Na prática, nenhuma. "O vocabulário é o mesmo, a grafia
das palavras e as regras gramaticais também. A diferença é que os termos
surgiram em épocas diferentes", diz a lingüista Neide Maia González, da
Universidade de São Paulo (USP). A palavra castelhano é mais antiga. Ela
remonta ao reino de Castela, na Idade Média, quando a Espanha ainda não
existia. Quando o país começou a se consolidar, no século 13, o reino de
Castela se impôs aos outros territórios da região que hoje formam a Espanha.
Por causa dessa liderança, o castelhano, um dialeto com forte influência do
latim, acabou sendo adotado como língua oficial do novo país em 1492, com a
unificação dos reinos que correspondem à Espanha atual. A razão por que alguns
países optam por chamar o idioma de castelhano e outros de espanhol é apenas
política: você dificilmente vai ouvir um argentino dizendo que fala espanhol, já
que o nome remete ao período colonial. "Por esse motivo, o termo
castelhano é mais usado na América do Sul. Já o espanhol é comum no Caribe, no
México e nas áreas de fronteira com outra grande língua, o inglês. Na Espanha,
o uso dos termos depende da região: no norte, as pessoas se referem à língua
como castelhano. Na Andaluzia e nas ilhas Canárias, o idioma é chamado de
espanhol", afirma outro linguista, Francisco Moreno Fernández, diretor do
Instituto Cervantes, nos Estados Unidos.
Revista Mundo Estranho Edição 28/ 2004
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