sábado, 13 de abril de 2013

Por que maio é o mês das noivas?


Tudo indica que seja por causa de uma tradição importada dos países do hemisfério norte, onde maio é um mês muito importante para os costumes populares. "Naquela parte do mundo, a chegada de maio é celebrada com muitas flores, em homenagem à natureza que refloresce e à primavera que por lá atinge a plenitude. Ao longo dos séculos, esses elementos foram sendo associados à celebração do amor no casamento. Essa mesma ligação com as flores e a feminilidade fez com que maio, além de mês das noivas, também fosse considerado o mês das mães e de Maria", diz o padre e teólogo Pedro Iwashita, do Instituto Teológico de São Paulo. De qualquer forma, o costume de realizar os casórios em maio anda perdendo força. No Brasil, um estudo da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), em São Paulo, mostrou que os paulistas preferem casar em dezembro, mês que concentrou 14,5% dos matrimônios de 2002. Por aqui, parece que a tradição cedeu lugar à praticidade: os entrevistados afirmaram que as férias de final de ano e o empurrãozinho do 13º salário foram decisivos na hora de escolher a data. Mesmo na Europa, o mês de maio não é um consenso na hora de unir maridos e mulheres. Em países como a Inglaterra, junho é considerado o mês ideal - trata-se de uma tradição da Antiguidade, quando os romanos homenageavam Juno, deusa das mulheres e dos casamentos. Na América do Norte, os americanos preferem dizer "sim" em fevereiro, considerado o mês nacional dos casamentos. Por lá, vale tudo para celebrar a união perto do Dia dos Namorados, o Valentine’s Day, que naquele país é comemorado em 14 de fevereiro e não em 12 de junho, como no Brasil.
Revista Mundo Estranho Edição 27/ 2004

O que foi o Movimento de Maio de 68 na França?


Foi uma grande onda de protestos que teve início com manifestações estudantis para pedir reformas no setor educacional. O movimento cresceu tanto que evoluiu para uma greve de trabalhadores que balançou o governo do então presidente da França, Charles De Gaulle. "Os universitários se uniram aos operários e promoveram a maior greve geral da Europa, com a participação de cerca de 9 milhões de pessoas. Isso enfraqueceu politicamente o general De Gaulle, que renunciou um ano depois", diz o historiador Alberto Aggio, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Franca (SP). O começo de tudo foi uma série de conflitos entre estudantes e autoridades da Universidade de Paris, em Nanterre, cidade próxima à capital francesa. No dia 2 de maio de 1968, a administração decidiu fechar a escola e ameaçou expulsar vários estudantes acusados de liderar o movimento contra a instituição. As medidas provocaram a reação imediata dos alunos de uma das mais renomadas universidades do mundo, a Sorbonne, em Paris. Eles se reuniram no dia seguinte para protestar, saindo em passeata sob o comando do líder estudantil Daniel Cohn-Bendit. A polícia reprimiu os estudantes com violência e durante vários dias as ruas de Paris viraram cenário de batalhas campais. A reação brutal do governo só ampliou a importância das manifestações: o Partido Comunista Francês anunciou seu apoio aos universitários e uma influente federação de sindicatos convocou uma greve geral para o dia 13 de maio. No auge do movimento, quase dois terços da força de trabalho do país cruzaram os braços. Pressionado, no dia 30 de maio o presidente De Gaulle convocou eleições para junho. Com a manobra política (que desmobilizou os estudantes) e promessas de aumentos salariais (que fizeram os operários voltar às fábricas), o governo retomou o controle da situação. As eleições foram vencidas por aliados de De Gaulle e a crise acabou.
Paris em pé de guerra
Universitários montaram barricadas nas ruas e usaram pedras para enfrentar a polícia.
No dia 6 de maio de 1968, uma passeata foi convocada pela União Nacional de Estudantes da França e pelo sindicato dos professores universitários. O objetivo era protestar contra a invasão da Universidade de Sorbonne pela polícia. A marcha teve a participação de mais de 2 mil estudantes, professores e simpatizantes do movimento, que avançaram em direção à Sorbonne, sendo violentamente reprimidos pelos policiais. A multidão se dispersou, mas alguns manifestantes começaram a erguer barricadas, enquanto outros lançavam pedras contra os soldados, que foram obrigados a bater em retirada. Depois de se reagrupar, a polícia retomou a ofensiva, disparando bombas de gás lacrimogêneo e prendendo centenas de estudantes. Alguns dias depois, em 10 de maio, outras concentrações voltaram a acontecer em Paris. A multidão ergueu novas barricadas e se preparou para resistir ao ataque policial, que aconteceu no começo da madrugada. Os confrontos duraram até o amanhecer do dia seguinte, resultando na prisão de outras centenas de manifestantes, além de deixar um grande número de feridos.

Revista Mundo Estranho Edição 27/ 2004

Qual foi a melhor corrida de Ayrton Senna?


Você escolhe. Os pragmáticos podem ficar com o Grande Prêmio do Japão de 1988, no autódromo de Suzuka, que valeu o primeiro título de Fórmula 1 a Ayrton Senna. Após errar na largada e cair para o 16º lugar, o piloto se recuperou, ganhou a prova e o campeonato. Já os torcedores que adoram um show curto e impactante certamente preferem o desempenho de Senna no GP da Europa de 1993. Usando pneus de pista seca num encharcado circuito de Donington, na Inglaterra, ele ultrapassou quatro adversários só nas primeiras curvas e deixou para trás o rival Alain Prost, que o perseguia com um carro quase imbatível na época (o Williams Renault). Outra prova inesquecível de Senna, o GP de Mônaco de 1984, também foi disputada sob um aguaceiro. Com um carro da fraca equipe Toleman, o brasileiro estava cerca de 1,5 segundo mais rápido por volta que o líder Prost (sempre ele...) e se preparava para assumir o primeiro lugar quando a corrida foi interrompida por causa do temporal. Ou seja, aulas de pilotagem do nosso tricampeão não faltaram, mas, por marcar o primeiro título de Senna, escolhemos o GP do Japão de 1988.
Show no Japão
Brasileiro venceu os nervos e humilhou Prost num GP espetacular .
1. Senna entrou no GP do Japão de 1988, no circuito de Suzuka, precisando da vitória para conquistar o título. Ele largou na primeira posição, ao lado do companheiro de equipe, e único rival no campeonato, Alain Prost. Nervoso, Senna deixa o motor apagar na largada e chega a levantar os braços, pedindo a interrupção da prova. De repente o motor da sua Mclaren volta a pegar e ele segue em frente, mas após ter caído para o 16º lugar.
2. Correndo num labirinto de carros menos potentes como se estivesse sozinho na pista, Senna inicia uma reação fulminante: só na 1ª volta, deixa seis adversários para trás. Nesta cena, no meio da 2ª volta, ele já está em oitavo lugar, passando o Lotus do tricampeão Nelson Piquet para ir no encalço do Wiliams de Ricardo Patrese.
3. Na 11ª volta, o brasileiro chega à terceira posição. O problema é que agora os dois carros à frente estão bem distantes. Nesse momento, começa uma chuva fina. Não é o suficiente para forçar uma troca de pneus, mas a pista fica escorregadia. É o trunfo de Senna: enquanto os dois pilotos à sua frente diminuem o ritmo, ele é o mais rápido da prova volta após volta.
4. Voando baixo como se corresse no seco, Senna alcança o segundo colocado, a zebra Ivan Capelli, da March, na 19ª volta. Até então esse piloto italiano vinha duelando de igual para igual com o líder Prost. Senna, porém, passou por ele como um foguete, superando-o tranqüilamente pelo lado de fora da primeira curva dessa chicane.
5. Ainda na 19ª volta, já em segundo, Senna cola em Prost. Com frieza, espera a hora certa de atacar. E ela chega na 27ª volta: o piloto francês é segurado por um retardatário e entra lento na reta. Senna aproveita para tentar a ultrapassagem por dentro, Prost o pressiona contra o muro, mas não adianta: o brasileiro assume a ponta e segue para vencer a corrida. E seu primeiro mundial na F-1.

Revista Mundo Estranho Edição 27/ 2004

Como foi o acidente que matou Senna?


Essa você sabe: a barra de direção rompeu. Com a quebra do cano que transmite o movimento do volante para as rodas, Ayrton Senna não pôde contornar a curva Tamburello, no circuito de Ímola, na Itália, e seu carro foi direto para o muro, a mais de 200 km/h. Não é isso? Talvez não. O que realmente aconteceu naquele 1º de maio de 1994 continua um mistério. O fato é que alguma coisa desgovernou o Williams de Senna na sétima volta do GP. A tese da barra de direção pode ser a mais conhecida, mas não é a única. Essa é a versão da promotoria da cidade de Bolonha, que até hoje investiga o caso do piloto morto em sua região. A hipótese foi apresentada oficialmente no julgamento do caso, em 1997, e responsabilizava a cúpula da Williams. Para os acusadores, os chefes da equipe deveriam ser condenados por montar o carro com uma barra de direção capenga, que não oferecia o mínimo de segurança. Após dez meses de inquérito, enfim, o caso foi encerrado por falta de provas. Só que a promotoria apelou e aconteceu um novo julgamento em 1999. Esse também não deu em nada. Mas o imbróglio judicial, por incrível que pareça, ainda não terminou: agora em abril a Justiça italiana liberou a promotoria para começar tudo de novo. Se o caso voltar à tona, a Williams vai se defender com uma tese alternativa à da "barra assassina". Essa versão nova para as causas do acidente foi apresentada em um documentário da emissora de TV National Geographic Channel no ano passado. Feito com dados cedidos pela Williams, ele joga a "culpa" pela morte de Senna em um elemento inusitado: o safety car - o carro de segurança que entra na pista em casos de emergência, para segurar a velocidade dos Fórmula 1. Naquele GP de San Marino houve um acidente na largada. A direção de prova, em vez de interromper a corrida, colocou o safety car no traçado para segurar o ritmo dos pilotos. Como isso pode ter matado Senna?
Barra ou pneu assasino?
Quebra da barra de direção não é a única versão para explicar a saída da pista do piloto.
1. As primeiras voltas do GP de San Marino de 1994 foram feitas atrás de um safety car, que entrou na pista após um acidente na largada. Ele circulou em ritmo lento por intermináveis cinco voltas. O problema é que os F-1 não são feitos para andar tanto tempo em baixa velocidade. Pilotos da época, como o próprio Senna, alertavam que nessa situação os pneus esfriariam demais, o que poderia ser perigoso.
2. Estima-se que as cinco voltas em baixa velocidade fizeram os pneus perder 25% da pressão. Isso provocou uma redução no diâmetro deles em 4 ou 5 milímetros, "rebaixando" o carro. O safety car saiu da pista na 6ª volta. Nas imagens da prova na TV, dá para ver que, a 11 segundos da 7ª volta, o Williams de Senna soltou faíscas exageradas ao tocar no chão num ponto ondulado do circuito. Isso pode ter ocorrido pela perda na altura do carro.
3A. Pela hipótese mais conhecida, é neste momento que a barra de direção do carro quebra. A equipe Williams havia feito uma emenda para aumentar a coluna da barra em 1,8 centímetro, a pedido de Senna. Essa emenda, de má qualidade, teria se rompido, deixando Senna sem o controle do carro no meio da veloz e perigosa curva Tamburello.
3B. O problema é que não dá para provar que a barra de direção quebrou antes do acidente — ela pode ter se rompido na batida. O toque do fundo do carro na pista, provocado pela redução nos pneus, pode ter tirado as rodas do chão, deixando o Williams desgovernado a 310 km/h e tirando-o da trajetória da curva. Segundo dados da telemetria, Senna tentou frear 0,1 segundo após as rodas voltarem ao chão, mas a velocidade só caiu para 230 km/h.
4. Quando entrou na faixa de grama em volta da pista, o carro perdeu aderência. Não adiantava mais frear. Desse trecho até a primeira batida, a velocidade diminuiu pouco, para 216 km/h. O cockpit encontrou o muro num ângulo de 22º, considerado relativamente seguro. Não foi a batida em si que matou Senna...
5. A fatalidade é que a pancada fez o Williams se arrastar contra o muro. A roda dianteira direita ficou presa entre a proteção e o carro e foi arrancada do chassi junto com um braço da suspensão. Foi esse destroço que atingiu o capacete de Senna, afundando parte de seu crânio. Segundo o médico italiano Giovani Gordini, que resgatou o piloto, nada podia ser feito. Senna morreu na pista.
Ex- curva da morte Tragédia do brasileiro selou o fim da Tamburello.
A curva mais veloz da F-1 não matou Senna sozinha. Mas o trauma com a morte do brasileiro fez com que ela deixasse de existir e fosse substituída por um inofensivo, e chato, "S". Mas já não era sem tempo. Ela quase serviu de túmulo para vários pilotos, inclusive nosso outro tricampeão, Nelson Piquet, que, em 1987, bateu na Tamburello a 280 km/h após ter um pneu traseiro furado.

Revista Mundo Estranho Edição 27/ 2004

O Cavalo de Tróia realmente existiu?


Ninguém sabe ao certo, mas provavelmente não. Evidências sobre a existência da cidade de Tróia e sobre uma guerra entre ela e os gregos até já foram encontradas, mas sobre o lendário cavalo, nada. Entretanto, essa história é tão boa que conquistou até Hollywood: no filme Tróia, que estréia este mês, o equino mitológico divide as atenções com o astro Brad Pitt. O artifício grego de construir um enorme cavalo de madeira, recheá-lo de soldados e abandoná-lo diante das muralhas de Tróia é descrito em detalhes no poema épico Eneida, do poeta latino Virgílio. Ele conta como os gregos, fingindo abandonar a guerra, retiraram-se para uma ilha próxima, deixando o cavalo como oferenda a Atena, deusa protetora de Tróia. Os troianos acolheram o presente e, durante a noite, os guerreiros que estavam dentro dele abriram as portas da cidade para a entrada do exército grego, que massacrou os rivais. Outros relatos sobre essa fantástica história são atribuídos ao poeta Homero, mas a própria existência do escritor como personagem histórico é incerta. Se o cavalo de fato existiu, deve ter sido construído por volta do ano 1250 a.C., quando teria ocorrido a famosa guerra, no litoral oeste da atual Turquia. "Vários sítios da atual costa turca foram destruídos entre os séculos 12 e 13 a.C. Ou seja, os poemas reduzem a uma cidade acontecimentos que abalaram toda a região na época", diz a historiadora Maria Cristina Kormikiaria, da Universidade de São Paulo (USP). Real ou não, o Cavalo de Tróia teve um papel fundamental. "Ele foi um símbolo de guerra importante para os gregos. Há quem se refira a ele como o primeiro tanque de guerra da humanidade", diz outra historiadora, Margarida Maria de Carvalho, da Unesp de Franca (SP).
Revista Mundo Estranho Edição 27/ 2004

Quais eram os métodos medievais mais usados para fazer torturas?


Roberto Navarro
Os torturadores da Idade Média usavam de tudo um pouco: de aparelhos que esticavam o corpo das vítimas até deslocar as juntas a objetos perfurantes dos mais variados tipos. Boa parte dos métodos de punição já existia desde a Antiguidade, mas os carrascos medievais também desenvolveram novas formas de tormento, incorporando os avanços tecnológicos da época, como os recém- surgidos dispositivos de relojoaria. A prática da tortura era comum, pois a confissão era considerada a mais importante prova nos tribunais, assim ela precisava ser extraída a qualquer custo. Presos em sombrias masmorras, no subsolo de fortalezas, os suspeitos eram submetidos a suplícios durante semanas e o terror só acabava quando eles reconheciam a culpa, em geral relacionada a casos de roubo, traição política ou assassinato. A princípio, a Igreja se manifestou contra a tortura para extrair confissões, mas, no final da Idade Média, já usava a prática sem cerimônias para punir hereges e suspeitos de bruxaria ou enquadrar pregadores que se afastassem de sua doutrina oficial. No ano 1252, o papa Inocêncio IV publicou uma bula (carta solene do pontífice) autorizando a tortura de suspeitos de heresia. Não era considerado pecado infligir castigos físicos aos acusados, a única recomendação era para que o serviço sujo não ficasse a cargo dos padres... O auge do uso da tortura em interrogatórios aconteceria já fora do período medieval. A partir do século 15, a Inquisição - tribunais da Igreja Católica que puniam quem se desviasse de suas normas - tinha até manuais para orientar carrascos. Vale lembrar que, além do tormento físico, métodos psicológicos também eram utilizados, envolvendo drogas psicotrópicas, extraídas de plantas como mandrágora ou estramônio. Essas poções provocavam terríveis delírios, servindo para "confirmar" que o réu possuía laços com o demônio.

Sessão de horror
Nas masmorras, vítimas tinham juntas deslocadas e couro cabeludo arrancado.

RODA DE FOGO
A roda foi um suplício muito usado a partir do século 12. O prisioneiro era amarrado na parte externa de um grande disco de madeira, colocado sobre um recipiente contendo brasas incandescentes. Ao girar lentamente a roda, o carrasco fazia com que o corpo do torturado ficasse exposto ao calor, até que o réu morresse em consequência das queimaduras sofridas.

TECNOLOGIA CRUEL
O desenvolvimento da relojoaria na Idade Média inspirou novos instrumentos a serviço da dor. A "pêra" era um aparelho com pequenos mecanismos e molas em seu interior. Ela era introduzida no reto ou na vagina da vítima e, com o uso de parafusos, os mecanismos de relojoaria eram acionados para expandir o volume do objeto, causando graves dilacerações.

PESADELO FEMININO
Algumas formas de tortura eram aplicadas exclusivamente às mulheres. A mastectomia (remoção dos seios) era uma delas. A vítima tinha as mamas dilaceradas e em seguida arrancadas, com o emprego de pinças e outros instrumentos de ferro aquecidos. Em certas ocasiões, a mulher era obrigada a engolir os próprios seios e acabava morrendo sufocada.

BATENDO AS BOTAS
Forma de tortura popular na Escócia medieval, as botas eram um tipo de "calçado" com o interior forrado por pontas metálicas. O condenado era obrigado a colocá-las nas pernas, enquanto o carrasco as ajustava com um pesado martelo, fazendo com que as pontas penetrassem na carne. Os poucos réus que sobreviviam a tal pesadelo ficavam aleijados ou mutilados.

URNA PAULEIRA
Se você gosta de rock, certamente conhece o grupo Iron Maiden, "Donzela de Ferro" em inglês. Mas talvez não saiba que a banda foi batizada com o nome de um instrumento de tortura. Tratava-se de uma urna, em formato de mulher, com o interior cheio de estacas de metal. O prisioneiro era obrigado a entrar na urna e as portas eram fechadas, pressionando as estacas contra seu corpo, o que provocava dolorosos ferimentos.

ALONGAMENTO RADICAL
O estrado era uma prancha de madeira com mecanismos para esticar o corpo da vítima. Depois de ter os pulsos e tornozelos amarrados por cordas nas extremidades da prancha, os mecanismos eram acionados lentamente e puxavam o corpo em direções opostas. A vítima tinha as juntas deslocadas e os tendões rompidos e no final podia ser desmembrada.

ESCALPO EUROPEU
Outra forma de tortura usada só contra mulheres era a laçada. Ela surgiu na Idade Média, mas foi empregada na Rússia até o início do século 20. Durante as sessões de interrogatório, carrascos enredavam o cabelo de mulheres acusadas de algum crime em pedaços de metal, que eram torcidos até que o couro cabeludo fosse arrancado.

Revista Mundo Estranho Edição 27/ 2004

O que é a nanotecnologia?


É o futuro do que a gente conhece como tecnologia, em uma versão superminiaturizada e inteligente. Ela é desenvolvida por um ramo da ciência que trabalha na escala dos bilionésimos de metro (a partir de 0,000001 milímetro) - ou nanômetros, de onde vem o nome dessa área. Com ela, seria possível construir coisas átomo por átomo, molécula por molécula, ou seja, usando os tijolinhos básicos que formam a matéria. Uma das promessas é montar computadores que usam moléculas em vez de chips. Isso faria toda a diferença: teríamos micros capazes de pensar como gente! "Nosso cérebro nada mais é que um computador molecular, que usa componentes nanométricos (as moléculas que formam os neurônios) para processar dados", diz o químico Henrique Toma, da Universidade de São Paulo (USP). Se um dia for realmente possível construir materiais átomo por átomo, poderemos montar, em tese, qualquer coisa. Imagine que, daqui a 30 anos, você sinta uma dor de barriga e corra para o banheiro. Sua privada, toda high tech, poderá analisar o "material" que você deixou por lá e mandar esses dados para um aparelho especial, capaz de reorganizar os átomos que existem na natureza e transformá-los em outra coisa. Ele pode pegar, por exemplo, partículas de algum gás da atmosfera e, com elas, sintetizar o remédio certo para você. Se o medicamento lhe der sede, o aparelho poderá pegar outros átomos para materializar um copo de refrigerante. Com a nanotecnologia, daria também para fazer materiais novos: metais e plásticos mais resistentes para a engenharia, combustíveis melhores para os carros, pernas humanas para acidentados. Mas, hoje, essa ciência ainda ensaia seus primeiros passos. O que existe são máquinas que constroem, molécula por molécula, tipos de proteína para fabricar medicamentos. Quem aposta nessa tecnologia diz que pode demorar mais de um século até construirmos coisas fantásticas, como as que você vê nestas páginas.
Admirável mundo novo
No futuro, moléculas inteligentes seriam capazes de materializar objetos a partir de átomos de gases.
Santo remédio
O maior impacto da nanotecnologia seria, de longe, na saúde. Moléculas robôs capazes de modificar o DNA poderiam ser adicionadas a drogas para exterminar doenças como o câncer. Mais: elas poderiam penetrar no código genético de vírus e castrá-los, tirando deles a capacidade de se multiplicar e de matar.
O segredo da mágica
Essas engrenagens mais de mil vezes menores que o diâmetro de um fio de cabelo, conhecidas como moléculas robôs, seriam o cérebro da nanotecnologia. A função primordial delas seria fazer e desfazer ligações entre os átomos, possibilitando a construção de coisas átomo por átomo. Projetadas e programadas em laboratório, elas ficariam flutuando no ar até serem requisitadas para construir um novo objeto por meio de um comando de voz, por exemplo.
Computador-cabeça
Micros que usassem moléculas para processar dados seriam pequenos o suficiente para ficar implantados no corpo, ligados aos neurônios do cérebro. Além de serem mais do que portáteis, com telas e mouses virtuais, eles poderiam até turbinar a inteligência da pessoa, já que o modo de processar informações desses supermicros seria análogo ao da mente do seu usuário.
Comida do nada
A nanotecnologia poderia fazer coisas surgirem aparentemente do nada. A mágica, na verdade, seria mais um dos efeitos da ação das moléculas robôs. Elas transformariam um gás com elementos como carbono, hidrogênio e oxigênio em um banquete — uma feijoada, por exemplo. Afinal, esse prato nada mais é que um bando de átomos arrumados de uma maneira específica — e suculenta!
Purificadora de ar
Moléculas robôs suspensas na atmosfera eliminariam a sujeira que a humanidade despeja no ar desde o século 18. Elas poderiam usar moléculas de oxigênio (O2), reorganizá-las e criar moléculas de ozônio (O3), reduzindo o buraco na camada desse gás que protege nosso planeta. Para repor a perda de oxigênio, as moléculas quebrariam dióxido de carbono (CO2), que, em excesso, aumenta a temperatura média da Terra.
Carro vivo
Automóvel do futuro é este aqui: feito só com minúsculas moléculas artificiais, ele poderia mudar de cor, de forma ou até de cilindrada a qualquer comando do dono. Se a lataria riscar, não tem problema: as nanoengrenagens entram em ação para tapar o estrago da mesma forma que uma estrela-do-mar se auto-regenera quando perde um membro.

Revista Mundo Estranho Edição 27/ 2004