Uma imagem ao mesmo tempo conhecida e inédita. Conhecida,
por representar o planeta como as projeções cartográficas habituaram o homem a
vê-lo. A América do Sul, por exemplo, tem a cara da América do Sul apresentada
nas aulas de Geografia. Inédita, por ser o resultado das modernas técnicas de
transmissão de dados aliados à arte da computação gráfica. Para obtê-la, dois
americanos passaram dois meses limpando literalmente à mão centenas de imagens
do planeta obtidas por satélites e armazenadas em computador. Assim,
conseguiram apagar as nuvens dos retratos para que o mundo se mostrasse como no
mais límpido dos dias. Um feito e tanto, pois cerca de 60% da superfície
terrestre estão sempre encobertos.
De fato, tão difícil quanto contemplar o céu totalmente
azul, sem nuvens, é enxergar a Terra do espaço sem que pelo menos uma parte de
sua superfície esteja encoberta. Isso pode ser demonstrado pelas fotos dos
satélites meteorológicos – aquelas que aparecem todos os dias na página de
previsão do tempo dos jornais. Lloyd Van Warren, especialista em computação do
Laboratório de Jatopropulsão da NASA, em Pasadena, e o artista plástico Tom Van
Sant, ambos da Califórnia, conseguiram a proeza de fazer um mapa do mundo, como
ele seria visto sem a proteção da atmosfera. Ao usar o computador para limpar
as nuvens de centenas de fotos fornecidas pelos satélites AVHRR (sigla em
inglês para Radiômetro Avançado de Altíssima Resolução), Warren criou o
primeiro arquivo de dados com todas as imagens da Terra guardadas desde 1976.Acostumado a ter a Informática como auxiliar no fechadíssimo círculo de pesquisas espaciais, o cientista aliou-se a Van Sant, escultor e ambientalista, para mostrar o planeta a seus habitantes. Partindo do princípio de que “softwares não causam o mesmo impacto emocional de um globo real”, eles estão terminando a GeoSphere, uma versão ampliada dos globais comumente usados nas aulas de Geografia, com pouco mais de 2 metros de diâmetro. A imagem da Terra sem nuvens foi registrada no disquete de uma câmera digital para ser reproduzida numa tela de vídeo de alta definição, duas vezes melhor do que os monitores tradicionais; em seguida, foram tomadas 36 fotos, impressas numa película para aderir à superfície da GeoSphere como a casca de uma laranja. Quando fica pronto – a data ainda não está definida -, o globo será usado para simulações de clima e mudanças ambientais.
Cercado por quatro ou cinco projetores de imagens, a GeoSphere pode mostrar, por exemplo, o processo de desmatamento da Amazônia, a desertificação na África ou a direção dos ventos e corretes marítimas. Um segundo modelo GeoSphere, com 6,4 metros de diâmetro e resolução de imagens de até 1 quilometro de largura, terá também o relevo esculpido conforme as indicações dos satélites. A iluminação feérica das grandes cidades será mostrada com o auxílio de fibras óticas acionadas por controle remoto, junto com um motor que simulará o movimento de rotação da Terra. Na abertura dos jogos da Copa do Mundo, a TV italiana exibiu imagens de computador do globo terrestre girando, para localizar os países cujas seleções iam se enfrentar. Com a GeoSphere, será possível ver uma imagem como essa ao vivo. À medida que o sistema de movimentação da lente zoom avançar, a TV mostrará a Terra como ela é – em detalhe.
Revista Super Interessante n° 037
Nenhum comentário:
Postar um comentário