sexta-feira, 23 de março de 2012

Waterloo, 2004

Carolina Cimenti

Em 18 de junho de 1815, nos verdes gramados de Waterloo, nos aprazíveis arredores de Bruxelas, na Bélgica, o destino da Europa, e do mundo, estava em jogo. Cem dias depois de fugir da ilha de Elba e de se declarar imperador da França, Napoleão Bonaparte estava novamente à frente de seu poderoso exército, com 72 mil soldados. Para detê-lo, 120 mil britânicos, prussianos, austríacos, holandeses e russos estavam a postos, sob o comando do britânico duque de Wellington e do prussiano general Blücher. Os combates foram ferozes e, no final, a derrota dos franceses pôs fim a 23 anos de guerras, iniciadas durante a Revolução Francesa.
Para comemorar o aniversário da histórica batalha, o Museu Napoleão – localizado na casa onde estava instalado o quartel-general do imperador, em Waterloo – organiza todos os anos uma reconstituição dos combates. Mais de mil homens e mulheres e cerca de 100 cavalos são usados na encenação, que dura em média sete horas. A maior parte das armas leves, como as baionetas e espingardas, são originais. Os canhões, porém, são reproduções. Algumas roupas e acessórios também. Mas o local onde é feita a encenação é exatamente o mesmo onde a batalha ocorreu. Com um pouco de imaginação dá para ouvir os estampidos dos canhões e os gritos dos combatentes e pensar no que foi a verdadeira batalha.

JOGOS DE GUERRA
A intenção dos franceses era tomar Bruxelas, a poucos quilômetros dali. Mas, antes de chegar ao seu objetivo, o exército de Napoleão encontrou os exércitos aliados. Durante a noite anterior havia caído um temporal. Assim, no dia 18, Napoleão aguardou até as 13h antes de mover suas tropas, para que os campos estivessem menos úmidos. Correndo na terra molhada, os soldados e os cavalos se cansariam mais rapidamente. O atraso, no entanto, se mostraria fatal.

CAFÉ-COM-LEITE
Fora do alcance das balas inglesas, Napoleão acompanhou de perto suas tropas. Havia um respeito mútuo entre os chefes militares, que deveriam estar vivos para se entregarem assim que percebessem a derrota, evitando mortes desnecessárias.

REVANCHE
O exército prussiano foi peça fundamental em Waterloo. Ele havia sido batido por Napoleão dias antes, perto dali, em Charleroi. O francês tinha certeza de que havia eliminado a maior parte dos homens e inutilizado seu poder de fogo. Ele não poderia estar mais errado. Os prussianos se reorganizaram rapidamente e chegaram a tempo de lutar ao lado dos britânicos. Talvez se o imperador tivesse ordenado o ataque no dia 15, quando os franceses chegaram ao local, tudo fosse diferente.

BALAS PERDIDAS
Arthur Wellesley, o duque de Wellington, nunca havia combatido diretamente Napoleão, mas estava invicto contra os franceses. O general Blücher já havia vencido Bonaparte uma vez e em Waterloo queria confirmar sua superioridade militar. Os soldados franceses tentaram impedir o avanço de britânicos e prussianos com a artilharia pesada, mas a infantaria aliada, em muito maior número, foi mais rápida.

AVANÇO FINAL
Os britânicos atacavam em forma de uma coluna e se defendiam agrupados em forma de quadrado. Os franceses atacavam e se defendiam com duas longas colunas de soldados posicionados um de costas para o outro, podendo atirar nas duas direções. Apesar de Napoleão ter entrado para a história, foi a técnica inglesa que se mostrou mais eficiente. No total, 191 mil soldados lutaram em Waterloo. No final do dia, 48,5 mil estavam mortos ou seriamente feridos.

POUPADOS
Depois de horas de combate, as perdas francesas eram enormes: a cavalaria estava a pé, os flancos haviam cedido e a artilharia estava isolada e sem munição. Antes que a noite caísse, Napoleão se rendeu, poupando milhares de vidas.

ÚLTIMA VIAGEM
Napoleão se entregou para as forças britânicas, evitando cair nas mãos dos furiosos prussianos. O imperador vencido foi levado a Santa Helena, uma ilhota na costa da África, de onde nunca mais saiu. Ele morreu em 1821.

Revista Aventuras na História n° 012

Nenhum comentário:

Postar um comentário