Localizado na península do Bygdoy, a dez minutos do centro
de Oslo, capital da Noruega, o pequeno Museu do Barco Viking (Vikingskipshuset,
no original em norueguês) guarda achados arqueológicos que ajudam a entender
como esse povo nórdico, que habitava uma das regiões mais remotas do globo,
pôde se expandir e conquistar novas terras.
Entre os séculos 8 e 11, esses navegantes, com
ataques-surpresa pelo mar, dominaram terras que iam da atual Rússia à Itália,
além de regiões próximas ao mar Negro, como Kiev, na Ucrânia. Mas os vikings
não pilhavam apenas – o objetivo principal dessas incursões ultramarinas. Eles
também fundaram colônias em várias das terras conquistadas, como na Irlanda (a
da cidade de Dublin é a mais conhecida), na Inglaterra e na França, e
estabeleceram uma complexa rota comercial, que ia do Iraque ao Canadá.Na cultura viking, quando uma pessoa morria, seus pertences eram sepultados com ela. Graças a esse hábito, barcos, cabanas e jóias sobreviveram até hoje – e muitas dessas peças estão no museu. Projetado em 1913 pelo arquiteto norueguês Arnstein Arneberg, o museu foi concluído em 1957 e é considerado uma obra-prima da arquitetura. Os objetos em exposição foram encontrados em quatro grandes escavações, nos sítios arqueológicos de Tune, Gokstad, Oseberg e Bore, entre 1852 e 1904, e são considerados os achados arqueológicos mais importantes desse povo.
1. Navio fantasma
Encontrado em 1867 na fazenda de Nedre Haugen, em Rolvsoy,
na Noruega, a embarcação Tune é constituída de uma série de ripas sobrepostas e
data de 900. Ela foi usada como urna funerária de um viking. Os navios, após
sua vida útil, tinham quase sempre o mesmo destino: servir de “túmulo” para
pessoas importantes.
2. Modelo feminino
Como durante a maior parte do tempo os homens estavam em
guerras ou em caçadas, cabia às mulheres vikings cuidar dos mantimentos e
suprimentos para a família. Para isso, um importante instrumento de uso
cotidiano era uma espécie de carrinho que possibilitava o transporte de
alimentos, água e suprimentos em geral. Este exemplar, o único encontrado nas
quatro escavações de onde foram retirados os objetos do museu, é do sítio
arqueológico de Oseberg.
3. Riqueza em madeira
O navio Gokstad foi usado como urna funerária de um homem
rico, que morreu com cerca de 60 anos, idade considerada avançada para o século
9. Seu corpo foi encontrado ao lado da embarcação e de outros objetos pessoais,
que mostram sua importância e suas condições econômicas: três barcos menores,
uma tenda, um trenó e equipamento de montaria, além de fragmentos de jóias e
tecidos – tudo confeccionado de madeira.
4. Batalha na tapeçaria
Os vikings deixaram sua história registrada em figuras, mais
precisamente em tapeçaria. Esta conta a história de uma batalha travada contra
outro povo: o cenário era terra firme e os equipamentos utilizados eram escudos
redondos, capacetes e carruagem com tração animal.
5. Guerreiros artesãos
Os vikings dominavam a arte do entalhe em madeira. Em quase
todas as peças desse período, de navios a objetos decorativos, é possível
observar o trabalho desenvolvido por esses artesãos. No fragmento da cabeceira
de uma cama encontrado nas escavações de Gokstad, as figuras entalhadas remetem
à natureza e ao mar – em geral, os desenhos são cheios de linhas sinuosas e
preenchidos com vários traços.
6. Ouro, prata e bronze
Este arreio de couro com detalhes de ouro, encontrado em
Bore, mostra o domínio do povo viking no manuseio de metais e o uso do ouro
como adornamento – para o arreio foram confeccionadas pequenas pastilhas
idênticas umas às outras, fechos e fivelas. Além do ouro, o bronze era
utilizado para a confecção de parafusos e ligas e a prata aparecia com
freqüência em peças decorativas.
7. Patinação no gel
Trenós como este, de madeira, eram muito importantes para as
conquistas de novos territórios e batalhas. Os veículos eram bastante
utilizados para locomoção, já que a maior parte da região ocupada pelos vikings
se encontrava em terras frias, cobertas por neve quase o ano inteiro.
8. Medo animal
Animais fantásticos como dragões, assim como cavalos e
cobras, eram algumas das figuras utilizadas na decoração das peças vikings, de
cajados a embarcações. Os desenhos eram usados para assustar os inimigos e
representam, em sua maioria, os medos e os desafios que esse povo nórdico
enfrentava no cotidiano.
9. Companhia eterna
O navio Oseberg foi encontrado em 1904, após a descoberta
das embarcações Tune, em 1867, e Gokstad, em 1880. Ele foi utilizado como urna
funerária de uma abastada senhora da sociedade, que morreu por volta de 834. O
corpo de uma segunda mulher, provavelmente uma criada, foi encontrado ao lado
do dela.
10. Gigante Viking
Construído em madeira, por volta de 890, o Gokstad é o maior
navio do museu. Com 24 metros de comprimento e 5 de largura, a embarcação
transportava até 32 homens e possuía mecanismos de controle de velocidade e
estabilidade, ideal para navegação em águas turbulentas e ataques-surpresa, já
que era bem veloz. O navio foi encontrado em 1880.Aventuras na História n° 036
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