Os índios lambuzavam-se de suor nas atividades da vila e banhavam-se nos rios do planalto de Piratininga. Os jesuítas não: tinham de esconder suas vergonhas. Os banhos de José de Anchieta eram dentro do claustro. Banhos tomados com a água do poço. E, dizia ele numa de suas cartas, o poço era de água boa. Ficava ali, no pátio, em frente aos oito quartos do Colégio, marco zero de São Paulo.
Mas o poço sumiu e restou aos historiadores saber quando isso aconteceu. A carta de Anchieta é de 1585. Em 1640, os jesuítas foram expulsos da cidade. O colégio ficou jogado às traças: nem tropeiros, nem índios, nem ninguém ousou tomá-lo. Apodreceu por 13 anos, até que os padres voltaram. Em 1760, foram novamente enxotados do Brasil pelo marquês de Pombal, e a casa virou Palácio dos Governantes. Dessa época, já não há relatos sobre o poço.Mas a diretora do Museu Anchieta, Nina Lomonaco, afirma tê-lo encontrado. Em maio, botou um radar que mais parece um cortador de grama para rastrear o chão do Colégio e achou, atrás do café no interior do edifício, vestígios de um buraco uniforme. A arqueóloga Marysilda Couto Campos, do Patrimônio Histórico Nacional, que vai comandar as buscas, espera encontrar, no meio do barro, crucifixos e objetos usados pelos jesuítas. E reconstruir o poço, enriquecendo a memória da fundação da maior cidade do país.
Revista Aventuras na História n° 012
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