quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Marc Bloch vai pro Panteão ou não vai?


Lúcia Monteiro
Franceses debatem se historiador pode virar herói.

De tempos em tempos, os franceses se envolvem em campanhas para transferir o corpo de alguém para o Panteão, monumento inspirado nos templos homônimos grego e romano. Agora, o debate gira em torno do historiador Marc Bloch, morto em 1944, aos 57 anos.
Ser sepultado no Panteão é o equivalente a ser transformado num grande herói francês. O monumento, erguido no século 18 por ordem do rei Luís XV, tem hoje 73 túmulos. O último “grande homem” a ter os restos mortais transferidos para lá foi o escritor Alexandre Dumas, em 2002.
O processo para a “panteonização” costuma ser longo e depende do aval do presidente. Ter prestado um grande serviço à nação e estar morto há pelo menos 10 anos são as condições principais.
Marc Bloch lutou voluntariamente nas duas Grandes Guerras e, durante a ocupação alemã da França, foi preso e assassinado pela polícia nazista. Suas anotações do período da guerra foram reunidas pelo filho em L’histoire, la Guerre, la Résistance (“A história, a guerra, a resistência”, inédito em português).

Túmulo para poucos
Alguns dos grandes nomes sepultados no monumento.

Voltaire (1694-1778)
Por suas posições anticlericais, o escritor não teve direito a cortejo quando morreu. Mas seus restos mortais foram transferidos ao Panteão em 1791 com pompa.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)
O suíço, uma das principais inspirações da Revolução Francesa, foi “panteonizado” em outubro de 1794.

Victor Hugo (1802-1885)
O escritor republicano foi levado ao Panteão uma semana após sua morte num cortejo seguido por 1 milhão de pessoas.

Pierre (1859-1906) e Marie Curie (1867-1934)
Os caixões do casal de cientistas responsáveis pela descoberta da radioatividade foi transferido em 1995 por 12 estudantes.

Aventuras na História n° 036

 

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