sexta-feira, 31 de maio de 2013

Qual pássaro voa mais alto?


É um abutre encontrado nas planícies e nos desertos do continente africano, numa vasta área delimitada por países como Eritréia, Sudão, Tanzânia e Guiné. Ele atende pelo nome científico de Gyps rueppellii e já foi visto voando a incríveis 11 278 metros. Você pode estar se perguntando: mas que maluco conseguiu flagrar a ave nessa altitude? Simples: um desses abutres colidiu, no dia 29 de novembro de 1973, com um jato comercial que passava sobre Abidjan, na Costa do Marfim. O Gyps rueppellii pesa até 6,5 quilos e tem uma envergadura de 2,4 metros. Graças à grande abertura de suas asas, ele consegue planar durante horas e pegar correntes de ar quente que o levam sempre para cima. A ave, chegada a uma boa carcaça, tem uma excelente visão e é capaz de encontrar objetos de até 15 centímetros distantes a 2 500 metros! Outro recordista de vôo nas alturas é o ganso-indiano (Anser indicus), capaz de atingir 9 mil metros. Ele já foi avistado voando acima do monte Everest, que alcança a marca de 8 848 metros. Os gansos-indianos passam o inverno no nordeste da Índia, ao nível do mar, e migram para os lagos do Tibete, onde chocam seus ovos. No meio do caminho, precisam atravessar a gigantesca cordilheira do Himalaia e por isso voam tão alto. Para suportar a falta de oxigênio do ar rarefeito das grandes altitudes, essas duas espécies de aves têm um metabolismo acelerado, que produz muita energia em pouco tempo. Além disso, seus aparelhos respiratórios permitem que elas tenham ar nos pulmões o tempo todo.
Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

Quais os 10 maiores gols da história?

Rodrigo Ratier

Começou como uma brincadeira da redação, quando a equipe que arrisca suas canelas nos nossos animados rachões resolveu fazer uma lista com os maiores gols de todos os tempos. A discussão pegou fogo e, para colocar o time em ordem, passamos a bola para craques como Falcão, Casagrande e mais nove jornalistas especializados em futebol. Eles tocaram de primeira para nos ajudar a escolher os dez maiores gols da história. Na seleção, levamos em conta tanto a beleza do lance quanto sua importância histórica. O top 10 é bem nacionalista: só obras-primas do argentino Diego Maradona e do holandês Van Basten foram anotadas por craques estrangeiros. O consolo - nada desprezível, aliás - é que os dois gringos lideram o ranking. O recordista de indicações não podia ser outro: Pelé. No geral, ele foi mais votado que Maradona. A diferença é que nossos "boleiros" do júri se lembraram de oito gols inesquecíveis do "rei", enquanto "Dieguito" concentrou a preferência geral num lance genial da Copa de 86. Encha o peito e solte o grito de "goooooooool" com a gente!
1. DEUS DIEGO MARADONA
Maradona (Argentina) - Argentina 2 X 1 Inglaterra - (Copa do Mundo de 1986)
Aos 6 minutos do segundo tempo, o argentino Diego Armando Maradona arranca do campo de defesa para marcar o maior gol da história. Em apenas 10 segundos, ele percorre 60 metros, enfileirando literalmente meio time inglês: seis súditos de Elizabeth II são iludidos por seus dribles desconcertantes. A genial arrancada que impulsionou o mediano time argentino para o bicampeonato (veja o lance completo abaixo) foi unanimidade entre os "boleiros" do júri.
2. HOLANDÊS VOADOR
Marco van Basten (Holanda) - Holanda 2 X 0 URSS - (Eurocopa de 1988)
A imagem é incrível: depois de receber um cruzamento muito alto da esquerda, o camisa 12 da Holanda emenda direto para o gol de Dasaev, com a bola no ar, num vôo quase sem ângulo na final da Eurocopa de 1988. Eleito o melhor do mundo em 1992, o atacante Van Basten abandonaria os gramados três anos depois, com apenas 30 anos, atormentado por dores violentas no tornozelo direito.
3. NASCIA UM GÊNIO
Pelé (Brasil) - Brasil 5 X 2 Suécia - (Copa do Mundo de 1958)
Na final da Copa, enfrentando os donos da casa, Pelé, então com 17 anos, domina no peito um cruzamento vindo da esquerda, chapela um zagueiro e fuzila para o gol. O cartão de visitas do futuro "rei" já havia aparecido na mesma Copa de 58, com um chapéu em versão mais modesta, no 1 a 0 contra o País de Gales.
4. PERFEIÇÃO ENSAIADA
Carlos Alberto (Brasil) - Brasil 4 X 1 Itália - (Copa do Mundo de 1970)
A conclusão da jogada é um clássico: Pelé rola mansinho na entrada da área para Carlos Alberto, que acerta uma cacetada rasteira no canto direito de Albertosi. Mas essa obra-prima coletiva começa na defesa, com um olé de Clodoaldo, que passa para Rivelino, que lança Jairzinho na esquerda. Este encontra Pelé, que encontra Carlos Alberto, que encontra a rede. Quatro a um, Brasil tricampeão.
5. FILEIRA INFERNAL
Dener (Portuguesa) - Portuguesa 2 X 1 Inter de Limeira - (Paulistão de 1991)
Incorporando Maradona em pleno estádio do Canindé, o abusado atacante da Portuguesa recebe a bola na defesa, enfileira quatro adversários - um deles leva um humilhante "drible da vaca" -, foge da falta e toca na saída do goleiro. A carreira do último craque da Lusa seria tão meteórica quanto sua célebre arrancada: aos 23 anos, Dener morreria num acidente de carro, no Rio de Janeiro, em 1994.
6. CANHOTA MINEIRA
Éder Aleixo (Brasil) - Brasil 2 X 1 União Soviética - (Copa do Mundo de 1982)
No time de supercraques da Copa de 1982, o ponta-esquerda Éder estava destinado a ser um mero coadjuvante. Isso até os 43 minutos do segundo tempo da estréia: Paulo Isidoro cruza, Falcão abre as pernas e deixa a bola encontrar a canhota do mineirinho, que levanta a pelota e executa um tirambaço. O Brasil vira o jogo e começa na Copa com o pé esquerdo - de Éder.
7. TORPEDO CURVO
Nelinho (Brasil) - Brasil 2 X 1 Itália - (Copa do Mundo de 1978)
Enfrentando a Itália na disputa pelo terceiro lugar, o Brasil perde por 1 a 0. Sumidão no jogo, o lateral Nelinho desce pela direita e arrisca de fora da área. A bomba cruzada, perfeita, pega um tremendo efeito e morre do outro lado do gol, rente à trave do goleiraço Zoff. É um dos chutes mais curvos da história.
8. SHOW COLETIVO
Jairzinho (Brasil) - Brasil 1 X 0 Inglaterra - (Copa de 1970)
Contra os  então campeões do mundo, uma rara combinação de garra, talento e conjunto: pela esquerda da área, Tostão dribla um adversário, roda sobre si mesmo e se livra de mais dois ingleses, tocando de curva para Pelé. Com um leve totó, ele deixa Jairzinho na cara do gol, que solta o foguete para as redes do goleiro Banks.
9. ARTILHARIA AÉREA
Falcão (Internacional) - Inter-RS 2 X 1 Atlético-MG - (Brasileirão de 1976)
No último minuto da semifinal, a dupla Falcão e Escurinho rompe a forte defesa atleticana usando a cabeça. Pela esquerda, Dario lança a bola para Escurinho, que toca para Falcão. Os dois fazem uma incrível tabelinha de cabeça, Falcão chuta de direita e... gol! Tudo ensaiado, como diz Falcão: "Treinamos aquela jogada várias vezes. Diziam para a gente parar que não ia dar certo". Mas deu...
10. MIL VEZES PELÉ
Pelé (Santos) - Santos 2 X 1 Vasco - (Taça de Prata de 1969)
Só mesmo o "rei" para transformar um pênalti, o gol mais feito do futebol, em um momento histórico. Santos e Vasco empatavam no Maracanã lotado quando Pelé cai na área cruzmaltina. Pênalti. Ele dá a tradicional "paradinha" e chuta no canto esquerdo de Andrada. Gol, o milésimo dele — Pelé foi o primeiro a atingir essa marca.
1. Recebendo o passe atrás do meio campo, Maradona rodopia com a bola, se livra de dois rivais e dispara em direção ao gol.
2. Com velocidade, ele passa pelo inglês Reid, pula Fenwick para evitar a falta, entra na área e dribla o goleiro Shilton.
3. Antes do chute, ele ainda recebe um carrinho de Reid. Mesmo caído, Diego empurra a bola para o fundo das redes.
Goleada de prêmios Cinco categorias especiais para completar nosso ranking.
MAIOR GOL DE FALTA - Roberto Carlos (Brasil)
Brasil 1 X 1 França (Torneio da França de 1997)
O lateral Roberto Carlos precisou de potência, efeito e precisão para vencer o goleiro Barthez em uma falta inesquecível. O petardo de canhota atinge 103 km/h, pega um superefeito, passa por fora da barreira e estufa a rede no canto esquerdo do gol.
MAIOR GOL DE CABEÇA - Pelé (Brasil)
Brasil 4 X 1 Itália (Copa do Mundo de 1970)
Com uma cabeçada forte como um chute, Pelé abre o placar da decisão do Mundial de 1970. O cruzamento de Rivelino vem alto, mas o "rei" voa para testar no ângulo de Albertosi. O zagueiro italiano Fachetti reconheceria depois: "Subi para cabecear, desci, olhei para cima e Pelé ainda estava no alto. Parecia que podia ficar lá quanto quisesse".
MAIOR GOL ROUBADO - Maradona (Argentina)
Argentina 2 X 1 Inglaterra (Copa do Mundo de 1986)
Antes do maior gol da história, Maradona já havia marcado contra a Inglaterra. Aliás, ele não: "Foi o gol da mão de Deus", diria "Dieguito" ao comentar como ele iludiu o árbitro, desviando a bola com a mão para as redes depois uma dividida aérea com o goleiro Shilton.
MAIOR GOL CONTRA - Oséas (Palmeiras)
Palmeiras 1 X 1 Corinthians (Paulistão de 1998)
O atacante cabeceou um escanteio do corintiano Marcelinho para marcar um golaço contra seu próprio time, o Palmeiras. "Não consegui isolar a bola porque o chute veio rápido e com efeito", afirmou. Dois anos depois, Oséas reincidiu no "crime" e fez outro gol contra quando jogava pelo Cruzeiro — de novo, de cabeça.
MAIOR GOL NÃO MARCADO - Pelé (Brasil)
Brasil 3 X 1 Uruguai (Copa do Mundo de 1970)
O Uruguai já estava batido, mas Pelé queria deixar seu gol na partida. No final, ele engana o goleiro Mazurkiewicz, passando por um lado e deixando a bola correr de outro. Mais à frente, ele pega a pelota e chuta para o gol. Caprichosa, ela raspa a trave. E sai.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

Como será a sala de aula do futuro?


Fernando Badô
Ela vai unir modernos recursos da informática com o melhor do design de ambientes para tornar o estudo mais dinâmico e atraente. Boa parte dos novos recursos já está no mercado, mas, como essa renovação tem um custo elevado, a revolução nas salas de aula acontece a conta-gotas. No Brasil, a maioria das instituições que testam essas novidades fica em São Paulo. Na capital, algumas faculdades já contam com as chamadas smart boards (em português, algo como "lousas sabidas"). São quadros inteligentes conectados a um computador que, além de manterem a velha função da escrita, também possibilitam que o professor selecione, exiba e modifique informações armazenadas no seu computador ou na internet. Isso quer dizer que já dá para turbinar as apresentações convencionais de telas do computador - aquilo que muita gente no mundo acadêmico ou dos negócios chama de data show. Do lado dos alunos, os cadernos logo se tornarão item de museu: eles serão substituídos pelos chamados tablet PCs, micros em forma de prancheta, conectados sem fio à rede de computadores da escola. Com eles, dará para fazer anotações na tela e acessar a internet. Mas a grande vantagem é que o conteúdo da aula ficará disponível para quem quiser - e a qualquer momento, porque as anotações do professor e dos alunos, as telas da "lousa" e o áudio das explicações poderão ser baixadas em casa via internet. Com tanta moleza, algum espertinho pode levantar a mão no fundo da classe e perguntar: "Ô, professor, quer dizer que eu nem preciso aparecer na escola? É só pedir para alguém responder a chamada por mim?" Devagar com a malandragem, pois a sala do futuro também poderá jogar contra você. Afinal, não é difícil que a lista de chamada seja aposentada e a presença passe a ser registrada por reconhecimento de impressão digital ou de retina...

Big brother escolar
Recursos da microeletrônica poderão aposentar caderno e caneta, mas aumentarão a vigilância sobre o aluno.
QUADRO DIGITAL
Esqueça o quadro-negro: a lousa do futuro, chamada de smart board, exibe o mesmo conteúdo que se vê na tela do micro. Até aí, nada de incrível - já dá para fazer isso com um projetor convencional. As diferenças começam com o sistema touch screen ("tela de toque"), que permite acessar arquivos ou links da internet apenas encostando na tela.
CARTEIRA SOB MEDIDA
Alunos quase nunca têm alturas e pesos iguais - por isso, as carteiras padronizadas de hoje são uma tortura para quem foge dos padrões de tamanho e gordura. Na sala do futuro, as cadeiras têm assento e encosto reguláveis. Como há pouca necessidade de canetas e cadernos, basta uma gaveta para manter a bagunça escondida.
OLHOS ELETRÔNICOS
As salas do futuro têm um quê de assustador: os alunos serão ainda mais vigiados que hoje. Microcâmeras fornecem imagens de tudo o que se passa no ambiente e, em tese, o administrador do sistema pode ver o que cada um escreve em seus tablet PCs. Não vai dar nem para fazer aquela caricatura maneira do professor que você odeia.
TUDO SE COPIA
Quando é necessário apagar a lousa, nenhuma das anotações é perdida. A tela é salva como arquivo digital e pode ser reacessada a qualquer momento. Se você perdeu alguma explicação importante, a fala do professor e as discussões em sala são gravadas por um microfone e podem ser convertidas em arquivos de áudio, como os de formato MP3.
CANETA INTELIGENTE
O software da lousa possibilita que o professor anote na tela usando canetas especiais, parecidas com pincéis atômicos comuns. A diferença é que elas "escrevem" em linguagem digital e podem ser apagadas com um comando na tela. E, com o mecanismo que reconhece palavras, a letra de mão pode ser convertida em fonte de computador.
CENTRO NERVOSO
Todas as informações da aula ficam guardadas em um servidor central, igual aos computadores com grande capacidade de armazenamento encontrados hoje em empresas. Ele permite o acesso à internet para todos os micros conectados a ele e possui espaço para salvar milhares de novos arquivos.
ESCRITA INFORMATIZADA
Em vez dos cadernos com folhas de papel, o aluno usa o chamado tablet PC, um micro em forma de prancheta conectado ao servidor central da escola. O estudante pode entrar na internet ou salvar anotações em sua pasta específica no servidor.
AULA PARTICULAR
Na hora de estudar em casa, o aluno pode acessar pela web todo o material da aula armazenado no servidor: o áudio do professor, as telas escritas na lousa inteligente e suas anotações no tablet PC. Colégios e faculdades também podem colocar no servidor arquivos extras e tarefas complementares.
CONTRA A COLA
O estudante do futuro vai usar a internet como ferramenta de apoio para completar pesquisas ou exercícios. Mas a festa acaba na hora da prova, quando o acesso à web ou outras fontes de cola pode ser bloqueado pelo professor.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

Quais são as drogas que causam crises de abstinência mais graves?


A heroína e outros derivados do ópio, como a morfina, costumam provocar os maiores estragos quando um dependente experimenta a chamada síndrome de abstinência - um conjunto de sintomas que aparece quando a pessoa interrompe ou diminui o uso da droga. "Isso acontece porque o organismo já estava acostumado a receber a droga e reage à retirada abrupta", diz o psiquiatra Cláudio Jerônimo da Silva, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). No caso da heroína, tudo indica que o mal-estar da abstinência é mais grave por causa da composição da droga, que age como sedativo no organismo. Além disso, a substância vicia muito rápido e age profundamente no sistema nervoso central, causando uma séria depressão após o uso. "Além da heroína, outras cinco drogas têm crises de abstinência com sintomas físicos claros: a nicotina, o álcool, o crack, os tranqüilizantes benzodiazepínicos, como Valium, e os barbitúricos, usados como remédios para dormir", diz o toxicologista Anthony Wong, da Universidade de São Paulo. Substâncias como a cocaína e a maconha também causam crises. A diferença é que seus sintomas não incluem reações físicas diretas, mas problemas como ansiedade, nervosismo e comportamento violento, por exemplo.
Lista sinistra
Tentativas de largar substâncias podem causar dores, depressão e até alucinações.
HEROÍNA
A droga vicia em apenas cinco doses e apresenta as crises de abstinência mais intensas, provavelmente por causa de sua composição e de seu efeito no sistema nervoso central. Junto com o mal-estar e a inquietação, a pessoa que pára de usar heroína tem aumento de pressão, dores musculares, insônia e vômitos.
COCAÍNA
A síndrome de abstinência tem três fases: primeiro vem a "fissura", a vontade de usar a droga. Depois, a pessoa passa por um estado de sonolência. Por último, aparecem os sintomas de depressão, como angústia e irritabilidade. A pessoa pode se tornar dependente a partir da quarta dose.
CRACK
Também derivada da pasta de coca, a versão fumável e mais barata da cocaína causa sintomas de abstinência bastante parecidos com os da sua versão em pó. A principal diferença entre as duas substâncias é que as pedras de crack viciam ainda mais rápido, arrastando o dependente para o buraco em apenas duas ou três fumadas.
ÁLCOOL
A dependência vem depois de um consumo constante por alguns anos, mas a síndrome de abstinência tem efeitos brutais. O dependente tem tremores, aumento da pressão, fica agitado e perde a clareza para avaliar as coisas. Nos casos mais graves, podem aparecer alucinações e delírios.
MACONHA
A síndrome de abstinência é um pouco mais leve que a das outras drogas, mas também pode incluir sintomas graves — os principais são ansiedade, perda da capacidade de concentração, insônia e mau humor. Parte dos médicos acredita que a maconha vicia depois de dois meses de uso constante.
CIGARRO
Apesar de legalizada, a nicotina — a droga-base do cigarro — tem um alto poder viciante: a dependência pode ter início se o usuário fumar dezenas de cigarros em uma semana. Quando tenta parar, a pessoa sente ansiedade, angústia e inquietação. No trabalho, são comuns as perdas de concentração e de atenção.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

Quais foram as maiores levas de imigração para o Brasil?


As principais levas de imigração para o Brasil ocorreram entre meados do século 19 e a primeira metade do século 20. "Portugueses, italianos, espanhóis, japoneses e alemães constituíram os principais fluxos em termos quantitativos", diz a socióloga Ethel Kosminsky, da Unesp de Marília (SP). A entrada no país de mais de 4 milhões de estrangeiros dessas nacionalidades teve dois momentos bem diferentes. Até a primeira metade do século 19, muitos vinham atraídos por terras oferecidas pelo governo brasileiro, principalmente para ocupar o sul do país. A partir de 1870, a coisa mudou. Nessa época, o principal produto de exportação do Brasil era o café, e sua produção baseada no uso da mão-de-obra escrava estava em crise - o tráfico de escravos já havia sido suspenso e a abolição total da escravatura viria em 1888. A saída encontrada pelo governo e pelos grandes fazendeiros para substituir os trabalhadores libertos foi incentivar a vinda de mão-de-obra de fora do país. Assim, a nova geração de imigrantes chegava não para ter sua terrinha, mas para trabalhar duro nas lavouras, principalmente em São Paulo. Para atrair os estrangeiros, pagavam-se as passagens de navios e eram oferecidos alojamentos temporários até o imigrante arrumar trabalho. No século 20, essa política de apoio à imigração passaria por altos e baixos. Em 1902, por exemplo, uma crise na indústria cafeeira levou à redução dos incentivos aos estrangeiros. Após a Primeira Guerra (1914-1918), porém, o fluxo migratório voltaria a crescer, dessa vez impulsionado também por trabalhadores de outras nacionalidades, como poloneses, judeus e russos. O período posterior à Segunda Guerra (1939-1945) seria marcado pela chegada de outro tipo de estrangeiro: os refugiados de países afetados pelo conflito, como chineses, que se deslocavam com a ajuda de organismos internacionais. A partir de 1960, outros povos, como bolivianos e coreanos, passaram a desembarcar aqui, mas o ritmo migratório para o Brasil já era bem menor e diminuiria ainda mais nas décadas seguintes.
Terra nostra
Italianos e portugueses foram os mais numerosos e alemães, um dos grupos pioneiros.
PORTUGUESES
Quantos vieram: mais de 1,6 milhão
Em que época: a partir da metade do século 19
É claro que os portugueses estão por aqui desde o descobrimento, mas os que vieram para o Brasil após nossa independência, em 1822, são considerados imigrantes. Eles se espalharam por todo o país, mas a maior concentração ocorreu no Rio e em São Paulo. O uso do mesmo idioma e a falta de crescimento econômico de Portugal no século 19 foram os principais motivos a incentivar a migração para o Brasil.
ITALIANOS
Quantos vieram: mais de 1,5 milhão
Em que época: a partir de 1870
Os primeiros a chegar vinham principalmente do norte da Itália. No século 20, porém, predominaram os imigrantes  vindo do centro-sul e do sul do país. São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais foram os principais destinos. A maior parte dos que se fixaram em São Paulo ganhou subsídios para vir trabalhar em lavouras ou como operários; já os do Rio Grande do Sul migraram por conta própria, tornando-se pequenos agricultores.
ESPANHÓIS
Quantos vieram: mais de 700 mil
Em que época: a partir de 1872
Os imigrantes espanhóis só foram menos numerosos que portugueses e italianos - entre as décadas de 1870 e 1970, representaram cerca de 14% dos estrangeiros que desembarcaram aqui, contra 31% de italianos e 31% de portugueses. Foi a colônia que mais se concentrou no estado de São Paulo e teve como principal ocupação o trabalho nas lavouras de café. Os espanhóis foram ainda os europeus que chegaram com mais crianças e grupos familiares.
ALEMÃES
Quantos vieram: mais de 200 mil
Em que época: a partir da primeira metade do século 19
Um dos primeiros grupos a chegar, os alemães - e cidadãos de outras nacionalidades de idiomas germânicos, como austríacos e suíços - se fixaram principalmente nos estados da região Sul. Muitos viraram pequenos proprietários rurais, ocupando terras oferecidas pelo governo. O período de maior desembarque de alemães no Brasil foi em 1920, quando a Alemanha estava destroçada pela derrota na Primeira Guerra.
TURCOS
Quantos vieram: mais de 50 mil
Em que época: a partir de 1870
Embora viessem principalmente da Síria, do Líbano e de outros pontos do Oriente Médio, esses imigrantes passaram a ser chamados de "turcos" no Brasil, pois na época tais regiões faziam parte do Império Turco-Otomano. A crise econômica do império - que logo se desmancharia, dando origem à República da Turquia - incentivou a migração. Aqui, a maior parte de sírios e libaneses se dedicou ao comércio e se fixou principalmente no estado de São Paulo.
JAPONESES
Quantos vieram: cerca de 250 mil
Em que época: a partir de 1907
No início do século 20, a Itália dificultou a migração subsidiada para o Brasil. Então, esse tipo de política se voltou para o Japão, que tinha interesse em exportar a mão-de-obra excedente no país. Entre 1932 e 1935, um terço dos imigrantes que entraram no Brasil eram nipônicos. Os estados preferidos foram São Paulo e, em menor escala, o Paraná. Chegaram para trabalhar em lavouras, mas aos poucos viraram pequenos agricultores.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

É verdade que um botão nos Estados Unidos é capaz de desligar toda a Internet do mundo?

Marina Bessa

Não. Nem os Estados Unidos têm tanto poder. A internet é uma rede muito complexa de computadores interligados por fios, satélites, cabos submarinos... Uma infra- estrutura enorme que permite a troca de informações e o contato entre pessoas de todo o planeta. Dentro desse sistema, existem "nós" centralizadores que se conectam com outros grupos. Seu computador aí na MTV, por exemplo, está ligado a uma máquina que recebe todos os fios dos micros da emissora. Esse sistema está ligado a um provedor ainda maior por meio de outras conexões. O provedor, por sua vez, se liga a outros "nós" dentro da cidade de São Paulo, que se ligam a outras cidades, estados, países e continentes, formando uma gigantesca teia mundial. Como hoje em dia estar conectado significa "dinheiro", as empresas tomam todos os cuidados para que não haja uma grande queda na rede de computadores. Uma das providências é ter mais de uma conexão, a chamada "redundância". "É como uma malha rodoviária bem planejada. Existem vários caminhos que ligam uma cidade à outra. Se um é interditado, continua havendo o outro, ainda que a via fique mais congestionada", afirma o físico Renato Franzin, do Laboratório de Sistemas Integráveis da Universidade de São Paulo (USP). Essas rotas alternativas virtuais podem ser mais longas e menos eficientes, mas também funcionam, evitando que um maluco qualquer paralise totalmente a internet com um simples apertar de botões. Essa preocupação com a segurança esteve presente desde os primeiros passos rumo à criação da rede mundial de computadores, nos anos 60, quando começavam a se interligar centros de pesquisa ao redor do planeta. Na pré-história da internet, se uma grande conexão fosse desligada, até era possível interromper boa parte da comunicação. Mas hoje em dia, Rafa, isso é praticamente impossível. Quem chega mais perto de provocar esse desastre tecnológico são os hackers, que espalham vírus capazes de tornar trechos da rede inoperantes. Mesmo assim, dificilmente 100% da internet seria interrompida.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

Como se tornar um detetive particular?


Helena Arnoni
O professor Cláudio Moreno falou na coluna ao lado sobre os investigadores das palavras. Aqui você vai descobrir como ser um detetive de verdade. Esse profissional soluciona casos de traição, localiza pessoas desaparecidas, desvenda crimes de caráter político, sem, porém, interferir nos casos policiais. "Eu diria que o meu relacionamento com a policia é como de um cidadão normal", afirma o detetive Sidnei Souza. Que tal seguir algumas pistas sobre essa carreira diferente e enigmática?
FORMAÇÃO
Graduação: um curso superior não é obrigatório, é importante que se faça o curso específico da área.
Outros cursos: os que formam detetives dão noções básicas sobre a profissão, mas o que conta mesmo é a prática e a experiência. Nos sites www.centralunica.com.br/curso.htm e www.detetivebareta.com.br há informações sobre cursos para a área.
O que se aprende: noções de direito criminal, varredura eletrônica, como usar fotografias nas investigações, técnicas de perseguição, como fazer relatórios...
TRABALHO
Área de atuação: como funcionário de agências de detetives ou como autônomo, oferecendo serviços terceirizados para essas agências ou diretamente aos clientes. Dá para trabalhar ainda em empresas, atuando principalmente no combate à espionagem industrial.
Dia-a-dia: a maioria das investigações é conjugal, mas os detetives também trabalham em empresas para descobrir fraudes — casos em que o domínio sobre temas econômicos e fiscais é fundamental.
Situação do mercado: nos últimos anos, o número de profissionais na área aumentou bastante. É possível comprovar isso nos anúncios publicados em jornais e revistas.
O que vale mais a pena: todo dia tem uma novidade, porque os casos e os clientes são diferentes.
Por que pensar duas vezes: ao mesmo tempo em que você ajuda algumas pessoas, pode prejudicar outras. Os detetives ganham por trabalho e em certas épocas, como de dezembro a fevereiro, há bem menos atividades.
REMUNERAÇÃO
Salário inicial: por volta de 1 500 reais por trabalho numa investigação particular.
Salário possível após dez anos:  em investigações para empresas, o valor pode chegar a 20 mil reais por trabalho, dependendo da equipe envolvida na investigação.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

Qual a origem do saci e de outros seres do folclore brasileiro?


Cíntia Cristina da Silva
Não dá para determinar com precisão a origem do saci e dos vários outros seres do nosso folclore. É que essas criaturas mágicas nasceram de um emaranhado de civilizações diferentes, unindo até mitos indígenas com lendas européias. Mas, segundo o grande folclorista Câmara Cascudo, que pesquisou a história dos mitos nacionais na obra Dicionário do Folclore Brasileiro, os primeiros relatos sobre o saci são do século 19. Comprovando que tais criaturas são fruto de uma grande mistureba cultural, Cascudo especula, por exemplo, que o gorro vermelho do saci possa ser uma herança romana, enquanto sua personalidade gozadora e zombeteira possivelmente seja uma influência do folclore português. É ainda mais difícil precisar a origem desses seres porque eles são apresentados de maneiras diferentes em cada região do Brasil. As descrições do curupira, por exemplo, uma  lenda muito difundida entre os índios, variam até mesmo dentro de um só estado. "É calvo, com o corpo cabeludo, no rio Negro (AM) (....) Dentes azuis ou verdes e orelhudo no rio Solimões (AM), sempre com os pés voltados para trás e de prodigiosa força física", escreveu o pesquisador e folclorista Barbosa Rodrigues. Esse relato, citado por Câmara  Cascudo no Dicionário do Folclore Brasileiro, dá uma bela amostra dessa confusão toda. O curioso é que algumas lendas indígenas, como a do boitatá e a da Iara, lembram lendas européias da Antiguidade - apesar de terem surgido bem antes de essas diferentes culturas se misturarem. "O mito é uma linguagem universal e as variações dele são expressões das formas inconscientes do espírito humano", diz a antropóloga Lúcia Helena Rangel, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Floresta encantada
Mitos como o do Boitatá também aparecem em países europeus.

IARA
Nas noites de Lua cheia, uma criatura de canto deslumbrante, metade mulher, metade peixe, se exibe nas pedras do rio Amazonas, alisando sua longa cabeleira com um pente de ouro. Apesar de lembrar o mito das sereias européias, a lenda da Iara (ou mãe-d’água) surgiu entre os índios. Ela também pode assumir a forma humana para seduzir suas vítimas e levá-las para o fundo do rio.

CURUPIRA
Na descrição mais comum, ele é um anão de cabelos cor de fogo, que tem os pés invertidos, com os calcanhares para a frente. A lenda do curupira é um mito dos índios tupis-guaranis e já era citada em textos  do padre José de Anchieta no ano 1560. A criatura é considerada um severo protetor das árvores das florestas.

SACI-PERERÊ
O menino negro de uma perna só é uma entidade zombeteira que costuma andar por florestas e fazendas criando confusão, assustando viajantes e aprontando outras traquinagens. Os primeiros registros sobre ele são do século 19. Um personagem similar - que às vezes era visível, outras vezes invisível - aparece também no folclore português.

BOITATÁ
Em 1560, o padre José de Anchieta também escreveu sobre esse "fantasma" que perseguia os índios. O boitatá era uma alma penada na forma de uma imensa serpente de fogo que punia com a morte quem destruísse as florestas. Esse é um mito comum a outros países, como França e Alemanha, pois corresponde ao fenômeno do fogo-fátuo - chama que emana do solo graças à combustão espontânea de alguns gases.

CAIPORA
Em algumas regiões do Brasil, as figuras do caipora e do curupira se confundem. Em outras, porém, este ser é apenas um parente do curupira. Por causa dessa "dupla personalidade", as descrições do caipora variam bastante. No Maranhão, ele é um índio escuro e rápido. No Ceará, tem cabelo eriçado e olhos de fogo. Quando não é confundido com o curupira, tem os pés normais e gosta de cachaça e fumo, além de proteger os animais.

MULA-SEM-CABECA
Nas noites de quinta para sexta-feira, a amante de um padre vira uma mula-sem-cabeça para pagar seus pecados. Ela lança fogo pelas narinas e pela boca - ué, não era sem cabeça?!. Acredita-se que o mito tem origem européia e que nasceu por volta do século 12, podendo ter sido inspirado no fato de os clérigos usarem a mula como meio de transporte antigamente. Essa lenda também é comum na Argentina e no México.

BOTO
Um boto (um tipo de golfinho) que frequenta a região amazônica se transforma em um rapaz bonito que adora dançar e beber cachaça. Ele frequenta bailes para seduzir as jovens locais. Depois de encantar uma moça, o boto a leva para um riacho próximo e a engravida. Os primeiros registros da lenda são do século 19. No folclore do Pará, o boto costuma ser responsabilizado pelas crianças que têm paternidade desconhecida.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

O que é uma geleira?


Danilo Reis Rolim
É uma enorme massa de gelo formada pelo acúmulo de neve. Também conhecidas como glaciares, as geleiras demoram bastante tempo para se formar: algumas delas só ganham seu tamanho final depois de 30 mil anos! A maior geleira do mundo fica na Antártida, ocupando uma área de 14 milhões de km2, ou mais que um Brasil e meio. É lá que se concentram 90% do gelo do planeta - outros 6% estão na Groenlândia, 3% nas ilhas do Ártico e 1% nas montanhas frias do globo. As geleiras podem ocorrer em áreas planas próximas aos pólos ou na forma de imensos rios de gelo que avançam lentamente pelos vales - um bom exemplo desse último tipo é o glaciar Perito Moreno, que descarrega o gelo da Patagônia em um lago na Argentina. Essa capacidade de movimento, aliás, é uma característica de todas as geleiras. Elas nunca estão paradas: ou descem morro abaixo pela ação da gravidade ou se espalham pelo solo com a força de seu peso. No caminho por onde passam, as geleiras desgastam as rochas como se fossem uma lixa, com mais rapidez e força que a água, por exemplo. Quando chegam até mares e lagos, elas dão origem a plataformas de gelo de onde se desprendem os icebergs, que até derreterem por completo podem ficar mais de dez anos viajando na água. Por falar em água, você sabia que as geleiras concentram 75% de toda a água doce do planeta? Se essa imensa reserva degelasse da noite para o dia, o nível do mar subiria cerca de 60 metros, inundando praticamente todas as cidades costeiras.
Glossário gelado
Entenda os termos glaciológicos e evite frias.
Bloco de gelo
É um pedaço de gelo flutuante, geralmente desprendido de um iceberg. Também pode ser um pedaço maciço de gelo marinho, formado pelo congelamento da água do oceano. Seu comprimento é inferior a 10 metros e sua altura não passa de 5 metros acima do nível do mar.
Iceberg
É uma grande massa de gelo flutuante ou encalhada que se desprende de uma geleira. É formado pelo acúmulo de neve e tem mais de 5 metros acima do nível do mar. Os maiores se soltam das plataformas de gelo antárticas — o recordista chegou a 26 mil km2.
Manto de gelo
É uma massa de neve e gelo muito espessa e com área maior que 50 mil km2. Eles podem estar apoiados sobre rochas ou flutuando sobre a água — nesse caso, eles são chamados de plataformas de gelo. Hoje, só existem dois mantos de gelo na Terra: o antártico e o groenlandês.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

Por que as câmeras de visão noturna têm imagens verdes?


Peraí: antes de mais nada, é bom dizer que nem toda câmera de visão noturna tem imagens verdes. Na verdade, existem duas tecnologias para "enxergar" no escuro. A primeira delas, chamada de imagem térmica, é menos comum e produz imagens em tons de cinza, como nas cenas de penumbra que a gente vê em programas como Big Brother. Aparelhos que usam esse sistema captam a chamada radiação infravermelha dos corpos, ou seja, o calor que toda pessoa ou objeto emite. Depois, eles convertem essa radiação emitida pelos objetos em luz visível. As imagens verdes vêm de câmeras que usam o realce de imagem, a tecnologia que você se acostumou a ver em coberturas noturnas de guerras. Esses modelos capturam as poucas partículas luminosas que existem no escuro, amplificam-nas e, por fim, projetam-nas em um monitor de fósforo (confira esse processo em detalhes no infográfico abaixo). Esse tipo de tela é parecido com os monitores dos computadores antigos. Você se lembra? Eles só conseguem exibir imagens verdes porque o fósforo das telas libera partículas luminosas apenas em tons dessa cor. Apesar de parecer meio ultrapassado, esse modelo de tela continua sendo usado até hoje porque o fósforo é um dos materiais mais sensíveis na projeção de imagens. Por isso, as cenas aparecem bem nítidas, ainda que sejam meio verdinhas. Por falar em verdinhas, é bom preparar o bolso se você quiser ser dono de um desses aparelhos. Afinal, uma câmera noturna amadora custa cerca de 4 mil reais.
Luz na escuridão
Aparelhos mais usados multiplicam a pouca luminosidade do ambiente para formar imagens.
1. As câmeras de visão noturna tradicionais utilizam como base o chamado processo de realce de imagem. O primeiro passo dessa tecnologia é capturar as poucas partículas de luz — os fótons — que existem em um lugar escuro e direcioná-las para um conversor, que transforma fótons em partículas elétricas, os elétrons.
2. Na etapa seguinte, as partículas elétricas chegam a um tubo intensificador de imagem. Quando os elétrons passam pelo tubo, eles colidem com os elétrons dos átomos presentes no interior do tubo. Com isso, a quantidade de elétrons que viaja se multiplica milhares de vezes.
3. No fim do tubo, esses elétrons colidem com uma tela revestida de fósforo. A energia gerada pela colisão "excita" o fósforo e faz com que ele libere novos fótons, em quantidade proporcional aos elétrons multiplicados. Esses fótons do fósforo são verdes, criando as imagens esverdeadas, mas nítidas.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

Como surgiu o costume dos biscoitinhos da sorte chineses?


O hábito de trocar biscoitos com mensagens desejando sorte e felicitações surgiu no século 13. Nessa época, grande parte da China estava tomada pelo império mongol, moldado pelo temível guerreiro Temudjin, mais conhecido como Gêngis Khan. Após muitos anos de dominação, os chineses sentiram que os conquistadores estavam enfraquecendo e resolveram que era hora de agir. O povo dominado lutou bravamente por muitos anos, porém, para acabar de vez com a ocupação mongol, faltava arquitetar uma estratégia comum a todos os comandantes revoltosos espalhados pelo imenso país. O plano até foi traçado, mas aí pintou outra grande dificuldade: como transmitir as ordens de batalha sem que os mongóis espalhados por toda China as interceptassem? Esse impasse foi resolvido quando alguém teve a idéia brilhante de camuflar os planos de batalha dentro de tradicionais bolos no formato de meia-lua. Os chineses sabiam que teriam grandes chances de evitar que a estratégia caísse em mãos inimigas porque os mongóis simplesmente detestavam o sabor daquele tipo de bolo. Todos os generais locais receberam a versão primitiva do biscoito da sorte com os planos de batalha e a China conseguiu se livrar dos velhos invasores. A partir de então, todos os anos, os chineses passaram a trocar bolos e biscoitos em formato de meia-lua e recheados com mensagens para comemorar a brilhante tática usada para expulsar os mongóis.
Sorte grande
Uma única empresa domina o produto no Brasil.
No Brasil, um fabricante chamado Hakuna Matata fornece o produto para os principais restaurantes e redes de comida chinesa. Ele vende cerca de 800 mil biscoitos da sorte por mês.
Num lado do papelzinho da sorte pode-se ler uma frase e no outro uma combinação numérica.
A massa da guloseima é inserida num forno. Quando está quase assada, ela recebe o papel com a sorte e uma máquina dá ao biscoito seu característico formato de meia-lua.
Os números são separados em dezenas e misturados em diversas combinações aleatórias - manualmente ou usado um programa igual ao das lotéricas.
As mensagens são pensamentos, provérbios ou até conselhos. Parte delas é traduzida de frases americanas, mas a maioria vem mesmo do I-Ching, um livro/oráculo oriental com mensagens simbólicas.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

Como é determinada a censura de um filme?


Na verdade, a censura acabou no Brasil em 1988. O que existe atualmente é o que o governo chama de classificação de filmes por faixas etárias. Parece apenas uma questão de semântica, mas não é. Hoje em dia, crianças e adolescentes fora da faixa de classificação de um filme até podem assisti-lo, desde que estejam acompanhados dos seus pais ou responsáveis legais. Mas o que é levado em conta na hora de classificar as fitas? Principalmente as pitadas de sexo, drogas e violência que foram colocadas na produção. Por exemplo: um filme que tenha cenas de sexo explícito ou consumo excessivo de drogas ilícitas será, invariavelmente, considerado inadequado para menores de 18 anos. Quem cuida dessa classificação, tanto para filmes como para peças de teatro, é o Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação, um órgão da Secretaria Nacional de Justiça, que por sua vez faz parte do Ministério da Justiça. "A classificação existe para proteger a criança e o adolescente de um conteúdo inadequado, tanto que o parâmetro para a avaliação é o Estatuto da Criança e do Adolescente", diz a jornalista Marina Oliveira, gerente de projetos da Secretaria Nacional de Justiça. Determinada a classificação, ela deve ser divulgada com destaque. Uma  longa inadequado para menores de 16 anos tem que apresentar essa recomendação no trailer de cinema, nos cartazes e em outros anúncios publicitários. Filmes e peças de teatro podem receber as seguintes classificações: livre, inadequado para menores de 10, 12, 14, 16 e 18 anos.
Cine prive
Departamento de Classificação tem sala de cinema própria para avaliar produções.
1. Antes de lançar um filme, seus distribuidores precisam exibir a produção para uma dupla de classificadores do Departamento de Justiça, Classificação e Qualificação, um órgão vinculado ao Ministério da Justiça, em Brasília - a classificação de uma peça de teatro é feita após a leitura da sinopse e do roteiro do espetáculo.
2. Nesse departamento, os próprios distribuidores projetam o filme para os dois classificadores (funcionários ou até estagiários do órgão), que avaliam a fita seguindo um manual interno e o Estatuto da Criança e do Adolescente.
3. Se o distribuidor não concordar com a classificação que o filme recebeu, ele pode recorrer - o que ocorre entre 5% e 8% das vezes. Aí o filme será exibido para uma nova dupla de classificadores. Se a decisão inicial for mantida, há ainda uma última chance: apresentar a fita para a própria secretária de Justiça do departamento.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

Qual é o maior animal terrestre?


Yuri Vasconcelos
É o elefante africano, um grandalhão que pode pesar até 8 toneladas e alcançar 4 metros de altura. Há cerca de 50 ou 60 milhões de anos, os ancestrais desse paquiderme, entre eles mamutes e mastodontes, podiam ser encontrados em quase todo o planeta e eram divididos em centenas de espécies. Hoje, restam apenas duas: o elefante asiático (Elephas maximus), que pesa em torno de 5,5 toneladas e mede 3 metros, e o africano (Loxodonta africana). O elefante é um dos animais mais curiosos do mundo por causa do seu porte avantajado e de sua longa tromba, que pode pesar até 200 quilos. Ela corresponde ao nariz e ao lábio superior do bicho e serve para cheirar, pegar objetos e alimentos e também beber água - o líquido é sugado com a tromba e depois jogado dentro da boca do animal. Outra curiosidade sobre o elefante é o seu período de gestação, o mais longo entre os mamíferos, durando em torno de 22 meses. Quando nasce, o filhote já é um peso pesado, podendo passar dos 100 quilos e medindo cerca de 90 centímetros de altura. O apetite do elefantinho impressiona: ele bebe mais de 11 litros de leite por dia! A maturidade sexual da espécie ocorre entre os 8 e os 12 anos de idade, época em que os machos abandonam a manada para formar novos grupos. Uma manada, aliás, reúne de 40 a 50 indivíduos e é liderada pela fêmea mais velha. Esse paquiderme é um animal pacífico, que só ataca quando se sente ameaçado. Ele não tem inimigos naturais, embora eventualmente algum filhote ou um indivíduo fragilizado possa ser atacado por leoas famintas. Mas a maior ameaça ao elefante é mesmo o homem, que caça o bicho para retirar suas presas feitas de marfim - substância usada na produção de delicados acabamentos e obras de arte e muito valorizada no mercado negro. Livre da ameaça humana, o animal consegue viver até 70 anos.
Nos passos dos elefantinhos
Um animal adulto pode comer 225 quilos de vegetais por dia e só dorme quatro horas.
AFRICANO OU ASIÁTICO?
Além do tamanho, a diferença mais visível entre o elefante africano e o asiático são as orelhas, que no primeiro são muito maiores. O asiático também costuma ser mais peludo e, no final da tromba, possui apenas um pequeno prolongamento - utilizado como pinça, para pegar objetos -, enquanto a tromba do africano tem dois prolongamentos.
RANGO DA PESADA
Um elefante passa boa parte do dia comendo. Estima-se que um adulto coma diariamente até 225 quilos (cerca de 6% de seu peso) de grama, folhas, frutas e outros vegetais. Todo esse alimento é fermentado por bactérias em seu aparelho digestivo, o que torna o paquiderme uma máquina animal de produzir "puns".
ONDE ACHÁ-LOS
Tanto o elefante  africano como o asiático preferem viver em savanas e selvas não muito densas. O asiático é encontrado principalmente na Índia e no Sudeste Asiático. Estima-se que existam 50 mil indivíduos da espécie. Já o africano pode ser visto em quase toda a África, exceto no deserto do Saara. Calcula-se que eles somem cerca de 600 mil animais.
DENTE SEM FIM
As presas de um elefante são seus dois dentes incisivos superiores. Juntas, elas pesam cerca de 200 quilos e são usadas para o animal se defender ou cavar o solo em busca de água. O elefante tem seis dentições e, ao contrário da maioria dos mamíferos (inclusive nós), os novos dentes não nascem de baixo para cima, mas de trás para a frente.
RUIM DE CAMA
Apenas quatro horas por noite, de maneira ininterrupta, dorme um elefante. Mas nunca todos os membros de uma manada fazem isso ao mesmo tempo. Na selva todo cuidado é pouco para não ser atacado por outro animal. Além disso, é desconfortável para o elefante ficar por muito tempo deitado no chão, por causa do seu corpo superpesado.
SEM MEDO D’ÁGUA
Apesar do corpanzil, ele é um nadador de primeira. Acredita-se até que elefantes tenham chegado à ilha do Sri Lanka, no sul da Índia, nadando a partir do continente asiático. Para se deslocar dentro d’água, ele "bate" suas quatro patas, mantém a boca abaixo do nível da água e usa a tromba como um snorkel para respirar.
BOM DE CUCA
O elefante tem ótima memória e é um dos animais mais inteligentes do planeta. Seu cérebro é maior que o de qualquer outro mamífero terrestre, pesando até 5,4 quilos. Embora grande em números absolutos, o órgão ocupa só uma pequena parte do crânio do animal e por isso é proporcionalmente menor que o cérebro humano.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

Qual é a hierarquia das Forças Armadas?


Marina Motomura
Há dezenas de cargos diferentes nas três instituições que cuidam da defesa do país - o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Como a estrutura das Forças Armadas é complexa, decidimos focalizar uma perna desse tripé a cada edição. Neste mês vamos explicar a hierarquia do Exército. Em agosto falaremos da Marinha e em setembro da Aeronáutica, combinado? Então, vamos lá: para começo de conversa, é bom saber que existem 19 cargos diferentes no Exército brasileiro. A base da pirâmide são os soldados. Depois, pela ordem, vêm os cabos, sargentos, tenentes, capitães, majores, tenentes-coronéis, coronéis e os generais. Essas patentes também possuem subdivisões - os sargentos, por exemplo, são classificados em primeiro, segundo e terceiro-sargento. Na carreira militar, as promoções são distribuídas de acordo com o tempo de carreira e o merecimento de cada um, tudo analisado em avaliações de desempenho. Em tempos de paz, o posto mais alto é o do general-de-exército, que chefia as tropas de todo o país. Em caso de guerra, cria-se um cargo especial, o marechal, que lidera o Exército na hora do conflito e responde diretamente ao presidente da República por suas ações. Historicamente, essa estrutura começou a ser desenhada no começo do século 20, sob a influência de duas forças armadas diferentes: a francesa, logo depois da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e a americana, na década de 1940. Nessa estrutura rígida, há espaço para as mulheres? Sim, mas elas ficam de fora da hierarquia. No Brasil, as mulheres só podem integrar as Forças Armadas em funções de apoio - por exemplo, como médicas e dentistas.
Ordem no quartel
Estrutura do exército brasileiro conta com 19 cargos diferentes.
Começando na carreira
Também chamado de "manga-lisa" por não ter nenhuma insígnia no uniforme, o soldado ocupa o posto mais baixo na hierarquia militar. Ao subir na carreira, ele obtém sua primeira graduação, tornando-se cabo.
Pau para toda obra
O taifeiro é o soldado que ajuda na cozinha, no refeitório e no almoxarifado. Há três graduações: taifeiro segunda-classe (mais baixa), taifeiro primeira-classe e taifeiro-mor (mais alta). O posto seguinte na carreira também é cabo.
Seção
Grupo de 6 a 12 soldados
Pelotão
Grupo de 16 a 36 soldados
As armas
São as subdivisões básicas da tropa do Exército. As que atuam diretamente em combates são a cavalaria, a infantaria e a artilharia.
Cavalaria
O nome remete aos cavalos, usados pelas tropas até o século 19. Hoje, a cavalaria é composta por tanques e carros blindados com grande potência de fogo.
Infantaria
É a arma composta pelos soldados que combatem a pé, usando de simples fuzis a mísseis de última geração.
Artilharia
É a área responsável pela operação de canhões, obuses (uma espécie de morteiro de guerra), foguetes e mísseis.
Esquadrão
Grupo de 3 pelotões (48 a 108 soldados)
Companhia
Grupo de 3 pelotões (48 a 108 soldados)
Bateria
Grupo de 3 pelotões (48 a 108 soldados)
Regimento
Grupo de 3 esquadrões (144 a 324 soldados). Ocupa um quartel.
Batalhão
Grupo de 3 ou mais companhias (144 a 324 soldados). Ocupa um quartel.
Grupo de Artilharia
Grupo de 3 baterias (144 a 324 soldados). Ocupa um quartel.
Brigada
Grupo que reúne regimentos, batalhões e grupos de artilharia (cerca de 3 mil soldados).
Divisão
Grupo de 2 a 5 brigadas (cerca de 10 mil soldados)
Região Militar
Grupo de uma ou mais divisões.
É o centro de controle que coordena a proteção das fronteiras do território, a mobilização das tropas, o transporte de suprimentos e toda a administração dos quartéis. Há 12 regiões militares no Brasil — a maioria ocupa mais de um estado.
Comando Militar
Grupo de uma ou mais regiões militares.
É o centro de onde se supervisionam as missões da tropa. Nas suas atribuições estão o planejamento das ações do Exército e o preparo dos soldados de sua área. No Brasil, há sete comandos militares.
Exército brasileiro
Conjunto dos 7 comandos operacionais — ou seja, todas as tropas do país.
Hierarquia Quem comanda as subdivisões
• Soldado
• Taifeiro
• Cabo (nenhum dos três exerce função de comando)
• Terceiro-sargento
• Segundo-sargento
• Primeiro-sargento (cuida de tarefas administrativas)
• Subtenente
• Aspirante
• Segundo-tenente
• Primeiro-tenente
• Capitão
• Major (comanda  companhias, esquadrões e baterias de elite, subordinadas diretamente ao comando militar).
• Tenente-coronel
• Coronel
• General-de-brigada
• General-de-divisão
General-de-exército
• General-de-exército  escolhido pelo Presidente da República.
Fora da hierarquia
O Ministro da Defesa é uma espécie de diretor-administrativo das Forças Armadas. Como se trata de um cargo político, ele não precisa ser militar. Suas funções são integrar Exército, Marinha e Aeronáutica, planejar o orçamento militar e coordenar a participação em operações de paz.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

O que acontece se uma aeronave receber um raio em pleno vôo?


Para começar, as chances de um helicóptero - ou de um avião - virar churrasquinho aéreo são muito pequenas. Vá lá, são um pouquinho  maiores que o azar de um relâmpago tostar um de nós em terra firme, mas, mesmo assim, ainda muito raras. Em todo caso, se essa tremenda zica acontecer, provavelmente a aeronave vai escapar ilesa. Isso porque a fuselagem de helicópteros e aviões fica protegida por um revestimento de metal - normalmente, o alumínio -, que funciona como uma blindagem para a cabine da aeronave. Como o metal é um bom condutor de eletricidade, a corrente elétrica irá contornar a fuselagem, dando a volta por fora antes de chegar ao chão. Como o relâmpago sofre esse desvio, a aeronave continua firme e forte e os passageiros ficam em segurança. Essa técnica de proteção é conhecida como "gaiola de Faraday", em homenagem ao físico inglês Michael Faraday. "Dizem que, para demonstrá-la, ele colocou o filho recém-nascido numa gaiola metálica, mas sem contato com ela. Depois, submeteu a jaula a uma descarga elétrica de milhares de volts. O menino saiu são e salvo", diz o físico Cláudio Furukawa, da Universidade de São Paulo (USP). A coisa fica complicada quando a descarga atinge partes que não fazem parte da tal gaiola de proteção, como turbinas ou tanques de combustível. Aí, podem ocorrer explosões e incêndios. Por sorte, hoje essas partes são bem protegidas e isoladas por por uma dupla camada de metal, que cria uma espécie de "minigaiola". Outro fator que pode aumentar um pouco o risco de tomar um relâmpago é voar em altitudes abaixo de 1 800 metros, como fazem os helicópteros. Nessa área, a incidência de raios geralmente é maior. Pelo mesmo motivo, a hora da aterrissagem ou da decolagem é a mais perigosa para os aviões. Por isso, os aeroportos costumam ficar fechados durante as tempestades elétricas.
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O que é a Volta da França?


Artur Louback Lopes
É a mais tradicional e popular prova de ciclismo do mundo. Realizada pela primeira vez em 1903 e interrompida apenas durante as guerras mundiais, a Volta da França atrai 15 milhões de fãs ao longo do percurso e 2 bilhões de espectadores nas transmissões pela TV. Para quem compete, a parada é duríssima: a disputa é considerada a mais difícil do planeta. Na edição de 2004, que começa no dia 3 deste mês, os atletas que cruzarem a linha final no Arco do Triunfo, em Paris, terão vencido 3 395 quilômetros em 23 dias. Das 21 etapas, seis serão disputadas em terrenos montanhosos, entre os Pirineus e os Alpes. "A combinação de distância, relevo e qualidade técnica dos atletas dá a dimensão da dificuldade da prova", diz o ciclista Mauro Ribeiro, que venceu uma etapa da Volta em 1991 e terminou em 47º na classificação geral, o melhor desempenho de um brasileiro até hoje. Na maioria das etapas, a regra é simples: todo mundo larga junto e vence quem chegar primeiro. Mas a Volta ainda tem as chamadas provas "contra o relógio", etapas em que cada um dos ciclistas sai sozinho para tentar fazer o menor tempo possível. Nessas provas, cada segundo a menos faz diferença na pontuação final. Em 2004, o desafio é interromper o reinado do americano Lance Armstrong. Vencedor das últimas cinco edições, ele tenta ser o primeiro atleta a conquistar o hexacampeonato, deixando para trás os lendários pentacampeões Jacques Anquetil e Bernard Hinault, da França, Eddy Merckx, da Bélgica, e Miguel Indurain, da Espanha. A Volta deste ano também tem uma herança triste: ela será a primeira após a morte do italiano Marco Pantani, último campeão antes de Armstrong, em 1998. No começo do ano, Pantani caiu em depressão e tomou uma overdose letal de cocaína.
Rolé radical
Durante 23 dias, 189 bikers lutam para vencer mais de 3 mil quilômetros de prova.
Campeões coloridos
Os ciclistas que mais se destacam usam camisetas diferentes do resto do pelotão. A amarela identifica o atleta com o menor tempo na soma das etapas — o campeão veste essa camisa no final. A branca tem a mesma função, mas é só para atletas até 25 anos. A verde vai para quem acumula mais pontos em trechos selecionados pela organização. Por fim, a branca e vermelha premia o melhor nas provas de montanha.
Magrela mesmo
Superleves, as bicicletas de competição são feitas de fibra de carbono ou alumínio. Mas essa magreza tem seus problemas: para a segurança dos atletas, a União Ciclística Internacional proíbe bicicletas com menos de 6,8 quilos. Uma bike completa para a Volta da França, com um câmbio de nove ou dez velocidades, não sai por menos de 20 mil dólares.
Dos Alpes para o mundo
Filmada por câmeras espalhadas pelo trajeto e em helicópteros, a Volta da França é transmitida por 75 canais de televisão do planeta — no ano passado, 21 deles mostraram imagens ao vivo da prova. Ao todo, cerca de 1 200 jornalistas cobrem o evento, representando mais de 500 órgãos de imprensa.
Todos por um
Os competidores se agrupam em equipes para disputar a Volta. São times de nove atletas, com três tipos de ciclistas: os velocistas, que pedalam rápido, os escaladores, especialistas em trechos de montanha, e os passistas, bons nas provas contra o relógio. Cada equipe atua em função do seu atleta mais forte. O pentacampeão Lance Armstrong, por exemplo, conta com três escaladores para ditar o ritmo nas subidas.
Apoio na estrada
Além de nove atletas, uma equipe conta com mais sete pessoas: dois mecânicos, dois massagistas, um médico, o técnico e o diretor de equipe. Eles acompanham os ciclistas em furgões, onde carregam suplementos alimentares e energéticos, kit de primeiros socorros, ferramentas, peças de reposição e bikes reservas.
Animação controlada
Ao longo dos mais de 3 mil quilômetros do percurso, cerca de 15 milhões de pessoas acompanham a prova na beira da pista. Para conter a euforia dessa multidão, a segurança da prova é garantida por 12 mil soldados, 9 mil policiais e 45 agentes de moto.
Trajeto complicado
Trechos de montanha são os mais difíceis.
Extensão total - 3 395 km
Duração - 23 dias (com 2 dias de descanso)
Número de participantes - 189 ciclistas
Número de etapas - 21 (11 em relevo mais plano, 6 de montanha e 4 contra o relógio)
Subida na marra
Na prova de 2004, a etapa mais radical será nos Alpes Franceses, entre as cidades de Bourg d’Oisans e L’Alpe d’Huez. Em apenas 15 quilômetros de estrada, os ciclistas precisarão vencer uma subida de 1 100 metros. Cada atleta enfrentará essa  barra sozinho, em uma prova contra o relógio, lutando para fazer o menor tempo possível.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

O que é o orkut? Como ele surgiu?


O orkut é um site (www.orkut.com) que funciona como uma rede virtual de relacionamentos. Essa nova moda da internet é bem recente: no início de 2004, um funcionário do Google, o programador Orkut Buyukkokten, pôs no ar um protótipo do site. A onda pegou rápido e se tornou uma grande teia de pessoas, ligadas por amizades que geralmente começaram fora da internet. Os brasileiros curtiram a novidade: no começo de junho, nosso país estava em segundo lugar no total de usuários (25,9%), atrás apenas dos Estados Unidos, com 33,2%, e bem à frente do terceiro colocado, a Índia, com 3,9%. Baseado na velha idéia de que uma pessoa pode chegar a outra qualquer passando apenas por outras seis - os "seis graus de separação" -, o orkut serve para expandir seu círculo social. Como fazer isso? Acrescentando amigos à sua rede, xeretando os perfis de outros "orkuteiros", como são chamados os usuários do site, e inscrevendo-se nas comunidades de pessoas com os mesmos interesses - podem ser esportes, novelas ou qualquer hobby. Mas esse mundinho à parte tem uma etiqueta rígida. Primeira regra: para entrar no orkut, você deve ser convidado por um amigo já cadastrado. Além disso, é preciso ter mais de 18 anos, cadastrar-se com o nome completo e não mentir nos dados pessoais. Para os adeptos das teorias da conspiração, o site é apenas mais um passo na estratégia do gigante Google para dominar o mundo. Como o orkut é afiliado ao Google, a equipe do campeão de buscas da internet tem total acesso aos dados fornecidos pelos usuários do site, incluindo idade, comida preferida e tipo de namorada ideal - os caras têm até mesmo o direito de usar a sua foto. Ninguém reclamou até agora, mas é bom ficar de olhos bem abertos.
Segredos da mania
Site tem espaço para fotos, mural de recados e recursos para facilitar a azaração.
Massagem no ego
Uma das novidades do orkut são os "índices de popularidade". Dá para enviar (e receber) corações para quem você acha sexy, mandar um cubo de gelo para uma pessoa legal — por causa do termo inglês cool (que pode significar tanto "frio" como "bacana") —, sorrisos aos amigos confiáveis e estrelas para aqueles de quem você é fã.
Rede de interesses
O site conta com milhares de comunidades virtuais. Os fãs de Mundo Estranho podem começar a teclar: criamos uma comunidade para discutir a revista no endereço www.orkut.com/Community.aspx?cmm=94052. Para acessá-la, você precisa estar cadastrado no orkut ou ser convidado por algum amigo.
Diga "xis"
À moda dos fotologs, o orkut permite que cada usuário crie seu álbum de fotos, com direito a legendas. O tamanho máximo das fotos é 5 megabytes. Mas atenção: não pode publicar fotos de nudez ou imagens com direitos autorais.
Bancando o cupido
Para unir as almas gêmeas da internet, o orkut possui a chamada crush list ("lista de atração"). Se você adicionar uma gata à sua lista e ela fizer o mesmo com você, o Orkut manda uma mensagem avisando os dois da feliz coincidência.
E-mail na faixa
Os usuários têm direito a uma espécie de caixa postal para receber e mandar pequenos e-mails. Há ainda o scrapbook ("livro de recortes"), um mural onde você pode mandar mensagens para todo mundo ler.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

Por que a Primeira Guerra começou?


Roberto Navarro
A gota d’água para o conflito travado entre 1914 e 1918 foi o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando. Ele era herdeiro do trono austro-húngaro, um império que abrangia as atuais Áustria e Hungria, além de partes da Romênia, República Checa e Eslováquia, entre outras regiões. O arquiduque e sua esposa, Sofia, foram mortos em Sarajevo, na província da Bósnia, no dia 28 de junho de 1914 por um ativista sérvio. Após o crime, o Império Austro-Húngaro culpou a Sérvia por não ter evitado o atentado e declarou guerra ao país no dia 28 de julho. Mas é claro que não foi apenas esse assassinato que botou o mundo em guerra. O episódio serviu mais como uma boa desculpa para várias potências européias resolverem velhas rixas. "A guerra na realidade foi sendo maturada ao longo das transformações nas economias européias, que fortaleceram as nações, estimularam sua militarização, levaram ao acirramento das disputas por mercados e à formação de novas alianças políticas", afirma a historiadora Denise de Moura, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Franca (SP). Nessa época, por exemplo, a Alemanha encrencava com França e Inglaterra por áreas coloniais; a Rússia, por sua vez, incentivava a independência de províncias anexadas pelo Império Austro-Húngaro. Nesse clima de hostilidade geral, os russos se aliaram à Sérvia após o assassinato do arquiduque e entraram em estado de guerra contra os austro-húngaros. Os alemães deram o troco e declaram apoio ao império que perdeu seu herdeiro. A partir daí, num grande efeito dominó, franceses, ingleses e turcos também tomaram partido na coisa. De um lado, ficaram os Aliados: Inglaterra, França, Itália, Estados Unidos, Sérvia e Rússia; do outro os impérios centrais: Alemanha, Império Austro-Húngaro, Império Turco-Otomano e Bulgária. O conflito só terminaria em 1918, com a vitória dos Aliados, e após a morte de pelo menos 15 milhões de pessoas.
Estopim nos Bálcãs
Um atrapalhado plano de assassinato na Bósnia deu início ao grande conflito.
1. Ao ser anunciada a visita do arquiduque Francisco Ferdinando a Sarajevo, vários estudantes planejam um atentado. A cidade fica na Bósnia, província anexada pelo Império Austro-Húngaro, que tem Ferdinando como herdeiro do trono. Os conspiradores são apoiados pela Mão Negra, sociedade secreta que defendia a unificação da Sérvia com outras províncias dos Bálcãs.
2. Assim que chega à cidade, em 28 de junho de 1914, a comitiva do arquiduque é alcançada por um dos conspiradores. Ele tem uma pistola, mas não chega a sacá-la, desistindo do ataque por motivos desconhecidos. Pouco depois, um segundo conspirador se aproxima, mas também desiste, supostamente por ter ficado com pena de ferir a mulher do arquiduque, Sofia.
3. Um terceiro atacante, porém, não dá para trás. Nedjelko Cabrinovic lança uma bomba contra a comitiva. Entretanto, ele erra o alvo, a bomba passa por cima do carro do arquiduque e explode embaixo do veículo que vinha atrás. Ferdinando e seus acompanhantes próximos não são atingidos, mas um membro da comitiva é ferido e hospitalizado.
4. Após o incidente com a bomba, o arquiduque decide cancelar os compromissos restantes na cidade. Mas, no meio da confusão, ocorre um mal-entendido quanto à nova rota a ser seguida. O motorista de Ferdinando acaba se perdendo nas ruas de Sarajevo.
5. Numa incrível coincidência, ao rodar pela cidade, o carro com o herdeiro do trono austro-húngaro pára ao lado de um quarto conspirador, o sérvio-bósnio Gavrilo Princip, um estudante de 19 anos, cheio de ideais nacionalistas sobre a unificação de uma grande Sérvia.
6. Armado com uma pistola, Princip salta à frente do carro e mata o arquiduque e sua mulher  depois, o assassino diria que não pretendia atirar nela, mas sim num governador militar da Bósnia que acompanhava o casal. Gavrilo Princip é  preso e condenado a 20 anos de prisão, mas morre por complicações de uma tuberculose no dia 28 de abril de 1918, sete meses antes do final da guerra que ajudou a iniciar.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

Por que o time argentino Boca Juniors tem esse nome?


O nome é uma homenagem a La Boca, o bairro onde o clube foi fundado, na periferia de Buenos Aires. O lugar, por sua vez, ganhou esse apelido porque a região fica na junção entre os rios da Prata e Riachuelo, que formam uma espécie de "boca" ao se encontrarem. O sobrenome "Juniors" tem uma outra origem. Para suavizar a relação do clube com a imagem barra-pesada do bairro, os fundadores decidiram adicionar ao nome a palavra inglesa "Juniors", tida como mais requintada. Mistureba maluca, né? A maioria dos times do mundo, porém, não tem uma história tão exótica assim. Existem clubes que exaltam figuras históricas - o Vasco da Gama é o mais famoso deles. Outra parcela escolheu tirar seus nomes do local de fundação, seja um país, uma cidade, um estado ou um bairro. Fazem parte desse bolo o Santos, o São Paulo, o Coritiba, o Flamengo, o Fluminense, o Porto (Portugal), o Barcelona (Espanha) e todos os Américas espalhados pelo continente. Um terceiro grupo atende pelos chamados nomes "universais"  de clubes, muito tradicionais no mundo da bola. Nessa categoria, encaixam-se os brasileiros  Grêmio, Internacional e Sport, a italiana Internazionale e o francês Olimpique. Um quarto conjunto de times reúne essas palavras universais e a referência geográfica no mesmo nome: Real Madrid (Espanha), Manchester United (Inglaterra) e os diversos Atléticos do mundo. No batismo de um novo clube, vale tudo - e, como muitos nomes surgem na mesa de bar ou no final de um bate-bola, não dá para esperar muita criatividade. O Corinthians, por exemplo, é uma homenagem à equipe inglesa de mesmo nome que excursionou pelo Brasil em 1910. Já o arqui-rival Palmeiras ganhou o nome definitivo durante a Segunda Guerra Mundial, pois até então se chamava Palestra Itália. Na época, o governo do presidente Getúlio Vargas posicionou-se contra o Eixo, formado por Alemanha, Japão e Itália. Como ele ameaçou confiscar os bens das instituições cujos nomes lembrassem esses países, os pioneiros decidiram mudar o nome do clube, mas mantiveram o "P" no distintivo para homenagear a extinta Associação Atlética das Palmeiras, equipe amadora onde alguns deles haviam jogado.
Esquadrões esquisitões
Nomes de guerreiros, batalhas, bairros e até cervejarias batizam famosos clubes de futebol.

AJAX (Holanda)
O nome do atual campeão holandês foi inspirado no mitológico guerreiro grego Ájax, retratado no poema épico Ilíada, de Homero. Tido como o mais poderoso guerreiro depois de Aquiles, Ájax teria sido um dos líderes do exército grego na Guerra de Tróia, mas teria enlouquecido e se matado depois de perder uma batalha para Odisseu.

AVAÍ (Brasil)
O time mais popular de Florianópolis não tem nada a ver com o 50º estado americano. O nome é uma homenagem a um episódio da Guerra do Paraguai, a "Batalha do rio Avaí". A ata de criação do clube já havia sido assinada, mas ele ainda não tinha nome. Foi quando um dos fundadores lembrou  do conflito em um livro de história que acabara de ler. Impressionados, os colegas aceitaram a sugestão.

BOTAFOGO (Brasil)
O nome do clube veio do nome do bairro carioca — que veio de onde? A calma enseada do lugar foi colonizada pelo armador português João Pereira de Souza Botafogo, no século 16. O gajo, por sua vez, acrescentou o "Botafogo" ao sobrenome em homenagem ao navio de guerra São João Batista, chamado popularmente de "Botafogo" em alusão ao seu poderio militar.

BAYER LEVERKUSEN (Alemanha)
Em 1904, os funcionários bons de bola da Bayer, uma gigante do setor farmacêutico, criaram um time com o nome da empresa na cidade de Leverkusen. O Bayern de Munique, outro grande clube alemão, surgiu antes do Bayer e não tem qualquer ligação com a fabricante da aspirina. "Bayern" é a tradução alemã de Bavária, estado cuja capital é Munique.

BORUSSIA DORTMUND (Alemanha)
Esse clube alemão deve o nome a uma rebeldia etílica. Em 1909, um time formado por 18 jovens católicos da cidade de Dortmund rompeu com a paróquia que freqüentavam e fundou a equipe. Só para provocar o padre, o nome foi inspirado na cervejaria Borussia, onde eles costumavam tomar umas geladas depois do jogo.

PONTE PRETA (Brasil)
O nome nasceu a partir de uma ferrovia que cortava o interior de São Paulo, construída no final do século 19. Para que ela passasse por um dos bairros de Campinas, foi preciso erguer uma ponte de madeira, enegrecida com piche para melhorar a conservação. Essa "ponte preta" deu nome ao bairro onde um grupo de boleiros fundou um dos primeiros clubes do país, em 1900.

NEWELL’S OLD BOYS (Argentina)
O time nasceu no colégio Anglo-argentino, na cidade de Rosário. Logo que assumiu a direção da escola, Cláudio Newell batizou a equipe de Newell’s Old Boys (em tradução livre, "Os velhos meninos de Newell"), um tributo ao pai Isaac Newell. O sobrenome inglês lembra a terra natal dos ancestrais de Cláudio.

RIVER PLATE (Argentina)
O maior rival do Boca Juniors também surgiu na confluência dos rios da Prata e Riachuelo, em Buenos Aires. Antes de uma pelada nas docas, um jogador observou marinheiros ingleses desembarcarem enormes caixas com a inscrição "The River Plate" ("O Rio da Prata"). O nome pegou  e o River, apesar de ter mudado do bairro, segue como inimigo nº 1 do Boca.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004

Algum dia a população mundial irá diminuir?


Por enquanto, não. A população do mundo só vai diminuir quando a equação de nascimentos e óbitos se inverter. Ou seja, precisa morrer mais gente do que nasce. "Não é impossível que isso aconteça, mas serão necessários muitos anos para vermos essa transformação", afirma o demógrafo Carlos Eugênio de Carvalho Ferreira, da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), de São Paulo. Hoje, o mundo tem cerca de 6,3 bilhões de pessoas, uma multidão que aumenta a uma taxa de 1,2% ao ano. Pelos cálculos da Organização das Nações Unidas, a ONU, o crescimento populacional vai desacelerar um pouco nas próximas décadas: por volta de 2050, o índice de crescimento deve estar por volta de 0,3% ao ano. Essa mudança se deve basicamente à diminuição do número de filhos por mulher, principalmente nos países desenvolvidos, e ao aumento da mortalidade nos países afetados pela epidemia de aids. Mesmo com a redução do crescimento, é bem mais difícil que a população encolha em números absolutos. "O que dá para observar é que o crescimento populacional negativo está relacionado à riqueza econômica do país e às altas taxas de escolaridade. Esse panorama, evidentemente, não existe em boa parte do mundo subdesenvolvido", diz o geógrafo Álvaro Luiz Heidrich, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Como o planeta pode esvaziar
Controle rígido de natalidade, epidemias e envelhecimento "ameaçam" a superlotação da Terra.
Velhice crônica
Na Europa, a população idosa aumenta há 30 anos. Com bons serviços de saúde e saneamento, a mortalidade caiu e a expectativa de vida cresceu. Para completar, a taxa de nascimentos por lá anda em baixa. Com tudo isso, a população européia deve encolher a uma taxa de -0,09% ao ano até 2015. É o único continente do mundo em que morre mais gente do que nasce.
Gravidez cara
Na China, o governo adotou uma política radical de planejamento familiar a partir de 1980. Em regiões superpovoadas, como na capital Pequim, os casais eram "incentivados" a ter apenas um único filho. Quem não obedecesse à regra teria prejuízo financeiro pagando impostos mais altos, por exemplo. A solução autoritária deu certo: hoje, o crescimento populacional do país é de apenas 0,6%, metade da média mundial.
Surto cruel
Na África, a epidemia de aids é responsável pelo aumento da mortalidade na chamada "África negra", o conjunto de nações que ocupam a porção centro-sul do continente. Os 38 países que sofrem com a doença terão uma redução de 10% na população até 2010. A situação é ainda mais grave em nações como Botsuana, Lesoto, África do Sul e Suazilândia, onde a aids atinge um quinto dos habitantes.

Revista Mundo Estranho Edição 29/ 2004