Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
Características do
cometa periódico Encke, que aparece todos os anos e tem o mais curto período de
revolução que se conhece.
Será a melhor aparição do cometa Encke desde outubro de
1980, no céu matutino. Ele estará próximo ao horizonte leste antes do
amanhecer, durante a segunda quinzena do mês de outubro, quando deverá atingir
seu brilho máximo, que pode variar de sexta a sétima magnitude. É um cometa
periódico, ou seja, aparecem todos os anos e tem o mais curto período de
revolução que se conhece. Os cometas de período curto completam uma volta em
torno do Sol em alguns anos somente entre os planetas do sistema solar interior.
Quando foi descoberto pelo astrônomo francês Pierre Méchain
(1744-1804) em Paris, na noite de 17 de janeiro de 1786, o cometa descrevia uma
órbita cada vez mais próxima do Sol, mais próxima que o planeta mais interior,
Mercúrio. Mas, Méchain não teve sorte, pois, no dia seguinte, as más condições
do tempo na cidade não permitiram que ele voltasse a observá-lo. No dia 19
daquele mês, o astrônomo francês Charles Messier observou o cometa. Anos mais tarde, em 7 de novembro de 1795, a astrônoma inglesa Caroline Herschel (1750-1848) o redescobriu. Dez anos depois, em 19 de outubro de 1805, os astrônomos franceses Jean-Louis Pons (1761-1831) e Jacques-Joseph-Claude Thulis (1748-1810) o redescobriu também. Em 1818, Pons sugeriu que talvez se tratasse de um cometa periódico. No ano seguinte, o astrônomo alemão Johann Franz Encke (1791-1865), então diretor do Observatório de Berlim, tentou calcular a órbita desse cometa e demonstrou que ele possuía um período de somente três anos e meio, órbita semelhante às dos cometas observados por Méchaisn, Caroline Herschel, Pons e Thulis.
Com base nisso, Enche previu seu retorno para maio de 1822. De fato, em 2 de junho daquele ano, o astrônomo alemão Karl Rumker (1788-1862), fazendo observações em Parramatta, perto de Sydney, na Austrália, encontrou o cometa que a partir daí foi chamado de Encke, em homenagem ao astrônomo que determinou sua órbita e seu caráter periódico. Desde que foi descoberto, em 1786, até hoje foram registradas mais de cinqüenta passagens periélias (mais próximas do Sol) desse cometa.
Com o aperfeiçoamento das técnicas de observação foi possível vê-lo mesmo no seu afélio (ponto mais afastado do Sol), como ocorreu pela primeira vez em setembro de 1972. A astrônoma americana Elizabeth Roemer, com o telescópio de 229 centímetros do Observatório Kitt Peak, no Arizona, Estados Unidos, conseguiu, numa exposição fotográfica de hora e meia, registrar a imagem do cometa cuja magnitude aparente Ra 20,5. Esse sucesso confirmou um antiga observação do Encke feita em 1913 pelo astrônomo americano Francis Gladheim (1881-1938) em Monte Wilson, que numa exposição fotográfica de 3 horas e meia também captara sua imagem. O estudo do movimento do Encke mostrou em 1823, pela primeira vez, que a cada revolução seu período orbital diminuía ao longo do tempo, em quantidades maiores ou menores. Em 1800, por exemplo, a variação do seu período foi de 3 horas e meia e hoje é da ordem de 20 minutos. Naquela época, diversas explicações foram propostas, pois afinal, os cometa, considerados a prova de um lei precisa e universal de gravitação, tinham um companheiro (o Encke) que questionava essa verdade.
Surpresos, a maioria dos cientistas dizia que a gravitação era válida, mas naquele caso específico havia uma força adicional. Hoje, fala-se do efeito proveniente de forças não- gravitacionais que aparecem na maior parte dos cometas periódicos. Embora sua passagem pelo periélio tivesse lugar em março de 1984, em dezembro de 1983 foi possível observá-lo, pois atingiu a magnitude 13. Alguns cientistas acreditam que foi uma pequena parte do Encke que explodiu na atmosfera da Sibéria central, a nordeste da Rússia, em 1908, causando um incêndio de grandes proporções na floresta de Tunguska, aniquilando árvores numa área de 500 quilômetros quadrados.
Revista Super Interessante n° 037
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