No século
16, descontente com a Igreja Católica e o papa, muita gente trocou de religião.
Para se diferenciar, os protestantes foram, às vezes, radicais. Na Inglaterra,
eles mudaram o batismo e proibiram procissões. Mas o pior veio em 1647: o
parlamento proibiu o Natal. Congregações inteiras foram presas por protestarem
contra a lei.
Aventuras na
História n° 022Este Blog foi Elaborado com a Finalidade de Aprofundar os estudos de Geografia e História, bem como curiosidades com textos diversificados no mundo das Ciências Humanas
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Kalachnikov: a predileta dos brutos
Fabiano Onça
Ela esteve
ao lado de Bin Laden no Afeganistão, de Ho-Chi-Min no Vietnã, de Che Guevara em
Cuba. Robusta, fácil de manusear, ainda hoje é a favorita dos guerrilheiros. A
beldade em questão é a arma mais famosa do século 20, o fuzil de assalto russo
Kalachnikov. Com mais de 80 milhões de exemplares em circulação, foi produzido
por Mikhail Kalachnikov, que, em Rajadas da História (Jorge Zahar), relata como
inventou a arma e como foi sua infância, sua participação na guerra e também a
vida sob o regime stalinista.
Aventuras na
História n° 022Luanda é nossa
Ernani
Fagundes
Os soldados brasileiros foram os
primeiros da América a cruzar o Atlântico para guerrear no Velho Mundo. A
missão era expulsar os holandeses de Angola e restabelecer o tráfico de
escravos.Já fazia quase cinco anos que os senhores de terra olhavam pelas janelas de seus casarões esperando por dias melhores. O problema era, de fato, preocupante: faltavam braços negros para tocar os engenhos de cana-de-açúcar, o motor da economia da colônia nos idos de 1600. A penúria arrastava-se desde 25 de agosto de 1641, quando os holandeses invadiram Luanda, capital da Angola, e passaram a controlar o tráfico de escravos para o Brasil. A única capitania que não sofria com a escassez de mão-de-obra era Pernambuco, então governada pelo holandês Maurício de Nassau. Com a situação cada vez pior, os governantes locais, apoiados pela coroa portuguesa, decidiram tomar uma atitude. Foi então que pela primeira vez na história do Novo Mundo soldados cruzaram o Oceano Atlântico para guerrear no Velho Mundo. “O rei D. João IV autorizou as expedições, mas não forneceu tropas ou munição, já que o combalido reino estava em guerra com a Espanha”, diz o professor de História do Brasil na Universidade de Sorbonne, na França, Luiz Felipe de Alencastro.
A soldadesca tupiniquim zarpou do Rio de Janeiro no dia 8 de maio de 1645. No comando da expedição, estava o governador fluminense Francisco de Souto Maior, destituído do cargo pela coroa para encabeçar a briga na Angola. A tropa de Souto Maior, formada por algumas dezenas de índios e 300 soldados, viajou em cinco navios. Ao mesmo tempo, da Bahia, saíram mais três navios, com uma tripulação de 200 soldados, que incluíam 32 mosqueteiros. “Os baianos foram treinados pelo líder negro pernambucano Henrique Dias, um grande guerreiro”, diz Alencastro. A idéia do ex-governador do Rio era reunir todos os combatentes brasileiros na costa africana e partir para a guerra da reconquista de Luanda, uma bela cidade com 5 mil casas de alvenaria e um excepcional mercado de escravos. Souto maior só não sabia quem esperava sua turma do outro lado do Atlântico.
A tropa baiana, liderada pelo sargento-mor Domingos Lopes Siqueira, foi a primeira a encarar a recepção africana. Ao desembarcar na enseada de Quicombo, a coluna caiu nas mãos dos jagas, tribo canibal aliada dos holandeses. Só sobraram quatro soldados. Armados de machadinhas, os jagas esquartejaram os invasores e fizeram um banquete, devorando quase duas centenas de brasileiros. Souto Maior não teve melhor sorte. Assim que pisou em solo angolano, ele organizou uma ofensiva, mas acabou morto em maio de 1646. Foi envenenado pelos jagas. Mesmo com o fiasco dessa primeira campanha, os brasileiros conseguiram trazer para o Rio dois mil escravos, o que deu novo alento para os donos de engenho, que se entusiasmaram com uma nova expedição.
Dois anos depois, os brasileiros já estavam de novo no mar, rumo a Luanda. A expedição, capitaneada pelo novo governador do Rio, Salvador de Sá, deixou a Baía de Guanabara no dia 12 de maio de 1648. Para conseguir recrutar soldados, Salvador de Sá apelou para o apoio divino. Os jesuítas pregaram colônia afora a expulsão dos “hereges calvinistas”. A força-tarefa reuniu oficialmente 1200 homens a bordo de onze naus e quatro pequenas embarcações. “O padre Antônio Vieira, contrário ao conflito, dava conta que o número de soldados passava de dois mil, acusando o governante de deixar o Rio de Janeiro sem defesas”, diz Alencastro. Já o historiador Charles Ralph Boxer documentou entre 1400 e 1500 homens em seu livro Salvador de Sá e a Luta pelo Brasil e Angola . Ou seja, ninguém sabe quantos homens participaram da segunda expedição. Só se tem certeza que não havia índios e que a tropa contava com combatentes de capitanias do nordeste, além de fluminenses, angolanos refugiados e portugueses.
A travessia não foi um passeio. Pairava no ar a ameaça de ataque da armada holandesa, comandada pelo almirante Witte de With. E o tempo também não ajudou. Duas naus, a Gamela e a Canoa, tiveram de retornar ao Rio de Janeiro devido a avarias causadas por tempestades, e duas outras embarcações e o galeão São Luis diversas vezes se distanciaram da frota. Quando avistou a costa da África, Salvador de Sá contava com 11 dos 15 navios de sua esquadra. Seu primeiro plano era atacar Benguela, mas ancorou em Quicombo no dia 27 de julho. Enquanto a tripulação preparava-se para o desembarque, uma tragédia anunciou os tempos difíceis que viriam pela frente: uma onda gigante afundou o São Luís. De acordo com cartas náuticas da época, o navio “se fez pedaços pouco depois da meia-noite, levando consigo mais de duzentos soldados, entre os melhores da expedição”.
Sem tempo para choro ou velas, Salvador de Sá rumou para Luanda. Na foz do rio Maçangano, uma pequena comitiva desembarcou para avisar os portugueses refugiados no interior do país da chegada de reforços. Mais um contratempo, no entanto, atravessou o caminho dos brasileiros. Nativos aliados dos inimigos aprisionaram os soldados e os levaram para um posto holandês no Forte Mols, na foz do rio Cuanza. O trunfo de Salvador de Sá, o elemento surpresa, foi enterrado aí. Ele, no entanto, continuou a empreitada. A esquadra do Brasil aproximou-se da capital angolana no dia 12 de agosto. Ao contrário do esperado, apenas dois navios guardavam o porto, o Noort-Holland e o Ouden Eendracht, que fugiram para alto-mar. Dois pescadores negros capturados no porto contaram que uma tropa comandada pelo holandês Symon Pieterszoon estava com os jagas combatendo os portugueses em Maçangano. Melhor para Salvador de Sá, que entrou em uma Luanda desguarnecida, com apenas 250 holandeses vigiando o Forte do Morro e o Forte da Guia.
Confiante, Salvador de Sá chegou botando banca. Enviou três emissários para negociar a rendição. Como os holandeses não hastearam a bandeira branca, o governador colocou seus 800 soldados – e mais 200 marinheiros para fazer número – em fila na praia. Os inimigos chamaram os brasileiros para a briga, disparando tiros de canhão. Salvador de Sá e sua tropa, então, se refugiaram na entrada da cidade. E fizeram uma missa campal. No alvorecer do dia 16, Salvador de Sá ordenou um avanço contra o Forte do Morro. Os canhões usados eram de pequeno calibre e não causaram grandes danos, apesar do forte do Morro ser de terra batida. Os holandeses ofereceram fraca resistência, aguardando os reforços de Pieterszoon.
Na madrugada do dia 17, Salvador de Sá iniciou mais uma batalha. Enquanto os navios faziam manobras para fingir um ataque por mar, três colunas de soldados subiram em direção aos fortes do Morro e da Guia. Segundo relatos dos padres Antônio do Couto e Simão de Vasconcellos, o avanço das colunas era para ser simultâneo, o que não ocorreu. Uma coluna, por percorrer um caminho menor, chegou primeiro. Já os holandeses concentraram-se em ataques independentes e sucessivos. Espertos, eles lançavam primeiro foguetes e tochas para visualizar os invasores e, depois, investiam com mosquete e canhões. Quando o sol raiou, 150 dos 400 brasileiros que participaram da empreitada estavam mortos. Do lado holandês, apenas três mortos e oito feridos. Os holandeses, no entanto, tiveram um grave prejuízo. Perderam canhões, destruídos pela artilharia brasileira, e carretas que possibilitavam o transporte das pesadas armas de um lado para o outro.
Para espanto dos brasileiros, não houve batalha final. Abalados com a perda das armas, os capitães holandeses Cornelis Ouman e Adriaen Lens pediram paz. Na negociação, exigiram só uma rendição digna. Ficou acertado que deixariam Luanda e os postos avançados de Cuanza e Benguela levando na bagagem os escravos de propriedade da Companhia Holandesa. Quando Pieterszoon retornou à capital, não gostou do que viu. Mas fingiu aceitar os termos dos brasileiros. Foi embora deixando os jagas armados até os dentes para oferecer resistência aos colonizadores. Consolidada a vitória em Luanda, a tropa partiu para a conquista dos rincões angolanos. Os líderes eram três jesuítas: Antônio do Couto, Gonçalo João e Felipe Franco. Os religiosos convenceram alguns sobas (chefes) a ajudarem na travessia do país em direção a Maçangano, onde espantaram os jagas e os nativos do rei do Congo, que sitiavam os portugueses. Daí para frente, os brasileiros venceram todas as resistências.
A vitória foi comemorada em grande estilo. Salvador de Sá assumiu o governo da Angola e rebatizou o Forte do Morro de Forte de São Miguel, em homenagem ao patrono da expedição brasileira. Já a cidade de São Paulo de Luanda virou São Paulo da Assunção, em honra a Nossa Senhora da Assunção. E os tumbeiros (navios negreiros) embarcaram em direção ao Brasil com sete mil escravos apinhados nos porões. Estava restabelecido assim o tráfico de escravos. O reinado africano de Salvador de Sá acabou em 1652. Depois dele, o Brasil voltou a enviar tropas a Luanda pelo menos em seis ocasiões, principalmente nos governos de João Fernandes Vieira e André Vidal Negreiros, que atuaram ferozmente na captura de mão- de-obra. A última expedição brasileira à Angola foi em 1671 – 200 mulatos nordestinos participaram da batalha conhecida como Pungo Adungo. Quando saiu de vez do território angolano, o Brasil deixou muito bem estabelecido por lá um forte comércio de fumo e cachaça, que conquistou os traficantes de escravos até a sua proibição.
Protagonistas
Em terras angolanas, eles lideraram a briga pela posse dos negros.
Perna-de-Pau
Cornelis Pieter Jols, conhecido como
Perna-de-Pau, comandou a frota de 19 navios de guerra da Companhia Holandesa
das Índias Ocidentais, que invadiu Luanda em 1641. Além de dois mil soldados e
900 marinheiros, ele contou com 200 índios potiguares, embarcados em Recife.
Para afugentar o governador angolano Pedro César de Menezes, Perna-de-Pau teve
sorte. No caminho, aprisionou um capitão espanhol inimigo dos portugueses que indicou
uma passagem no porto, livre do alcance dos canhões.
Rainha Jinga
Soberana do reino de Matamba, no leste de
Angola, Jinga comandava uma horda de guerreiros canibais, chamados jagas,
habilidosos na luta com machadinhas. Teve vida longa, de1581 a 1663. A rainha
era conhecida pela luxúria e perversidade. Possuía um harém de homens,
dispostos a morrer por ela. Seus súditos, os jagas, viviam do roubo, vitimando
diversas tribos. Quase no fim de sua vida, Jinga acabou convertida ao
catolicismo pelo frei napolitano Antônio da Gaeta, capuchinho de São Salvador
do Congo.
Salvador de Sá
Governador do Rio de Janeiro em diferentes
períodos, Salvador Correia de Sá e Benevides foi o principal responsável pela
retomada de Luanda, em 1648. Ele conseguiu apoio do rei D. João IV para dar o
troco nas escaramuças produzidas pelos holandeses nas colônias do Atlântico
Sul. Na África ganhou o nome de Nfumu-Etú-Lálânâ – Nosso Senhor Salvador – e
foi o pior inimigo da rainha Jinga. Tomou dela muitos escravos sem nunca devolver
a princesa dos jagas, Cambo, mantida como refém.
Kimpako
D. Garcia Afonso II – ou Kimpako na língua
bacongo – foi o rei do Congo do ano de 1641 a 1663. Até 1648, ele manteve forte
aliança com os holandeses, que colaboravam na sua luta contra um de seus
vassalos e pior inimigo, o Conde de Soyo. Convertido ao cristianismo, o
soberano congolês era católico fervoroso e abrigava em sua capital, São
Salvador do Congo, frades capuchinhos contrários à escravidão. Kimpako negociou
a paz com o novo governador de Angola, Salvador de Sá, após a expulsão dos
holandeses de Luanda, mas só foi perdoado pelo rei de Portugal, D. João IV,
depois de apelar para a intervenção do papa.
João Fernandes Vieira
Grande proprietário de engenhos de
cana-de-açúcar na Paraíba e comandante da resistência aos holandeses na
Insurreição Pernambucana, ele governou Angola entre 1651 e 1658. Vieira iniciou
a série de expedições de mulatos nordestinos que espalharam o terror na África
Central, queimando plantações dos nativos e escravizando angolanos e
congoleses, inclusive de tribos aliadas dos portugueses. Acabou excomungado
pelos jesuítas por denunciar a imensa quantidade de escravos que a Igreja
mantinha em cativeiro.
André Vidal de Negreiros
Herói da Insurreição Pernambucana, a guerra
contra a ocupação holandesa no Brasil, ele ganhou como prêmio o governo de
Angola. Ficou no poder entre 1661 e 1666 e comprou briga com o novo rei do
Congo, D. Antônio Afonso, chamado na língua bacongo de Mani Mulaza. A rixa
entre os dois aconteceu na Batalha de Ambuíla (1665), quando os mulatos de
Negreiros resistiram com espingardas e debaixo de chuva a milhares de arqueiros
de Mani Mulaza. Mesmo com muitas glórias, Negreiros foi afastado do governo de
Angola justamente por romper a paz com o Congo, conquistada logo após a
retomada de Luanda.
Tempos bárbarosNegros eram trocados por fumo e cachaça.
Para conseguir escravos, os exploradores luso-brasileiros não mediam esforços. Valia tudo, desde a guerra de captura até o pagamento de tributos. Um dos jeitos mais comuns para amealhar a valiosa mão-de-obra era trocar mercadorias de origem portuguesa (vinho, pólvora e sal-gema) ou brasileira (fumo, cachaça e farinha de mandioca) por negros.
Nos tempos de paz, os agenciadores de escravos, os pumbeiros, vasculhavam o sertão angolano comprando os prisioneiros de tribos rivais. Nas idas e vindas ao interior, levavam 150 escravos para carregar as mercadorias usadas como pagamento. Demoravam cerca de um ou dois anos nas jornadas e voltavam com filas de 500 a 600 “peças”. Já nas guerras de captura, os capitães partiam acompanhados por centenas de soldados europeus, mulatos brasileiros ou mesmo angolanos. Enfrentavam as tribos e escravizavam os homens capturados. Em Luanda, os cativos ficavam em grandes barracões, esperando o embarque. Quando os navios demoravam para transportar a “carga”, os escravos acabavam aproveitados na plantação e cultivo da mandioca local.
Os jesuítas, que possuíam numerosos escravos em Luanda, tinham um importante papel durante essa estadia, catequizando as almas. Antes de embarcar, todos os escravos eram batizados com nomes bíblicos, recebendo a nova alcunha por escrito em um papel. Eram orientados a esquecer os costumes de sua terra e a serem felizes na nova fé.
Aventuras na
História n° 022
terça-feira, 29 de maio de 2012
Como funciona o Telescópio Espacial Hubble?
Renato Domith Godinho
Odisséia fotográfica As imagens capturadas no espaço percorrem um longo caminho até a Terra
1. A luz de partes distantes do espaço entra no telescópio e bate no espelho principal, que a reflete de volta para a frente, rumo a um espelho secundário.
2. O espelho secundário capta a luz, melhora o seu foco e a envia de volta, em direção a um pequeno orifício no centro do espelho principal.
3. Atrás do espelho principal, uma série de micro- espelhos redireciona a luz para cinco câmeras digitais que irão fotografá-la: uma câmera infravermelha (que capta o calor dos objetos), uma espectrográfica (que divide a luz em cores para descobrir a composição das estrelas), uma para fotografar regiões amplas do espaço, uma para detectar os menores movimentos dos astros e uma ultra- sensível para captar imagens de galáxias ainda mais distantes.
4. As câmeras digitais não têm filme, mas uma tela que transforma as partículas de luz (fótons) em sinais elétricos, daqui enviados aos computadores de bordo. Lá, as imagens são processadas e enviadas para a antena do telescópio.
5. A antena envia as imagens captadas pelo Hubble para um satélite de comunicação que estiver passando por perto.
6. O satélite então envia os sinais para a estação receptora de White Sands, no Novo México, Estados Unidos, que, por sua vez, os encaminha ao Instituto Científico do Telescópio Espacial, em Baltimore. Lá, os dados serão recompostos em belas imagens.
Tampa protetora
Por causa de suas câmeras extremamente sensíveis, o Hubble nunca poderá ser usado para observar o Sol. Um só raio direto queimaria tudo. Uma tampa cobre o telescópio quando sua órbita o coloca de frente para o astro.
Painéis solares
Os dois painéis captam a energia do Sol e a transformam em energia elétrica, necessária para manter o aparelho funcionando.
Segredo de locomoção
Se usasse jatos para mudar de direção, a nuvem de gás formada por eles deixaria o Hubble cego. Por isso, para direcionar o telescópio são usadas três rodas. Quando elas giram - acionadas por um motor elétrico, cada uma em um eixo -, a lei física da ação e reação entra em cena, fazendo o Hubble rodar para o outro lado. Além disso, seis giroscópios detectam o movimento do telescópio em volta da Terra e enviam as informações para o computador central, que faz girar o aparelho, mantendo-o fixo em relação ao nosso planeta.
Um dos mais complexos aparelhos já colocados em órbita pelo
homem, o Hubble é um telescópio de reflexão - ou seja: em vez de lentes,
funciona com espelhos convexos para captar e ampliar a luz que chega até ele.
Apesar de a qualidade de definição das imagens corresponder proporcionalmente
ao diâmetro do espelho principal, o Hubble leva a vantagem de estar no espaço,
sem ter a visão obscurecida pela atmosfera da Terra. Assim, mesmo tendo apenas
2,4 metros de diâmetro, seu espelho enxerga mais longe e mais nitidamente que o
telescópio que possui o maior espelho do mundo, o do observatório de Keck, no
Havaí, com 10 metros de diâmetro. O Hubble Space Telescope ganhou esse nome em
homenagem ao cientista americano Edwin P. Hubble (1889-1953), considerado o
fundador da astronomia moderna. O equipamento - que pesa 11 toneladas e tem 13
metros de comprimento - levou oito anos para ser construído.
Desde 1990, ele gira
no espaço a 612 quilômetros da Terra, enxergando galáxias a mais de 10 bilhões
de anos-luz - distância tão grande que a luz emitida por elas vem ainda dos
primórdios do Universo, permitindo aos cientistas entenderem melhor a origem do
Cosmo. Quando o Hubble já estava em órbita, descobriu-se uma falha no polimento
do espelho principal. Ela era menor que um fio de cabelo, mas suficiente para
deixar o telescópio míope. Em 1993, astronautas instalaram lentes corretivas e
só então o Hubble passou a produzir as estonteantes imagens que conhecemos. No
último mês de março, ele passou por outra reforma: ganhou novos painéis solares,
uma câmera digital dez vezes mais sensível e um novo sistema de refrigeração
para a câmera de infravermelho, que estava pifada desde 1999.Odisséia fotográfica As imagens capturadas no espaço percorrem um longo caminho até a Terra
1. A luz de partes distantes do espaço entra no telescópio e bate no espelho principal, que a reflete de volta para a frente, rumo a um espelho secundário.
2. O espelho secundário capta a luz, melhora o seu foco e a envia de volta, em direção a um pequeno orifício no centro do espelho principal.
3. Atrás do espelho principal, uma série de micro- espelhos redireciona a luz para cinco câmeras digitais que irão fotografá-la: uma câmera infravermelha (que capta o calor dos objetos), uma espectrográfica (que divide a luz em cores para descobrir a composição das estrelas), uma para fotografar regiões amplas do espaço, uma para detectar os menores movimentos dos astros e uma ultra- sensível para captar imagens de galáxias ainda mais distantes.
4. As câmeras digitais não têm filme, mas uma tela que transforma as partículas de luz (fótons) em sinais elétricos, daqui enviados aos computadores de bordo. Lá, as imagens são processadas e enviadas para a antena do telescópio.
5. A antena envia as imagens captadas pelo Hubble para um satélite de comunicação que estiver passando por perto.
6. O satélite então envia os sinais para a estação receptora de White Sands, no Novo México, Estados Unidos, que, por sua vez, os encaminha ao Instituto Científico do Telescópio Espacial, em Baltimore. Lá, os dados serão recompostos em belas imagens.
Tampa protetora
Por causa de suas câmeras extremamente sensíveis, o Hubble nunca poderá ser usado para observar o Sol. Um só raio direto queimaria tudo. Uma tampa cobre o telescópio quando sua órbita o coloca de frente para o astro.
Painéis solares
Os dois painéis captam a energia do Sol e a transformam em energia elétrica, necessária para manter o aparelho funcionando.
Segredo de locomoção
Se usasse jatos para mudar de direção, a nuvem de gás formada por eles deixaria o Hubble cego. Por isso, para direcionar o telescópio são usadas três rodas. Quando elas giram - acionadas por um motor elétrico, cada uma em um eixo -, a lei física da ação e reação entra em cena, fazendo o Hubble rodar para o outro lado. Além disso, seis giroscópios detectam o movimento do telescópio em volta da Terra e enviam as informações para o computador central, que faz girar o aparelho, mantendo-o fixo em relação ao nosso planeta.
Revista Mundo Estranho Edição 7/ 2002
O que é engenharia reversa?
Qualquer um que destruiu o radinho de pilha do pai para
"ver como funciona" já deu os primeiros passos em engenharia reversa.
Ela consiste em pegar um produto já acabado e examiná-lo, desmontando peça por
peça, para descobrir como foi feito. A idéia é reproduzi-lo da melhor maneira
possível, mesmo sem ter acesso às instruções e instrumentos do fabricante
original. "A engenharia reversa é a principal atividade dos departamentos
de desenvolvimento de produtos de todas as grandes empresas multinacionais. No
Brasil, por exemplo, os fabricantes de televisores mantêm uma vistoria
permanente nos aparelhos dos concorrentes", diz o engenheiro Javier
Ramírez, da USP. Espiar o quintal do vizinho é, afinal, mais rápido e barato
que reinventar a roda e basta alterar um pouco o processo de fabricação para
não ter que pagar por uma tecnologia patenteada, prática que leva a grandes
discussões judiciais.
Até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Japão adquiriu muito da sua tecnologia utilizando engenharia reversa em produtos americanos e alemães.
Até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Japão adquiriu muito da sua tecnologia utilizando engenharia reversa em produtos americanos e alemães.
Revista Mundo Estranho Edição 7/ 2002
O que acontecia na cidade secreta de Machu Picchu?
Fabio Volpe
A Intiwatana (pedra de amarrar o Sol) era a peça central de um sistema de medições astronômicas, importante para definir o plantio. A Praça Sagrada tinha dois templos: o das Três Janelas (simbolizando a terra dos vivos, a dos mortos e a dos deuses) e o dos Animais (para celebrar a fertilidade).
A entrada principal era o Portal Sul, que separava o setor urbano do rural. Na parte alta da cidade, ficava o Bairro Nobre, lar de sacerdotes, oficiais e parentes do imperador.
ARMAZÉM
Aqui eram estocados os alimentos cultivados na cidade ou trazidos de fora em tropas de lhamas, já que Machu Picchu não conseguia produzir comida suficiente para todos os seus habitantes. O local também poderia servir como uma espécie de recepção para os visitantes.
O pico Huayna Picchu (montanha jovem) era um ponto estratégico para observações astronômicas, ligado à cidade por uma íngreme escadaria.
Na parte baixa da cidade, ficava o bairro popular, moradia de artesãos, camponeses e professores. A Praça Central era uma espécie de pátio interno, onde ocorriam as festas.
TERRAÇOS
Pareciam grandes degraus e serviam para o plantio - de batata e milho a folhas de coca, usadas para resistir à altitude. Eles tinham uma base de pedra que permitia a rápida passagem da água entre um terraço e outro. Além disso, protegiam o terreno da erosão.
O GRANDE TEMPLO
O Sol era o deus mais popular entre as inúmeras divindades da natureza adoradas pelos incas e era representado em muitos ornamentos de ouro. O Templo do Sol, o principal de Machu Picchu, tinha duas janelas posicionadas para receber os primeiros raios solares que entravam na cidade nos dias que marcam o início do verão e do inverno. Lá, sacerdotes também sacrificavam lhamas e porquinhos-da-índia para prever o futuro em suas vísceras.
A rede de água começava nas montanhas, onde nascia a água potável que a avançada engenharia hidráulica inca distribuía por canais e pequenas fontes de pedra.
Em 24 de julho de 1911, o arqueólogo americano Hiram Bingham
encontrou estas incríveis ruínas no Peru. Machu Picchu foi construída por volta
de 1450 e pertencia ao Império Inca, que se estendeu do Chile ao Equador antes
de ser destruído pelos espanhóis no século XVI. Um dos mistérios que envolvem a
cidade é como os incas carregaram tantas pedras para construí-la. O trabalho
não foi tão duro assim, pois a própria montanha era rica em granito. Mais
complicado era extrair as rochas do terreno. Mestres no assunto, os incas
usavam técnicas curiosas, como encher de água fissuras naturais nas pedras para
que, à noite, com a queda da temperatura, o líquido congelasse e se expandisse,
aumentando as rachaduras e facilitando a extração.
Mas o que fazia no
meio das montanhas essa cidade para até 1 000 habitantes? Alguns estudiosos
acreditam que era um local secreto para cultos religiosos. Já no livro
Machupicchu - Universidad Inka, o arquiteto peruano Oscar Zereceda defende a
tese de que o lugar teria sido uma espécie de universidade de astronomia e de
técnicas agrícolas. A única certeza é que ela foi abandonada sem que nenhum
colonizador espanhol a tivesse conhecido - o que você pode fazer agora.A Intiwatana (pedra de amarrar o Sol) era a peça central de um sistema de medições astronômicas, importante para definir o plantio. A Praça Sagrada tinha dois templos: o das Três Janelas (simbolizando a terra dos vivos, a dos mortos e a dos deuses) e o dos Animais (para celebrar a fertilidade).
A entrada principal era o Portal Sul, que separava o setor urbano do rural. Na parte alta da cidade, ficava o Bairro Nobre, lar de sacerdotes, oficiais e parentes do imperador.
ARMAZÉM
Aqui eram estocados os alimentos cultivados na cidade ou trazidos de fora em tropas de lhamas, já que Machu Picchu não conseguia produzir comida suficiente para todos os seus habitantes. O local também poderia servir como uma espécie de recepção para os visitantes.
O pico Huayna Picchu (montanha jovem) era um ponto estratégico para observações astronômicas, ligado à cidade por uma íngreme escadaria.
Na parte baixa da cidade, ficava o bairro popular, moradia de artesãos, camponeses e professores. A Praça Central era uma espécie de pátio interno, onde ocorriam as festas.
TERRAÇOS
Pareciam grandes degraus e serviam para o plantio - de batata e milho a folhas de coca, usadas para resistir à altitude. Eles tinham uma base de pedra que permitia a rápida passagem da água entre um terraço e outro. Além disso, protegiam o terreno da erosão.
O GRANDE TEMPLO
O Sol era o deus mais popular entre as inúmeras divindades da natureza adoradas pelos incas e era representado em muitos ornamentos de ouro. O Templo do Sol, o principal de Machu Picchu, tinha duas janelas posicionadas para receber os primeiros raios solares que entravam na cidade nos dias que marcam o início do verão e do inverno. Lá, sacerdotes também sacrificavam lhamas e porquinhos-da-índia para prever o futuro em suas vísceras.
A rede de água começava nas montanhas, onde nascia a água potável que a avançada engenharia hidráulica inca distribuía por canais e pequenas fontes de pedra.
Revista Mundo Estranho Edição 7/ 2002
A radiação das bombas de Hiroshima e Nagasáki ainda prejudica a vida no Japão?
Não. "As medições mais recentes indicam níveis de
radiação compatíveis com os de outras cidades. Não há mais riscos à
saúde", afirma a física Emico Okuno, da USP, especialista no assunto. Como
os solos não estão mais contaminados, já dá para consumir sem medo os alimentos
ali cultivados. É claro que isso não apaga o horror das bombas. Pelo menos um
quarto da população das duas cidades morreu nas explosões, em agosto de 1945,
no final da Segunda Guerra Mundial. Nas décadas seguintes, uma pesquisa feita
pelo instituto nipo-americano Radiation Effects Research Foundation (Fundação
de Pesquisa dos Efeitos da Radiação) revelou que a radiação fez aumentar a
incidência de câncer entre os sobreviventes. Dos 50 mil sobreviventes estudados
entre 1950 e 1990, 176 morreram de leucemia. Desses casos, 89 (51%) foram
causados pela radiação. Entre as pessoas que estavam a menos de 1 quilômetro do
centro das explosões, as bombas foram responsáveis por 100% das mortes por
leucemia.
O estudo ainda apontou a ocorrência, em menor grau, de outros tipos de câncer, como de estômago, pulmão, mama e fígado. No total, estima-se que 9% das mortes por câncer entre os sobreviventes tenha sido causada pela bomba. A boa notícia é que não houve indícios de alteração genética nos fetos expostos à bomba. "Mas as pesquisas continuam. Ainda restam muitas dúvidas sobre os efeitos da radiação", diz Emico.
Cogumelos letais Número de mortos pelas bombas
Cidade - Hiroshima
População Estimada - 310 000
Número de mortos* - 60 000 a 80 000
Cidade - Nagasáki
População Estimada - 250 000
Número de mortos* - 90 000 a 140 000
* Inclui mortes ocorridas até quatro meses depois dos bombardeios
O estudo ainda apontou a ocorrência, em menor grau, de outros tipos de câncer, como de estômago, pulmão, mama e fígado. No total, estima-se que 9% das mortes por câncer entre os sobreviventes tenha sido causada pela bomba. A boa notícia é que não houve indícios de alteração genética nos fetos expostos à bomba. "Mas as pesquisas continuam. Ainda restam muitas dúvidas sobre os efeitos da radiação", diz Emico.
Cogumelos letais Número de mortos pelas bombas
Cidade - Hiroshima
População Estimada - 310 000
Número de mortos* - 60 000 a 80 000
Cidade - Nagasáki
População Estimada - 250 000
Número de mortos* - 90 000 a 140 000
* Inclui mortes ocorridas até quatro meses depois dos bombardeios
Revista Mundo
Estranho Edição 7/ 2002
Assinar:
Postagens (Atom)