domingo, 29 de setembro de 2013

Cérebro aponta a paquera certa

Pesquisadores americanos descobriram em pesquisas com pássaros que é o cérebro que indica o parceiro certo para o acasalamento.
Para cortejar uma fêmea, o canário emite um som específico, ensinado por machos mais experientes, nos primeiros meses de vida. Os cientistas sabem que o aprendizado da canção de amor só é possível graças a uma área no cérebro do pássaro, chamada Hvc. Até hoje, não havia evidência de que essa mesma região cerebral fosse necessária para as fêmeas reconhecerem a paquera sonora do companheiro de espécie. Mas pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, afirmam que, ao se destruir a área Hvc de fêmeas, elas passam a aceitar qualquer cantada.
Eles injetaram hormônios nas aves, para simular o período do acasalamento. Então, usaram uma gravação com sons de machos. Foi surpreendente: as fêmeas responderam com a mesma animação tanto à música dos canários quanto à dos pardais. Isso significa que, se os hormônios estimulam a atividade sexual, é o cérebro, por sua vez, que indica o parceiro certo. Segundo os pesquisadores, a experiência pode ser valiosa no sentido de mostrar que anormalidades sexuais pode ser origem no sistema nervoso.

Revista Super Interessante n° 041

Eclipse Providencial

Relato sobre como o navegador Genoves Cristovão Colombo escapou de morrer de fome usando a eclipse como sinal divino.
Conhecidos dos astrônomos desde a Antiguidade, os eclipses sempre espalhavam o pânico entre as pessoas. Certa vez, o navegador genovês Cristóvão Colombo (1451-1506) escapou de morrer de fome aproveitando-se desse medo. Em 1502, ele partira em busca de uma passagem marítima para a Ásia. Atropelado por tempestades que avariaram sua frota, aportou na atual Jamaica. Sem poder retornar, Colombo convenceu os nativos que estava ali em nome de Deus e, enquanto esperava ajuda, eles deveriam trazer-lhe alimentos. No entanto, o socorro demorava, e os índios decidiram parar de levar comida aos forasteiros. Sem alternativas, Colombo teve uma idéia. Ao consultar um livro de Astronomia, descobriu que dali a alguns dias haveria um eclipse da Lua. Então. Chamou os nativos e lembrou-lhe que estava em missão divina e que Deus iria castigá-los pela rebeldia. Como prova, enviaria um sinal do céu. Naquela noite, a Lua nasceria cor de sangue. De fato, foi o que ocorreu, e em seguida a sombra da Terra a encobriu. Aterrorizando, os índios foram ao navio pedir perdão. Fingindo entrar na cabine para falar com Deus, o navegador só saiu quando o eclipse estava no fim, para dizer que o Senhor os perdoaria. Mas com a condição de que eles continuassem a trazer alimentos. Naquele instante, o eclipse terminou, a Lua voltou a brilhar e a estratégia de Colombo funcionou.

Revista Super Interessante n° 041

Radiação contra poluição

Aparelho poderá ser usado pelas indústrias brasileiras no tratamento da água poluída por substâncias tóxicas difíceis de serem decompostas nas estações convencionais.
Se der certo, o método poderá ser usado pelas indústrias brasileiras no tratamento da água poluída por substâncias tóxicas difíceis de serem decompostas nas estações convencionais. As amostras de água contaminadas são submetidas ao bombardeio de um feixe de elétrons, capaz de quebrar suas moléculas e reagrupá-las em compostos biodegradáveis. Como a energia dos elétrons, obtida em um acelerador de partículas industrial, é muito baixa, a água tratada não se torna radioativa e pode servir para o abastecimento. Os primeiros resultados foram promissores. Testes realizados pelo Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da USP junto com o Instituto de Pesquisa Energéticas e Nucleares (Ipen) demonstraram que houve uma destruição de 98% de pigmentos e dos compostos mais perigosos que surgem de reação com o cloro. “Trata-se de uma pesquisa promissora, mas é cedo para aplicá-la no tratamento de esgotos sanitários e despejo  industriais”, previne a química Maria Helena Sampa, do Ipen. “Mesmo em outro  países, como Estados Unidos, Japão e Alemanha, esse tipo de tratamento ainda é experimental.”

Revista Super Interessante n° 041

Treinando para o grande encontro

Jornalistas brasileiros estão fazendo um curso de informação ecológica para cobrir o evento, a ser realizado em junho 1992.
Além das queimadas na Amazônia, da sujeira na Baía de Guanabara e da ameaça de extinção do mico-leão, o Brasil tem outro grave problema para hospedar a 2.ª Conferência Internacional sobre Meio Ambiente, em junho do próximo ano: faltam jornalistas especializados para a cobertura de um encontro reunirá pelo menos 20 000 pessoas, representantes de 170 países, entre quais 120 chefes de Estado. “A ecologia é um dos temas mais discutidos na atualidade, mas são poucos os profissionais de impressa que entendem do assunto”, preocupa-se o publicitário Rogério Ruschel, da Ruschel Associados Marketing Ecológico. Por isso, ele se associou à Escola Superior de Propaganda de Marketing e à revista Imprensa na promoção de um verdadeiro curso de informação ecológica, para jornalistas e formadores de opinião que estarão trabalhando na conferência. Serão 48 horas-aula, a partir do próximo mês, sobre temas ligados ao controle ambiental: planejamento urbano, fronteiras agrícolas, desmatamento, energia, legislação e política ambiental e a participação da empresa privada em todas essas questões. No segundo semestre pode haver novo curso no Rio de Janeiro.

Revista Super Interessante n° 041

Buraco do ozônio continua mal

Recentes fotos do satélite Nimbus-7 mostram que o ozônio voltou a faltar na primavera de 1990 na Antártida.
As últimas medições do buraco aberto na camada de ozônio sobre a Antártida, realizadas em outubro do ano passado, não são nada animadoras. As fotos do satélite Nimbus-7 mostram que o ozônio voltou a faltar na primavera de 1990, como já havia acontecido em 1987 e 1989: a área afetada aparece nas cores azul, violeta e rosa, com a Antártida delineada em preto. Para o físico Volker Kirchhoff, do Instituto de Pesquisas Especiais (Inpe), isso não significa que o volume de gases contendo cloro e que reagem com o ozônio tenha aumentado ou ficado constante na atmosfera. “Esses gases são muito estáveis”, explica, “As tentativas de eliminar o seu uso agora só vão surtir efeito daqui a dezenas de anos.” Enquanto isso, o ozônio, que protege a Terra dos raios solares ultravioleta, continuará a faltar.

Revista Super Interessante n° 041

 

Cenoura européia é outra coisa

Comunidade Econômica Européia transforma a cenoura em fruta, num pedido de Portugal, que é grande produtor de geléia da raiz.
 Atenção, botânicos: se alguém disser que o vegetal Daucus carota, popular fornecedor de vitamina A, pode ser uma fruta e não uma raiz, como a ciência houve por bem classificar, contenham o impulso de enfiar uma cenoura goela abaixo do cidadão – ao menos na Europa de 1991, ele não esta de todo errado. Ocorre que, na vasta plantação de regulamento que governa os negócios da Comunidade Econômica Européia (CEE), está escrito que, para gozar das vantagens do livre comércio entre os países membros, o produto chamado geléia só pode ser feito de fruta.
Ora, pois, como os portugueses apreciam geléia de cenouras e querem propagar além-fronteiras o pitéu confeccionado com secular engenho e arte, foram queixar-se aos fazedores de regras da nova Europa, instalados em Bruxelas. Ente a conveniência diplomática e a fidelidade às realidade da natureza, os eurocratas não hesitaram: mandaram às favas os escrúpulos de ciência e decretaram que, a contar do primeiro dia deste ano, cenoura também é fruta. Resta saber como fica a situação do tomate, fruta às vezes usada para fazer geléia, mas que na festança comercial européia entra travestida de legume.

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Uma amostra do efeito estufa

Pesquisas realizadas nos últimos vinte anos na região dos Grandes Lagos, em Ontário, sudoeste do Canadá, já mostram as consequências do efeito estufa.
Os climatologistas já fizeram muitas previsões alarmantes sobre as possíveis consequências de um aquecimento anormal do planeta, provocado pelo excesso de dióxido de carbono e outros poluentes na atmosfera – mas sempre baseado em projeções de computador. Agora, foram divulgados os resultados de uma pesquisa real, realizada nos últimos vinte anos na região dos Grandes Lagos, em Ontário, sudeste do Canadá – justamente um dos pontos que seriam especialmente afetados pelo efeito estufa. Ali, a temperatura se elevou em média de 2 graus Celsius no período e, por causa disso, encurtou o tempo durante o qual permanecem congelados. Houve secas e os incêndios florestais se tornaram frequentes. Além disso, com menos chuva, o volume de água dos lagos diminuiu, o que fez aumentar a concentração de matéria orgânica e o consumo de oxigênio. Para desespero dos pescadores, sumiram as trutas, que só vivem em águas frias, limpas e oxigenadas. “Ainda não se sabe se o calor anormal foi resultado do efeito estufa”, resumiu um dos autores da pesquisa, o biólogo canadense David Schindler, da Universidade de Alberta. “Mas o tumulto no ecossistema é uma amostra do que pode acontecer se a temperatura continuar a subir.”

Revista Super Interessante n° 041