sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Jogo Geométrico para crianças e adultos


Os leitores que gostaram dos pentaminós vão adorar Lance final um jogo rápido, inteligente e baseado integralmente em formas geométricas – no caso, formas geométricas – no caso, formas geradas a partir de um módulo hexagonal. O equipamento do jogo consiste em um tabuleiro e dois conjuntos de peças, um azul, que fica com um dos jogadores, e outro branco, que fica com o adversário. Cada conjunto é composto de treze peças, formadas com um número variável de hexágonos adjacentes. Há peças com um, dois, três e quatro hexágonos. O tabuleiro contém oito áreas, cada uma das quais abriga espaço para certo número de módulos hexagonais.
A mecânica do jogo é simples e eficiente: os jogadores se alternam colocando uma peça por vez, à sua escolha, em qualquer uma das áreas. Aquele que fizer o lance final para completar uma área, isto é, terminar de preenchê-lo, ganha tantos pontos quantos forem os módulos daquela área. Para registrar isso, ele coloca um tampão de sua cor num dos módulos. Em seguida, ganha o direito de jogar de novo. E assim o jogo prossegue até que nenhum dos dois consiga instalar mais nenhuma peça. Então o vencedor será o que tiver o maior total de pontos. A primeira vista parece um bom negócio ocupar logo de saída as áreas menores. Com as peças maiores. Mas algumas partidas (e algumas derrotas) logo ensinarão que as coisas não são assim tão simples: as peças grandes têm um grande poder de fogo na luta pelas áreas mais valiosas do tabuleiro.
Lance Final proporciona uma agradável oportunidade para o exercício do raciocínio geométrico, pois requer constante avaliação das rotações e translações das peças disponíveis. Suas regras fáceis e sua curta duração permitem que adultos e crianças divirtam-se conjuntamente com um bom nível de interesse comum. Quanto ao aspecto físico do produto, cabe elogiar o bom nível das peças plásticas – sem rebarbas, bonitas e duráveis. Um único reparo: o tabuleiro podia ser um pouco mais espesso, fazendo justiça à boa qualidade das peças.

Revista Super Interessante n° 025

Engenharia Genética: Esperma absorve gene alheio


Biólogos italianos conseguem introduzir genes de uma bactéria em espermatozóide de ratos.
Uma nova polêmica vem agitando a área já carregada de controvérsias da Engenharia Genética. O motivo é a notícia de que biólogos italianos conseguiram introduzir genes de uma bactéria em espermatozóides de ratos. O método consagrado, também caro, demorado e incerto, para obter-se animais com genes alheios é o de injetar DNA, a molécula da hereditariedade, em embriões. Os italianos, que por sinal pesquisavam algo inteiramente diferente, apenas misturaram ao esperma das cobaias uma solução com o gene que induz a produção de certa enzima em bactérias. Depois, os espermatozóides foram inseminados em ratas – e 30 por cento das crias nasceram com a enzima estranha.
“É difícil acreditar na experiência, tamanha a simplicidade”, espanta-se o geneticista José Mariano Amabis, da Universidade de São Paulo. Ele nota ainda que tentativas anteriores de implantar genes em espermatozóides jamais deram certo. Por via das dúvidas, pesquisadores em muitos países puseram-se a repetir a involuntária proeza italiana. O recente fiasco da fusão a frio parece ter imunizado cientistas de todas as especialidades contra comemorações apressadas.

Revista Super Interessante n° 025

Universidade Mackenzie estimula pesquisas


Universidade Mackenzie promove concurso para estimular pesquisa.
Há quatro anos a Universidade Mackenzie, de São Paulo, promove a pesquisa científica por meio do Prêmio Pesquisa Mackenzie, destinado exclusivamente aos seus 12 mil alunos. Durante o mês de outubro os trabalhos estarão sendo apresentados, e em novembro, julgados e premiados. Para concorrer é preciso inscrever-se em uma das seis áreas – Arquitetura, Artes, Comunicações e Letras: Pedagogia; Engenharia, Física e Tecnologia: Química e Biologia: Ciências Contábeis, Economia e Matemática: Administração e Direito – e ter a supervisão de um orientador. Entre os prêmios estão bolsas de iniciação científica, passagens aéreas, assinaturas de revistas estrangeiras etc. Segundo o professor Ricardo Calil, um dos organizadores do evento, “além do incentivo à pesquisa, o prêmio dá aos alunos a oportunidade rara de manter contato com os professores fora da sala de aula”.

Revista Super Interessante n° 025

Por que o som se propaga mais depressa na água?


Marco A.B. Lima
O som se propaga em ondas a partir de uma fonte emissora, que comprime uma pequena massa de ar mais próxima em um volume menor. Sendo elástico, o ar tende a se expandir novamente tão longo a compressão acabe. Nessa expansão, a primeira massa de ar colide com outra, porção adjacente, que por sua vez repete o processo. Quanto mais elástico o meio, maior a velocidade. Ora, a água, além de altamente elástica, é mais condensada do que o ar, com moléculas muito próximas umas das outras, o que encurta o tempo entre as colisões que transmitem a onda sonora, A primeira tentativa séria de medir a velocidade do som em um líquido foi feita no século XIX pelo físico suíço Daniel Colladon. A velocidade média encontrada foi de 1435 metros por segundo. No ar, a velocidade é de 331,45 metros por segundo.

Revista Super Interessante n° 025

Quem sabe mais sabe esperar


Estudo norte-americano revela que quanto mais inteligente for uma criança, maior a sua capacidade de esperar pela realização de um desejo.
Sempre se acreditou que a marca registrada de toda criança é a exigência de gratificação imediata – o exasperante “quero agora, depois não” – contra a qual a única alternativa seria o poder adulto de frear a impulsividade infantil. Pois parece que não é bem assim. Após um paciente estudo, que se estendeu por mais de dez anos, psicólogo americanos concluíram que. Quanto mais inteligente a criança, maior a sua capacidade de adiar por livre e espontânea vontade a satisfação de um desejo.
Eles pediram a crianças que escolhessem entre fazer algo imediatamente ou fazer outra coisa mais tarde: na maioria das vezes, a opção só não favorecia a proposta mais agradável – cuja satisfação não era porém imediata – quando o tempo de espera era muito longo. Curiosamente, as crianças mais dispostas a adiar uma gratificação também se saíam melhor nos testes de inteligência e de coordenação motora. Voltando ao grupo dez anos mais tarde, os pesquisadores descobriram que aquelas mesmas crianças com maior autocontrole se transformaram em adolescentes com excelente desempenho escolar e grande facilidade para lidar com situações de estresse.

Revista Super Interessante n° 025

Dieta do Japão: Colesterol de menos faz Mal


Dieta de japoneses aumenta risco de hemorragia, pois possui baixo índice de colesterol.
Dizem, talvez com certo exagero, que no Japão de hoje é mais fácil encontrar um hambúrguer do que uma refeição oriental à moda antiga. A troca de hábitos à mesa teve maus efeitos para o perfil de saúde da população: aumentou o nível de colesterol e, conseqüentemente, a incidência de ataques cardíacos entre os japoneses. Mas a mudança parece ter tido também um surpreendente resultado positivo. Segundo recente pesquisa, a adoção de uma dieta rica em gordura animal diminuiu drasticamente os casos de hemorragia cerebral.
De acordo com os pesquisadores, a dieta japonesa à base de peixe e arroz, justamente por ser pobre em colesterol, aumenta o risco das hemorragias. A suspeita condiz com estudos americanos, ainda incompletos, indicando que pessoas entre 40 e 60 anos com baixa taxa de colesterol e pressão alta têm quatro vezes mais chances de sofrer derrames. As razões dessa relação permanecem desconhecidas. Desconfia-se, porém, que a falta de colesterol enfraquece o revestimento dos vasos cerebrais, a ponto de fazê-los romper-se.

Revista Super Interessante n° 025

A reabilitação do tomate

Sílvio Lancellotti

O tomate dos astecas já foi temido como se fosse veneno. Hoje se sabe que é um dos melhores frutos da terra.
Certamente o pão. Talvez o arroz. Nenhum outro alimento, todavia, pode-se orgulhar de sua abrangência multinacional, de sua inabalável universalidade, como o trivial tomate. Sim, trivial, e ao mesmo tempo belo, vibrante, disponível e sensual, o tomate de 2002 utilidades, capaz de se portar com galhardia num cardápio inteiro, da entrada à sobremesa. O tomate da elementar salada e o tomate dos rubros sorvetes que há uma década encantam os desserts das cozinhas novas da Europa e dos Estados Unidos. Mais fantástico ainda, o poder do tomate é recentíssimo. Fala-se do pão já na Bíblia. Existe arroz no Oriente há mais de cinco milênios. O tomate, todavia, não se tornou conhecido na civilização antes do século XVI. E não virou alimento de verdade antes do século XVII.
Na ciência apelidado de Solanum lycopersicum em seu estado selvagem, e de Solanum esculentum na sua versão cultivada, o tomate se originou na costa latino-americana do Pacífico, desde o Peru até o México. Daí o seu nome asteca tomatl. Ostentava então um mínimo tamanho, como um jiló, e era extremamente perecível, apodrecendo meras horas depois de colhido. Navegadores espanhóis levaram sua sementes ao Velho Mundo, provavelmente impressionados com a sua rápida proliferação: qualquer criança pode plantar um tomateiro num canto do quintal que a planta crescerá sem nenhum cuidado especial. Os ibéricos, todavia, instantaneamente repudiaram a novidade.Ocorre que, naqueles idos, a Europa tinha pavor de outra filha da família das solanáceas, a venenosa beladona, de idêntico formato, textura semelhante e pele negra. Ocorre, também, que, na tentativa de evitar a fruta, os espanhóis decidiram experimentar os seus verdes talos e as suas folhas, com patéticas conseqüências - disenterias e intoxicações. Nos arredores de 1535, a corte da Espanha decidiu a questão com um edito real, liberando o tomate exclusivamente para uso decorativo, em arranjos de mesa, por exemplo. Os alquimistas e os botânicos de plantão poderiam muito bem ter economizado o tempo do planeta, analisando a matéria-prima e definindo sua perfeita utilização. Fraquejaram, porém.
Em 1544, o veneziano Pierandrea Mattioli admitiu o parentesco do tomate com a preciosa berinjela que os sicilianos já consumiam com paixão. Matioli, no entanto, batizou o tomate de mela insana, o pomo doentio. Vários dos seus colegas, assustados com a parecença das suas folhas com aquelas da perigosa mandrágora, engataram no raciocínio do veneziano e desaconselharam a iguaria. Inúmeras gerações de suas sementes, de todo modo, começaram a viajar da Espanha à Itália, ou pelas costas francesas, ou via Mar Mediterrâneo. Por volta de 1600, sob o sol majestoso da província da Campânia, na Velha Bota, o Solanum lycopersicum havia crescido de volume e adquirido uma coloração sensacional. Incapaz de resistir a seu sanguíneo magnetismo, algum cozinheiro napolitano mais inspirado mesclou lâminas de tomate a uma salada de alface, dentes de alho e azeite. Deu certo no sabor - com a vantagem nem um pouco desprezível de que ninguém morreu.
O cuca esperto voltou a ousar e fritou fatias hipnotizantes em óleo e manteiga. Maravilha inigualável. Daí para o molho dos spaghetti foi seguramente um passo apenas. Consagrado em Nápolis, o tomate refez o seu trajeto através da Europa. Àquela altura carregava títulos bem mais charmosos do que mela insana, ora o pomo d’oro, ou fruto de ouro, ora o pomo d’amore, o fruto do amor. Subiu à Alemanha com a alcunha de Paradiseapfel, a maçã do paraíso. Aterrissou até mesmo na Polônia, como pomodory. Só nos meados do século XVIII, entretanto, a solanácea resgataria seu nome de batismo. Ao realizar as investigações que redundariam na sua obra fundamental, o biólogo sueco Carl von Linné, o Linnaeus ( 1707-1778), pioneiro no mundo a definir um sistema adequado de identificação dos gêneros e das espécies das plantas e dos animais, ainda com cautela sugeriu o seu consumo sem muitas restrições. Linnaeus refez a linhagem genética do tomate, cristalizando a sua descendência do tomatl das Américas.
Daí o português tomate, o francês idem, o espanhol também, o alemão Tomate com a inicial maiúscula dos substantivos tedescos, o inglês tomato, o holandês tomaat, o turco Tomates. De banido e vilipendiado, o produto se internacionalizou e hoje é apreciado até na China e no Japão. Foi o medo caseiro de suas possíveis agressões que, no princípio de seu uso culinário, compeliu as  mamães italianas a perpetuar os seus capitosos molhos de spaghetti em cinco ou seis horas de meticuloso cozimento. Imaginavam elas que o longo tempo de caldeirão ajudaria a eliminar todas as eventuais toxinas dos seus pomidori. Tolice. E inutilidade. Na realidade, estavam queimando o que existia de nutriente na matéria-prima.
Hoje, sabe-se que em meros cinco minutos de fogo de médio porte, acima de 60 graus centígrados, um vero sugo de tomates começa a perder todos os seus nutrientes principais, os sais minerais que se sublimam com a água evaporada. O pavor, de todo modo, se transformou em tradição. Determinados chefs amadores, e mesmo os profissionais, se envaidecem quando afirmam a demora quase absurda com que cometem os seus molhos. Oficialmente, o primeiro mestre a se aproveitar sabiamente do tomate numa panela foi o romano Francesco Leonardi, cozinheiro predileto de Catarina II da Rússia. A Leonardi, cujo apogeu pode ser datado entre 1750 e 1780, se atribui a receita de sugo que serve de base a todas as outras espalhadas pela Terra: solanácea macerada em azeite, na companhia de um pouco de cebola, cenoura e salsão, tudo refogadinho meigamente e então passado numa peneira ultrafina.
Por emulação, os chefs franceses da imperatriz Eugénie, mulher de Napoleão III, acabariam introduzindo o molho de tomates na corte de Paris. A rendição total ao sucesso do produto aconteceu por intermédio do naturalista Charles Darwin (1809-1882), o pesquisador da origem e da evolução das espécies. Um fanático pela solanácea, quase diariamente Darwin se aboletava em casa num banquinho de jardim bem à frente de um pomar de tomateiros, e lá ficava minutos a fio, a soar um cintilante trombone, na esperança de estimular o crescimento dos frutos com a sua música solene. Pelo menos é o que consta.
Do molho de tomates nasceu o catsup ( na versão chinesa ) ou Ketchup (interpretação britânica da palavra ). A raiz da preciosidade é discutível. Não, contudo, a delícia da sua combinação, o suco reduzido da fruta na companhia de um bom vinagre e especiarias. Num dos seus mágicos livros. As aventuras de Mr. Pickwick, datado de 1836, o inglês Charles Dickens fez o seu caro personagem encerrar cripticamente uma carta: “Um picadão e molho de tomates. Do seu Pickwick”. Com certeza o filósofo ambulante de Dickens se referia ao Ketchup.
O momento culminante da história do tomate levaria pouco além de cinqüenta anos para eclodir. Aconteceu em Nápoles, em junho de 1889, quando o pizzaiolo Raffaele Esposito foi convidado a preparar em repasto em homenagem à rainha Margherita, da Itália recém-unificada. Esperto e politiqueiro, Esposito resolveu compor uma pizza nas três cores da bandeira do país, o verde, o branco e o vermelho. Resolveu a questão cobrindo o disco de massa com purê de tomates frescos, lascas de mozzarella de búfala e folhas rebrilhantes de manjericão. Elogiado por sua Majestade, deu à pizza o nome, Margherita.
A solanácea, que já se casava perfeitamente ao macarrão em suas infinitas variedades, encontraria mais um motivo para pretender a eternidade. Cerca de uma década atrás, um levantamento da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, colocou o tomate na décima quarta posição entre os alimentos mais nutritivos da natureza - atrás dos brócolos, espinafres, couves-de-bruxelas, vagens, ervilhas, aspargos, alcachofras, couves-flores, batatas-doces, cenouras, milho verde, batatas comuns e repolhos. Ao mesmo tempo, porém, o tomate foi relacionado na liderança dos alimentos que, pelo volume de seu consumo, mais contribuem com nutrientes para as dietas da humanidade: à frente das laranjas, batatas comuns, alfaces, milho verde, bananas, cenouras, repolhos, cebolas, batatas-doces, ervilhas, espinafres, brócolos, vagens, aspargos e couves-flores. Um grande passo para uma iguaria tão jovem.
De baixíssimas calorias, meras dezenove a cada 100 gramas, o Solanum lycopersicum é riquíssimo em vitaminas e sais minerais, particularmente sódio, potássio, cálcio, fósforo e ferro, vitamina A (um agente da defesa orgânica contra as infecções ) e vitamina C (ou ácido ascórbico, protetor do sistema vascular e importante na cicatrização de machucaduras). Opostamente ao que se imagina, o tomate é um produto ácido somente na lenda. Uma das suas qualidades principais: alcaliniza, ou torna básicos, os fluidos do corpo, a água, o soro e o sangue, complicando, assim, a proliferação de bactérias e outros microorganismos indesejáveis.
Melhor, como sugere o seu próprio nome italiano, o tomate adora absorver as energias do Sol. Consegue conservá-las até o amadurecimento e as desprende, saudavelmente, num simples contato com os lábios, a língua e as papilas gustativas. E não se devem retirar a sua pele e suas sementes a não ser em casos extremos de dificuldades digestivas e estomacais. As sementes, principalmente, são recobertas por uma substância mucilaginosa, viscosa, que lubrifica as paredes intestinais e facilita o desprendimento dos dejetos. A pele, por sua vez, contém a celulose que dá consistência aos alimentos. Muita gente acredita que o tomate estimula as diarréias. Errado. Esse risco só existe quando se ingere o fruto sem a casca. De ação desintoxicante e regeneradora dos tecidos, o seu suco fresco e natural, ingerido imediatamente depois de perpetrado, para que as vitaminas não se enfraqueçam, auxilia na terapia das inflamações e de certos distúrbios cardíacos produzidos pelo espassamento do sangue.
Na gastronomia, devem-se escolher, invariavelmente, aqueles bem firmes, homogeneamente vermelhos, que os feirantes costumam vender para saladas. E fugir dos que os mesmos feirantes, picaretas, oferecem para o molho. Esses, infelizmente, não passam de frutos passados e amassados nos fundos das caixas, coisa que gente ignorante ou inescrupulosa não hesita em mandar adiante a fim de salvar o seu bolso.

Ouro rubro o ano inteiro
Existem no planeta vários tipos diferentes de tomate. O caseiro e mais comum se chama, apropriadamente, money maker, fazedor de dinheiro. É abundante nos cachos da haste-mãe, mas por ser tão prolífico acaba oferecendo um resultado irregular no tamanho e na cor. A sua contrapartida é o marmande, o tomatão-caqui, um híbrido de evolução complexa que exige um solo de colina para a maior movimentação da águas ao redor das suas raízes. Na Itália predomina o espetacular San Marzano, de desenho alongado, polpa muito espessa e sementes miudinhas.
Originalmente, o tomate medrava e amadurecia apenas nos meses de primavera, de setembro a dezembro no hemisfério sul, de março a junho no hemisfério norte. O homem, contudo, aprendeu a controlar as manhas da matéria-prima. Hoje é possível, digamos assim, enganar o tomateiro, por meio do calor artificial das estufas, de modo que ele proponha os seus frutos no ano inteiro sem variações de qualidade. No Brasil, o Estado de São Paulo dispõe das mais modernas e preciosas condições de produção, por causa da proximidade de grandes indústrias de processamento de molhos e purês. Em peso, a colheita nacional de tomates atinge a casa dos 2 milhões de toneladas anuais - quase um terço do total proveniente de São Paulo. O Estado de Pernambuco ocupa o segundo lugar, com aproximadamente 280 mil toneladas.

À moda do autor
A receita que segue carrega uma sabedoria de cinco gerações - com os devidos enriquecimentos. Trata-se do sugo essencial de tomates que herdei de meus ancestrais e que atualmente cometo de acordo com os modernos parâmetros que a teoria e a prática me ensinaram. Sua companhia ideal: obviamente os spaghetti de número 8.

Ingredientes (para oito pessoas):
- um salsão inteiro
- duas cenouras
- 6 colheres (de sopa) de azeite de oliva
- 6 colheres (de sopa) de manteiga
- 6 quilos de tomates maduros mas de polpa rija, cortados ao meio e livres do entalhe das hastes e dos eventuais brancos internos
- 100 gramas de cogumelos secos
- sal, pimenta-do-reino moída no momento e noz-moscada raladinha na hora

Modo de Fazer
Abro o salsão e lavo perfeitamente suas folhas, do bulbo aos verdes superiores. Corto em tiras, esfregando com vigor. Elimino alguns milímetros de suas cabeças e corto em fatias, grosseiramente. Num caldeirão bem fundo, aqueço o azeite e a manteiga, sem permitir que dourem. Lanço o salsão e as cenouras. Mexo, entusiasmadamente, com uma colher de madeira, até que comece, a transpirar, cerca de 3 a 4 minutos.
Despejo os tomates. Mexo e remexo por mais cerca de 2 a 3 minutos. Rebaixo a chama ao mínimo viável. Tampo a panela. Mantenho por 15 minutos, remisturando a cada 3. Agrego os cogumelos. Mexo e remexo. Mantenho por mais 15 minutos, sempre com o caldeirão coberto. Retiro. Bato tudo no liquidificador, de maneira a injetar ar no molho e a torná-lo mais leve. Passo numa peneira fina. Devolvo à panela e condimento com sal, pimenta-do-reino e noz-moscada. Observação: com a mesma base é possível conseguir um excelente molho de tomates e carne.
Para as mesmas oito pessoas, uso uma peça bem torneada e sem gorduras de coxão duro, 1 quilo, mais um pedaço de uns 10 centímetros de lingüiça calabresa e picante. Depois de refogar o salsão e as cenouras, incorporo o músculo e a lingüiça e lhes dou uma rápida e equilibrada bronzeada. Então, despejo os tomates. Quando retiro os ingredientes para batê-los no liquidificador, deixo o músculo e a lingüiça de lado - e os devolvo ao molho a fim de reaquecer tudo. Nesse caso, dependendo da textura da carne, talvez seja preciso mantê-la em cozimento por mais tempo além do indicado. O ponto ideal ocorre quando o músculo se mostra macio e quase desmanchável à ponta de um garfo.

Revista Super Interessante n° 025