segunda-feira, 2 de abril de 2012

O que exatamente é a luz?

Rafael Kenski

Na Bíblia, a criação começa pela luz, que inaugura o universo separando o dia da noite. É ela que nos permite enxergar o mundo e, no entanto, é quase impossível visualizar sua verdadeira natureza. Como se não bastasse, tem propriedades tão estranhas e contraditórias que confunde até os físicos mais experientes.
Até o começo do século XX, tudo indicava que a luz não passava de uma onda. Assim como o som ou o movimento do mar, ela é refletida ao encontrar algo como um espelho e sofre interferência ao cruzar com outras ondas de luz. A diferença é que a luminosidade se propaga no vácuo e não precisa ser conduzida por um meio como a água ou o ar.
Mas a concepção da luz como onda não conseguia explicar certos fenômenos, como o chamado efeito fotoelétrico: quando se emite luz contra determinados metais, observa-se que a superfície deles libera elétrons. O enigma começou a se desfazer em 1900, quando o físico alemão Max Planck publicou o primeiro estudo do que viria a ser conhecido como física quântica. Ele descobriu que os átomos não emitem energia de forma contínua, mas em minúsculas partículas chamadas quanta. Em 1905,
Albert Einstein resolveu aplicar essa teoria à luz e percebeu que, se considerássemos que ela também é feita de partículas (posteriormente chamadas de fótons), o efeito fotoelétrico estaria explicado. A física quântica chocou toda a comunidade científica ao propor que a luz é simultaneamente onda e partícula, vibração e matéria - uma ambigüidade considerada absurda, incoerente, impossível. A teoria de Planck e Einstein já foi comprovada diversas vezes em laboratório. Mas ainda resta a pergunta: afinal, a luz é uma onda ou uma partícula? A física abraçou o mistério. "Quem disser  que ela é onda está certo e quem disser que ela é partícula também está.
De acordo com o  experimento, a luz apresenta características de uma ou de outra", afirma o físico Adriano Natale, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). "Não precisamos resolver o enigma. A luz  funciona com uma lógica própria, diferente da que estamos acostumados", diz Amir Caldeira, também físico, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Revista Mundo Estranho Edição 3/ 2002

Quem são os bandidos mais famosos da História?

Yuri Vasconcelos

Não é mole fazer uma lista dos criminosos mais conhecidos. Afinal, sejam eles personagens lendários ou de carne e osso, a relação de foras-da-lei parece não ter fim! Para caber tudo aqui, tivemos que passar um peneira finíssima nos anais da criminalidade, até ficar com apenas seis meliantes que entraram para a história pela ousadia de seus atos ou por peculiaridades que os tornaram inconfundíveis. Alguns, paradoxalmente, até conquistaram a simpatia do povo! Com vocês, os baluartes imortais da vida bandida...
AL CAPONE
O mais famoso gângster americano, Alphonse Capone (1899-1947) dominou o crime organizado na Chicago da Lei Seca, faturando alto com o mercado negro de biritas e mandando matar muita gente - como no brutal Massacre do Dia de São Valentim. Precoce, o pequeno Al inaugurou sua carreira de delitos na sexta série, quando largou a escola no Brooklyn para se juntar aos delinqüentes do bairro. Foi quando uma briga de rua deixou a marca no rosto que lhe valeu o apelido de Scarface (Cara de Cicatriz). Com 28 anos, sua fortuna, fruto também do jogo e da prostituição, era calculada em 100 milhões de dólares. Graças ao agente federal Eliott Ness, Al foi preso por evasão fiscal. Os Intocáveis (1987), com Robert de Niro na pele do gângster, é um momento clássico na vasta filmografia sobre o facínora.
BARRABÁS
Todo mundo conhece a história do ladrão liberado da crucificação para dar lugar a Jesus Cristo. Mas pouco se sabe a respeito dessa figura fascinante, cujo nome em aramaico quer dizer "filho do pai" ou "filho do professor" (especula-se que seu pai era um líder judeu). Uma hipótese para sua condenação seria a participação num assassinato durante uma revolta contra o domínio romano em Israel - o que faria dele um revolucionário e não um larápio comum. Nem as escrituras sagradas dizem, nem os estudiosos da Bíblia sabem o que aconteceu com ele depois da sua libertação durante a festa da Páscoa. Mas Barrabás (1962), com Anthony Quinn no papel-título, imagina várias possibilidades no melhor estilo das superproduções hollywoodianas.
ROBIN HOOD
Vilão ou herói? A resposta é fácil: o salteador inglês que atazanava a vida do xerife de Nottingham entrou para a história como um bandido do bem, que roubava dos ricos para dar aos pobres. Contemporâneo do rei Ricardo Coração de Leão, que comandou os destinos da Inglaterra no século XIV, Robin liderava um alegre bando de aventureiros que vivia aprontando contra os poderosos. Quando a coisa fervia, escondiam-se na floresta de Sherwood. Ainda hoje os historiadores discutem se ele existiu de verdade ou se é apenas fruto da fértil imaginação dos escritores medievais. Seja como for, a história rendeu dezenas de filmes bacanas, desde animações Disney ao clássico do capa-e-espada As Aventuras de Robin Hood (1938), uma das maiores atuações do grande Errol Flynn.
BUTCH CASSIDY & SUNDANCE KID
Imortalizados pelos bonitões Paul Newman e Robert Redford no filme homônimo de 1969 (premiado com quatro Oscars, dois deles para a música genial de Burt Bacharach), eles formaram a mais conhecida dupla de assaltantes do Velho Oeste americano no final do século XIX. Também tinham um quê de Robin Hood e eram adorados pelos necessitados. Depois de muitos assaltos a bancos, fazendas e trens, fugiram para a América do Sul, onde continuaram sua vida de contraventores. Ninguém sabe ao certo como morreram, mas a versão oficial conta que foram surpreendidos pela polícia e fuzilados num vilarejo perdido nos confins da Bolívia, em 1909.
LAMPIÃO
Virgulino Ferreira da Silva, o Rei do Cangaço, foi por muito tempo o inimigo número um da polícia nordestina. Sua carreira de fora-da-lei teve início em 1920, para vingar a morte do pai. Roubando, cobrando tributos de latifundiários e assassinando por encomenda ou vingança, ele viu sua fama correr todo o país. Para completar, foi anunciado como "enviado de Deus" pelo Padre Cícero e creditado como autor da imortal cantiga "Mulher Rendeira". Em 1938, depois de 18 anos no crime, sua vida chegou ao fim numa emboscada na Grota do Angico, interior de Sergipe. Lampião foi morto junto com a igualmente fascinante companheira Maria Bonita e boa parte da sua quadrilha. Sua cabeça, decepada, acabou exposta em praça pública. A clássica cinebiografia O Cangaceiro (1953) inaugurou uma série de filmes brasileiros dedicados ao cangaço - um número pequeno, porém, se comparado à sua presença na literatura de cordel.
MADAME SATÃ
Ele era um negro de poucas palavras, que não gostava de brincadeiras e adorava vestir coletes e camisas de seda. O dândi pernambucano João Francisco dos Santos, vulgo Madame Satã, foi um dos mais célebres bandidos que o Rio de Janeiro já conheceu. Homossexual assumido e perito na navalhada, o que mais adorava era surrar policiais. Sedutor, conquistou a amizade de gente famosa, como os cantores Noel Rosa e Francisco Alves, mas se vangloriava de ter matado com uma rasteira um dos maiores gênios do samba, Geraldo Pereira. Apesar disso, o cartunista Jaguar disse dele: "Foi o meu herói e melhor amigo". A história desse transgressor com T maiúsculo, que nasceu em 1900 e passou 27 anos mofando atrás das grades, deu um dos melhores filmes brasileiros dos anos 70, A Rainha Diaba, e voltará a ser contada num longa-metragem com estréia prevista para este ano.

Revista Mundo Estranho Edição 3/ 2002

O que é e como funciona o Narguilé?

Cristina Ramalho

Tem algum turista que volte da Índia ou da Turquia sem trazer de souvenir esse inusitado cachimbo que mais parece a garrafa do gênio das 1001 Noites? Quem for a esses países e visitar uma casa típica ou algum café-tabacaria, provavelmente será convidado a dar uma pitadinha nesse troço, em que serpenteia uma mangueira que pode ter duas piteiras. Nesses casos, o sujeito fuma e passa o outro bico ao amigo. Assim, funciona também como um cachimbo da paz - lembrando também, para nós brasileiros, o ritual do chimarrão. "É uma das mais antigas tradições árabes, um passa-tempo que todo mundo pratica", diz o xeque Jihad Hassam, do Centro Islâmico e Mesquita Abu Baker Sadik, em São Bernardo, SP.
São muitas as versões para a origem dessa curiosa tecnologia: alguns estudiosos acreditam que tenha surgido na América, de onde os europeus a teriam levado para a Ásia e a África. Cientistas que defendem a tese que os africanos viveram na América muito antes do descobrimento apostam que foi assim que o narguilé foi para a África. Já os indianos garantem que há 2 mil anos ele já era pitado por lá, tendo sido ligeiramente modificado pelo Império Otomano. Os persas, por sua vez, se diziam os inventores do aparato, utilizado por eles para pitar dokka (a marijuana de então); e os turcos, em 1600, já tragavam ópio e outras substâncias mucho locas nesse troço. O nome vem do turco arguil, que quer dizer simplesmente cachimbo - e a origem pode ser desconhecida, mas a fama vem de longe: artistas como o pintor Ingrès e o escritor Honoré de Balzac se confessavam fãs do narguilé. Balzac, por sinal, tinha um côté hippie: gostava de aspirar a fumaça com aroma de patchouli. Sem contar a inesquecível lagarta criada por Lewis.
Carroll em Alice no País das Maravilhas (1865), que saboreava seu narguilé lânguida e psicodelicamente sobre um cogumelo.
1 - No topo fica a tigela, em barro ou metal, onde se acende a erva. Logo abaixo, em volta dela, um pratinho recolhe as cinzas.
2 - Aqui começa o corpo, feito de vidro, similar a um decantador. Nele fica o líquido - água, chás aromatizados ou até sucos de frutas.
3 - Para conduzir a fumaça da tigela ao líquido e, então, aspirá-la há uma mangueira, tradicionalmente feita em âmbar, embora hoje os modelos mais comuns sejam de borracha mesmo. A fumaça passa pelo líquido para ser resfriada e ter seu sabor acentuado.
4 - Na ponta da mangueira fica o bico, ou piteira, quase sempre de madeira envernizada. O que fazer com ele você já sabe...

Revista Mundo Estranho Edição 3/ 2002

Como funciona o telefone celular?

No fundo, ele não passa de um telefone acoplado a um rádio parecido com os velhos walkie-talkies - só que muito mais sofisticado. A diferença é que, se funcionassem exatamente igual aos walkie-talkies, seria preciso uma faixa de freqüência para cada ligação que estivesse ocorrendo e não há tanto espaço disponível no espectro. Haveria ainda outro problema: quanto maior a distância entre o celular e a base de transmissão, maior seria a potência necessária, tornando inviáveis os pequenos aparelhos com bateria. "A grande sacada que viabilizou os sistemas celulares foi a divisão das áreas a serem cobertas em células, daí seu nome", diz o engenheiro Michel Yacoub, da Faculdade de Engenharia Elétrica da Unicamp. Células pequenas não exigem grande potência e permitem que os mesmos canais de transmissão possam ser reutilizados em outra célula, desde que não seja adjacente.
Dessa forma, um canal usado para uma conversa no centro da cidade pode, ao mesmo tempo, conduzir uma ligação em outro bairro sem que as duas se misturem. A cidade de São Paulo, por exemplo, é dividida em centenas de células. Cada uma delas possui uma antena retransmissora chamada estação radiobase, que, por sua vez, é ligada a uma central telefônica, conhecida como Central de Comutação e Controle (CCC). Essa central se conecta a outras CCCs e às centrais de telefonia fixa - com todo o resto do mundo, portanto.
Boca a boca Telefonia móvel divide a cidade em células
1- Quando o sr. X disca para sua amiga sra. Y, o celular emite o número do outro aparelho por ondas de rádio, em uma faixa de freqüência especialmente reservada.
2 - O número é captado pela estação radiobase (ERB) da célula amarela, onde está o sr. X. A estação detecta que o aparelho de destino não se encontra na mesma célula; por isso, contacta (via cabo ou microondas) a Central de Comunicação e Controle (CCC).
3 - A CCC tem um banco de dados atualizado a cada segundo, informando em qual célula está cada aparelho da cidade. Ao receber o comunicado da ERB, ela manda a informação da chamada para a estação da célula de destino.
4 - Toca o celular da sra. Y. Isso porque a estação da célula onde ela está, que recebeu o comunicado da Central, avisa que seu número está sendo chamado pelo celular do sr. X.
5 - Quando a sra. Y atende, cada uma das duas células procura um canal de freqüência que esteja livre. Elas informam a ambos os celulares quais serão os canais que cada aparelho usará durante a conversa.
 CHAMADA EM MOVIMENTO
 A mesma ligação pode seguir de uma célula para outra à medida que o usuário se desloca pela cidade. Quando um celular percebe que o sinal da sua célula está ficando fraco, ele busca outra célula mais próxima, que então procura um canal livre e avisa ao celular para trocar de freqüência. Tudo é feito automaticamente, sem que o usuário perceba. Às vezes, porém, não há nenhum canal vago na nova célula - nesse caso, a ligação cai.
TAMANHO VARIÁVEL
Na periferia de uma cidade e nas zonas rurais, as células são grandes, com quilômetros de diâmetro. Na cidade, elas são bem menores - chegando a poucas dezenas de metros nos centros mais movimentados. Isso porque obstáculos como prédios altos bloqueiam as ondas de rádio, limitando seu alcance. Além disso, quanto mais pessoas circulam por um local, mais células ele precisa ter, senão corre-se o risco de não haver frequências para todos.
 AQUI SIM, ALI NÃO
Células não adjacentes (como as que aparecem em amarelo) podem utilizar as mesmas frequências, porque não há risco de interferência.

Revista Mundo Estranho Edição 3/ 2002

Quais os principais enigmas da Ilha de Páscoa?

José Augusto Lemos

Um pedacinho de terra chilena em plena Polinésia, essa ilhota de 24 quilômetros de comprimento por 12 quilômetros de largura sempre fascinou místicos e esotéricos de todo o planeta. Motivos para isso não faltam, a começar por seu formato triangular, com uma cratera vulcânica em cada ponta. Sua estrela principal, porém, são os moais, aquelas famosas esculturas de pedra erigidas para cultuar antepassados que haviam se destacado como reis, guerreiros ou sacerdotes. A civilização que os esculpiu viveu seu auge entre 1400 e 1600, deixando cerca de 900 moais espalhados pela ilha
DE ONDE ELES VIERAM
Acredita-se que os ancestrais dos pascoenses foram os mesmos que criaram os veleiros chamados até hoje de catamarãs e partiram da Indonésia, por volta de 8000 a.C., para povoar todo o Pacífico Sul. Demoraram 9 mil anos para alcançar os extremos da Polinésia: Páscoa, Nova Zelândia e Havaí. Em 1947, o norueguês Thor Heyerdahl ficou famoso tentando provar que os pascoenses eram originários do Peru, fazendo o trajeto contrário em uma canoa de junco. Mas hoje estudos genéticos indicam que eles vieram mesmo do Oriente, pela rota acima.
O RITUAL DO HOMEM-PÁSSARO
Desenhos estranhos de figuras com cabeça de pássaro são vistos em rochas na beirada da cratera de Rano Kau. O local era centro do ritual do Homem-Pássaro, no qual os melhores guerreiros de cada tribo pulavam penhasco abaixo, para nadar até três ilhotas onde um pássaro migratório fazia seu ninho. O primeiro a voltar com um ovo dessa ave era declarado homem-pássaro e sua tribo governava a ilha durante um ano.
UM PORTO FEITO DE PEDRAS
O centro arqueológico mais importante da ilha é formado por três altares de moais. Ali estão também os restos de um porto, com uma rampa toda pavimentada de pedra, usada para lançar canoas e catamarãs ao mar. Nas escavações surgiram ainda as fundações de várias casinhas de pedra, que eram a principal moradia dos pascoenses, junto com as cavernas da ilha.
AHU AKIVI
O primeiro altar de moais a ser restaurado, ainda nos anos 60, é o único no interior da ilha, e também o único que fica de frente para o mar.
CRATERA DE RANO RARAKU
Nas encostas desta cratera eram esculpidos todos os moais. Lá estão, ainda, mais de 300 deles, muitos incompletos, encravados na pedreira.
AHU NAU NAU
O altar de moais junto à praia de Anakena tem algumas das estátuas mais bem conservadas da ilha, com excelente definição dos traços faciais, de braços, mãos e abdome.
AHU TONGARIKI
O maior de todos os altares da ilha, com 200 m de extensão e 15 moais. Foi destruído por um maremoto em 1960 e restaurado 30 anos depois.
ESTÁ ESCRITO. SÓ NÃO SE SABE O QUÊ
Não eram só os egípcios que tinham hieróglifos. Os pascoenses usavam um sistema parecido: o rongo-rongo, a única linguagem escrita de toda a Polinésia gravada em tabletes de madeira. Até hoje ninguém conseguiu decifrar o que esses símbolos querem dizer.
CILINDRO CAPILAR
Parece um chapéu, mas representa o cabelo amarrado em coque, como usavam os pascoenses de antigamente. O adereço, chamado pukao era esculpido em uma cratera só de rocha avermelhada.
A BASE DO CULTO
A plataforma em que eram erguidos os moais, chamada ahu, servia de altar no culto aos antepassados. Há sinais de que era usada também como crematório.
E assim caminhavam as estátuas... Arqueologia já tem resposta para o maior mistério pascoense.
1. Todos os moais eram esculpidos na cratera do vulcão Rano Raraku, diretamente em suas encostas de cinza vulcânica, uma rocha mais maleável e fácil de esculpir, porém menos resistente. Depois de prontos, acredita-se que eram colocados em pé a fim de serem preparados para o transporte, uma das operações mais delicadas.
2. O maior mistério da ilha sempre foi como os moais eram transportados para os altares na costa, a até 10 quilômetros de distância. A teoria mais aceita foi demonstrada pela arqueóloga Jo Anne Van Tilburg, prendendo as estátuas em forquilhas de troncos de árvore e cordas de fibra vegetal.
3. O último retoque era a colocação do pukao, o chapeuzinho representando os cabelos, que coroava o moai. A estátua era, então, finalmente erguida sobre a plataforma-altar, com a ajuda de pedras empilhadas.

Revista Mundo Estranho Edição 3/ 2002

Para que serve o aerofólio dos carros de Fórmula 1?

Serve para dar estabilidade ao veículo, mantendo-o bem pregado ao solo. Se não fosse por esse acessório, a 300 km/h (velocidade facilmente atingida pelos bólidos de F1) ele acabaria levantando vôo! Na prática, o aerofólio dos carros de corrida funciona igualzinho a uma asa de avião, só que ao contrário. Ele é, de fato, uma asa virada de cabeça para baixo. Enquanto a asa levanta o avião e dá sustentação ao vôo, o aerofólio de F1 canaliza a força do ar no sentido oposto, pressionando o carro para baixo, contra o asfalto. "Essa força - chamada de pressão aerodinâmica - é obtida por dois fatores: o formato do aerofólio - com uma face curva e outra achatada - e, principalmente, seu ângulo de inclinação", diz o engenheiro Célio Fontão Carril Jr., da Escola Politécnica da USP.
Colado ao chão Acessório usa a pressão do ar para manter o carro estável nas mais altas velocidades.
AEROFÓLIO TRASEIRO
O efeito é o mesmo do frontal, só que exercendo uma pressão ainda maior. Conforme o tipo de pista, o dispositivo traseiro pode ser acrescido de uma ou mais asas, para reforçar a estabilidade do veículo.
AEROFÓLIO FRONTAL
Seu ângulo de inclinação faz o ar que passa por cima da asa ser refletido para o alto. Esse deslocamento do ar provoca uma reação contrária (seta vermelha), que empurra o carro para baixo, contra o asfalto.

Revista Mundo Estranho Edição 3/ 2002

Como os técnicos calculam o tempo que o semáforo deve ficar verde?

O processo não é nada simples, tanto que requer uma fórmula matemática - baseada em fatores como o fluxo de carros por minuto - para descobrir o ciclo ideal de cada cruzamento. Cada ciclo desses corresponde, obviamente, ao tempo em que o semáforo faz a volta completa por suas três fases: verde, amarelo e vermelho. Quanto mais intenso for o tráfego em um cruzamento, mais longo será esse ciclo - e, uma vez descoberto o ciclo ideal, é preciso distribuir o chamado "tempo de verde". "Quanto mais congestionado o fluxo em um dos lados do cruzamento, mais tempo de verde ele ganha", diz o engenheiro Sun Ming, da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), de São Paulo. Essa medida de congestionamento depende não só do fluxo de carros por minuto mas também do chamado "nível de saturação", determinado por fatores como largura da rua, número de carros estacionados e presença de lombadas ou valas, entre outros.
Por fim, busca-se a sincronização entre os diferentes cruzamentos, para criar "ondas de verde" nos corredores de tráfego. Nos casos ideais, os técnicos passam horas medindo o fluxo e o nível de saturação médios de cada cruzamento para, então, calcular diferentes programas conforme o horário e o dia da semana. Mas, na prática, muitos dos cruzamentos menos importantes são ajustados pelo velho método de tentativa- e- erro. O sistema mais avançado de controle de trânsito é o semáforo de tempo real, computadorizado - nele, sensores sob o asfalto calculam o fluxo de veículos e ajustam automaticamente o tempo de verde. É o método ideal, mas os equipamentos são importados e caros. "Temos quase mil cruzamentos em tempo real na Grande São Paulo, mas estão todos há muitos anos sem manutenção", afirma Sun.

Revista Mundo Estranho Edição 3/ 2002