domingo, 2 de dezembro de 2012

Por que o gago não gagueja quando canta?

Porque o ato de cantar envolve duas ações que ajudam a driblar a gagueira. A primeira é que não precisamos pensar muito para interpretar uma música. Como a letra já está lá, prontinha, basta decorá-la para poder soltar a voz. Isso inibe o problema porque a gagueira costuma aparecer mais na hora de fornecer informações novas ou de emitir um juízo de valor, por exemplo. Por essa razão, a gagueira não some apenas com a música, mas também quando a pessoa fala algo que já treinou antes ou dá uma resposta bem conhecida, citando os dias da semana ou os meses do ano. O segundo fator é que, quando cantamos, usamos mais o hemisfério direito do cérebro, que concentra as habilidades artísticas, enquanto a fala está mais ligada à metade esquerda. A ajuda do lado direito diminui as falhas que geram a gagueira. "Essas  falhas acontecem por causa de problemas no sistema auditivo e por uma falta de sincronia no sistema nervoso, que faz com que a pessoa deseje falar uma coisa, mas acabe não conseguindo.
No  gago, é como se todos os sons viessem na ponta da língua ao mesmo tempo e a pessoa não conseguisse escolher um só", diz a fonoaudióloga Ana Maria Alvarez, uma das autoras do livro Tratando a Gagueira. Os ritmos sonoros ainda podem ser usados como recursos terapêuticos para, aos poucos, transformar a fala em um ato automático.

Revista Mundo Estranho Edição 18/ 2003

Como funciona o código de barras?


O código de barras nada mais é do que a representação gráfica da sequência de algarismos que vem impressa logo abaixo dele. A vantagem das barras é que elas podem ser identificadas rapidamente, e sem risco de erros, por aparelhos portáteis de leitura óptica, como os usados pelos caixas de supermercado. Mas o que realmente importa para identificar o produto é sua sequência numérica, que também pode ser digitada manualmente pelos caixas. "Esse número funciona como uma espécie de RG do produto, ou seja, não existem dois produtos diferentes com o mesmo número", diz a desenhista industrial Cláudia Ferreira, consultora da EAN, organização internacional que gerencia a distribuição dos códigos no mundo e tem uma representação no Brasil. O sistema de barras foi criado nos Estados Unidos em 1973 e acabou sendo adotado na Europa três anos depois. Mas, enquanto os americanos usam uma sequência numérica de 12 dígitos, os europeus optaram por um padrão com 13, que foi adotado no resto do mundo.
A partir de 2005, porém, os dois sistemas deverão ser unificados. Mas isso não significa que toda a confusão numérica vai acabar, pois existem ainda outros tipos de códigos especiais, como o formado por 14 dígitos (usado em caixas de papelão para informar a quantidade de produtos guardados) e o de oito dígitos (utilizado quando a embalagem do produto é muito pequena).

Linguagem cifrada Sistema mais comum, desenvolvido na Europa, usa 13 algarismos para cada produto
As barras são uma representação gráfica do código binário. Cada traço preto ou branco equivale a um bit (1 ou 0, respectivamente) e cada algarismo é sempre representado por sete bits. Uma barra escura mais grossa que as outras é, na verdade, a somatória de vários traços pretos. O mesmo princípio vale para as barras brancas.

AVISO INICIAL
Essas  três primeiras barras mais compridas (uma branca no meio de duas pretas) são uma sinalização, indicando que a seguir vem o código do produto. As barras e seus respectivos algarismos não ficam alinhados - por isso o número 7 vem antes das barras de sinalização.

REGISTRO NACIONAL
Esses três primeiros números (789) indicam que o produto foi cadastrado no Brasil, apesar de não necessariamente ter sido fabricado aqui. Cada país tem uma combinação própria. A da Argentina, por exemplo, é 779.

RG DO FABRICANTE
A segunda sequência de números, que pode variar de quatro a sete algarismos, é a identificação da empresa fabricante. Esse número é fornecido por uma organização internacional, a EAN, que faz o controle para que não sejam distribuídos números iguais.

RG DO PRODUTO

A terceira sequência identifica o produto em si. A numeração varia conforme o tipo, o tamanho, a quantidade, o peso e a embalagem do produto - uma Coca-Cola em lata, por exemplo, tem uma sequência diferente de uma em garrafa.
CHECAGEM FINAL

O último número é um dígito verificador. Ao ler todo o código do produto, o computador faz um cálculo complexo, somando, dividindo e multiplicando os dígitos anteriores. Se a leitura estiver correta, o resultado desse cálculo estranho é igual ao do dígito verificador.

Revista Mundo Estranho Edição 18/ 2003

Qual a diferença entre a sala de cinema comum e a digital?


Giba Stam
A diferença não está tanto na sala em si, mas no tipo de mídia em que o filme fica gravado e no equipamento usado para fazer a projeção. Em vez da tradicional película fotográfica, o filme digital é todo transformado em código binário e fica gravado em um disco. Este, por sua vez, é lido por um computador e "traduzido" para imagens de alta definição. Quem assiste a um filme digital geralmente não nota muita diferença, mas esse tipo de projeção traz várias vantagens. Enquanto a velha película fotográfica perde a resolução quando é copiada e se deteriora com o uso - fica suja, riscada, sem cor e sem brilho -, a imagem digital conserva suas características por muito mais tempo. "Como o filme em película que chega às salas geralmente é uma cópia de terceira ou quarta geração do original, ele acaba tendo menor resolução", diz o economista Patrick Siaretta, presidente de uma empresa especializada em equipamentos para cinema digital. Outra diferença é o som.
Nos filmes tradicionais, ele fica gravado numa estreita fita entre a perfuração da película e os fotogramas com as imagens. Como o espaço é pequeno, o som precisa ser compactado, o que faz com que uma parte das informações seja descartada. Nos filmes digitais existe memória suficiente para gravar tudo sem compressão, mantendo todas as nuances do som original. Apesar dessas vantagens, a expansão das salas digitais ainda esbarra no preço, já que cada uma delas requer um investimento em torno de 750 mil reais, valor cinco vezes maior que o gasto na abertura de uma sala comum. É por isso que hoje só existem seis cinemas digitais no Brasil, dois em São Paulo, um em Campinas (SP), um em Brasília e dois no Rio. Já nos Estados Unidos a situação é outra: a previsão é de que todos os cinemas do país estejam convertidos para o novo formato em apenas dois anos.

Próximas sessões Com tecnologia que veio para ficar, as salas digitais serão mais versáteis
Programação variada
No futuro, além de exibir filmes, as salas também poderão projetar qualquer mídia digital, desde um simples DVD até programas ao vivo transmitidos por redes de TV que trabalhem com imagens de alta definição. Isso abrirá espaço, por exemplo, para que as salas sejam usadas como megatelões para quem quiser assistir a grandes eventos esportivos.
Trabalho sossegado
O operador de projeção da sala digital só aperta o "play". Computadores comandam tudo digitalmente. O sistema do projetor se baseia em chips cobertos por microespelhos, que refletem a luz em direção à tela. Cada espelho atinge um ponto específico, formando os pixels - ou pontos luminosos - que compõem a imagem.
Invasão sonora
Como não é compactado, o som nos filmes digitais tem melhor qualidade. Na sala ele é distribuído por 14 alto-falantes. Os próximos à tela são usados para os diálogos, os laterais e os do fundo para sons ambientes e o do meio - posicionado no teto e conhecido como woofer - serve para sons mais graves, como uma espaçonave passando, por exemplo.

Atração high-tech Filmes podem chegar ao cinema via antena parabólica
1. Em vez dos rolos de película, que pesam 30 quilos, o filme digital é distribuído em leves fitas chamadas DLT. Cada uma armazena até quatro filmes de duas horas de duração. Uma antena parabólica também poderá ser usada para fazer o download dos filmes, o que reduz custos de distribuição.
2. O filme recebido via DLT ou via parabólica é armazenado no disco rígido de um servidor, um computador potente que tem três discos rígidos com sistemas operacionais independentes. Se um disco falhar, o outro entra em ação, praticamente eliminando as chances de pane no meio de uma sessão.
3. Ao contrário da película, cuja cópia envolve um processo complexo, um filme digital pode ser copiado num apertar de botões. Por isso, todo filme digital é encriptado (codificado) para evitar a pirataria. Após sair do servidor, ele passa por um decriptador (decodificador) antes de ser convertido em imagem no projetor.

Revista Mundo Estranho Edição 18/ 2003

Como o aparelho de videokê é capaz de dar notas às pessoas?


O método varia de acordo com o fabricante, mas na maioria dos casos os aparelhos só levam mesmo em conta o ritmo da cantoria. Ou seja, você pode até esganiçar como uma gralha agonizante, mas, se fizer tudo perfeitamente dentro do compasso, vai receber uma boa avaliação. Um programa de computador identifica as sílabas da canção e verifica se elas foram cantadas pela pessoa de acordo com o padrão previsto, fazendo a contagem do número de acertos para calcular a nota. "O sistema é uma brincadeira, pois seria impossível uma máquina fazer uma avaliação artística e emocional", diz o matemático Sung Won, diretor comercial da Raff Eletronics, que fabrica aparelhos de karaokê em vídeo. Mas já existem modelos com métodos mais sofisticados, que tentam reproduzir a forma como os seres humanos avaliam uma performance. Além do ritmo, é feita uma análise do volume da voz ao longo da música e uma comparação de melodia, verificando se o tom está correto.
Para criar a fórmula matemática que faz o cálculo da nota final, foram feitos até testes onde um grupo de pessoas avaliava diferentes performances, visando descobrir o que os jurados valorizavam mais na hora de emitir suas opiniões. "Nosso sistema reflete os critérios das pessoas, por isso se assemelha a uma avaliação humana. Por exemplo, perder o ritmo uma vez ou outra costuma não ser tão grave quanto uma bela desafinada", diz o engenheiro eletrônico Ênio Blay, que desenvolveu o programa usado nos aparelhos da Gradiente. O karaokê em vídeo surgiu no Japão no final década de 1980, mas teve sucesso ainda maior na Coréia do Sul, onde acabou virando mania nacional. O divertimento só chegou ao Brasil nos anos 90, quando foram gravadas as primeiras fitas com canções nacionais.

Dicas preciosas O que fazer para arrancar aplausos da galera e elogios da máquina.
Comece com tudo
Na hora de avaliar o intérprete, alguns aparelhos, como o da Raff Eletronics, dão mais importância para o início da música, trecho que acaba valendo a metade da pontuação total. Ou seja, trate de caprichar principalmente nos primeiros versos.
Não saia do ritmo
Geralmente, o mais importante é manter a cadência correta. Se todas as sílabas forem cantadas na hora certa, pintará na tela uma mensagem do tipo: "Você é um profissional!". Mas não se iluda, pois muitas máquinas não reparam, por exemplo, se você desafinou. Entretanto, é importante manter um bom volume de voz e não se afastar do microfone.
Conheça seu "público"
Nem todos os aparelhos, porém, se limitam a medir só a sua cadência. Alguns modelos verificam também se você está dentro do tom, comparando cada sílaba cantada com uma melodia padrão. Portanto, se você for soltar a voz em karaokês em vídeo como os da Gradiente, capriche também na afinação.

Revista Mundo Estranho Edição 18/ 2003

Como é feita a salsicha?


André Santoro
A mais  comum, usada em cachorros-quentes e outras receitas populares, é feita em linhas de produção automatizadas, praticamente sem contato humano e com etapas rígidas de higienização. Isso desmente o mito de que as fábricas de salsichas ainda são ambientes repugnantes, com sangue e gordura escorrendo por todos os lados. Essa idéia se disseminou principalmente pela célebre frase do chanceler alemão Otto von Bismarck (1815-1898), que dizia que as pessoas nunca deveriam saber como são feitas as salsichas e as leis. Na verdade, a única parte do processo que pode afetar os estômagos mais sensíveis é a hora da escolha dos ingredientes, já que essa iguaria é feita com carne picada ou moída de qualquer pedaço de boi, porco ou frango. "Geralmente, o que entra nessa mistura são as sobras dos cortes tradicionais e partes pouco apreciadas, como as bochechas e as vísceras de bovinos e suínos", diz a engenheira de alimentos Eunice Yamada, do Instituto de Tecnologia de Alimentos de Campinas (SP).
Entretanto, a receita costuma mudar um pouco de acordo com o tipo de produto. "Quando a salsicha é de frango ou de peru, a carne aproveitada na fabricação é aquela que fica grudada nos ossos após a retirada das peças principais, como o peito, a coxa e a sobrecoxa", afirma outra engenheira de alimentos, Carmen Castillo, da Universidade de São Paulo (USP).

Mistura animal Restos de carnes de boi, de porco e de frango são os ingredientes principais do produto
1. A matéria-prima da salsicha é a chamada carne industrial, composta principalmente de sobras e aparas dos cortes tradicionais e de regiões pouco valorizadas de boi, frango e porco. Na primeira etapa da produção, as peças congeladas são cortadas em pedaços bem pequenos por um conjunto de máquinas automáticas.
2. Depois de retalhadas, as carnes passam por um aparelho chamado cutter, que transforma a mistura em uma espécie de farelo homogêneo. O passo seguinte é juntar à matéria-prima doses de sal, amido de milho, temperos e conservantes (como nitrito de sódio), que dão uma coloração rosada à mistura. A receita fica então com cerca de 55% de carne e 45% de outros ingredientes.
3. O processo de embutimento propriamente dito começa assim que a pasta sai do cutter. A mistura é usada para encher as tripas, que podem ser naturais (como intestinos de carneiro, por exemplo) ou artificiais, feitas de plástico ou celulose, com diâmetro médio de 2 centímetros. Depois de preenchidas, as tripas são torcidas ou amarradas mecanicamente.
4. Já fechadas, as salsichas ficam por meia hora em uma estufa a 80 ºC. Um termômetro controla a temperatura, avisando a hora de interromper o cozimento, quando o interior da salsicha chegar a 70 ºC. A técnica é um pouco diferente para as salsichas defumadas, mergulhadas nessa etapa em um líquido com essência de madeira, que confere o sabor característico ao produto.
5. Depois do cozimento, as salsichas são resfriadas com uma ducha de água gelada por cerca de 20 minutos, matando microrganismos que sobreviveram ao calor da estufa. O resfriamento também desprende a tripa de plástico, mas a salsicha mantém sua forma porque as proteínas da carne coagulam durante o cozimento, criando uma fina camada externa que sustenta o formato do produto.
6. A essa altura, a salsicha até já poderia ser consumida, mas ela ainda passa pelo processo de tingimento, para melhorar o aspecto do produto. Nessa hora, ela é mergulhada por dois minutos em um tanque com uma solução de urucum, um corante natural. Depois, um banho de ácido fosfórico ajuda a fixar a cor vermelha.
7. Na última fase da produção, as salsichas são embaladas a vácuo, para garantir a conservação por um período maior. Antes de comê-las, entretanto, é recomendável ferver o produto, para se livrar de microrganismos que eventualmente tenham resistido aos processos de cozimento e de choque térmico.

Revista Mundo Estranho Edição 18/ 2003

Como funciona a TV a plasma?


A grande inovação desse tipo de aparelho está na forma como são ativados os pixels, os pequenos pontos luminosos que formam a imagem na tela. Na televisão tradicional, isso é feito por um feixe de elétrons, que é emitido dentro de um grande tubo - por isso o aparelho tem muita profundidade. Já no novo modelo, os pixels são minúsculas lâmpadas fluorescentes que contêm em seu interior plasma, um gás carregado eletricamente que dá nome ao aparelho. Como as microlâmpadas têm espessura equivalente à de um fio de cabelo, o aparelho tem uma estrutura extremamente compacta, parecendo um quadro para pendurar na parede. Além de reduzir a profundidade da TV para poucos centímetros, a nova tecnologia ainda aumentou a resolução da imagem em quase sete vezes. Outras vantagens são a tela plana, que evita distorções, e as imagens com mais cores e brilho, além de menos problemas de reflexo. Entretanto, o princípio usado para formar as imagens é basicamente o mesmo nas duas televisões.
Os pixels, distribuídos em linhas horizontais, da esquerda para direita, e de cima para baixo, não são ativados todos de uma só vez. Assim, cada quadro da tela leva pouco mais de um milésimo de segundo para ser completado. E é exatamente essa sequência de surgimento dos quadros que cria a ilusão de movimento.
Comparação desigual Aparelho antigo usa feixe de elétrons, enquanto o novo tem microlâmpadas coloridas.

TV COMUM
1. Uma peça chamada cátodo emite um feixe de elétrons rumo à tela. A luz criada pelo feixe aciona os pixels na tela, que têm três cores: vermelha, verde e azul. Dependendo da luz que cada cor recebe, forma-se um ponto na tela e a soma de todos eles compõe a imagem.
2. Tudo isso ocorre no tubo da TV. Mas é preciso haver espaço interno para que o feixe de elétrons seja desviado por um campo magnético (controlado pelos sinais da emissora) e consiga varrer a tela toda. Quanto maior a tela, maior tem que ser o tubo.

TV A PLASMA
1. O feixe de elétrons foi substituído por microlâmpadas, dispostas lado a lado, formando uma grade próxima à tela. Cada lâmpada é um pixel e tem uma cor própria (vermelha, verde ou azul). As lâmpadas são acionadas por eletrodos ligados a uma placa de vídeo, que recebe os sinais da emissora.
2. Cada lâmpada possui em seu interior uma mistura de gases. Quando recebem o comando da placa de vídeo, os eletrodos de um pixel liberam elétrons que se chocam contra os átomos da mistura gasosa, transformando-a em plasma, ou seja, um gás com partículas carregadas eletricamente.
3. Essas partículas são atraídas por outras partículas de carga oposta e começam a se chocar, liberando luz ultravioleta, invisível ao olho humano. A luz ultravioleta bate numa camada de fósforo da lâmpada e, aí sim, surge uma luminosidade visível. Ou seja, um dos milhares de pixels da TV foi acionado para ajudar a compor a imagem na tela.

Revista Mundo Estranho Edição 18/ 2003

É verdade que os Estados Unidos compraram vários territórios de outros países?


Sim, é verdade. Desde a sua independência, em 1776, os Estados Unidos cresceram não apenas com a compra de territórios que pertenciam a outros países, mas também por meio de negociações diplomáticas e após algumas guerras. Esse processo de expansão começou ainda durante a luta contra a Inglaterra para obter a independência do novo país. Colonos americanos ocuparam terras ao leste do rio Mississípi que não faziam parte do território das 13 colônias que formaram os Estados Unidos. Essa região acabou incorporada ao país após o acordo de paz que encerrou o conflito com os ingleses em 1783. Nos 200 anos seguintes, o avanço territorial prosseguiu, concentrando-se em terras que faziam fronteira com a nação. Por volta da década de 1890, os Estados Unidos já haviam atingido sua dimensão atual e passaram a investir então na expansão além-mar.
"Em vez de incorporar territórios como estados, essas novas aquisições permaneceram como colônias, embora os processos pelos quais isso aconteceu ainda sejam motivo de controvérsias entre os especialistas", diz o historiador americano Stephen Aron, da Universidade da Califórnia. O controle dos Estados Unidos sobre Porto Rico (hoje um "estado associado" ao país) e sobre as Filipinas (que obteve a independência em 1946) são exemplos dessa segunda fase expansionista.

 Bons negócios Americanos pagaram por terras da Espanha, do México, da Rússia e da França
1. Em 1783, o tratado que colocou um fim à Guerra de Independência dos Estados Unidos contra a Inglaterra estabelecia que as fronteiras do novo país eram limitadas ao norte pelo Canadá, ao sul pela Flórida e a oeste pelo rio Mississípi.
2. Vinte anos depois, em 1803, o então líder francês, Napoleão Bonaparte, precisava de dinheiro para financiar uma guerra contra a Inglaterra e decidiu vender parte das terras francesas na América. Por 60 milhões de francos, os Estados Unidos compraram o território da Louisiana. Em 1818, a fronteira norte da região foi definida após acordo com os ingleses.
3. No início do século 19, a Flórida pertencia à Espanha, que não tinha condições de defendê-la militarmente. Diante das ameaças de invasão de aventureiros americanos e temendo perder o território pela força, a Espanha concordou em ceder a Flórida aos Estados Unidos em 1819. Recebeu por isso uma indenização de 5 milhões de dólares.
4. Colonos americanos que se estabeleceram no Texas, então parte do México, criaram uma república independente e passaram a defender que ela fosse anexada aos Estados Unidos. A idéia foi aprovada pelo Congresso americano em 1845. O Texas foi então anexado e o México entrou em guerra contra o país.
5. Em meados do século 19, políticos americanos iniciaram uma campanha para que o país assumisse o controle sobre o território do Oregon, que pertencia à Inglaterra. Os dois países quase tiveram um novo conflito, mas, por meios diplomáticos, os britânicos cederam a região em 1846.
6. A guerra com o México por causa do Texas foi encerrada com um tratado assinado em 1848. Nesse mesmo acordo, em troca de 15 milhões de dólares, os mexicanos cederam aos americanos territórios que hoje fazem parte dos estados do Texas, Novo México, Utah, Nevada, Arizona, Califórnia e Colorado. Em 1853, por mais 10 milhões de dólares, os mexicanos negociaram outras áreas que formam parte do Arizona e do Novo México.
7. Em 1867, os Estados Unidos adquiriram a última grande região do seu atual território após pagar cerca de 7 milhões de dólares à Rússia pelo Alasca. Na época não se sabia que a área tinha reservas de petróleo e a compra foi muito criticada pela opinião pública americana, que não via motivo para a aquisição de uma área tão remota.

Revista Mundo Estranho Edição 18/2003