sábado, 3 de agosto de 2013

Que animal selvagem mata mais humanos por ano?

Sem dúvida nenhuma são as cobras. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que todos os anos 125 mil pessoas morrem vítimas de picadas de serpentes venenosas. A mortalidade varia de acordo com a região do mundo. Na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá os acidentes são relativamente raros. Dos 8 mil envenenamentos ocorridos por ano, apenas de 15 a 30 resultam em mortes. Na África, por outro lado, estima-se que aconteçam pelo menos 500 mil ataques anuais, sendo 20 mil fatais. Mas o problema mais sério é na Ásia, principalmente em países como Índia, Paquistão e Birmânia. Nesse continente, morrem todos os anos de 25 mil a 35 mil pessoas por causa de picadas de cobras venenosas. No Brasil, dados do Ministério da Saúde revelam que ocorrem de 19 mil a 22 mil incidentes por ano, com cerca de 85 a 100 óbitos. Embora em número bem inferior, elefantes, tubarões, hipopótamos e tigres também são bichos selvagens responsáveis por vários acidentes fatais envolvendo humanos. Os leões eventualmente também entram nessa lista: em setembro deste ano, 13 pessoas de uma aldeia em Moçambique foram mortas por um selvagem "Rei da Selva". Em tempo: quando falamos de animal selvagem estamos excluindo, por exemplo, os insetos, que são importantes vetores de doenças. Só os mosquitos do gênero Anopheles ajudam a matar mais de 1 milhão de pessoas por ano ao transmitirem a malária!

Quando o homem é a presa
Cobras, elefantes, tubarões, tigres e hipopótamos são alguns dos nossos maiores "predadores".

Cobra
Existem no mundo cerca de 3 mil tipos diferentes de cobras, das quais de 300 a 450 espécies são peçonhentas. São elas as responsáveis pelos 2,5 milhões de acidentes ofídicos que acontecem anualmente, 125 mil resultando em morte.

Tubarão
De acordo com o Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões, essas feras foram responsáveis por 55 ataques a banhistas no ano passado — quatro deles com vítimas fatais. Essa é uma média que vem se mantendo desde 2000. Geralmente, os ataques ocorrem porque o homem é confundido com uma presa.

Tigre
O tigre é um dos felinos que mais realizam ataques contra humanos. Normalmente, as investidas são uma reação de defesa do animal a encontros inesperados. Um dos locais mais perigosos é o leste da Índia. Todos os anos, cerca de 35 pessoas são vítimas de ataques fatais só nessa região.

Hipopótamo
Implacável na defesa do seu território, o hipopótamo odeia intrusos. Como enxerga mal, pode, por exemplo, atacar uma canoa achando que é um rival. Não há dados precisos, mas especialistas dizem que hipopótamos mataram um grande número de humanos nos últimos anos.

Elefante

Entre 1998 e 2003, 166 pessoas morreram e outras 101 foram feridas por ataques de elefantes planeta afora — uma média de 27 mortes por ano. O principal motivo é a destruição do hábitat do animal, o que faz com que manadas invadam aldeias, principalmente na Ásia, causando grande destruição.
Revista Mundo Estranho Edição 33/ 2004

Quem são os beduínos?

São um povo nômade que vive nos desertos do Oriente Médio e do norte da África. Os beduínos representam cerca de 10% dos habitantes do Oriente Médio e têm o nome derivado das palavras árabes al bedu ("habitantes das terras abertas") ou al beit ("povo da tenda"). O mais provável é que essa cultura tenha surgido ainda na Antiguidade, no norte da atual Arábia Saudita. A partir do século 7, porém, quando os árabes conquistaram o norte da África, os beduínos se dispersaram também nesse continente. Na Arábia, onde sempre viveram os grupos principais, as difíceis condições de vida no deserto geraram conflitos pelo uso de poços de água e pastagens, levando bandos de beduínos a eventuais ataques a caravanas e outras formas de roubo contra vizinhos e forasteiros. Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o estilo de vida desse povo começou a entrar em decadência. Submetidos ao controle dos governos dos países onde viviam, eles passaram a enfrentar dificuldades para perambular à vontade como nômades. O número de beduínos diminuiu e hoje o estilo de vida deles é cada vez mais sedentário. Entretanto, a fervorosa adesão ao islamismo e o caráter tribal das sociedades permanece. Cada grupo reúne várias famílias sob a liderança máxima de um chefe hereditário, conhecido como "xeque". As várias tribos também têm status diferentes. Algumas são consideradas "nobres", porque teriam importantes ancestrais. Outras, "sem ancestrais", servem as de maior status, com seus membros atuando como artesãos, ferreiros, artistas ou fazendo outros tipos de trabalho.

Vidas secas
Nômades, eles vagam pelo deserto, dormem em tendas e criam cabras e camelos.

TEM QUE CAMELAR PRA SUBIR
A hierarquia entre os beduínos é curiosa e pode ser percebida pelo animal que cada grupo usa como base de vida. Os grupos de maior prestígio são os nômades que usam camelos, organizados em grandes tribos nos desertos. Já os criadores de cabras e ovelhas vêm em segundo lugar na hierarquia.

CASA PARA VIAGEM
Os beduínos vivem em tendas esticadas sobre estacas de madeira, num acampamento fácil de montar e desmontar. As tendas têm cerca de 2,5 metros de altura e menos de 6 metros de comprimento. Quando o acampamento é armado, um tapete grosso é estendido no chão, onde ficam selas de camelo, cordas, panelas e gamelas com água.

CABRA MARCADA PARA MORRER
A maioria dos beduínos vive da criação de animais, principalmente cabras, que servem de alimento durante as migrações. Embora eles desprezem a atividade agrícola, muitos grupos se tornaram sedentários a partir da década de 1950 devido a pressões políticas e econômicas — a Arábia Saudita e a Síria, por exemplo, nacionalizaram terras usadas pelos beduínos.

Revista Mundo Estranho Edição 33/ 2004

Qual o impacto ambiental da instalação de uma hidrelétrica?


Suzana Paquete
É um estrago e tanto. Na área que recebe o grande lago que serve de reservatório da hidrelétrica, a natureza se transforma: o clima muda, espécies de peixes desaparecem, animais fogem para refúgios secos, árvores viram madeira podre debaixo da inundação... E isso fora o impacto social: milhares de pessoas deixam suas casas e têm de recomeçar sua vida do zero num outro lugar. No Brasil, 33 mil desabrigados estão nessa situação, e criaram até uma organização, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Pode parecer uma catástrofe, mas, comparando com outros tipos de geração de energia, a hidrelétrica até que não é ruim. Quando consideramos os riscos ambientais, as usinas nucleares são mais perigosas. E, se pensarmos no clima global, as termoelétricas - que funcionam queimando gás ou carvão - são as piores, pois lançam gases na atmosfera que contribuem para o efeito estufa. A verdade é que não existe nenhuma forma de geração de energia 100% limpa. "Toda extração de energia da natureza traz algum impacto. Mesmo a energia eólica (que usa a força do vento), que até parece inofensiva, é problemática. Quem vive embaixo das enormes hélices que geram energia sofre com o barulho, a vibração e a poluição visual, além de o sistema perturbar o fluxo migratório de aves, como acontece na Espanha", afirma o engenheiro Gilberto Jannuzzi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Outro problema das fontes alternativas é o aspecto econômico: a energia solar, por exemplo, é bem menos impactante que a hidrelétrica, mas custa dez vezes mais e não consegue alimentar o gasto elevado das grandes cidades. Por causa disso, os ambientalistas defendem a bandeira da redução do consumo. Pelas contas do educador ambiental Sérgio Dialetachi, coordenador da campanha de energia do Greenpeace, daria para economizar 40% da energia produzida no país com três medidas. Primeiro, instalando turbinas mais eficientes nas usinas antigas. Segundo, modernizando as linhas de transmissão e combatendo o roubo de energia. Terceiro, retornando ao comportamento da época do racionamento, em 2001, com equipamentos e hábitos menos gastadores. Tudo isso evitaria que novas hidrelétricas precisassem ser construídas, protegendo um pouco mais nosso planeta.

Natureza estremecida
Lago das usinas altera o clima e toda a biodiversidade aquática.

SUBIDA ÍNGREME
Para garantir que peixes migradores, consigam subir o rio para acasalar, uma das maneiras é construir "escadas" aquáticas. Cada grupo de degraus tem uma área de descanso para que o peixe não tenha cãibras por esforço muscular na hora da subida.

RIO SOFREDOR
O nível do reservatório das hidrelétricas precisa ser mantido em um patamar constante. Para isso, os técnicos abrem e fecham as comportas dependendo do regime de chuvas. Quem perde com isso é o rio que recebe a água do lago: a alteração do volume d´água desordena toda a vida aquática — sobretudo nas margens, que enfrentam períodos de seca e inundação.

CAOS CLIMÁTICO
O que antes era uma floresta vira, de uma hora para outra, um lago. Essa mudança aumenta a quantidade de água que evapora e, por consequência, mexe em outros três fatores climáticos: o total de chuvas, a umidade e a temperatura, que sofre variações de até 3 ºC. Com essa bagunça, as plantações que sobreviveram à inundação podem ser prejudicadas.

SALVAMENTO IMPROVISADO
Parte da fauna que ocupava a região do lago fica ilhada com a inundação. Quando o lago da barragem de Itaipu foi formado, por exemplo, 30 mil animais foram resgatados e levados a áreas de reserva. Alguns morreram por não se adaptar ao novo hábitat. O salvamento continua até hoje: quando as turbinas param para manutenção, os peixes que entram nos dutos são retirados.

COMEÇAR DE NOVO
No alagamento para a formação da barragem, muitas espécies vegetais ficam submersas, reduzindo a biodiversidade. Para diminuir o problema, as construtoras de hidrelétricas têm programas de reflorestamento em suas margens. A usina de Itaipu, por exemplo, recebeu 20 milhões de mudas no entorno de seu reservatório.

PESCARIA ALTERADA
A formação de um lago muda os hábitos da vida aquática, fazendo algumas espécies de peixe sumirem e outras se multiplicarem. No rio Paraná, os tipos mais numerosos mudaram com a instalação de Itaipu:

ANTES DE ITAIPU
Cascudo-preto - 22%

Dourado - 17%
Pacu - 13%

DEPOIS DE ITAIPU
Armado - 38%

Corvina - 15%
Mapará - 13%

BOLHAS PERIGOSAS
Submersas no lago por vários anos, árvores e plantas apodrecem e liberam bolhas de gás metano, um poluente que corrói turbinas, impede a reprodução de alguns peixes e permite a proliferação de algas, causando desequilíbrio aquático. Algumas bolhas de metano são tão grandes que chegam a virar um barco pequeno de alumínio!

Revista Mundo Estranho Edição 33/ 2004

Como era a vida no Velho Oeste?

Roberto Navarro

Era muito mais tranquila do que mostram os filmes sobre a época. Entre 1850 e 1890, essa região dos Estados Unidos era cheia de pequenas cidades, em geral pacíficos centros de comércio com lojas para abastecer rancheiros e agricultores. Os saloons, os bares da época, ofereciam bebidas, jogo (dados ou pôquer), mulheres e divertimento. Uma cidade podia ter vários bares, competindo pela freguesia com ofertas de charutos e refeições grátis. Boa parte dos famosos duelos vistos nos filmes ocorria exatamente nos saloons do Velho Oeste, mas eram muito mais raros do que a gente (e Hollywood!) imagina. Para se ter uma idéia, o ano recordista em duelos foi 1878, quando só no Texas e no Kansas aconteceram 36 confrontos, causando cerca de 50 mortes. Para comparar, apenas no segundo trimestre de 2004 foram assassinadas mais de 2 300 pessoas no estado de São Paulo! "Havia cidades com atividades ligadas a gado e ferrovias que já tinham uma história de violência e atraíam jogadores, vaqueiros, prostitutas, trapaceiros e aventureiros em geral, numa mistura volátil. Mas eram exceção. Apesar disso, chamaram a atenção da mídia e foram glamourizadas", diz o historiador americano Rick Miller, autor de quatro livros sobre o assunto. Outra idéia hollywoodiana equivocada é a de pistoleiros se enfrentando em hora e local marcados. Os raros duelos que ocorriam eram no calor de uma discussão e envolviam rivais muito próximos uns dos outros. "O uso de facas era tão comum quanto o de revólveres. E, quando dois pistoleiros se enfrentavam, não importava tanto qual era o mais rápido e sim quem tinha melhor pontaria", afirma Miller.
Era uma vez no Oeste

Recriamos a morte de John Hardin, o "último pistoleiro", para mostrar como era um duelo de verdade.
Winchester 73

A arma preferida do Velho Oeste era o revólver Colt 45, que tinha o apelido irônico de Peacemaker ("Fazedor da Paz"). Mas, para atingir alvos distantes, usavam-se os rifles de repetição. O mais famoso era o Winchester New Model of 1873, ou Winchester 73 — que até virou nome de filme de faroeste. Esse rifle era eficiente até uma distância de 150 metros.
Por um punhado de dólares

Como o popular Colt 45 não tinha trava de segurança para evitar disparos acidentais, os pistoleiros inventaram algo curioso. Eles deixavam uma das seis câmaras do tambor da arma sem bala, justamente para evitar acidentes, e ainda enfiavam nela uma nota de 5 dólares enrolada. A nota podia ser usada para pagar o funeral em caso de derrota no duelo...
Matar ou morrer

Acionar o famoso Colt 45 exigia uma técnica especial. Antes de apertar o gatilho, era preciso engatilhar a arma, puxando para trás o "cão" — pequena peça acima da coronha. Para ganhar agilidade na hora do duelo de vida ou morte, alguns pistoleiros atiravam acionando direto o cão da arma em vez do gatilho, como aparece em alguns filmes.
Os brutos também amam

Os poucos duelos ocorriam em geral por três motivos: mulheres, dívidas ou trapaças no jogo — e quase sempre eram estimulados por bebedeiras. Na morte de John Hardin, o motivo do duelo teria sido a discussão por uma mulher. O tiroteio foi num saloon, bar que reunia prostitutas, rodas de pôquer e bebidas — enfim, cenário perfeito para duelos.
O homem que matou o facínola

O "último pistoleiro do Oeste" foi morto pelo policial John Selman. O duelo ocorreu em 1895, época em que muitas cidades já tinham forças policiais, diminuindo a importância dos xerifes. Estes viveram seu auge até meados do século 19, quando usavam realmente distintivos em forma de estrela, cuidavam da cadeia local e ainda organizavam julgamentos.
O último pistoleiro

Chamado de "o último pistoleiro", John Wesley Hardin era um matador de pontaria certeira. Ele ficou preso entre 1878 e 1894, tentou se "endireitar", mas teve uma recaída. Em agosto de 1895, em El Paso, no Texas, após discutir com o policial John Selman, ambos teriam sacado as armas e trocado tiros. O pistoleiro teria morrido atingido na cabeça.
Onde começa o inferno

O chamado Velho Oeste era uma ampla área que ficava à esquerda do rio Mississipi e hoje se divide em 22 estados. Texas, Kansas, Novo México, Oklahoma, Califórnia Missouri e Colorado eram os estados onde corriam mais duelos.
Revista Mundo Estranho Edição 33/ 2004

Como se descobriu o lugar mais fundo do mar?

Ninguém precisou descer até o fundo da fossa das Marianas, no oceano Pacífico. A profundidade foi descoberta a partir da superfície da água com um navio inglês de pesquisa, o HMS Challenger II, em 1951. Comandados pelo suíço Jacques Piccard, os cientistas da embarcação usaram um aparelho para emitir um sinal sonoro do casco do barco até o fundo do oceano. O sinal bateu e voltou na forma de eco, e os pesquisadores cronometraram quanto tempo durou essa viagem. Como eles já sabiam a qual velocidade o som viaja na água, eles usaram uma fórmula simples da física para calcular a profundidade máxima: 10 900 metros. Em homenagem ao navio comandado pelo cientista suíço, o ponto mais baixo foi batizado de Challenger Deep ("o poço Challenger"). A medida, no entanto, foi alterada na segunda expedição de Piccard ao local, em 1960. Usando um equipamento mais moderno, o submarino Trieste, Piccard desceu bem perto do fundo da fossa e determinou uma nova profundidade: 11 034 metros. A tal diferença de 134 metros pode ter ocorrido devido à movimentação das placas tectônicas: a região das Marianas tem muitos terremotos submarinos, e algum deles pode ter alterado o jeitão do assoalho oceânico.

Música submarina
Sinal sonoro serviu de base para o cálculo dos cientistas.

1. Para medir o ponto mais profundo do oceano, os cientistas usaram um aparelho para enviar um sinal sonoro em direção ao fundo do mar. Na água, o som se propaga a uma velocidade de 1 500 metros por segundo.
2. O sinal sonoro segue até o fundo rochoso e volta. Como o fundo é de pedra, ele devolve um eco bem forte, que viaja no sentido oposto, rumo à embarcação que está na superfície. Um sensor detecta a chegada do sinal e o tempo que ele demorou para retornar.

3. Sabendo quanto durou a viagem e a velocidade do som na água, os cientistas aplicaram a fórmula distância = velocidade X tempo para determinar a profundidade. Nesse cálculo, eles tomaram o cuidado de dividir o tempo da viagem por dois, pois queriam saber apenas a distância de ida (metade, portanto) da viagem.
Revista Mundo Estranho Edição 33/ 2004

Quais os craques vira-casacas mais polêmicos do Brasil?

Rodolfo Rodrigues

A troca de craques entre times rivais é tão antiga quanto o próprio futebol brasileiro. Em 1911, por exemplo, dez jogadores insatisfeitos no Fluminense deixaram o clube para criar o departamento de futebol do Flamengo. Já o primeiro gol da história do Palmeiras, em 1915, foi marcado por um ex- corintiano chamado Bianco Gambini.
É claro que torcedores e cartolas sempre olharam feio para essas "traições". No Rio Grande do Sul, o tabu era tão grande que a primeira troca direta de um jogador entre o Grêmio e o Internacional só aconteceu em 1989, quando o meia Bonamigo saiu do Olímpico e foi defender o Colorado sem passar por nenhum outro time antes.
Hoje tais transferências são encaradas como algo mais normal. Porém, para esquentar um pouco essa saudável rivalidade, reunimos aqui seis craques em atividade no Brasil e que já jogaram por clubes arqui-inimigos. É hora de comparar como eles se saíram defendendo cada equipe e descobrir as torcidas que tiraram mais proveito de tanto troca-troca polêmico.

Romário
Revelado pelo Vasco em 1985, o "Baixinho" passou alguns anos na Europa e voltou ao Brasil logo para o arqui-rival dos vascaínos, o Flamengo. Em 2002, virou a casaca novamente, indo para o Fluminense. Tanta mudança de time deixou alguns revoltados pelo caminho. "O Romário desrespeitou o clube que o projetou e isso quebrou o encanto", diz o torcedor Marcelo Granzotto, da Força Jovem, principal torcida organizada vascaína. Já os flamenguistas aceitaram melhor o troca-troca e gostam de provocar os rivais lembrando as declarações de amor que Romário já deu pelo rubro-negro: "Apesar de começar no Vasco, o Romário é Flamengo. Ele saiu do clube duas vezes, mas sempre quis voltar", diz José Carlos Peruano, presidente da Associação das Torcidas Organizadas do Flamengo (Atorfla). A paixão maior pode até ter sido pelo Flamengo, mas o desempenho em campo...

Um grande Baixinho no Vasco
Mais gols e mais títulos: ele foi melhor jogando no clube que o revelou.

FLAMENGO
Período - 1995-1996 e 1997-1999

Jogos* - 240
Gols* - 204

Títulos - Campeonato Carioca (96 e 99) e Copa Mercosul (99)
VASCO

Período - 1985-1988 e 1999-2002
Jogos* - 331

Gols* - 252

Títulos - Campeonato Brasileiro (2000), Campeonato Carioca (87 e 88) e Copa Mercosul (2000).
FLUMINENSE

Período - desde 2002
Jogos* - 74

Gols* - 47
Títulos - Campeonato Carioca (2002)

DO VASCO PARA O FLAMENGO...
Almir, atacante, anos 60

Edmundo, atacante, anos 90

Felipe, meia, anos 2000
...E DO FLAMENGO PARA O VASCO
 
Bebeto, atacante, anos 80

Petkovic, meia, anos 90
Jorginho, lateral-direito, anos 2000

OBS. Todos os dados de gols e jogos foram atualizados até o dia 30/9/2004.
Edílson

Apelidado de "Capetinha", Edílson infernizou os adversários do Palmeiras durante três temporadas, de 1993 a 1995. Chegou inclusive a ganhar três títulos em cima do rival Corinthians (Paulista-93, Rio-São Paulo-93 e Brasileiro-94). Em 1997, porém, após um período no exterior, resolveu mudar de lado e passou a defender as cores preta e branca dos corintianos. No começo, foi visto com desconfiança pelos ex-rivais, mas após ganhar uma porção de títulos — inclusive o polêmico Mundial da Fifa — e ainda provocar os palmeirenses ao fazer "embaixadinhas" na final do Campeonato Paulista de 99, caiu de vez nas graças dos corintianos. Por isso, o hoje jogador do Vitória é lembrado com muito mais alegria pela "Fiel" que pelos palmeirenses.
"Capetinha" preto e branco

Com "embaixadinhas" e Mundial, ele fez os corintianos mais felizes.
PALMEIRAS

Período - 1993-1995
Jogos* - 151

Gols* - 58
Títulos - Campeonato Brasileiro (93 e 94), Paulista (93 e 94) e Rio-São Paulo (93)

CORINTHIANS
Período - 1997-2000

Jogos* - 162
Gols* - 53

Títulos - Mundial da Fifa (2000), Campeonato Brasileiro (98 e 99) e Paulista (99).
DO PALMEIRAS PARA O CORINTHIANS...

Leão, goleiro, anos 80
Jorginho, meia, anos 80

Neto, meia, anos 80 e 90
Edmundo, atacante, anos 90

Luizão, atacante, anos 90
Rogério, volante, anos 2000

...E DO CORINTHIANS PARA O PALMEIRAS
Dida, lateral-esquerdo, anos 80

Édson, lateral-direito, anos 80
Ribamar, meia, anos 80

Carlos, goleiro, anos 90
Rivaldo, meia, anos 90

Viola, atacante, anos 90
Guilherme

Terceiro maior artilheiro do Atlético-MG — atrás de Reinaldo e Dario —, Guilherme surpreendeu a torcida do Galo ao se transferir para o Cruzeiro este ano após uma temporada na Arábia Saudita. Pior: logo no primeiro clássico entre os times, marcou dois gols... "A passagem pela Arábia aliviou um pouco a transferência para o Cruzeiro. Nos primeiros dias, foi complicado, mas o torcedor do Atlético ainda me respeita e o cruzeirense deixou de me hostilizar", diz Guilherme, garantindo que pelas ruas de Belo Horizonte ouve muito mais pedidos de autógrafos que gritos de "traidor" ou mercenário. Talvez porque os atleticanos saibam que o Guilherme dos tempos do Galo é praticamente imbatível no número de gols marcados.
Galo na cabeça

Guilherme é "só" o terceiro maior artilheiro do Atlético. No Cruzeiro...
ATLÉTICO-MG

Período - 1999-2002 e 2003
Jogos* - 205

Gols* - 139
Títulos - Campeonato Mineiro (99 e 2000)

CRUZEIRO
Período - desde 2004

Jogos* - 36
Gols* - 14

Títulos - Campeonato Mineiro (2004)
DO ATLÉTICO-MG PARA O CRUZEIRO...

Reinaldo, atacante, anos 80
Luisinho, zagueiro, anos 90

Éder, atacante, anos 90
Toninho Cerezo, volante, anos 90

...E DO CRUZEIRO PARA O ATLÉTICO-MG
Palhinha, atacante, anos 70

Nelinho, lateral-direito, anos 80
Alex Alves, atacante, anos 2000

Fábio Júnior, atacante, anos 2000

Christian
De tão adorado pela torcida, ele foi chamado de "Jesus Christian" quando defendeu o Inter, nos anos 90. Em 2003 aconteceu a virada: Christian foi para o Grêmio, que na época lutava contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Faltando dez rodadas para o torneio acabar, o Grêmio, último colocado, enfrentou o Inter. Christian fez o gol da vitória que deu início à reação gremista que nas rodadas seguintes livraria o time da segunda divisão. "Ali eu consegui acabar com toda a desconfiança dos torcedores mais críticos. Aqui no Sul é muito difícil vestir a camisa dos dois rivais", diz o atacante, que continua com o faro de gol afiado. Mesmo com o time do Grêmio não ajudando muito nas duas últimas temporadas...

Goleador lá e cá
Tanto no Inter como no Grêmio Christian fez perto de 1 gol a cada dois jogos.

INTERNACIONAL
Período - 1989-1992 e 1996-1999

Jogos* - 168
Gols* - 94

Títulos - Campeonato Gaúcho (91, 92 e 97)
GRÊMIO

Período - Desde 2003
Jogos* - 78

Gols* - 37
Títulos -

DO INTER PARA O GRÊMIO...
Manga, goleiro, anos 70

Batista, volante, anos 80
Mário Sérgio, meia, anos 80

Kita, atacante, anos 80
Mauro Galvão, zagueiro, anos 90

Fábio Pinto, atacante, anos 2000
...E DO GRÊMIO PARA O INTER

Russinho, atacante, anos 30 e 40
Geraldão, atacante, anos 80

Bonamigo, volante, anos 80
Arílson, meia, anos 90

Almir, atacante, anos 90
Carlos Miguel, meia, anos 2000

Antônio Carlos
Somente cinco jogadores já atuaram pelos quatro grandes clubes de São Paulo — Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo. O zagueiro Antônio Carlos, hoje no Santos, é um deles. "Felizmente, por onde passei, deixei boas lembranças. Acho que não há rancor de parte alguma", diz o jogador. Antônio Carlos foi mesmo vitorioso nos três primeiros clubes que passou, mas concentrou suas principais faixas de campeão no São Paulo e no Palmeiras. Como estamos falando de um zagueiro, os gols que ele marcou não importam tanto. O melhor quesito para avaliar seu desempenho como "vira-casaca" são os títulos conquistados. Dá quase um empate técnico entre o Antônio Carlos tricolor e o alviverde, mas uma taça internacional desempata essa disputa.

Taça que desequilibra

No Palmeiras, Antônio Carlos até ganhou mais títulos; mas só no São Paulo faturou uma Libertadores.
SÃO PAULO

Período - 1987-1992
Títulos - Copa Libertadores (92), Campeonato Brasileiro (91), Campeonato Paulista (89 e 91)

PALMEIRAS
Período - 1993-1995

Títulos - Campeonato Brasileiro (93 e 94), Campeonato Paulista (93 e 94) e Torneio Rio-São Paulo (93).
CORINTHIANS

Período - 1997
Títulos - Campeonato Paulista (97)

SANTOS
Período - desde 2004

Títulos -
OUTROS QUE JOGARAM NOS QUATRO GRANDES DE SÃO PAULO

Cláudio Pinho, atacante, anos 60

Neto, meia, anos 90
César Sampaio, volante, anos 2000

Müller, atacante, anos 2000
Tuta

Quando chegou ao Atlético-PR, em 1998, o centroavante Tuta ajudou o clube a sair do jejum de oito anos sem títulos estaduais e de quebra ainda foi o artilheiro do Campeonato Paranaense com 19 gols. No mesmo ano, porém, ele foi vendido para o futebol italiano. Depois, rodou por vários times antes de voltar ao Paraná para jogar pelo rival Coritiba. Em cinco jogos pelo "Coxa", fez seis gols e levou o time ao título estadual de 2004. Na decisão, justo contra o Atlético, fez dois gols contra o ex-clube. "Marquei os gols, dei o título ao Coritiba e ainda mandei a torcida atleticana, que me provocou o jogo todo, se calar", diz Tuta. O problema é que o gesto custou caro: ele ficou com a fama de traidor no Paraná. Menos mal que, com a bola nos pés, não tem decepcionado no Coritiba.
Vitória coxa-branca

Tuta foi campeão paranaense pelos dois times, mas tem maior média de gols no Coritiba.
ATLÉTICO-PR

Período - 1998
Jogos* - 68

Gols* - 25
Títulos - Campeonato Paranaense (98)

CORITIBA
Período - desde 2004

Jogos* - 37
Gols* - 18

Títulos - Campeonato Paranaense (2004)
DO ATLÉTICO-PR PARA O CORITIBA...

Zé Roberto, atacante, anos 70
Rafael, goleiro, anos 80

Edinho Baiano, zagueiro, anos 90
...E DO CORITIBA PARA O ATLÉTICO-PR

Sandoval, meia, anos 90
Almir, atacante, anos 90

Marcão, lateral-esquerdo, anos 2000
Revista Mundo Estranho Edição 33/ 2004

Como se pratica o rapel?

O lance é dominar a gravidade: o praticante desse esporte fica pendurado em uma corda com um freio que controla a velocidade de queda. Quando o rapelista quer parar de descer, ele prende a corda no freio - uma simples peça metálica em forma de 8 - e vai baixando numa boa. Fora isso, o equipamento básico é o mesmo do alpinismo: corda, mosquetão, cadeirinha, luva e capacete. Antes de virar esporte radical, o rapel foi uma importante ferramenta de pesquisa. Quem criou essa técnica de descida em corda foram estudiosos de cavernas, que no início do século 20 procuravam grutas nos cânions dos montes Pirineus, no sul da França. Para alcançar as tais cavernas escondidas, os cientistas baixavam presos às pedras do alto. Hoje, o rapel é praticado em encostas, cachoeiras e pontes. Como em qualquer esporte, existe um certo risco de acidentes, mas, usando equipamentos certificados e seguindo as normas básicas de segurança, dá para curtir sossegado. O problema é que muita gente teima em não usar capacete, abusa da vida útil dos equipamentos e não segue as recomendações na hora da descida. É comum ver gente descendo rápido demais e em posições que dificultam o controle da corda, dando uma tremenda sopa para o perigo.

Adrenalina controlada
Equipamentos de segurança suportam pelo menos três vezes o peso do praticante.

Mosquetão
É a peça que faz a ligação entre a cadeirinha e o freio. Feito de duralumínio — uma mistura de alumínio e magnésio —, um mosquetão não pesa mais de 100 gramas, mas suporta toneladas de peso. O mosquetão tem uma trava de segurança manejável com uma única mão, possibilitando que o rapelista se desprenda da corda em casos de emergência — um resgate nas alturas, por exemplo.

Freio
O mais comum é o que tem o formato de um 8. A corda desliza entre seus elos e trava quando o praticante a puxa para perto de si. Se a pessoa soltar a corda, ela desce em queda livre. Se pressioná-la contra o freio, ela pára a descida.

Capacete
O capacete deve ser usado mesmo que não existam quedas d’água ou risco de pedras deslizantes — não dá para brincar com o risco de se chocar em uma quina ou ser atingido por algum objeto! Também é bom usar luvas para evitar queimaduras nas mãos pelo atrito com a corda.

Cadeirinha
É uma espécie de cinto que envolve as pernas e o quadril do rapelista. Feita de náilon e poliéster, a cadeirinha serve para prender o corpo do rapelista ao resto do equipamento. As mais modernas conseguem suportar até 500 quilos e têm revestimento de vinil, um tecido impermeável e ultra- resistente ao desgaste.

Corda
As cordas certificadas pela Federação Internacional de Montanhismo e Escalada agüentam cerca de 3 mil quilos — mesmo nas freadas mais bruscas, o impacto dificilmente chega a mil quilos. A coisa complica um pouco com as cordas nacionais: como a maioria não tem certificação, não dá para saber quanto elas aguentam.

Revista Mundo Estranho Edição 33/ 2004