Assim como em
diversas fábricas do século 18, os castigos corporais eram freqüentes nas
galerias das minas de carvão. A função da chibata não era punir, mas manter o
trabalhador acordado durante o extenso expediente, que chegava a 14 horas
diárias.
CLIMA INFERNAL
Quanto mais os
mineiros se aprofundavam na terra, mais o termômetro subia. A partir dos 300
metros de profundidade, a temperatura subia 1ºC a cada 33 metros. O ar
intoxicado das galerias provocava uma inflamação nos pulmões que ficou conhecida
como “doença negra”.
CRIANÇAS NO TÚNEL
Quanto mais profundo
era o túnel, mais difícil era abri-lo. Nesse caso, fazia-se um pequeno buraco e
colocava-se uma criança, de 5 a 7 anos, para escavá-lo. Para recolher o carvão
extraído, o pequeno trabalhador levava um carrinho amarrado ao pé.
Aventuras na História n° 019
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