domingo, 1 de julho de 2012

Como funciona a comunicação por sinais de fumaça?

Primeiro, claro, é preciso acender uma pequena fogueira com madeira seca e sem casca, para não fazer sinais antes da hora. Depois, é só jogar nas chamas alguns ramos de folhas verdes, que produzem bastante fumaça, e colocar uma coberta sobre a fogueira. Na hora de se comunicar, basta remover a capa para formar os grandes tufos de fumaça. Os sinais são telegráficos, aparecem e somem rapidamente para chamar a atenção e não se confundirem com uma fogueira natural. Apesar de primitivo - qualquer brisa já bagunçava toda a comunicação -, o sistema funcionava bem. Chegou a ser usado pelos nativos de Cuba, da Austrália e até do Brasil. Nos Estados Unidos, ao contrário do que sugerem os faroestes de Hollywood, o uso de sinais de fumaça entre os índios era muito limitado. "Não existia nenhum código universal. Por isso, cada tribo combinava antes o significado dos tufos", afirma o historiador Leonard Bruguier, do Instituto de Estudos Indígenas Americanos, da Universidade de Dakota do Sul, nos Estados Unidos.
O problema é que os sinais mais comuns logo eram entendidos pelos rivais dos índios, o exército americano. Um tufo curto, por exemplo, indicava a presença de inimigo, enquanto uma série repetida deles mostrava que eram numerosos e estavam bem armados.

Revista Mundo Estranho Edição 11/ 2003

Quais são as frutas usadas para o sabor tutti-frutti dos chicletes?

Depende do lugar. O segredo do tutti-frutti é mesclar os sabores mais populares para o paladar de cada país. No Brasil, a mistura leva laranja, banana, abacaxi, baunilha e morango. Na fórmula americana, a principal diferença é a cereja, fruta muito popular por lá. Na Ásia, adiciona-se o cravo e, na Europa, a mistura tem gostinho de canela. Mas não é uma composição fixa. Em outras épocas, o tutti-frutti brasileiro já teve maçã, groselha, framboesa e limão. "O aroma suave da maçã acabou eliminado porque mal era percebido em meio aos sabores intensos da banana e do abacaxi. Já a groselha e a framboesa saíram porque eram muito caras. O limão também, mas foi substituído pela laranja", afirma o químico Moisés Galano, gerente de criação de uma empresa que desenvolve aromas. Qualquer que seja a combinação, o tutti-frutti surge de uma mescla de substâncias aromáticas que dão sabor às frutas na natureza.
Cada fruta possui cerca de 300 dessas substâncias, mas apenas as principais são utilizadas para criar cada sabor artificial. É o suficiente para sentir a parte mais importante do gosto da fruta. Embora possa ser criado a partir de essências naturais, o mais comum é que o tutti-frutti seja formado por substâncias aromáticas sintéticas, produzidas em laboratório desde o fim do século 19. Nesse processo, o primeiro passo é isolar os principais ingredientes da substância desejada, determinar suas estruturas orgânicas e depois reproduzi-las por meio de uma série de reações químicas. No fim vem a parte mais criativa: uma mistureba de todas as substâncias aromáticas até chegar no ponto ideal. "O processo é todo automatizado. Um aparelho reúne centenas de substâncias e o resultado é degustado em um dispositivo que exala o aroma. Os ajustes finais são feitos por computador", diz Moisés.
Simplificação artificial
Apenas uma parte dos aromas naturais é aproveitada.
Fruta - Morango
Substâncias aromáticas na natureza - 280
Substâncias usadas no tutti-frutti de 40 a 60 - de 40 a 60
Fruta - Laranja
Substâncias aromáticas na natureza - 80
Substâncias usadas no tutti-frutti de 40 a 60 - de 40 a 60
Fruta - Abacaxi
Substâncias aromáticas na natureza - 170
Substâncias usadas no tutti-frutti de 40 a 60 - de 20 a 30
Fruta - Banana
Substâncias aromáticas na natureza - 140
Substâncias usadas no tutti-frutti de 40 a 60 - de 35 a 45
Fruta - Baunilha
Substâncias aromáticas na natureza - 80
Substâncias usadas no tutti-frutti de 40 a 60 - de 1 a 5

Revista Mundo Estranho Edição 11/ 2003

Quanta informação o cérebro pode armazenar?

Meire Cavalcante

Os especialistas afirmam que não há uma resposta exata para essa pergunta. "É impossível comparar o cérebro do homem a uma máquina, porque a quantidade de informações que guardamos não pode ser quantificada. Quem falar em números estará mentindo", diz o neurologista Ivan Izquierdo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ao longo da evolução, o cérebro humano aumentou de tamanho e aprimorou suas funções, mas a capacidade de armazenar  e recordar fatos é um enigma não totalmente desvendado pela ciência. E esse mistério vem de longe. No século 4 a.C., o filósofo grego Platão comparava a memória a uma lâmina riscada, que mantinha a impressão até ser apagada pelo desgaste do tempo, e Aristóteles pensava que era o coração quem controlava as lembranças. Hoje, sabe-se que o cérebro é quem retém as informações e as divide em dois tipos principais de memória.
A primeira, de curto prazo, armazena apenas de seis a sete itens - como nomes ou números de telefones - por pouquíssimo tempo, às vezes, por segundos. A segunda, de longo prazo, mantém assuntos de destaque ou dados que precisamos lembrar sempre. "Recordamos com mais facilidade algo que associamos a um contexto ou que tenha importância emocional", diz o psicólogo Orlando Bueno, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Na memória de longo prazo, as lembranças que podem ser descritas por palavras - como o pedido de um chefe ou o endereço da namorada - ficam guardadas na memória explícita. Outra parte, a implícita, é responsável por tarefas automáticas como ler, escrever ou passar as marchas do carro sem pensar antes. A memória parece uma habilidade infalível, mas o fato é que quando lembramos de algo nunca reconstruímos a cena com fidelidade.
"O cérebro guarda apenas fragmentos do que aconteceu e, na hora de montar o quebra-cabeça das lembranças, contam as emoções e a maneira como a pessoa percebeu o fato ocorrido. Quem tem memória é o computador. O que nós temos é uma vaga lembrança", afirma o neurofisiologista Luiz Eugênio Mello, também da Unifesp.
Depósito de lembranças
Divisão de tarefas na nossa cabeça agiliza a memorização.
1. Dentro do cérebro humano, a primeira estrutura a receber novas informações é o tálamo. Ele atua como um filtro da atenção: se você estiver conversando com alguém em um ambiente barulhento, o tálamo bloqueia os ruídos que não interessam para que sua atenção se mantenha apenas nas informações da conversa.
2. Por meio de impulsos nervosos, a informação recebida é transmitida à região onde ela será processada, o córtex, que é uma espécie de casca do cérebro, com partes específicas para identificar estímulos de todos os sentidos. Se a pessoa com quem você está conversando aponta para um gato estranho, por exemplo, a área do córtex responsável pela visão é que vai informar que se trata de um bichano de cor verde, digamos. Depois de reconhecer o estímulo, o córtex envia a informação para o hipocampo
3. O hipocampo é o manda chuva da memória, que seleciona o que vai ser armazenado. Se for novidade, ele guarda. Se não, joga fora e descarta a informação. O que ele julgar que deva ser armazenado é enviado de volta para o córtex. Lá, cada pedaço da informação filtrada fica guardada  em uma região aleatória. Se você acaba de disputar uma partida de basquete com alguns amigos, o horário em que foi o jogo vai para um lugar, as pessoas com quem você estava para outro e o local onde tudo ocorreu para uma terceira área.
4. Enquanto o hipocampo trabalha, outra estrutura, a amígdala, dá o brilho emocional às informações, ajudando a destacar o que é mais marcante para nós. Se você estacionar o carro na rua e tomar uma multa, a amígdala dará mais valor a essa cena e a informação de que você não pode parar ali ficará bem viva na sua memória. Já aquela fórmula de raiz quadrada dos tempos de escola também fica guardada, mas, se você já se formou, ela fica meio "empoeirada" e é difícil de ser lembrada porque você não precisa mais dela no dia-a-dia.
5. Tanto as informações com brilho emocional e sempre à mão, como as empoeiradas e mais escondidas, ficam armazenadas no córtex. Para recordá-las, outra região- chave do cérebro entra em cena, o lobo frontal. Toda vez que é preciso lembrar algo, os impulsos nervosos do lobo frontal transmitem perguntas ao hipocampo: Qual era a letra daquela música? Com quem você a ouviu? Tudo, enfim, que ajude a recriar o quebra-cabeças do fato ocorrido.
6. Como o hipocampo guardou tudo, só ele sabe onde estão os fragmentos que compõem a cena completa. É ele quem cruza as informações, reconstruindo a cena, como, por exemplo, a música que você estava ouvindo quando conheceu alguém especial. Mas pode não ser uma reconstituição fiel, pois o estado emocional e a percepção de cada um influi no modo como armazenamos e como lembramos das coisas.
Para não esquecer Três dicas que ajudam a refrescar a memória
Relacione o que você quer lembrar com a imagem de um lugar. Você pode imaginar, por exemplo, que seu cérebro é uma casa. Guarde o número de telefone de alguém dentro da cozinha, ou uma data especial em um dos dormitórios. Parece estranho, mas ajuda.
Agrupe as informações importantes em uma sequência temporal, algo que tenha começo, meio e fim. O cérebro gosta de estruturas que mantenham o ritmo e que possuam algumas repetições, como as poesias. Não é à toa que estudantes decoram fórmulas matemáticas com mais facilidade por meio de músicas.
Não sobrecarregue e nunca confie demais na sua memória. Você pode até se desapontar com essa dica, mas ela é a mais importante de todas! Para  lembrar  dos fatos e dos compromissos essenciais, use sempre uma agenda e não se esqueça de consultá-la quando precisar.

Revista Mundo Estranho Edição 11/ 2003

Por que o ser humano tem duas dentições?

Por que enquanto os dentes de leite param de crescer assim que aparecem na boca, os ossos que os sustentam continuam a aumentar. "Aos 2 anos, a primeira dentição da criança já está completa, com 20 dentes. Mas, como os ossos continuam se desenvolvendo, é preciso trocar os dentes menores por outros maiores e proporcionais", afirma o ortodontista Carlos Henrique Guimarães Jr., da Sociedade de Ortodontia do Distrito Federal. Por volta dos 6 anos, depois que nasce o primeiro par de dentes permanentes (os molares), os de leite começam a ser substituídos. Nesse processo, a raiz dos permanentes passa a absorver a dos de leite. Presos apenas pela gengiva, os dentes infantis ficam moles até cair. Nessa idade, como a arcada é bem maior, há espaço para outros dentes que não existiam na primeira dentição. Com cerca de 17 anos nascem os dois últimos pares, os do siso, que completam 32 dentes permanentes, maiores e mais fortes.
Além de serem essenciais na primeira fase da vida, os dentes de leite influenciam toda a dentição que vem depois. "Se eles caem antes da hora, os permanentes podem até mesmo nascer fora do lugar, atrapalhando a mordida da criança. Por isso é muito importante cuidar bem da primeira dentição", diz Carlos Henrique.

Revista Mundo Estranho Edição 11/ 2003

É possível pegar mais de uma gripe ao mesmo tempo?

A princípio, não. A gripe é uma doença transmitida por um único vírus mutante e apenas uma mutação consegue infectar o organismo por vez. Mas pode haver exceções. "A combinação de duas mutações do vírus da gripe numa só pessoa teoricamente até pode acontecer, mas seria raro", diz o infectologista Antonio Carlos Misiara, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Isso acontece porque o corpo humano possui uma defesa contra o ataque simultâneo dessas criaturas. "Quando o organismo detecta a presença de um vírus, o sistema imunológico produz uma substância chamada interferon. Sua função é combater o inimigo que já está no corpo, mas, de tabela, ela impede a entrada de qualquer outro vírus que ataque o sistema respiratório e esteja por perto querendo se infiltrar", afirma Antonio Carlos. O vírus responsável por todas as epidemias de gripe, o influenza A, é um vilão que altera sua estrutura genética para escapar da imunidade natural do nosso organismo e das vacinas.
Os principais sintomas da gripe são tosse persistente e febre alta. Outra doença bastante parecida é o resfriado, mas ele é menos grave e exige um tempo de recuperação menor. "A semelhança é que os resfriados também são contraídos por vírus, mas a variedade deles é muito grande (são cerca de 400) e quase nenhum é mutante", diz Antonio Carlos. O médico esclarece que nem mesmo o vírus da gripe e qualquer outro de resfriado costumam atacar em conjunto.

Revista Mundo Estranho Edição 11/ 2003

Qual é a doença que mais matou gente na história da humanidade?

Tudo indica que foi a malária. Estima-se que, descontadas as guerras e as mortes acidentais, essa doença foi responsável  por metade dos óbitos da história da humanidade desde a Idade da Pedra, 600 mil anos atrás. "Na Grécia antiga, havia relatos de manifestações da malária. No auge do Império Romano, ela era comum na região do Mediterrâneo", diz a epidemiologista Diana Maul de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A cada ano, as várias espécies de mosquitos que carregam o parasita da doença contaminam 500 milhões de pessoas no mundo, das quais algo entre 1 e 3 milhões acabam morrendo. Existem também, é claro, epidemias de outras doenças que deixaram um rastro devastador na história humana. "Na Idade Média, a peste bubônica chegou a vitimar cerca de 25% da população da Europa", diz o epidemiologista Jair Ferreira, da UFRGS. Há ainda quem considere a fome uma doença, afirmando que ela causou mais mortes na história humana.
"Até o século 20, a cada 1 000 crianças nascidas 600 morriam de desnutrição ou de doenças causadas por ela", afirma Jair.

Revista Mundo Estranho Edição 11/ 2003

Faz mal roer as unhas? Por que fazemos isso?

Esse hábito, que ataca nove entre dez ansiosos, pode ser perigoso, sim. A onicofagia - nome esquisito que os médicos dão para o ato de roer as unhas - pode abrir machucados que servem de porta de entrada para vírus como o HPV, causador de verrugas na pele. Tem mais. "Quem engole a unha pode ter pequenas lesões no estômago ou no intestino", afirma o gastroenterologista Aderson Damião, da Universidade de São Paulo (USP). Pior que os problemas físicos é a dificuldade de abandonar a mania quando ela se mantém após uma certa idade. "Sessenta por cento das crianças rói unhas, mas a maioria larga na adolescência. Para o adulto que carrega o hábito desde pequeno, é muito complicado parar", diz o dermatologista Marcello Menta Simonsen Nico, do Hospital das Clínicas, em São Paulo.
Geralmente, as pessoas começam a roer as unhas por algum desequilíbrio emocional, como ansiedade, medo ou insegurança. "Nesses casos, o hábito se torna uma forma de descarregar tensões, de descontar no próprio corpo o que está errado", diz a psicóloga Vânia Sartori, da Unifesp. Por isso, é importante tratar as causas que levam a esse costume e não apenas ele em si. Ou seja, nada de colocar pimenta nos dedos. Primeiro, é preciso descobrir o que está afligindo a pessoa. Depois, com tratamento psicológico, ela esquece o hábito naturalmente.

Revista Mundo Estranho Edição 11/ 2003