segunda-feira, 2 de abril de 2012

Do que é feito o isopor?

Trata-se de um material sintético que constitui marca registrada da empresa alemã Basf. Ele é feito de um polímero - conjunto de sucessivas aglomerações de moléculas - do composto químico estireno, expandido em pequenas bolhas ocas de 0,4 a 2,5 milímetros de diâmetro. Essa composição está, inclusive, subentendida no outro nome do produto: espuma de poliestireno (polímero + estireno). Há, porém, uma diferença: essas bolhas tornam o isopor 30 vezes mais leve que o poliestireno comum. Sua expansão é provocada pela ação de um agente químico chamado pentano, que aumenta em até 50 vezes o tamanho inicial pela liberação de vapores. Mais de 97% do volume do isopor é constituído de ar, o que dá ao material a propriedade de isolante térmico. O nome do produto em inglês, styrofoam, também é uma marca registrada, só que da empresa americana Dow Chemical, que o introduziu no mercado em 1954, após ele ter sido inventado pelo químico Ray McIntire.

Revista Mundo Estranho Edição 3/ 2002

De que é feito o cimento? Por que é misturado com areia nas construções?

Ele é formado basicamente por uma mistura de argila e calcário (rocha de carbonato de cálcio), que os fabricantes chamam de "farinha". "Essa mistura é levada ao forno a uma temperatura de 1450ºC, onde fica até os dois elementos se fundirem", afirma o químico Carlos Eduardo Tango, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo. O resultado são pequenas bolotas que recebem o nome de clínquer. Elas são acrescidas de gipsita (a matéria-prima do gesso) e, por fim, moídas até virarem pó. Está pronta a fórmula básica do cimento. Para endurecer e ser usado em construções, esse pó precisa receber água, formando uma pasta. As reações químicas que provocam o endurecimento reduzem a água no interior da pasta, sendo que boa parte desse líquido também evapora com o calor gerado pela reação - a perda é tão grande que o cimento pode trincar. A areia entra na mistura para evitar que isso aconteça.
Por ser um material inerte, ela não reage quimicamente com os outros elementos da fórmula - ao contrário, engrossa a mistura impedindo que o cimento rache. Essa combinação de cimento, areia e água recebe o nome de argamassa. Mas quando o volume a ser preenchido é muito grande, até a argamassa pode trincar facilmente - nesse caso, acrescentamos brita (pedra moída) e temos o concreto.
 Entre fornos e moedores Pó de cimento é fruto de processo industrial longo e complexo
1 - Caminhões levam à fábrica as duas matérias-primas do cimento (calcário e argila), inicialmente armazenadas em um galpão.
2 - Os dois materiais são misturados e moídos até virarem um pó fino.
3 - O pó resultante é armazenado em silos para que se misture até ficar bem homogêneo.
4 - A mistura é levada à chamada torre de pré-aquecimento, onde é submetida a temperaturas de até 900ºC.
5 - Neste enorme forno cilíndrico rotativo, a uma temperatura de 1450ºC, a mistura de calcário e argila gira até fundir. Resultado: ela se condensa em bolotas, chamadas de clínquer.
6 - Ao sair do forno, o clínquer é armazenado neste depósito circular e deixado para resfriar.
7 - Agora, o cimento já está quase pronto. Nesta etapa, basta acrescentar gipsita, o mesmo material usado para fazer gesso.
8 - A mistura é moída novamente até virar pó.
9 - O produto final é armazenado em silos e depois empacotado em sacos para distribuição.
 Receita básica
O cimento é feito de três ingredientes:
Argila + calcário + clínquer + gipsita = cimento

Revista Mundo Estranho Edição 3/ 2002

De que são feitos os coletes à prova de balas?

Introduzidos pelo Exército americano na década de 50, nas guerras da Coréia e do Vietnã, eles eram verdadeiras armaduras, feitas de placas de aço costuradas no pano - o que os tornava pesados e desconfortáveis. A grande revolução que permitiu o surgimento dos coletes modernos foi a invenção, em 1965, do kevlar: uma fibra de aramida, material sintético semelhante ao náilon, leve e flexível mas cinco vezes mais resistente que o aço. Feitos de várias camadas de fibra entrelaçadas, esses coletes acolhem a bala, achatando sua ponta e distribuindo seu impacto por todo o tecido, até paralisá-la por completo. O número de camadas determina o nível de proteção do colete - que pode ir de um a quatro, segundo uma norma americana aceita mundialmente. Para certas ocasiões, em que se prevê enfrentar armamentos dos mais pesados, é possível atingir um grau ainda mais elevado de proteção, reforçando o colete com placas rígidas de uma cerâmica especialmente resistente.
O kevlar reinou sozinho até que, nos anos 90, a empresa americana AlliedSignal patenteou a spectra, fibra de polietileno dez vezes mais resistente que o aço. Suas moléculas são esticadas uniformemente em uma só direção, por isso não deformam. Esses coletes de última geração, chamados Spectra Shield, acumulam camadas dessa fibra coladas perpendicularmente, formando uma rede fortíssima. "Ao contrário dos modelos anteriores, ele não estraga com o tempo, não perde força em contato com a água e oferece mais proteção com menos camadas, portanto com menor peso", afirma o capitão Régis Rocha da Rosa, da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, estudioso do assunto. Desde 1997, os coletes adquiridos para as forças policiais brasileiras são da marca Spectra Shield.

 Sanduíche encouraçado Camadas de fibra sintética são garantia de proteção
O mais moderno colete à prova de balas é o americano Spectra Shield, composto de quatro partes: duas camadas de fibra, coladas com resina a 90 graus uma da outra, formam a rede que segura o impacto das balas. Essa rede é selada com dois filmes de plástico, para protegê-la de sujeira, cortes e outros danos.

Revista Mundo Estranho Edição 3/ 2002

Qual é a infra- estrutura necessária para um show de música?

As estrelas no palco são o centro das atenções, mas muito mais gente tem de trabalhar duro para garantir que tudo saia bem. O equipamento costuma ser montado na véspera - normalmente entre 5 e 10 toneladas de parafernália como amplificadores e caixas acústicas, mais 1 000 metros só de fiação, embora as superproduções internacionais usem muito mais. A turnê mundial do U2, em 1997, uma das maiores da história, viajava com 500 toneladas de equipamento, incluindo 35 quilômetros de cabos só para o enorme telão! A infra-estrutura básica para um show - seja em ambientes fechados, seja ao ar livre - pode ser dividida em quatro seções. A que exige mais cuidados é o chamado P.A. (sigla de public address, "endereçamento ao público"), que abrange tudo o que for voltado para emitir o som que a platéia escutará. Para os músicos ouvirem o que estão tocando, é necessário um sistema paralelo de alto-falantes, chamado retorno ou monitor.
Por fim, temos a iluminação e outros efeitos visuais, mais a estrutura do palco. O númeroe a potência das caixas de som depende, obviamente, das dimensões do evento e se ele será em local aberto ou fechado. "Um grande show ao ar livre chega a exigir cerca de 20 caixas padrão e 30 subwoofers (especiais para freqüências graves)", afirma Eduardo Lemos, diretor da Transasom, empresa especializada em sonorização. Além dos amplificadores e dos microfones, o equipamento inclui ainda mesas de mixagem e uma infinidade de periféricos para tratar o som e a luz: compressores, refletores, efeitos como eco e reverberação, equalizadores etc. - tudo operado por uma equipe de profissionais tarimbados como os técnicos de mixagem e os iluminadores.
NA FAIXA DOS GRAVES
Os subwoofers são alto-falantes ultra-robustos, feitos especialmente para reproduzir sem distorção os sons mais graves, vibrações que a gente mais sente do que ouve.
MESA DE MONITOR
Para os músicos escutarem a si mesmos é necessário um sistema paralelo de alto-falantes. Eles são controlados por um técnico que faz mixagens diferentes para cada membro da banda.
PARA O PESSOAL DO FUNDÃO
Grandes shows ao ar livre exigem imensas colunas de alto-falantes no meio da platéia - as "torres de atraso". Um dispositivo eletrônico chamado delay (retardo) faz com que essas caixas toquem uma fração de segundo atrasadas em relação às que ficam junto ao palco. Se não fosse por isso, o público de trás ouviria o mesmo som duas vezes - primeiro o da torre mais próxima e depois o que vem lá da frente.
CAIXAS ACÚSTICAS FRONTAIS
Os alto-falantes dirigidos ao público ficam agrupados em torre nas laterais do palco.
AMPLIFICADORES GERAIS
Para fazer a membrana das caixas acústicas vibrar com força suficiente para emitir som em alta potência, é preciso ligar vários deles em série. A casa das máquinas de um megashow pode ter mais de 40 amplificadores, montados em racks ou estantes.
MESA DE LUZ
É desta complexa central de controle que o iluminador comanda todas as luzes e efeitos especiais do show, incluindo a fumaça. As mesas modernas são computadorizadas, permitindo programar a dança de luzes automaticamente. Quando há telões, uma mesa de vídeo fica logo ao lado.
CANHÕES DE LUZ
Mais de 100 refletores - chamados "lâmpadas-par" - compõem a iluminação básica. Há ainda os follow spots, operados manualmente para acompanhar a movimentação dos músicos, mais as set lights (para criar contraste), luzes de platéia e vários canhões móveis para efeitos especiais.
CAIXAS ACÚSTICAS LATERAIS
Reforçam o sistema de alto-falantes dirigido aos músicos, chamado retorno.
SOM DE PALCO
Na frente de cada músico fica uma "caixa de retorno", alto-falante dirigido especialmente a ele, com uma mixagem personalizada. Todos precisam ouvir seu instrumento em primeiro plano, o que dá um resultado bem diferente do som que é mixado equilibradamente para a plateia.
HOMEM-CHAVE
Sentado à mesa de mixagem, o "operador de P.A." é o responsável pela qualidade do som que a platéia ouve, corrigindo distorções e impedindo que um instrumento anule outro. Além de ajustar tudo antes do show - durante a chamada "passagem de som" -, ele ainda desempenha várias tarefas no decorrer do espetáculo, como aumentar o volume da guitarra durante o solo e aplicar efeitos planejados antecipadamente.
MICROFONAÇÃO
Uma banda de rock emprega em média 40 amplificadores para voz e instrumentos. A microfonação mais complexa é a da bateria, que exige no mínimo oito microfones, cada um de um modelo diferente.
CORINGA QUEBRA-GALHO
Vestidos de preto para não chamar a atenção, os roadies (literalmente "estradeiros") são assistentes indispensáveis. Eles fazem de tudo, desde carregar equipamento e plugar cabos até abastecer os músicos com bebidas e toalhas. Aqui, um deles afina uma guitarra escondido na coxia.
AMPLIFICADORES DE PALCO
Guitarristas e baixistas raramente conectam seus instrumentos diretamente à mesa de mixagem. Eles preferem usar amplificadores pessoais com microfones, o que permite criar as distorções típicas do rock pesado e manipular o volume de som à vontade.
CENTRAL DE CONTROLE
A mesa de mixagem do P.A. (amplificação endereçada ao público) regula e equilibra todos os sons que vêm do palco, com uma média de 48 canais separando os diversos instrumentos, vozes e efeitos. O técnico controla desde a intensidade de cada som e sua dosagem de graves e agudos (equalização) à sua distribuição espacial no estéreo.

Revista Mundo Estranho Edição 3/ 2002

Beber água com açúcar acalma?

Não. Ao ser metabolizado por nosso organismo, o açúcar serve como fonte de energia... e só. Ele não tem nenhuma propriedade sedativa. "Esse velho truque caseiro pode até ter algum fundamento se a pessoa tiver hipoglicemia (falta de açúcar no sangue) ou passar o dia inteiro sem se alimentar. A fome faz com que haja liberação de adrenalina, que provoca suadouro, irritação ou tremedeiras. Nesse caso, o açúcar combateria os sintomas, acalmando a pessoa. Mas se for alguém bem nutrido, o proverbial copo de água com açúcar não faz o menor sentido", afirma o clínico geral Antônio Carlos Lopes, chefe da Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Isso não impede que a água açucarada tenha um efeito placebo - isto é, acabe funcionando por auto-sugestão. Se a pessoa quiser se tranqüilizar, vale mais a pena respirar fundo ou contar até dez.

Revista Mundo Estranho Edição 3/ 2002

O coração do feto e o da sua mãe batem no mesmo ritmo?

Não! Por incrível que pareça, o coraçãozinho do filho, que ainda está se formando, ganha de goleada - com aproximadamente o dobro de batimentos do coração da sua mãe. "Isso acontece porque o pulmão do bebê só começa a funcionar e a oxigenar o sangue depois do nascimento", afirma a obstetra Débora Steinman, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. (O médico dá aquelas famosas palmadinhas justamente para estimular essa primeira respiração.) Enquanto o bebê está no útero, portanto, o sangue precisa ser oxigenado sem ajuda dos pulmões - para isso, ele tem que sair do seu corpo pelo cordão umbilical, receber oxigênio da placenta e ainda ter fôlego para fazer todo o caminho de volta. "Esse percurso é tão longo que o coração do feto precisa trabalhar muito mais que o de um adulto, para poder dar conta de todo o processo", diz o cirurgião-obstetra Marinel Moscovici Danilov, de São Paulo.
Esforço dobrado O feto tem de bombear o sangue para fora do seu corpo.
1 - O coração do feto começa a bater na quinta semana de gestação. O sangue terá de sair do seu corpo por uma veia para ser oxigenado pela placenta, no útero da mãe.
2 - O caminho de ida e volta até a placenta é feito através de duas artérias dentro do cordão umbilical. Percorrer todo o ciclo exige muito trabalho do coraçãozinho em formação.
3 - É a pressão do sangue da mãe - acumulado no chamado lago - que possibilita a troca de gases entre os sangues: o do feto é oxigenado e o da mãe recebe o gás carbônico do sangue do filho.
 O coração da gestante bate 70 a 80 vezes por minuto.
 O coração do feto bate cerca de 120 a 160 vezes por minuto.

Revista Mundo Estranho Edição 3/ 2002

Pensar gasta calorias?

Muito pouco, mas gasta. Para se manterem em atividade, as células nervosas do nosso cérebro (os famosos neurônios) se abastecem da energia que retiram do oxigênio e da glicose presentes no sangue - assim, acabam consumindo uma quantidade mínima de nossas reservas calóricas. "Para ter uma idéia, os neurônios gastam, em média, de 7 a 10 miligramas de glicose por minuto para cada 100 gramas de massa cerebral", afirma o neurologista Jackson Bittencourt, da Universidade de São Paulo (USP). Isso corresponde a um valor entre 0,028 e 0,040 quilocalorias por minuto - ou uma média de 16 quilocalorias (o equivalente a uma mísera bala) a cada oito horas. Assim, para poder emagrecer 100 gramas só pensando, seriam necessários cerca de 15 dias de intensa atividade cerebral. Na verdade, nossa mente gasta calorias 24 horas por dia sem parar, pois o cérebro está sempre funcionando, mesmo quando sonha. E nem é preciso quebrar muito a cabeça.
"Uma pessoa que estiver resolvendo uma difícil equação matemática gasta apenas um pouquinho mais de calorias do que outra que estiver apenas assistindo TV", diz Jackson.

Revista Mundo Estranho Edição 3/ 2002