Yuri Vasconcelos
Vários insetos e roedores aproveitam pequenos esconderijos
dentro das casas, como ralos, encanamentos e até tomadas elétricas, para
atazanarem a vida do homem moderno. Além das baratas e dos ratos, cupins,
formigas e traças são outros hóspedes indesejados bastante comuns. "O
maior problema do convívio com esses animais é o risco que eles representam à
saúde humana", diz o biólogo Osmar Malaspina, do Centro de Estudos de
Insetos Sociais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro (SP).
Os ratos são a principal ameaça, pois transmitem aproximadamente 200 doenças,
da leptospirose à febre hemorrágica. Segundo dados da Organização Mundial de
Saúde (OMS), um país gasta cerca de 10 dólares por ano pelos males causados por
cada roedor que possui. Como se estima que no Brasil vivam 450 milhões de
ratos, temos um prejuízo anual de quase 5 bilhões de dólares! Já as baratas,
apesar da aparência repugnante, não são tão nocivas assim.Apenas 40 das 4 mil espécies existentes no mundo estão em permanente contato com o homem - as demais são silvestres. As formigas, por sua vez, são uma grande ameaça nos hospitais. Ao transitarem por UTIs e centros cirúrgicos, contaminam materiais esterilizados. Em relação aos cupins, o grande problema é a destruição que eles fazem em portas, armários e móveis de madeira. "No mundo todo há cerca de 3 mil espécies de cupins descritas, mas apenas 10% são consideradas pragas", afirma a bióloga Ana Maria Costa Leonardo, também da Unesp de Rio Claro. Já as traças são capazes de destruir bibliotecas inteiras e causar sérios danos ao guarda-roupa. "Elas preferem atacar tecidos com secreções humanas, como suor e urina, ou sujos com leite, sucos de fruta e cerveja", afirma o biólogo Luiz Eduardo Leite Chaves, gerente de uma empresa especializada no combate a pragas urbanas.
Casa infestada
Ralos, rodapés e até eletrodomésticos podem servir como um
bom esconderijo.
Abrigo úmido
As baratas não causam
doenças por transmissão direta, mas podem veicular moléstias pela disseminação
de vírus e bactérias que adquirem quando caminham em lixeiras e esgotos. Elas
adoram lugares úmidos e escuros, como ralos e caixas de gordura. Podem se
esconder também perto de depósitos de lixos e em terrenos baldios. Manter as
caixas de gordura limpas e bem vedadas e não deixar restos de comida pela casa
é a melhor forma de evitá-las.
Invasão na despensa
Além das traças
(ordem Thysanura) que devoram livros e peças de roupas, existe uma espécie
bastante comum que costuma se alojar na despensa da cozinha, alimentando-se de
produtos como biscoitos, farinhas, chás e arroz. Para prevenir a invasão desses
insetos, é preciso limpar periodicamente prateleiras, armários e guarda-roupas.
Formigas eletrizantes
Dentro das casas, as formigas surgem aparentemente do nada
para atacar alimentos e restos de comida. Mas onde elas se escondem? Um dos
locais preferidos é em volta da parte elétrica da residência, ou seja, dentro
de tomadas, conduítes e até mesmo no interior de aparelhos como
liquidificadores. Para combatê-las, vede frestas de piso, azulejos e outros
lugares que possam servir de ninho, recolha restos de alimentos e guarde-os bem
tampados.
Ameaça interna e externa
As grandes ratazanas (Rattus norvegicus) fazem tocas em
volta da casa, em terrenos baldios e quintais onde achem restos de alimentos.
Já o camundongo (Mus musculus) e o rato de telhado (Rattus rattus) podem ter
ninhos internos, seja na parte de trás do fogão ou no forro da casa. O pior é
que o encanamento de esgoto, que desemboca em ralos e até nos vasos sanitários,
pode ser usado pelos ratos numa invasão. Para mantê-los longe de casa, mantenha
ralos fechados e tape os vãos entre as telhas com argamassa.
Devoradores de
madeira
Rodapés e batentes
são abrigos ideais para os cupins-de-madeira-seca (Cryptotermes brevis), que
também se escondem em móveis, nos telhados ou qualquer canto que tenha madeira
e ambiente seco. Já os cupins subterrâneos (Coptotermes havilandi) constroem
túneis nas paredes mesmo. Ambos vivem em colônias com milhares ou milhões de
indivíduos. Para evitar um ataque devastador, faça inspeções periódicas nos
rodapés e nos móveis.
Revista Mundo
Estranho Edição 18/ 2003