terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Altas energias a baixo custo


Pesquisadores dos EUA estão projetando o acelerador de campo ativado, dez vezes menor que os mais poderosos, para descobrir os mistérios da matéria provocando colisões entre elétrons.
Os cientistas que tentam descobrir os mistérios da matéria provocando colisões entre elétrons têm nos custos cada vez mais altos dos aceleradores de partículas um obstáculo desanimador. Para superar essa barreira, pesquisadores do Laboratório de Argonne, em Illinois, Estados Unidos, estão projetando o que chamam de acelerador de campo ativado. Dez vezes menor que os mais poderosos - como o recentemente inaugurado acelerador de Genebra, que mede 27 quilômetros - e muito mais barato, ele se beneficiará de uma tecnologia que pode ser eficiente justamente porque explora a simplicidade. À medida que um feixe de elétrons corre por dentro de um tubo de argila revestido de alumínio, os átomos da parede desse tubo adquirem momentaneamente carga positiva. Essa carga positiva móvel atrai, por sua vez, outro feixe de elétrons que vem atrás, acelerando sua velocidade. Assim, quanto mais rápido o primeiro grupo de elétrons passar  no tubo, mais rápido passará o segundo grupo. Embora ainda sejam necessários pelo menos cinco anos de pesquisas para se ter certeza de que essa tecnologia funciona, os cientistas estão apostando muito numa futura geração de ultrapoderosos aceleradores de campo ativado.

Revista Super Interessante n° 029

Paladar, um doce sabor de mistério


Segundo alguns químicos, o que torna doce uma substância é o formato da molécula, que permitiria um encaixe perfeito em receptores especializados do paladar.
Desde que o açúcar de cana começou a ser extraído na Índia, há mais de 2 mil anos, o homem tomou gosto pelo doce. Atualmente, o consumo global de açúcar e adoçantes movimenta 10 bilhões de dólares por ano - algo em torno de um décimo da dívida externa que o Brasil tem que amargar. Mas, por incrível que pareça, até há pouco tempo os químicos nem sequer desconfiavam o que fazia uma substância ter esse sabor que tanto agrada. Afinal, a doçura não é uma propriedade química como a acidez. O aspartame, por exemplo, é um aminoácido e, no entanto, chega a ser duzentas vezes mais doce do que o açúcar. Quando, porém, os átomos da molécula de aspartame são arrumados de outra maneira, a substância se torna amarga. Daí suspeitar-se que o que confere o adocicado é o formato da molécula, o qual permitiria um encaixe perfeito em receptores especializados do paladar. Ao menos em vários adoçantes, os químicos descobriram que o segredo é haver dois anéis de átomos formando uma letra L - o sabor se altera quando o ângulo deixa de ser reto. Mas como as moléculas de açúcar são flexíveis, fica difícil saber se seguem o mesmo modelo. Ganha um doce quem desvendar o mistério.

Revista Super Interessante n° 029

O que são o inglês 5.1 e 2.0 que aparecem como opções de idioma nos DVDs?


Esses números parecem mais cilindrada de carro. E até que a comparação faz algum sentido: um som 5.1 é bem mais "potente" que um 2.0. As aspas são porque não estamos falando exatamente de potência. Esses números significam a quantidade de canais em que a trilha sonora está configurada. Num filme 5.1, cada uma das seis caixas acústicas  de um home theater comum pode fazer um som diferente - o ".1" se refere ao woofer, que reproduz apenas os sons graves demais para a capacidade das outras caixas. Então quando você assiste a um filme como O Senhor dos Anéis, cheio de efeitos sonoros, as flechas que os Elfos e Hobbits atiram parecem zunir de um canto a outro da sala. O som, afinal, pode viajar de uma caixa para outra à vontade. Mas não basta ter um belo home theater para desfrutar isso. O som do filme precisa ter sido mixado de forma a casar direitinho com as caixas acústicas.
É por isso que, com uma trilha gravada em 2.0, é diferente. Ela nada mais é que o velho som estéreo, com apenas dois canais de som. Então, mesmo que você tenha um home theater cheio de caixas, eles vão reproduzir só os dois canais. Se o filme só estiver disponível em mono (ou 1.0, para manter a linguagem), todas as caixas vão reproduzir exatamente o mesmo som. Um baita desperdício.

Revista Mundo Estranho Edição 20/ 2003

Quem criou o mouse do computador?


Não foi o gênio Steve Jobs, criador da Apple. Apesar de o mouse só ter ficado famoso por ser um dos charmes do computador Apple Macintosh, de 1984, a idéia apareceu bem antes. O dono dela é hoje um anônimo senhor de 78 anos: o engenheiro eletricista Douglas Engelbart. É a mão dele que você vê na foto ao lado, segurando o primeiro mouse da história. Esse troço esquisito, que mais parece um minicarrinho de rolimã, nasceu em 1963, nos laboratórios da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Naqueles tempos, Engelbart desenvolvia um projeto cujo objetivo, em suas palavras, era "aumentar o intelecto humano". O exagero da definição até fazia sentido: sua equipe pesquisava artefatos que facilitassem a interação entre homens e computadores, só que numa época em que essas máquinas praticamente não existiam. E o mouse foi a grande sacada desse pessoal. Como você pode ver na foto, ele tinha rodas em vez da atual bolinha e só fazia linhas verticais e horizontais.
O rotor usado hoje na movimentação do objeto apareceu anos depois, quando a Xerox contratou o braço direito de Engelbart, Bill English, para desenvolver seus primeiros computadores. A estréia da bolinha foi em 1973, com o protótipo Xerox Alto, que vinha com um mouse bem mais parecido com os de hoje. Já o primeiro computador com mouse que as pessoas podiam ter em casa foi o "filho" do Alto, o Xerox Star, lançado no mercado em 1981. Mas a popularização do ratinho só veio mesmo três anos depois, quando Steve Jobs "se inspirou" nas máquinas da Xerox para criar seu Macintosh.

Revista Mundo Estranho Edição 20/ 2003

Existe cirurgia para aumentar o tamanho do pênis?


Marina Motomura
Existem dois tipos de operação com esse objetivo: uma para aumentar o comprimento e outra para incrementar o diâmetro do órgão. Na primeira, o cirurgião faz o pênis crescer expondo um pedaço dele que normalmente fica escondido na pélvis. Na outra cirurgia, o médico enxerta algum material entre a pele e o interior do pênis, "inflando" o dito-cujo. São procedimentos simples: levam menos de uma hora e só requerem anestesia local. Mas o paciente deve avaliar com cuidado as consequências antes de encarar o bisturi. Nas duas cirurgias, os riscos envolvidos são consideráveis. E é justamente essa a causa da acalorada polêmica entre os médicos sobre o assunto. No Brasil, onde cirurgias assim são feitas desde o início da década de 90, o Conselho Federal de Medicina (CFM) acabou proibindo-as parcialmente em 1997, alegando insegurança e ineficácia. Muitos especialistas condenam a operação. "Essas  cirurgias são anedóticas.
Têm  resultados péssimos", diz o urologista Joaquim de Almeida Claro, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os médicos contrários à técnica também insistem que os homens que buscam o aumento do pênis deveriam procurar primeiro aconselhamento psicológico, pois a maior parte deles tem órgãos com tamanhos considerados normais. Mas, como o tema é controverso, os cirurgiões que praticam a operação discordam dessas avaliações: "O homem que sofre com isso questiona sua performance sexual o tempo todo. O desconforto que ele sente com o próprio corpo é enorme. Eu  nunca vi psicólogo resolver isso", diz o cirurgião vascular Márcio Dantas de Menezes, da Sociedade Brasileira de Medicina Sexual. De qualquer forma, é bom frisar que o CFM, principal entidade médica do país, só autoriza a operação para homens com micropênis (órgão com menos de 2 centímetros) ou na reconstrução de tecidos para mutilados em acidentes.

Revista Mundo Estranho Edição 20/ 2003

Para que servem a meia-lua e a pequena área?


Mesmo a gente não entendendo muito bem para que servem essas marcações, já nos acostumamos tanto que um campo de futebol sem elas fica meio capenga. Por isso, Placar e Mundo Estranho explicam a utilidade desses dois desenhos e da bandeirinha de escanteio.
1. MEIA-LUA
É a parte visível de um círculo que tem como centro a marca do pênalti. A principal função dela é na hora da cobrança de uma penalidade máxima. Antes de o cobrador chutar a bola, os demais jogadores devem estar atrás das linhas da grande área e da meia-lua
2. PEQUENA ÁREA
Tem duas funções. Na cobrança do tiro de meta, a bola não pode estar fora da pequena área. Já quando há uma falta em dois lances (um "pé alto", por exemplo) na pequena área, a bola deve ser colocada sobre a linha dela e a barreira na linha do gol. Para o ex- árbitro e hoje comentarista José Roberto Wright, há ainda uma terceira função: "Dentro da pequena área, o goleiro não pode ser tocado no ar". Outro ex- árbitro, Emídio Marques de Mesquita, discorda: "O goleiro só não pode ser acossado quando estiver com a bola". Na regra, não há menção a esse suposto "território de proteção ao goleiro".
3. BANDEIRA DE ESCANTEIO
É só uma referência visual que orienta todos em relação à linha lateral e à linha de fundo. A bandeirinha deve ter altura mínima de 1,50 metro. A colocação desse referencial no meio do campo é opcional. Vale lembrar que a bandeirinha não pode ser removida na hora de bater o escanteio. O jogador também não deve se apoiar nela durante a disputa de um lance. Se isso ocorrer, é falta.

Revista Mundo Estranho Edição 20/ 2003

Como funciona uma plataforma de petróleo no mar?


Marina Bessa
Existem dois tipos principais de plataformas de petróleo no mar: as de perfuração e as de produção. As do primeiro grupo servem para encontrar o óleo em poços ainda não explorados, uma tarefa nada fácil, que tem início com uma série de pesquisas geológicas e geofísicas que localizam bacias promissoras e analisam os melhores pontos para perfurá-las. Mesmo assim, ninguém pode garantir a real existência de petróleo. No fim das contas, menos de 20% dos poços perfurados são aproveitados.
As plataformas de produção, por sua vez, entram em cena quando um poço já foi descoberto e está pronto para ser explorado. São elas que efetivamente extraem o petróleo localizado no fundo do mar, levando-o à superfície, onde o óleo é separado de outros compostos, como água e gás. Dependendo da profundidade em que se encontra o poço, podem ser construídos dois tipos de plataforma de produção: as fixas e as flutuantes (chamadas de semi-submersíveis). As fixas são instaladas em águas rasas (até 180 metros) e ficam ligadas ao subsolo oceânico por uma espécie de grande "pilar". Já as flutuantes possuem cascos como os de um navio e servem para explorar poços que se localizam em lugares muito profundos. Na bacia de Campos, por exemplo, no Rio de Janeiro, o petróleo é retirado em águas que chegam a quase 2 mil metros de profundidade.
Hoje o Brasil possui um total de 93 plataformas de produção em alto-mar, entre fixas e flutuantes. Juntas, elas são responsáveis por aproximadamente 85% de todo petróleo extraído por aqui. Graças a tais plataformas, até o final desta década o país deverá ser auto- suficiente na produção do produto.

Construção refinada
Plataformas flutuantes parecem navios e extraem óleo a quase 2 mil metros de profundidade.

1. BÓIAS GIGANTES
A plataforma flutuante fica apoiada sobre dois grandes cascos, que têm cerca de 50 metros de altura. Aproximadamente metade do casco fica sob a água, abaixo da ação das ondas, o que garante maior estabilidade. Em seu interior, elevadores dão acesso a tanques de combustível, reservatórios de água e caixa de esgoto.

2. CENTRAL SUBMARINA
No solo oceânico, na boca do poço de petróleo, fica um conjunto de válvulas chamado de "árvore de natal". Ela centraliza as tubulações que penetram no subsolo em vários pontos do campo de extração. Da "árvore de natal" parte para a plataforma a mistura de gases, petróleo e água que sai do poço, numa ligação que pode ter mais de 2 quilômetros de extensão.

3. ROBÔ-MERGULHADOR
Antigamente, mergulhadores vistoriavam as tubulações e os cascos. Hoje, a maior parte do trabalho de inspeção e manutenção é feito por pequenos robôs que enviam imagens para os técnicos. A limpeza interior das tubulações também é feita com monitoramento remoto.

4. LANÇAR ÂNCORAS!
Apesar de não ter um pilar ligando-a ao solo oceânico, a plataforma flutuante não fica solta no mar. Âncoras especiais, encravadas 30 metros no subsolo, são usadas para mantê-la fixa. Os cabos de ancoragem são feitos de poliéster, um material flexível que ajuda a amenizar o peso sobre a plataforma. Correntes de aço são usadas apenas no começo e no fim dos cabos.

5. MORADIA TEMPORÁRIA
Na área mais segura da plataforma - perto do heliponto — fica o setor de moradia. Além de alojamentos, ele tem restaurante, sala de TV ou cinema, salão de jogos e algumas vezes espaço até para uma quadra de esportes. Sempre há cerca de 150 funcionários trabalhando na plataforma. Eles passam 14 dias no mar e depois ganham 21 dias de folga em terra firme.

6. SEPARAÇÃO INDUSTRIAL
A plataforma de produção se assemelha a uma refinaria. Assim que a mistura de água, gás e óleo que vem do poço oceânico chega até ela, uma série de equipamentos separa esses substâncias. A água é devolvida para o mar e o petróleo e o gás natural são  mandados para a costa. Os gases não aproveitáveis queimam naquela chama eterna que se vê nas plataformas.

7. CAMINHO GASOSO
O gás natural separado na plataforma é levado até a costa por meio de dutos fixados no fundo do mar e que chegam a percorrer distâncias de até 120 quilômetros. O petróleo também pode ser transportados por tubulações semelhantes, mas muitas vezes, por conta de custos, opta-se pelo uso de embarcações para escoar o óleo extraído.

8. ARMAZÉN AQUÁTICO
Quando o petróleo não segue para a costa por um oleoduto, ele é estocado em um navio que funciona como um grande armazém  aquático. Com o uso de correntes, ele é fixado a cerca de 2 quilômetros da plataforma e recebe dela (por uma tubulação) o petróleo extraído. Uma vez por semana, um navio menor alivia o estoque e leva o produto para a costa.

Revista Mundo Estranho Edição 20/ 2003