Os cientistas ainda têm muitas dúvidas a respeito da vida
dessas bizarras criaturas. Considerado o maior ecossistema do planeta, a região
abissal dos oceanos - abaixo de 2 mil metros - cobre 60% da superfície global.
Nela, reina a escuridão, a temperatura varia de 0 a 4 ºC e a pressão é capaz de
esmagar um cilindro de oxigênio. Os seres que vivem nesse lugar tão inóspito
desenvolveram sofisticadas estratégias de sobrevivência. Mais da metade das
criaturas abissais é capaz de produzir sua própria luz, o que é chamado de
bioluminescência. "A luz é produzida por pequenos órgãos conhecidos como
fotóforos, num fenômeno similar ao dos vaga-lumes", diz o biólogo
Alessandro Augusto Rogick Athiê, da Universidade de São Paulo (USP). Os peixes
abissais também são quase sempre carnívoros, pois a quantidade de algas onde
eles vivem é pequena. Por causa da escassez de comida, muitas espécies têm
dentões monstruosos, para garantir, sem vacilos, a captura de qualquer presa
que passe por perto.
"Eles não sabem quando vão comer novamente",
afirma o biólogo americano Homer Montgomery, da Universidade do Texas.
Aquário de dar medo
A partir de 1 000
metros há serpentes enormes e seres com dentes assustadores.1. Serpente lendária- O peixe-remador (Regalecus glesne), ou peixe-fita, pode atingir 16 metros de comprimento e pesar cerca de 46 quilos. É possível que ele seja um dos grandes responsáveis pelas antigas lendas sobre serpentes marinhas relatadas por pescadores em séculos passados.
2. Tubarão mergulhador- O tubarão-de-seis-brânquias (Hexanchus griseus) é encontrado em profundidades de até 2 mil metros e recebeu esse nome porque a maior parte dos tubarões tem apenas cinco fendas branquiais. Ele cresce até 6 metros e se alimenta de uma variedade de animais, incluindo crustáceos, peixes e mamíferos marinhos.
3. Cruel empalador- O peixe-víbora (Chauliodus sloani) é um dos mais ferozes predadores do mar. Sua boca grande e pontuda tem dentes similares a caninos, usados para empalar suas vítimas. De tão grandes, os dentes não cabem dentro da boca, curvando-se para trás, bem próximo aos olhos. O peixe-víbora atinge até 60 centímetros.
4. Luz própria- O peixe-lanterna (Symbolophorus barnardi) recebeu esse nome devido à sua capacidade de produzir luz, emitida por órgãos localizados na cabeça, na lateral do corpo e no rabo. Ele cresce até 15 centímetros e passa o dia em profundidades que chegam a 1 500 metros — embora suba mais perto da superfície à noite.
5. Diabo marinho- A aterrorizante aparência do peixe-pescador-de-mar-profundo (Melanocetus johnsonii) lhe rendeu um outro nome bem apropriado: diabo-negro. Mas, apesar dos dentes ameaçadores, ele não tem mais que 13 centímetros de comprimento. A "lanterninha" que possui é um prolongamento (bioluminescente) da espinha dorsal e serve de isca para atrair presas — daí o nome de peixe-pescador.
6. Dragão de cavanhaque- Chamado peixe-dragão-de-mar-profundo (Grammatostomias flagellibarba), esse é outro bicho estranho que tem muito mais pose de mau do que tamanho chega a cerca de 15 centímetros. Ligado ao seu queixo há um barbilhão, um longo apêndice carnoso. A ponta desse "cavanhaque" em forma de fio também emite luz para seduzir presas.
7. Resto é com ele- O peixe-ogro (Anoplogaster cornuta) vive em águas profundas extremas, a cerca de 5 300 metros. Como o alimento nessas profundidades é bastante escasso, ele acaba se alimentando de tudo o que encontra pela frente, principalmente restos de animais mortos que caem de profundidades menores.
8. Ermitão sem olhos- O peixe encontrado na maior profundidade até hoje só tem nome científico: Abyssobrotula galatheae. Exemplares da espécie foram localizados a 8 372 metros de profundidade no mar do Caribe. Ele parece não ter olhos, mas que diferença isso faz num lugar onde reina a escuridão?
Revista Mundo Estranho Edição 24/ 2004
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