Nada menos que 928: 301 de ouro, 301 de prata e 326 de bronze. Isso mesmo: as 25 extras ficam por conta do judô e do boxe, que dão duas medalhas de terceiro lugar em suas várias categorias de peso. Mesmo com a abundância toda, pelo menos 60% dos países que participam voltam sem um mísero bronze para casa. Outra coisa que surpreende é o jeito como as medalhas são distribuídas por esporte. O vôlei, por exemplo, pode render até quatro ouros. Agora, se nossos atletas fossem bons de esgrima, que tem mais categorias e modalidades, eles poderiam voltar com até dez ouros. Se o tiro fosse o esporte nacional, então, daria para somar outros 17...
Metais amados Oito fatos de ouro, de prata e de bronze.Ao vencedor, a prata.
Premiar com medalhas foi idéia do criador dos Jogos modernos, o barão de Coubertin (1863-1937). Mas a concepção atual delas não veio de uma vez. Em Atenas-1896 e Paris-1900, o vencedor ganhava prata, o segundo colocado, bronze e nada para o terceiro. O ouro só chegou ao lugar mais alto do pódio em Saint Louis-1904.
Vale mais do que pesa.
Em Sydney, os australianos levaram 58 medalhas, enquanto os canadenses amargaram 14. Mas a relação entre o investimento feito na equipe olímpica e o retorno em medalhas foi quase igual. O Canadá gastou 4,24 milhões de dólares por medalha. A Austrália, 4,82 milhões. Os EUA, com 97, se deram melhor: 3,09 milhões.
Ouro de tolo.
Medalhas de ouro são feitas de... prata. Elas são cobertas com uma película de 6 gramas do metal dourado. É uma baita economia. Para fazer as medalhas de ouro da última Olimpíada, Sydney gastou 10,5 quilos de ouro, cerca de 405 mil reais. Se os 250 gramas de cada medalha fossem ouro, os gastos chegariam a quase 17 milhões de reais.
Custo- benefício.
Os atletas que correm, os que saltam e os que arremessam ficam todos no mesmo balaio: o do atletismo. Então esse é o esporte que distribui mais medalhas: 138, em 46 provas. A pior relação "custo-benefício" fica com o beisebol e o softball. Como o primeiro é exclusivamente masculino e o outro, feminino, cada um dá apenas três.
Mais digerível.
De Amsterdã-28 até Sydney-2000, a medalha trazia na frente uma imagem do Coliseu de Roma. "Algo difícil de engolir", segundo o diretor do COI Gilbert Felli, já que os Jogos são gregos. Agora ela traz o estádio Panathinaiko, lar dos Jogos de 1896. As medalhas das Para- olímpiadas terão a inscrição "Atenas 2004" em braile.
Os últimos serão os consolados.
Lá no pódio, só três podem colocar medalhas no pescoço. Mas nos bastidores existe um prêmio de consolação para os atletas que quase chegaram lá. Os que acabam entre quarto e oitavo recebem diplomas. E, para honrar a frase "o importante é competir", todos os competidores e suas equipes levam uma medalha simbólica para fazer inveja aos amigos.
Relação candidato/vaga.
Se quiser ganhar sua medalha um dia, evite o ciclismo de estrada. Em 2000, essa foi a competição com pior relação candidato/medalha: 52 por 1; contra 2,6 do florete por equipe! E os melhores Jogos para competir foram Melbourne-56 e Roma-60, quando cada medalha era disputada por 6,5 atletas. Em geral, a relação fica entre nove e 13 por uma.
Pobre platina.
Elas são feitas de ouro, prata e bronze porque esses são os metais mais valiosos do mundo, certo? Errado: "Eles só eram os mais caros na época das primeiras Olimpíadas modernas", afirma o presidente da Sociedade Numismática Brasileira, Cláudio Amato. "Hoje, sabemos que a platina vale mais que o ouro e o latão, mais que o bronze".
Revista Mundo Estranho Edição 1/ 2001
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