Rodrigo Ratier
Ao todo, o país abriga 52 parques nacionais, incluindo áreas
no oceano Atlântico, em ecossistemas tropicais, na floresta amazônica e até no
meio de um grande centro urbano, o Rio de Janeiro (veja alguns exemplos ao
lado). No mundo, os primeiros parques surgiram nos Estados Unidos. O mais
antigo é o famoso Yellowstone, inaugurado em 1872. Por aqui, o pioneiro é o
parque nacional de Itatiaia, fundado por Getúlio Vargas em 1937. "Naquela
época, a criação dos parques privilegiava resguardar símbolos nacionais conhecidos,
cercando as chamadas áreas de beleza cênica. Recentemente, entendeu-se que é
melhor proteger a biodiversidade sem isolar o parque do resto da região, mas
integrando-o à natureza e às comunidades locais", diz o ambientalista
Cláudio Maretti, da ONG WWF-Brasil, entidade que atua em parceria com o governo
para conservar as áreas protegidas da Amazônia. Administrados pelo governo
federal, os parques nacionais são uma parte das unidades de proteção integral
do Brasil.
Também pertencem a
esse grupo estações ecológicas, reservas biológicas, monumentos naturais e
refúgios de vida silvestre. "Juntas, essas áreas abrangem 2,61% do
território do país. Não se pode extrair recursos naturais delas. No caso dos
parques nacionais, a visitação é permitida, mas em uma área restrita. O turismo
precisa ser controlado para garantir a preservação", afirma a geógrafa
Andréa Zarattini, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama). A situação atual de vários parques, porém, está
longe de ser a ideal. Um dos problemas é que a maioria deles ainda não tem
território garantido. Quando um parque é criado, é preciso desapropriar a
terra. Em geral, o processo se arrasta muito, tornando as áreas de conservação
e lazer palco de disputas fundiárias, queimadas, extrativismo ilegal e tráfico
de animais. Perdem a fauna, a flora e também o público: por não possuírem
estrutura adequada, cerca de 20 parques não estão abertos à visitação.
Diversidade
preservada
Áreas de proteção guardam ecossistemas marinhos, matas
tropicais e até florestas urbanas.
Chapada dos Veadeiros
(GO) - Comunidade integrada
Situado em uma área
com altitudes entre 1 400 e 1 700 metros a 260 quilômetros de Brasília, o
parque protege várias nascentes do planalto Central e é o hábitat do mergulhão,
uma ave ameaçada de extinção. Antes de sua criação, em 1961, os moradores
exploravam cristais no local. A partir de 1990, os próprios habitantes da região,
incluindo alguns ex-garimpeiros, foram treinados para guiar os turistas.
Abrolhos (BA) - Maternidade aquática
O primeiro parque
nacional marinho brasileiro abriga uma importante zona de recifes e corais,
tida como santuário da biodiversidade e berçário marinho. Espécies ameaçadas
como as baleias-jubarte e as tartarugas-marinhas procuram o parque para se
reproduzir. A pesca predatória e a venda de coral para fazer cimento
diminuíram, mas o excesso de turistas e de mergulhadores ainda põe em perigo o ecossistema
local.
Montanhas do
Tumucumaque (AP) - Gigante equatorial
Criado em 2002, é o
maior parque do país e a maior unidade de preservação de florestas tropicais em
todo o mundo. Seu território de 38 670 km2 equivale a 25 vezes o tamanho da
cidade de São Paulo. Fica na divisa com a Guiana Francesa. É um exemplo da nova
lógica na criação de parques: sua área não fica isolada, mas circundada por
florestas e áreas indígenas. Como o parque ainda não tem sede própria, ele
permanece fechado para visitação.
Tijuca (RJ) - Refúgio
metropolitano
Encravado no coração
do Rio de Janeiro, o parque inclui a pedra da Gávea, o Corcovado e a floresta
da Tijuca, considerada a maior floresta urbana do mundo. A mata atlântica,
porém, não é original: na verdade, trata-se do primeiro projeto de
reflorestamento do país, executado a partir da década de 1860 numa área que
anteriormente era ocupada por fazendas de café. Hoje, o parque é afetado pela
poluição e pelo crescimento das favelas na cidade.
Fernando de Noronha
(PE) - Arquipélago ameaçado
O parque nacional
cobre apenas parte do arquipélago, onde as obras são proibidas. O resto é área
de proteção ambiental, onde se pode construir. A visitação é controlada: são
aceitos no máximo 600 visitantes ao mesmo tempo. Noronha é o lar dos
golfinhos-rotadores e local de desova da tartaruga-verde. A vegetação nativa
desapareceu com a ocupação: calcula-se que 95% da mata tenha sido destruída
desde 1503.
Itatiaia (RJ) -
Pioneiro incompleto
O primeiro parque
nacional conserva um ambiente que vai da mata atlântica aos campos de altitude.
As maiores atrações são as trilhas para cachoeiras como a Véu de Noiva e
montanhas como o pico das Agulhas Negras. Como sua desapropriação nunca foi
concluída (só 33% da área está regularizada), até hoje há fazendas e pousadas
particulares na região. O parque sofre com incêndios e com a extração ilegal de
palmito.
Iguaçu (PR) -
Popularidade internacional
É o parque mais
visitado do país: a cada ano, são cerca de 700 mil turistas. O grande destaque,
claro, são as cataratas do Iguaçu, declaradas patrimônio da humanidade em 1986.
Abriga um dos últimos grupos de onças-pintadas, também ameaçadas de
desaparecerem. A integração com a comunidade é difícil: o parque é todo cercado
e uma estrada irregular que corta o local é constantemente reaberta pelos
moradores.
Revista Mundo Estranho Edição 24/ 2004
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