sábado, 10 de março de 2012

Como os peixes-elétricos geram eletricidade?

Esses animais têm um órgão especializado - chamado justamente de órgão elétrico -, composto de células que se diferenciaram a partir dos músculos durante sua evolução. Assim como os músculos geram eletricidade ao se contraírem, pela entrada e saída de íons de suas células, cada eletrócito (célula do órgão elétrico) também se carrega e descarrega continuamente. Cada vez que os eletrócitos são estimulados por um comando que vem do cérebro, eles produzem uma pequena descarga elétrica de aproximadamente 120 milésimos de volt (120 milivolts). Como o órgão elétrico é formado por milhares de eletrócitos que se descarregam ao mesmo tempo, um peixe como o brasileiro poraquê (Electrophorus electricus), com mais de 2 metros de comprimento, pode gerar mais de 600 volts numa única descarga. "O poraquê  é apenas uma entre mais de 120 espécies de peixes elétricos que existem na América do Sul.
Todas as outras espécies produzem descargas mais fracas, que variam entre menos de 1 volt e 5 volts", diz o biólogo José Alves Gomes, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Também há peixes elétricos em rios da África. Nos oceanos, há duas espécies de arraia e uma de peixe capazes de emitir descargas elétricas.
Usina de força Descarga de um peixe elétrico pode chegar a 600 V, mais que cinco vezes a de uma tomada de 110 V.
1. Certas células musculares do peixe, chamadas eletrócitos, possuem um excesso de íons (átomos eletrificados) com cargas  negativas.
2. Comandadas pelo cérebro do animal, essas células liberam as cargas negativas para o exterior, gerando potenciais elétricos de cerca de 120 milivolts, que, somados, podem chegar a 600 volts.

Revista Mundo Estranho Edição 1/2001

Como o camelo resiste tanto tempo sem beber água?

O bicho é capaz de beber até 100 litros de água de uma só vez. O líquido é usado para hidratar o organismo. "Com todo esse abastecimento, seu corpo se mantém hidratado por até três semanas", diz o biólogo Sérgio Rangel Pinheiro, do Zoológico de Sorocaba, em São Paulo. Como se não bastasse, o camelo possui ainda alguns macetes especiais para reduzir ao mínimo sua perda de líquido. O primeiro está nas narinas, cujo interior tem a forma de cones e espirais, evitando que entre areia e ajudando a preservar a umidade. As paredes dessas cavidades nasais têm também a capacidade de absorver água.
Já o dorso é recoberto por uma penugem densa que ajuda o animal a se proteger do calor, diminuindo sua transpiração. A quantidade de urina que ele elimina também é bem pequena, se comparada com a quantidade ingerida. Além de adaptado para viver em lugares secos, o camelo também está preparado para se virar com pouca comida: suas corcovas são constituídas por uma grande reserva de gordura, acumulada nos meses em que há alimento, para ser consumida durante a escassez.

Revista Mundo Estranho Edição 1/2001

Como o beija-flor fica suspenso no ar?

Em primeiro lugar, a agilidade dessa ave é garantida pela velocidade do batimento de suas asas, muito maior que a de outros pássaros - chegando, em alguns casos, ao impressionante número de 80 batidas por segundo. Mas o verdadeiro segredo é outro. "Ao contrário das outras aves, o beija-flor não agita as asas para cima e para baixo, mas para a frente e para trás, na horizontal", afirma o ornitólogo Luiz Francisco Sanfilipeo, do Parque Zoológico de São Paulo. Como a ligação da asa com o corpo não é rígida , ela pode ser revirada como uma hélice. Assim, de maneira semelhante a um helicóptero, formam-se redemoinhos de ar que mantêm o pássaro pairando. Esse vôo invertido, porém, só é adotado quando o beija-flor quer se alimentar, dispensando-o de pousar junto às flores. Outra coisa: se a força realizada com a asa na posição dianteira fosse a mesma da posição traseira, o beija-flor não se moveria.
Mas o bichinho desloca-se para  a frente e para trás alterando a potência em cada uma das fases da batida. O vaivém de poucos centímetros para a frente e para trás é necessário para ficar em uma posição mais cômoda em relação à flor...
O truque do vôo invertido Todos os pássaros batem as asas para cima e para baixo - o beija-flor faz o contrário para se alimentar.
Quando a asa desloca-se para trás, sua ponta fica virada para cima.
A ligação da asa com o corpo não é rígida e, ao chegar atrás, ela gira.
Quando vai para a frente, a asa volta à posição normal.
Esse movimento em forma de oito gera no ar redemoinhos que mantêm o pássaro suspenso.

Revista Mundo Estranho Edição 1/2001

Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?

Todo mundo sabe que os répteis já botavam ovos muito antes de existirem pássaros. Mesmo assim, essa questão continua extremamente polêmica. Segundo a lei da evolução das espécies, formulada por Darwin, todos os organismos se originam de outros mais primitivos por meio de mutações genéticas. Apoiado nessa teoria, Décio Altimari, geneticista da Santa Casa de São Paulo, afirma: "A galinha, tal como a conhecemos, teve de surgir antes que pudesse pôr o primeiro ovo. Ela deriva de um animal menos evoluído, provavelmente também uma ave. Somente depois de se desenvolver é que um organismo pode se reproduzir".
Já Francisco Mauro Fauzano, geneticista do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, acredita na hipótese contrária, porque a galinha não teria como botar seu primeiro ovo sem ter nascido de um. "Os ancestrais da galinha sofreram mutações a partir de modificações genéticas. Essas mutações alteraram as células germinativas, daí tais ancestrais botaram ovos que deram origem a um novo ser: a galinha", diz ele.

Revista Mundo Estranho Edição 1/2001

É verdade que os cães atacam quem demonstra medo?

Por ter uma visão apurada, o cão percebe mudanças no movimento de uma pessoa assustada. "O animal descende do lobo e dele herdou o instinto da caça. Se alguém começa a andar furtivamente ou com uma postura submissa, ele logo identifica uma presa fácil. O mesmo acontece quando a pessoa corre. Nem sempre o cão persegue a vítima com o objetivo de atacar. Muitas vezes só quer espantá-la e mostrar quem manda no território", diz a veterinária Hanellori Fuchs, da Universidade de São Paulo. O problema é que, quando alguém está com medo do animal, costuma fazer movimentos bruscos, como levantar a mão. Esse gesto de defesa da pessoa é entendido como um ataque pelo cão e pode levá-lo a avançar.

Revista Mundo Estranho Edição 1/2001

Como o vaga-lume emite sua luz?

Químicos e biológos chamam a isso de bioluminescência. "Esse fenômeno resulta da oxidação de uma substância combustível produzida pelo próprio animal: a luciferina", afirma Etelvino Bechara, do Instituto de Química da USP. A luciferina reage com o oxigênio que o animal inspira, auxiliada por uma enzima batizada de luciferase. A energia é fornecida pela substância adenosina trifosfato (ATP), principal fonte energética usada pelo metabolismo das células, mas, nesse caso, o resultado é a emissão de luz. Há três espécies de besouros luminosos: os vaga-lumes, da família dos lampirídeos, com luz que varia entre o verde e o amarelo; os tectecs ou salta -martins, dos elaterídeos, que emitem luz entre o verde e o laranja;  e os trenzinhos, dos fengodídeos, capazes de mais tonalidades: verde, amarelo, laranja ou vermelho.
A reação da luciferina com oxigênio na presença da luciferase e da ATP ocorre em células especiais (os fotócitos) que formam um tecido chamado lanterna. Esse tecido está ligado à traquéia e ao cérebro, permitindo assim o controle da iluminação. Ou seja: o inseto só se acende quando tem vontade.
 Farolete voador Reação química faz inseto acender
1. O oxigênio inalado pelo vaga-lume é enviado para o tecido chamado lanterna, onde reage com duas substâncias: luciferina e luciferase.
 2. A substância ATP fornece energia e o resultado da reação é a oxiluciferina, que libera energia em forma de luz.

Revista Mundo Estranho Edição 1/2001

Como ocorre a camuflagem do camaleão?

O mimetismo é a capacidade de imitar o ambiente, para se confundir com ele. O camaleão faz isso trocando de cor, porque consegue controlar a concentração de pigmento nas células de sua pele. Tais células têm formato estrelado, com ramificações que se distanciam do centro. Ao longo delas, existem microtúbulos para carregar o pigmento do núcleo para as extremidades. Há vários tipos de pigmentos, formando cores diferentes. Dependendo da situação, os microtúbulos carregam determinado pigmento para as ramificações das células, alterando a cor da pele do bicho. Os fatores que provocam a mudança vão da defesa do território contra um macho rival à camuflagem para fugir de um predador ou se aproximar de uma presa. "Passar de uma planta verde para outra florida também pode desencadear o mimetismo", diz a bióloga Maria Aparecida Visconti, da USP. Além do camaleão, outros lagartos, lulas e polvos também podem mudar de cor rapidamente.

Revista Mundo Estranho Edição 1/2001