segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Quais são as frutas usadas para o sabor tutti-frutti dos chicletes?


Depende do lugar. O segredo do tutti-frutti é mesclar os sabores mais populares para o paladar de cada país. No Brasil, a mistura leva laranja, banana, abacaxi, baunilha e morango. Na fórmula americana, a principal diferença é a cereja, fruta muito popular por lá. Na Ásia, adiciona-se o cravo e, na Europa, a mistura tem gostinho de canela. Mas não é uma composição fixa. Em outras épocas, o tutti-frutti brasileiro já teve maçã, groselha, framboesa e limão. "O aroma suave da maçã acabou eliminado porque mal era percebido em meio aos sabores intensos da banana e do abacaxi. Já a groselha e a framboesa saíram porque eram muito caras. O limão também, mas foi substituído pela laranja", afirma o químico Moisés Galano, gerente de criação de uma empresa que desenvolve aromas. Qualquer que seja a combinação, o tutti-frutti surge de uma mescla de substâncias aromáticas que dão sabor às frutas na natureza.
Cada fruta possui cerca de 300 dessas substâncias, mas apenas as principais são utilizadas para criar cada sabor artificial. É o suficiente para sentir a parte mais importante do gosto da fruta. Embora possa ser criado a partir de essências naturais, o mais comum é que o tutti-frutti seja formado por substâncias aromáticas sintéticas, produzidas em laboratório desde o fim do século 19. Nesse processo, o primeiro passo é isolar os principais ingredientes da substância desejada, determinar suas estruturas orgânicas e depois reproduzi-las por meio de uma série de reações químicas. No fim vem a parte mais criativa: uma mistureba de todas as substâncias aromáticas até chegar no ponto ideal. "O processo é todo automatizado. Um aparelho reúne centenas de substâncias e o resultado é degustado em um dispositivo que exala o aroma. Os ajustes finais são feitos por computador", diz Moisés.
Simplificação artificial Apenas uma parte dos aromas naturais é aproveitada.
Fruta - Morango
Substâncias aromáticas na natureza - 280
Substâncias usadas no tutti-frutti de 40 a 60 - de 40 a 60
Fruta - Laranja
Substâncias aromáticas na natureza - 80
Substâncias usadas no tutti-frutti de 40 a 60 - de 40 a 60
Fruta - Abacaxi
Substâncias aromáticas na natureza - 170
Substâncias usadas no tutti-frutti de 40 a 60 - de 20 a 30
Fruta - Banana
Substâncias aromáticas na natureza - 140
Substâncias usadas no tutti-frutti de 40 a 60 - de 35 a 45
Fruta - Baunilha
Substâncias aromáticas na natureza - 80
Substâncias usadas no tutti-frutti de 40 a 60 - de 1 a 5

Revista Mundo Estranho Edição 20/ 2003

Por que alguns chicletes fazem bola e outros não?


Marina Motomura
Porque são feitos com produtos diferentes. O ingrediente plástico misturado às gomas que fazem bola é mais elástico do que o que compõe as gomas mais simples. É tudo uma questão de química: "Os plásticos usados nos chicles de bola são formados por cadeias moleculares mais longas, o que lhes confere mais elasticidade", diz o engenheiro químico Múcio Paulo de Almeida, da Adams. Um dos plásticos mais usados nas gomas "infláveis" é o acetato de polivinila, que, além de ser ultra-elástico, ganha uma forcinha dos óleos vegetais (como o óleo de milho) na hora do puxa-puxa. Com a elasticidade garantida, basta ter habilidade para posicionar o chiclete na frente da língua, soprar, fazer aquele bolão irado e voltar a mascar de novo.
Goma em questão Respostas mastigadinhas para dúvidas pegajosas .
Por que ele fica duro depois de um tempo?
Porque o açúcar, responsável pela maciez do chiclete, vai se perdendo conforme mastigamos a goma. É por isso que o chiclete começa doce e depois de um tempo fica sem gosto: assim como os aromas artificiais, o açúcar vai sendo engolido junto com a saliva a cada mastigada. Sobra só a borracha, dura e esbranquiçada.
Como funcionam os chicletes medicinais?
Simples: a indústria coloca o princípio ativo do medicamento na receita do chiclete. A mastigação libera pouco a pouco o composto medicinal. Existem chicletes com nicotina, para quem quer parar de fumar; com guaraná, para segurar o sono; e até uma novidade promissora: chiclete com citrato de sildenafilo, o princípio ativo do Viagra.
Por que o chiclete não gruda nos dentes?
Porque o dente é uma superfície muito lisa e molhada. Para grudar, o chiclete precisa de uma superfície minimamente porosa e áspera - quem nunca grudou um embaixo da carteira de madeira da escola? Além de ser liso e compacto como o vidro, o dente conta com a saliva, que o deixa ainda mais escorregadio.
O chiclete protege mesmo os dentes?
As versões sem açúcar protegem, sim. Alguns componentes do chiclete (os ésteres de ácidos graxos) agem como um sabão, retirando a gordura presa nas paredes do dente - tanto que, se a indústria exagerar na dose desses produtos, a goma fica com gosto de detergente. Os chicletes com açúcar também fazem isso, mas causam cáries.
O que acontece se engolirmos o chiclete?
O cocô sai mais grudento. Ao contrário do que a maioria das mães pensa, o chiclete não gruda no estômago. Como é composto exclusivamente de produtos sintéticos, o chiclete é tão resistente que não pode ser dissolvido pelo nosso sistema digestivo. Ou seja, sai como entra.

Revista Mundo Estranho Edição 20/ 2003

Como surgiu e como é feito o chiclete?


Ninguém sabe ao certo quando o homem começou a mascar resinas extraídas de árvores, mas há registros históricos de que vários povos da Antiguidade, como os gregos, já tinham esse costume. O hábito também era comum no continente americano, antes mesmo da colonização européia. O látex do sapotizeiro - árvore que dá o sapoti - era usado como goma de mascar pelos maias e astecas, entre outras civilizações pré-colombianas. A essa resina os nativos davam o nome de chicle. A guloseima que conhecemos hoje surgiu no final do século 19. Mais precisamente em 1872, ano em que o inventor americano Thomas Adams fabricou o primeiro lote de chicletes em formato de bola e aromatizando as resinas naturais com extrato de alcaçuz. Nas décadas seguintes, ele abriu várias fábricas para atender a demanda crescente dos consumidores americanos pelo novo produto.
Em meados do século 20, especialmente após a Segunda Guerra (1939-1945), as resinas naturais foram substituídas por substâncias sintetizadas a partir do refino do petróleo. "O motivo para essa troca foi o custo de fabricação, já que a resina natural é muito mais cara que a borracha sintética", diz o engenheiro químico Múcio Almeida, gerente de desenvolvimento de produtos da Adams do Brasil. A partir da década de 1960, surgiram os primeiros chicletes sem açúcar, que, segundo os fabricantes, além de diminuírem os riscos de cáries, ajudam a manter os dentes limpos, pois estimulam a produção de saliva, que remove partículas de alimentos. Com ou sem açúcar, é bom tomar alguns cuidados com essa guloseima. Crianças pequenas que engolem a goma correm o risco de ter as vias aéreas bloqueadas ou de ter interrompido o fluxo intestinal. Outro alerta: mascar com a barriga vazia pode causar problemas estomacais, pois há um estímulo desnecessário à produção de enzimas gástricas.

Revista Mundo Estranho Edição 20/ 2003

Luís XIV: Santa ignorância


Certa vez, em uma ida à biblioteca do palácio em Versalhes, o francês Luís XIV, o Rei Sol, passou a fazer perguntas sobre o conteúdo dos livros, filosofia e política ao responsável pelo local. Impressionado com o número de respostas “não sei”, o rei disse: “Pois se é tanta sua ignorância, por que lhe pagam?” O bibliotecário respondeu: “Em função daquilo que eu sei. Se tivessem que me pagar pelas coisas que ignoro, não haveria dinheiro suficiente no reino da França”.
Aventuras na História n° 037

Tibério troca-letras


Celso Miranda
O imperador Tibério (42 a.C.-37) não é um dos mais lembrados por seus feitos políticos ou militares. Segundo o historiador romano Suetônio, em A Vida dos Césares, notável mesmo era sua capacidade de beber. Conta ele que entre os soldados do imperador rolava um apelido que era um jogo de palavras com seu nome. Tiberius Claudius Nero era chamado de Biberius Caldius Mero – algo como “autêntico bebedor de vinho”.

Aventuras na História n° 037

Berlim: a queda do muro


Maria Dolores Duarte
O último dia da construção que dividiu Berlim por 28 anos.

Erguido em agosto de 1961, o muro de Berlim, que dividia a cidade em duas, foi o maior símbolo da Guerra Fria, que separou o mundo em dois blocos: os aliados dos Estados Unidos e os sob influência da União Soviética. Com a decadência desta última na década de 80, o muro caiu, em 9 de novembro de 1989. Era o fim da Guerra Fria.
5h10 - Demissão coletiva
Os jornais berlinenses circulam pela cidade dividida. As principais notícias se referem à demissão coletiva de membros da cúpula do poder comunista, entre eles o primeiro-ministro Willi Stoph, no dia 7 de novembro. Em 18 de outubro, o chefe de Estado da Alemanha Oriental e ícone de resistência à abertura política, Erich Honecker, já havia renunciado.
8h - Tensão pela manhã
A Alemanha comunista amanhece tensa, na expectativa do reflexo das demissões e da pressão da população. Cerca de 60 mil pessoas já haviam fugido para países do Ocidente, sobretudo para a Alemanha Ocidental, pela Hungria, desde a abertura das fronteiras do país vizinho, em setembro.
17h30 - Dia em branco
Apesar da pressão da população e da imprensa internacional, o governo permanece impassível e não há sinais de que algo vá acontecer. Não há sequer um pronunciamento durante todoo dia, como se nada estivesse ocorrendo. Para os alemães, parece que o dia vai terminar sem nenhuma novidade.
19h - Passe livre
Em uma entrevista coletiva, transmitida ao vivo pela emissora de TV alemã-oriental, o porta-voz do partido comunista, Gunther Schabowski, surpreende a todos e anuncia uma lei que permite aos cidadãos viajar para a Alemanha Ocidental livremente. A lei começava a vigorar, segundo ele, imediatamente.
19h05 - Governo em xeque
A declaração de Schabowski coloca o governo num beco sem saída e antecipa os planos de abrir as fronteiras. Na verdade, Schabowski havia acabadode chegar de viagem e recebeu a missão de anunciar a lei poucos minutos antes da coletiva. Não estava seguro sobre os detalhes práticos e, pressionado, falou de improviso.
19h10 - Marcha ao muro
A notícia da abertura da fronteira se espalha rapidamente e a cidade entra em euforia. Depois de 28 anos sem poder passar para o lado ocidental, as pessoas saem de suas casas para ver de perto a abertura dos portões. Cerca de 1 milhão de cidadãos se reúnem no lado oriental da fronteira.
20h - Ruas tomadas
As ruas estão tomadas, sobretudo o centro de Berlim, com 500 mil pessoas diante do muro. De todo lado chega mais gente, a pé ou a bordo dos Trabants e Watburgs – carros de produção local, únicos que os alemães-orientais podiam adquirir –, de Berlim ou de outras cidades, como Leipzig. O governo ainda não sabe o que fazer.
22h15 - Portas abertas
Diante da multidão querendo passar, os policiais abrem os portões. Além dos policiais, havia 20 fiscais em cada posto. O portão de Bornholmer Strasse, no subúrbio, abre primeiro. Depois, o de Brandemburgo, no centro da cidade.
23h - O muro é nosso
O muro está tomado. Alemães-ocidentais e orientais festejam. As pessoas sobem e dançam em cima do muro. Começam a se formar filas de carros para atravessar a fronteira, que chegam a mais de 100 quilômetros. A passagem só é permitida na manhã do dia seguinte, quando mais de 2 milhões de cidadãos do Oriente passam pela fronteira.
23h45 - Picaretada
Alemães tentam destruir o muro com picaretas e outras ferramentas. O gesto é apenas simbólico. Em 13 de junho de 1990, o governo manda 300 soldados, que levam seis meses para derrubar o muro. Em 3 de outubro, o chanceler Helmut Kohl decreta a reunificação da Alemanha.

Aventuras na História n° 037

Os outros 11 de Setembro


Adriana Lui e Cláudia de Castro Lima
Atentado aos Estados Unidos ofuscou fatos que ocorreram na mesma data.

Em 11 de setembro de 2001, o segundo Fórum Social Mundial foi anunciado no Rio Grande do Sul. Além disso, descobriu-se que um vírus de hepatite poderia ajudar no combate ao HIV, que provoca a aids. Na mesma data, o tenista Gustavo Kuerten perdeu por 2 sets a 1 o jogo de estréia do Torneio da Costa do Sauípe. Mas quem se lembra disso?
O 11 de setembro entrou para a história por conta do atentado terrorista contra os Estados Unidos. Dois aviões foram atirados contra as torres do World Trade Center, em Nova York. Numa ação conjunta, outro avião foi jogado contra o Pentágono, em Washington, e uma quarta aeronave caiu na Pensilvânia. O saldo foi de cerca de 3 mil mortos.
O episódio acabou ofuscando outros que ocorreram na mesma data. Um deles foi o golpe de Estado no Chile, liderado por Augusto Pinochet – cuja ditadura também teve como saldo 3 mil mortos ou desaparecidos. Conheça este e outros eventos importantes acontecidos num 11 de setembro.

Golpe no Chile
Em 1973, presidente Allende se mata na sede do governo.
O governo de Salvador Allende, primeiro presidente socialista chileno eleito por voto popular, em 1970, terminou antes do previsto. Em 11 de setembro de 1973, sob o comando do general Augusto Pinochet, tanques e aviões cercaram o palácio de La Moneda, sede do governo, em Santiago, e abriram fogo para consumar o golpe de Estado apoiado pelo serviço secreto norte-americano. Allende teve tempo de fazer um último discurso, por telefone, antes de se matar com um fuzil AK-47 que ganhara de Fidel Castro.

Guerra na Alemanha nazista
Em 1944, 11 mil civis foram mortos em Darmstadt.
Uma das primeiras ações das tropas aliadas contra a Alemanha nazista, durante a Segunda Guerra Mundial, ocorreu entre 11 e 12 de setembro. Na cidade alemã de Darmstadt, a data é lembrada até hoje com pesar – os aviões da RAF (Real Força Aérea) britânica bombardearam o local em 1944 e deixaram como resultado 11,5 mil mortos e 66 mil desabrigados. Além disso, o ataque aéreo provocou quase a destruição total do centro antigo e transformou mais de 70% das construções da cidade em pó.

Independência
O escocês William Wallace ganhou uma batalha em 1297.
Foi em 11 de setembro de 1297 que o herói escocês William Wallace, aquele interpretado por Mel Gibson em Coração Valente, lutou na Batalha da Ponte Stirling, uma das mais importantes pela independência de seu país. Um ano antes, a Escócia tinha sido anexada pelo rei inglês Eduardo I. Os escoceses se rebelaram contra os dominadores e William Wallace tornou-se um dos líderes deles. A Batalha da Ponte Stirling foi a primeira grande vitória do exército rebelde, apesar da franca vantagem numérica inglesa: eram 60 mil contra 10 mil escoceses. Traído por um aliado, Robert the Bruce, Wallace acabou decapitado em 1304. No ano seguinte, Bruce proclamou-se rei da Escócia e declarou a independência de seu país dez anos depois. As duas coroas foram unificadas em 1603.

Atentado
O italiano Benito Mussolini sofreu um atentado em 1926.
O anarquista Gino Lucetti tentou assassinar Benito Mussolini enquanto este passava de carro pelas ruas de Roma, na Itália, em 11 de setembro de 1926. Lucetti atirou uma bomba contra o carro de Mussolini, mas ela acabou ferindo oito pessoas e o ditador saiu ileso. Mussolini sofreu três atentados em 1926, mas sobreviveu a todos. Acabou morto em 28 de abril de 1945, fuzilado pela resistência italiana após a Segunda Guerra.

 E não é só isso
Mais episódios curiosos que aconteceram nesse dia
Terremoto na Guatemala em 1541.
Estabelecida pelos espanhóis no vale de Almolonga, na América Central, em 1527, a Cidade da Guatemala foi completamente destruída por um terremoto, seguido de uma inundação, em 11 de setembro de 1541. Depois da tragédia, a capital da atual Guatemala foi transferida para o vale Panchoy, perto de Almolonga, e abrigou a realeza da época até ser destruída em 1773 por... outro terremoto. Hoje, no lugar da cidade atingida pelo abalo de 1541, repousa a Ciudad Vieja (cidade velha).

EUA perdem batalha em 1777.
O 11 de setembro já era zicado para os americanos desde o século 18. Em 1777, o Exército Continental, liderado por George Washington, levou uma sova dos ingleses de William Howe numa das lutas após a independência. A Batalha de Brandywine foi a mais longa do conflito: durou das 10h da manhã até as 16h30 do dia 11.
“Oh! Susanna” sai em 1847.
A música mais famosa do compositor americano Stephen Foster, “Oh! Susanna”, foi apresentada pela primeira vez em público num saloon na Pensilvânia.

Carandiru abre as portas em 1956.
A Casa de Detenção do Carandiru foi inaugurada em São Paulo pelo prefeito Jânio Quadros em 11 de setembro de 1956. Projetada para abrigar presos à espera de julgamento, comportava 3250 pessoas.
Peter Tosh é morto em 1987.
Em 11 de setembro de 1987, três homens invadiram a casa do cantor Peter Tosh, difusor do ritmo e da cultura do reggae e ex- parceiro de Bob Marley. Outros dois colegas do rastaman também foram mortos. A polícia identificou o líder do trio como Dennis Lobban, ex-condenado que, após deixar a cadeia, recebeu auxílio de Tosh. Lobban foi condenado na deliberação mais rápida de um júri na Jamaica: levaram 11 minutos para sentenciá-lo à morte. Ele ainda aguarda a execução e alega inocência.

Aventuras na História n° 037