Se você pensa que são aqueles pontinhos pretos no meio da
fruta, se enganou. Na verdade, as variedades de banana mais consumidas não
possuem sementes. "Os pontinhos pretos são apenas óvulos não-fecundados da
flor da bananeira", afirma o engenheiro agrônomo Oscar Ramon Pena Bendeck,
da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba (SP).
Bananas com sementes são um privilégio das espécies selvagens, que no Brasil
podem aparecer em regiões litorâneas de Mata Atlântica. "Um aluno meu
encontrou uma dessas na Serra do Mar, em São Paulo. Quando mordeu a fruta,
quase perdeu os dentes: ela estava cheia de sementes", diz o biólogo
Marcos Arduin, da Ufscar. Os tipos tradicionais, entretanto, reproduzem-se pela
chamada propagação vegetativa, onde os brotos das novas plantas surgem a partir
da planta-mãe. No caso das bananas, eles aparecem do chamado rizoma, uma
estrutura na base da bananeira de onde saem as raízes e o caule.
A grande vantagem
desse tipo de reprodução é que a muda atinge a fase adulta em muito menos tempo
que as frutas que começam a crescer a partir de uma semente. "Mas a maior
desvantagem é que todas as bananeiras serão idênticas à planta-mãe. Se a planta
que deu origem aos brotos for suscetível a doenças, as descendentes também
serão", afirma outro engenheiro agrônomo, Adriano Stephan Nascente, da
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Rondônia. Para a
banana, o problema é especialmente grave, pois fungos que causam doenças já
reduziram drasticamente a produtividade das plantações de banana-prata e
banana-maçã na Ásia, África, América Central e norte do Brasil. A situação é
tão perigosa que, no início deste ano, um grupo de cientistas belgas alertou
que a fruta pode sumir em dez anos. Como os microrganismos sobrevivem à maioria
dos pesticidas, a melhor saída é cruzar diferentes espécies para obter
variedades imunes aos fungos."Até agora, os pesquisadores já produziram vários tipos resistentes à doença, mas com sabor um pouco diferente das variedades mais consumidas", diz Adriano.
Revista Mundo Estranho Edição 18/ 2003
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