Julia Moióli
Uma equipe de arqueólogos da Universidade de Tübingen, na Alemanha, encontrou em uma caverna no sudoeste do país três estátuas feitas de marfim de mamute que podem ser as obras de arte mais antigas já produzidas pelo homem. Em forma de um pássaro, um cavalo e um homem-leão, as esculturas têm pelo menos 30 mil anos (quase a mesma idade das primeiras pinturas rupestres encontradas na Europa, com 35 mil anos) e mostram que as primeiras manifestações artísticas do homem já eram detalhadas e tinham forte poder simbólico.“As esculturas mostram um estilo de vida complexo e organizado já no início da evolução humana”, afirma Nick Conard, chefe da equipe de arqueólogos. Para ele, as três estátuas são uma evidência de que, se voltássemos no tempo, a essência do homem moderno seria muito parecida com a nossa hoje em dia. “Apesar de não terem utilidade prática, as estátuas faziam parte da vida cotidiana, na qual a arte como forma de representação do universo simbólico era comum.”
Esculturas tão antigas assim já haviam sido encontradas em 1939, em Hohlenstein-Stadel, região a poucos quilômetros do local dos novos achados. Na época, foi encontrado um homem-leão semelhante ao descoberto por Conard, porém maior, com 30 centímetros. No entanto, as recentes descobertas revelaram um grau de sofisticação e diversidade inédito. O pássaro, por exemplo, apresenta detalhes tão particulares que foi possível concluir que se trata de uma espécie aquática extinta na região. O detalhamento das peças é uma evidência de que elas só poderiam ser criadas por grupos com uma linguagem complexa e até algum senso de perspectiva.
Os arqueólogos, agora, estão quebrando a cabeça para determinar o significado dessas obras de arte na vida dos homens ancestrais. Duas hipóteses já foram levantadas. A primeira é a chamada de “Kraft und Agression” (em português, “força e agressão”), segundo a qual os habitantes dessa região representavam animais fortes e perigosos como forma de proteção. A outra supõe que as estatuetas façam parte de rituais de xamanismo. Segundo Conard, nesse tipo de sociedade, o xamã existe como mistura de pessoa e animal. “Como espíritos não andam, são acompanhados de um ajudante, normalmente um pássaro aquático”, diz Conard.
Revista Aventuras da História Volume 007
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