América: vencedores
Celso Miranda
Publicados entre 1957 e 1965, em alguns dos principais jornais americanos, os textos não-ficcionais de John Steinbeck – um dos mais célebres romancistas do século 20 – foram reunidos pela primeira vez em 1966, no livro A América e os Americanos (Record). Lida hoje, a obra que acaba de ganhar nova edição brasileira revela um autor preocupado com questões sociais, política, história e jornalismo. Sobre este último, escreveu: “O que posso dizer sobre o jornalismo? Tem a maior das virtudes e o maior dos males. É a primeira coisa que o ditador controla. É pai da literatura e perpetrador de lixo. Mas em muitos casos é a única história que temos. Embora seja a ferramenta dos piores homens, num período de tempo mais longo, e talvez por ser produto de tanta gente, é a coisa mais pura que temos”.
No final da vida, Steinbeck – que morreu em 1966 – tentava resgatar a imagem dos seus compatriotas: buscava o verdadeiro americano. Para ele, a política da Guerra Fria, que distorcia o mundo além da cortina de ferro (como ele próprio revelara em Um Diário Russo, de 1954), tinha um efeito semelhantemente assustador sobre a imagem que os americanos faziam de si. Para ele, os americanos médios não estavam nem aí para a “ameaça estrangeira”, ou para a “política do medo” na qual eles e os soviéticos equilibravam-se e equivaliam-se. Hoje, 40 anos depois, os textos ajudam a entender o povo americano e a debater questões quentíssimas. Por exemplo: será que os americanos se transformaram na imagem que a Guerra Fria ajudou a moldar e que Steinbeck refutava? Gente como o escritor e cineasta Michael Moore acredita que sim. Para ele, o medo e desconfiança estão presentes em quase todas as decisões do tal “americano médio”. Com uma eleição vindo aí, esse é um tema quentíssimo.
Revista Aventuras na História n° 012
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