quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

DUAS VISÕES CINEMATOGRÁFICAS DA QUESTÃO PALESTINA

Oriente Médio é o foco central das tensões geopolíticas e dos conflitos militares do pós-Guerra Fria. No cerne da instabilidade política regional encontra-se a chamada Questão Palestina. Há 60 anos, em 1947, a partilha da Palestina promovida pela ONU lançou a semente da primeira guerra árabe-israelense. Há 40 anos, em 1967, na Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou os territórios palestinos de Jerusalém Leste, Cisjordânia e Faixa de Gaza, impondo um regime de ocupação que ainda perdura.
Até meados do século XX, o cinema captou o Oriente Médio pelas lentes do exotismo. Os filmes produzidos no Ocidente participavam da invenção de um Oriente árabe essencialmente diferente, estranho e sedutor. Películas como Simbad, o Marujo, Aladim e a Lâmpada Maravilhosa, Ali Baba e os Quarenta Ladrões são exemplos dessa época.
Depois, a violência política invadiu as películas e, sob diferentes perspectivas, o cinema abordou o tema da Palestina.
Recentemente, em 2005, foram lançadas duas polêmicas obras cinematográficas abordando aspectos da Questão Palestina: Munique e Paradise Now.
O primeiro, do premiado diretor Steven Spielberg recebeu cinco indicações para o Oscar de 2005 e aborda os desdobramentos de um célebre evento histórico: o atentado aos atletas israelenses na Olimpíada de Munique de 1972. O filme não trata do próprio atentado, mas do esquema de vingança montado por Israel contra o grupo terrorista palestino Setembro Negro.
Logo depois da tragédia de Munique, a então primeira- ministra de Israel, Golda Meir, convoca a cúpula de seu governo para planejar uma vingança exemplar: assassinar importantes líderes árabes que teriam sido mentores do atentado. Totalmente sigilosa, a missão é entregue a Avner, agente do serviço secreto, o Mossad, ex-segurança da ministra.
Ele é encarregado de comandar uma reduzida equipe de agentes que sairá à caça dos 11 nomes selecionados.
Porém, quanto mais Avner se entrega à sua missão, mais se desencanta. No fim, o tema verdadeiro é a sujeira política que comanda todo o negócio da espionagem.
Do diretor palestino radicado na Holanda Hany Abu- Assad, Paradise Now foi agraciado com o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro de 2005. Também foi laureado com prêmios no festival de Berlim, além de ser indicado ao Oscar como melhor filme estrangeiro.
Embora escorada em dados da realidade, Paradise Now é uma obra ficcional, filmada na cidade de Nablus, na Cisjordânia ocupada, que acompanha as últimas horas de vida dos palestinos Khaled e Said, amigos de infância que são recrutados como homens-bomba para realizar um atentado em Israel. Levados à fronteira com bombas presas ao corpo, eles acabam se perdendo um do outro. Separados, encaram seus destinos e suas próprias convicções.
O terror é o ponto de encontro e tudo mais são divergências.
Por isso mesmo, Munique e Paradise Now são películas imperdíveis e polêmicas.

Boletim Mundo n° 4 Ano 15

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