É aquela névoa fina e úmida que às vezes paira sobre as
cidades do litoral, flutuando ao longo da costa. Esse spray é formado por
bilhões e bilhões de gotículas de água do mar, que sobem ao ar toda vez que uma
onda arrebenta na praia. O problema é que as gotículas não são de água pura.
Afinal, o oceano é um caldo com um pouco de tudo dentro, principalmente sais.
Por causa deles, a maresia enferruja carros, emperra portões e racha vigas de
concreto. Como isso acontece? Para que qualquer coisa enferruje, é preciso que
átomos de ferro se unam ao oxigênio do ar, em uma reação conhecida como
oxidação. Esse casamento só ocorre quando alguma substância cria um caminho
para que os elétrons dos átomos de ferro se liguem aos de oxigênio. No caso da
ferrugem convencional, a água pura faz muito bem esse papel - a diferença é
que, na praia, as gotinhas são turbinadas com sais, que ajudam a transportar os
elétrons com muito mais facilidade, acelerando o processo de corrosão.
Outro inconveniente
da maresia é a própria água. "A umidade, aliada às temperaturas mais altas
das regiões litorâneas, favorece o crescimento de mofo nas casas", afirma
o químico Flávio Maron Vichi, da Universidade de São Paulo (USP). Mas a dor de
cabeça não pára por aí: como as gotículas também são carregadas de partículas
de sujeira, como argila, material orgânico decomposto e seres microscópicos, o
spray úmido pode criar uma crosta difícil de limpar em janelas, óculos e
pára-brisas.
Estrago salgado
A névoa úmida do litoral causa prejuízos e pode até derrubar
construções.
CONCRETO RACHADO
"Como o concreto
é poroso, as gotículas cheias de sais penetram no material e enferrujam as
estruturas metálicas internas, fazendo-as aumentar de tamanho", diz o
biólogo Cláudio Gonçalves Tiago, da USP. O concreto não suporta esse
crescimento e começa a rachar. O jeito é pintar as paredes com produtos
impermeabilizantes, que evitam a penetração dos sais.
VEÍCULO EM PERIGO
No caso dos carros, o
maior inconveniente é que aumentam os riscos de ferrugem em partes expostas da
lataria, como as que sofreram pequenas batidas ou foram riscadas. A única
maneira de acabar com esse efeito indesejável é lavar sempre o automóvel para
remover o sal, e nunca deixar áreas danificadas sem pintura.
ATAQUE NA ENTRADA
Em portões e grades,
ocorre algo parecido com o que sofrem os carros: as áreas de ferro exposto ou
com pintura descascada ficam mais vulneráveis à ação da ferrugem e podem
emperrar. Para evitar o prejuízo, os proprietários devem pintar esses objetos
com revestimentos antioxidantes, que impedem o contato do ferro com a água e os
sais da maresia.
FESTA DO BOLOR
No interior das
casas, as gotículas da maresia aumentam os níveis de umidade. O ar molhado e as
altas temperaturas do litoral criam um ambiente ideal para a proliferação de
fungos e bolores. A melhor alternativa para prevenir o problema é usar tintas
especiais com fungicidas na fórmula, que trazem venenos específicos para acabar
com a infestação.
Revista Mundo Estranho Edição 18/ 2003
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