segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Por que 1º de maio virou o Dia do Trabalho?


A data foi estabelecida em 1889 pela Segunda Internacional Socialista, um congresso realizado em Paris que reuniu os principais partidos socialistas e sindicatos de toda Europa. Ao escolher 1º de maio como Dia do Trabalho, os participantes desse encontro prestaram uma homenagem aos operários dos Estados Unidos. É que, três anos antes, os americanos organizaram uma gigantesca campanha por melhores condições de trabalho, fazendo mais de 1 500 greves em todo o país. Uma das principais reivindicações era a garantia da jornada de oito horas diárias, pois na época alguns operários trabalhavam até 14 horas por dia. Chicago se tornou um dos principais centros de protestos e uma das manifestações na cidade terminou em tragédia. "A polícia  reprimiu um movimento de forma violenta, ocasionando a morte de quatro operários.
Esses  fatos ocorreram no dia 1º de maio de 1886, passando essa data a simbolizar a luta dos trabalhadores", afirma o juiz Pedro Paulo Teixeira Manus, professor de Direito do Trabalho da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Após a Segunda Guerra, na União Soviética, as passeatas comemorativas e os desfiles realizados no dia 1º de maio tornaram-se importantes eventos políticos. Mas a data nunca foi reconhecida em países como Estados Unidos e Canadá, por causa de sua associação aos movimentos de esquerda.

Revista Mundo Estranho Edição 15/ 2003

Como os EUA tomaram a frequência da rádio iraquiana na guerra?


Não tem muito mistério. Nos primeiros dias da guerra, houve um certo espanto com a notícia de que os Estados Unidos estariam interceptando a emissora de rádio iraquiana para transmitir suas próprias mensagens à população do país árabe. Em vez da transmissão normal, os iraquianos escutaram uma mensagem que dizia: "Este é o dia pelo qual todos esperavam". Parece um feito impressionante, mas nem é preciso muita tecnologia para conseguir isso. "Para atrapalhar a recepção de uma emissora de rádio, basta transmitir na mesma frequência que ela. Se o seu transmissor for mais forte que o da emissora original, você pode fazer com que os rádios sintonizem a sua mensagem, em lugar da emissora de sempre", afirma o engenheiro Michel Daoud Yacoub, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Tudo vai depender também da distância que cada receptor está das antenas emissoras. Uma antena mais próxima leva vantagem, mesmo que emita um sinal mais fraco.
Os Estados Unidos usaram aviões para travar essa guerra de comunicação na região de Bagdá. Eles entravam em ação durante o horário nobre das rádios iraquianas, transmitindo música e mensagens tentando convencer a população local de que estavam invadindo o país para libertá-lo. A interferência no sinal de emissoras não é só assunto de guerra. Rádios clandestinas e até mesmo as oficiais podem "invadir" suas vizinhas de frequência no dial, caso tenham antenas muitos próximas do ouvinte.
Arma de persuasão em massa
Avião-antena conseguiu encobrir os sinais da emissora local.
1. A emissora iraquiana transmite em uma determinada frequência para toda a cidade de Bagdá, com uma potência muito alta.
2. Os americanos sobrevoaram Bagdá com seis velhos aviões de carga C-130 modificados. Cada um deles tinha uma antena na parte de baixo da fuselagem, que transmitia sinais na mesma frequência da rádio iraquiana, só que em potência mais baixa.
3. Perto de onde os aviões passavam, quem estivesse escutando a rádio iraquiana ouvia, por alguns instantes, a transmissão dos americanos. Mesmo com potência menor, ela era ouvida porque seus sinais estavam mais próximos do ouvinte.

Revista Mundo Estranho Edição 15/ 2003

Como foi inventada a fotografia?


Renato Domith Godinho

Embora ela tenha aparecido mesmo no século 19, a fotografia começou a ser inventada ainda na Antiguidade, quando se descobriu o princípio da "câmara escura". Basta você fechar completamente um local - de uma grande sala a uma latinha de leite em pó - e depois fazer um buraquinho. A luz atravessa o buraco e projeta no interior da câmara fechada uma imagem invertida do que acontece lá fora. Mesmo com esse princípio conhecido há séculos, faltava o principal para a fotografia: bolar uma maneira de congelar essa imagem. A história oficial registra dois inventores que arrumaram uma solução para isso quase na mesma época: Henry Talbot, na Inglaterra, e Louis Daguerre, na França. Em 1835, Talbot publicou um artigo documentando como conseguira fixar imagens usando um papel tratado com cloreto de prata, que depois era mergulhado em uma solução de sal. O resultado era um negativo, ou seja, podia ser copiado diversas vezes.
Já o método de Daguerre, anunciado oficialmente quatro anos depois, capturava as imagens em uma fina chapa de cobre revestida com sais de prata, que recebia depois vapor de mercúrio para garantir a fixação. O resultado era uma imagem já positiva, que não podia ser mais copiada. Apesar dessa limitação, a qualidade das fotografias obtidas pelo chamado "daguerreótipo" era superior à das tiradas por Talbot, tanto que o método de Daguerre foi sucesso por muitas décadas, até o aperfeiçoamento de novas técnicas de exposição em negativo. O que a história oficial não conta, porém, é que em 1833 a fotografia pode ter sido inventada no Brasil, com um método diferente, por Antoine Hercule Florence, um francês que viveu aqui por muitos anos. Após vários experimentos - que incluíram até o uso de urina para fixar imagens -, Antoine desenvolveu uma chapa de vidro tratada quimicamente que capturava a imagem e depois podia passá-la para o papel.
Esse feito permaneceu pouco reconhecido por décadas até que o historiador Boris Kossoy, da Universidade de São Paulo (USP), revelou a façanha no livro 1833: A descoberta isolada da fotografia no Brasil. "Antoine usou o processo para imprimir e copiar imagens, pois já trabalhava há muito tempo em um sistema de impressão", diz Boris. Agora, além do avião, nós, brasileiros, podemos reivindicar também a invenção da fotografia.
História revelada
Primeiros processos para fixar imagens surgiram em meados do século 19.
Pioneiros oficiais
Nas primeiras décadas do século 19, o francês Louis Daguerre cria o daguerreótipo, aperfeiçoando pesquisas de seu colega Nicéphore Niépce. Ele divulga oficialmente seu método em 1839, quatro anos após o inglês Henry Talbot tornar público o processo de revelação em negativo. Nessa época, tirar uma simples fotografia leva até 30 minutos.
Negativo em vidro
Um escultor inglês, Frederick Scott Archer, descobre em 1851 o processo de revelação em chapa úmida (também chamado de colóide) e revoluciona a fotografia. As chapas de vidro em negativo tinham qualidade superior à do daguerreótipo e, pela primeira vez, permitiam produzir várias cópias em papel de uma foto.
Gelatina sensível
Em 1871, o físico inglês Richard Leach Maddox cria uma solução gelatinosa de brometo de prata. Seu método da "placa seca" não exigia que as chapas fossem reveladas na hora, como no colóide, além de ser 60 vezes mais sensível. A gelatina podia ser aplicada sobre papel e em filmes transparentes. É o início da fotografia moderna.
Câmera para todos
Com a placa seca, multiplicam-se as câmeras portáteis. Em 1886, o americano George Eastman passa a vender uma máquina com a qual a pessoa tirava fotos em um prático rolo de filme e não precisava mexer com revelação. O slogan da empresa de Eastman, a Kodak, era: "Você aperta o botão e nós fazemos o resto". A fotografia se populariza.
Idéia colorida
Em 1908, os irmãos franceses Auguste e Louis Lumière, os mesmos que inventaram o cinema, criam o primeiro processo de fotografia em cores, o Autochrome, superpondo três chapas transparentes. Graças ao uso de filtros, cada uma delas registrava apenas uma cor primária (vermelho, amarelo e azul) e o resultado final era uma imagem colorida.
Sorriso instantâneo
O americano Edwin Land assombra o público em 1947 ao desenvolver um filme instantâneo, que se revela na hora em que a foto é tirada. Em 1963, ele apresenta o mesmo processo, só que agora em cores. Land e sua empresa, a Polaroid, fizeram fortuna com a venda de milhões de câmeras instantâneas.
Filme para quê?
O mundo da fotografia não mudaria muito até viver a revolução das câmeras digitais. Em 1986, a Kodak cria um sensor eletrônico, que compõe o "filme" da máquina digital, capaz de registrar mais de 1 milhão de pontinhos de luz, viabilizando a fotografia da nova era, que explodiria para valer na década de 90.
Truque ótico e químico
Micropontos de prata desenham a cena projetada por uma lente.
1. As máquinas fotográficas usam o princípio da câmara escura. Mas no lugar do buraco que permite a entrada de luz no recipiente fechado há uma lente, que aumenta a luminosidade da imagem projetada no filme fotográfico.
2. Essa lente, que é convexa, focaliza os raios de luz emitidos pelo objeto a ser fotografado em um único ponto. A imagem do objeto será então projetada no filme da máquina de maneira invertida.
3. Os filmes fotográficos possuem sais de prata, uma substância transparente. Quando exposta à luz, a prata que compõe esses sais passa a ser visível, na forma de milhões de pontinhos escuros que desenham a fotografia tirada.

Revista Mundo Estranho Edição 15/ 2003

Por que os computadores travam?


Há várias razões. Os computadores são máquinas complexas, que podem ser usadas para uma enorme variedade de coisas. Justamente por isso eles também podem falhar mais. "Filosoficamente falando, os computadores travam por causa da seguinte lei: se existe alguma coisa que pode dar errado, ela fatalmente dará errado alguma hora", diz o programador Mauricio Sadicoff, presidente de uma empresa de software e membro do conselho editorial da agência de tecnologia Magnet. Afinal, os computadores são humanos, no sentido de que quem os faz somos nós e, volta e meia, a gente pisa na bola... Na prática, essas máquinas enfrentam quatro tipos básicos de "paus", que você confere no quadro ao lado.
Falha humana
Programação malfeita é uma das causas do problema.
1. Os "paus" mais comuns são na programação do sistema operacional, o cérebro da máquina. O sistema muitas vezes ordena que o computador use um pedaço da memória que não poderia, pois já está ocupado. Resultado: a famigerada "falha geral de proteção" do Windows.
2. Também existem falhas em um "programa específico". Os programadores, sem querer, fazem o programa estourar a capacidade de memória reservada para uma tarefa ou dão instruções descabidas aos chips do computador.
3. Outro tipo de problema é de hardware, ou seja, nos componentes físicos do computador. Nem sempre panes desse tipo exigem que se leve o micro para o conserto. Muitas travadas ocorrem por leves falhas nos chips de memória, como o excesso de aquecimento do processador, por exemplo.
4. Há ainda o chamado "loop infinito", quando o computador fica executando sempre as mesmas instruções. É um erro de programação equivalente a perguntar incessantemente para o computador: "Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?"

Revista Mundo Estranho Edição 15/ 2003

O que torna os motores em "V" mais potentes que os outros?


Bem, não é o fato de um carro ter motor em "V" que o torna mais potente. A cilindrada - o volume total dos cilindros do motor - é muito mais importante nesse aspecto do que a forma como os cilindros estão dispostos, em "V" ou "em linha". Os motores dos automóveis funcionam com pequenas explosões de gasolina misturada com ar comprimido, reação que ocorre exatamente nos cilindros. As explosões movimentam um pistão, que por sua vez aciona uma sequência de engrenagens que fazem o carro andar. Quanto maiores forem as explosões, maior será a capacidade de o carro andar rapidamente. Assim, quanto maior a cilindrada de um motor, mais chances de a potência ser maior também. Normalmente, os carros de passeio têm quatro cilindros. Se cada um deles tiver meio litro de capacidade volumétrica, a cilindrada total do motor será de 2 litros, ou seja, é o tal carro "2.0".
E o que o motor em "V" tem a ver com essa história? Pois bem, nos motores normais, os cilindros costumam ficar um atrás do outro, por isso são chamados de "em linha". Os carros V6, V8 etc. dispõem os cilindros metade de cada lado do motor. Só esse formato, isoladamente, não traz nenhuma garantia de potência maior, mas permite que mais cilindros caibam num mesmo espaço de motor. E aí, sim, quanto mais cilindros o carro tiver, mais cilindrada e potência ele pode ter.
Formato econômico
Cilindros "em linha" ocupam mais espaço.
Motor em "V"
Um motor "V6" tem seis cilindros, três de cada lado. Esse formato economiza espaço e permite encaixar mais do que quatro cilindros no motor. O aumento no total de cilindrada pode garantir potência maior. É possível ter um veículo com até 12 cilindros "em linha", mas o problema é que seu motor fica grande demais.
Motor "em linha"
Esse típico motor "em linha" tem quatro cilindros, cada um com seu pistão. A cada minuto, centenas de microexplosões dentro dos cilindros movimentam os pistões para baixo e para cima, fazendo várias engrenagens girarem e o carro andar.

Revista Mundo Estranho Edição 15/ 2003

Como funciona a escada rolante?


Ela é, na verdade, uma corrente rolante com alguns degraus presos, que se movem em um contínuo movimento circular. Acionados por um motor elétrico, os degraus percorrem o caminho que vai do início ao fim da escada. Depois, curvam-se e fazem todo o caminho inverso por baixo da escada, onde não podemos vê-los. A idéia, extremamente simples, foi posta em prática pelo inventor americano Jesse Reno. Sua primeira escada, instalada em 1895, não servia para transporte e sim para as pessoas brincarem de subir e descer. Ela tinha pouco mais de 2 metros de altura e as pessoas andavam nela sentadas, como em uma bicicleta. Em 1901, o inventor Charles Seeberger exibiu na Feira Internacional de Paris um mecanismo aperfeiçoado, mais parecido com o que é usado hoje em dia. Segundo a lenda, foi Seeberger que inventou o termo "escada rolante" em inglês: escalator. O que torna a escada rolante tão genial é que, além de simples, ela transporta multidões em um ritmo constante, coisa que o elevador não é capaz de fazer.
Uma escada típica pode transportar mais de 10 mil pessoas por hora!
Engrenagens sincronizadas
Motor elétrico aciona várias peças que trabalham em conjunto.
Impulso inicial
Um motor elétrico faz girar as engrenagens, movimentando todo o conjunto da escada rolante. Ele vem equipado com freio, para quando for preciso desligar o equipamento.
Dupla dinâmica
A engrenagem de cima é acionada diretamente pelo motor. A de baixo apenas acompanha a primeira e ajuda a movimentar toda a escada.
Mãozinha para o corrimão
Também acionado pelo motor elétrico, o conjunto propulsor do corrimão é que se encarrega de fazer girar o longo apoio de borracha.
Puxa-puxa
Impulsionada pelo giro das engrenagens, a corrente de acionamento principal puxa os degraus em uma velocidade constante.
Degrau sob medida
Os degraus são cortados de forma a ficarem sempre na mesma posição enquanto sobem a escada. Cada degrau tem dois pares de rodinhas: um fica preso na corrente de acionamento e outro percorre o trilho guia.
Apoio importante
Feito de borracha, o corrimão serve apenas para dar apoio aos passageiros. Não está ligado ao degraus, mas se move na mesma velocidade deles.
Cortina metálica
Uma estrutura metálica, chamada treliça, suporta todo o peso da escada rolante. Normalmente é fechada nos lados, escondendo os mecanismos internos.
Ponto de equilíbrio
Um trilho guia fixo serve para equilibrar os degraus e mantê-los sempre na posição correta. A distância que o trilho fica da corrente de acionamento é calculada para que os degraus permaneçam na horizontal.

Revista Mundo Estranho Edição 15/ 2003

Ainda se fabricam máquinas de escrever?


Poucas, mas são fabricadas. Mesmo com toda a revolução da informática, ainda existe mercado para a boa e velha máquina de escrever. O principal motivo é o preço: enquanto um computador novo, com impressora, dificilmente sai por menos de 2 mil reais, uma máquina de escrever eletrônica está sendo vendida no Brasil por 525 reais. Hoje, o maior mercado para essas quase relíquias são a Índia, a China e os países da África, regiões que têm em comum uma imensa população e poucos recursos. No Brasil, a procura por máquinas de escrever caiu drasticamente.
Há apenas dez anos, eram vendidas cerca de 200 mil unidades por ano. Hoje, a mais tradicional empresa do setor, a Olivetti, vende apenas 3 mil. "Em 2001, paramos de produzir máquinas de escrever mecânicas. Hoje, só vendemos as eletrônicas portáteis, com peças importadas da Olivetti mexicana. O mercado é apenas residual", diz o gerente de marketing da empresa, Wellington Rodrigues de Souza. Mas, como é preciso se adaptar aos novos tempos, outra empresa, a Facit, após quase falir em 1995, voltou a crescer.
O segredo foi investir nas exportações, principalmente para a África, que rendem à Facit quase 2 milhões de dólares por ano.

Revista Mundo Estranho Edição 15/ 2003