Leandro Narloch
Dez momentos da
relação que o homem tem com o sexo.
É difícil de imaginar, mas as posições sexuais e a escolha
das pessoas que levamos para a cama têm história de milhares de anos. Os tabus
de hoje foram construídos aos poucos. O comportamento sexual de cada época
mostra como as sociedades antigas pensavam e como o sexo foi influenciado por
mudanças sociais.
Século 5 a.C. - Virgindade
Entre os gregos, mulheres aparecem em desenhos só em
posições inferiores, o homossexualismo era amplamente aceito e havia
prostitutas sagradas. É deles a raiz do conceito de virgindade, cujo símbolo
era Ártemis, a deusa virgem.
Século 1 - Antes da culpa
Em Roma, o sexo era considerado um presente dos deuses. Como
na Grécia, esculturas e pinturas de posições sexuais e símbolos fálicos eram
comuns até em casas. Escravos faziam favores sexuais e o homossexualismo entre
homens era comum – o sexo oral e o lesbianismo não. Lá, era tabu o lado passivo
da transa não ser de classe inferior ao ativo.
315 - Sexo e culpa
Após o cristianismo ser a religião oficial de Roma, o
celibato passa a ser pregado. O teólogo Santo Agostinho (354-431) toma o sexo
como maldito, coisa do demônio. Mas as relações entre o mesmo sexo levariam
ainda alguns séculos para virar tabu.
Século 10 - Monogamia
A monogamia passa a ser comum. Além do cristianismo, o fato
de as pessoas viverem agora no campo, em pequenos grupos, contribui. Relações
de incesto entre irmãos, comuns durante a Idade Média, são cada vez mais
proibidas.
Século 13 - Alvo gay
Durante a Idade Média, códigos penais referentes ao
comportamento sexual pouco tratavam de homossexualidade. Os gays viraram alvo
da Igreja Católica no século 13, quando o frade e teólogo Tomás de Aquino
(1227-1274) viu o comportamento como um ato contra a natureza humana – assim,
condenável por Deus.
1900 - Freud explica
Com o psiquiatra Sigmund Freud, o sexo é estudado
cientificamente. Para Freud, a lembrança de experiências sexuais e a repressão
seriam a causa de problemas psicológicos. A culpa começa a desgarrar-se do
sexo.
1948 - Relatório Kinsey
Estudos do zoólogo Alfred Kinsey mostram que a
heterossexualidade monogâmica era apenas uma entre oito formas de comportamento
sexual dos americanos (como poligamia, zoofilia e homossexualidade). Suas
conclusões escandalizaram os Estados Unidos e lançaram a idéia de que, na cama,
é normal ser diferente.
Década de 60 - Amor livre
Jovens pregam o amor livre e o sexo sem culpa. O prazer
feminino é debatido, a camisinha e a pílula anticoncepcional se popularizam e
desvinculam o sexo da gravidez. Surgem os sex shops e as revistas pornôs.
1981 - Medo da aids
A liberalidade da revolução sexual dura pouco. O medo volta
a fazer parte do sexo quando a aids, doença sexualmente transmissível, começa a
matar – até hoje, cerca de 25 milhões de pessoas morreram. Doentes eram
identificados com gays, prostitutas ou dependentes de drogas. No início, ter
aids era visto como sinônimo de vida promíscua.
1998 - Sexo para todos
O Viagra promove outra revolução, garantindo a ereção de
homens de qualquer idade. O casamento gay começa a ser legalizado na Europa,
rompendo um tabu de 700 anos.
Aventuras na História n° 036
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