Apesar da confusão que cerca os dois termos, a verdade é que
um tem pouco a ver com o outro. A frequência de um som mostra o quanto ele é
grave ou agudo, enquanto os decibéis indicam o volume. Este último conceito é
uma importante referência para nossa saúde auditiva. De acordo com o valor dos
decibéis (dB), podemos saber quando um som está muito alto para nossos ouvidos.
Barulhos acima de 110 dB - a pauleira de um show de rock ou um som no talo, por
exemplo - podem provocar perdas auditivas irreparáveis em menos de 30 minutos.
Se o ruído ultrapassar 160 dB, como durante uma explosão de fogos de artifício
a 1 metro de distância, ficar perto nem que seja por uma fração de segundo pode
levar ao rompimento do tímpano (veja outros exemplos no quadro ao lado). A frequência
é uma grandeza mais abstrata, mas também perceptível aos nossos ouvidos. Vamos
começar lembrando que, em um certo sentido, as ondas sonoras são como as ondas
do mar: elas oscilam para cima e para baixo, em uma sucessão de picos e
depressões.
No caso das ondas
marítimas, se o oceano estiver agitado, essas oscilações ficam mais frequentes.
Isso significa que a frequência delas aumentou. No mundo das ondas sonoras, os
ouvidos traduzem o crescimento da frequência como um som que fica cada vez mais agudo. Além disso, cada
valor de frequência também significa um tom específico. "Uma nota dó mais
grave, por exemplo, equivale a uma onda de 216 hertz, uma unidade de medida que
indica quantas vezes a onda oscila por segundo", diz o físico Cláudio
Furukawa, da Universidade de São Paulo (USP). Outro dado importante é que nós
só conseguimos ouvir frequências entre 20 e 20 mil hertz. Um cachorro tem
ouvidos bem mais sensíveis, capazes de escutar sons de até 40 mil hertz. Por
isso, eles respondem àqueles apitos "silenciosos" que os adestradores
usam. Mesmo assim, os campeões em audição são os morcegos, golfinhos e baleias,
que conseguem ouvir até 150 mil hertz.
Muito barulho por nada
Unidades de medida
indicam a altura e o comprimento da onda sonora.GRAVES E AGUDOS
As ondas de som são transmitidas pelo ar como se fossem ondas marítimas, oscilando para cima e para baixo. A frequência indica o intervalo entre dois pontos altos (os picos) da onda. Sua unidade de medida, o hertz (Hz), mostra quantas vezes a onda oscila por segundo. Quanto menor a distância entre os picos, maior a frequência — e mais agudo é o som.
ALTO E BOM SOM
Outra importante grandeza sonora é o volume, que indica algo como a "altura" da onda, ou o tamanho de cada pico e de cada depressão. A medida é simples: quanto mais "alta" a onda, maior o volume, maior a quantidade de decibéis (dB), sua unidade de medida. Mas a escala dessa unidade não é linear: a cada três decibéis, a intensidade do som dobra.
Dentro do tom Frequência dos instrumentos fica longe do nosso limite máximo.
Tecla mais grave do piano - 30 Hz
Baixo* - 60 HzViolão* - 300 Hz
Violino* - 1 000 Hz
Tom mais agudo de um soprano - 1 500 Hz
Tecla mais aguda do piano - 4 000 Hz
*frequências médias
Paulada nos ouvidos
Barulheiras acima de 110 decibéis podem
prejudicar a audição.Sussurro - 20 dB
Conversa normal - 60 dB
Aspirador - 80 dB
Walkman no máximo - 100 dB
Show de rock - 120 dB
Avião caça decolando (a 20 metros de distância) - 140 dB
Revista Mundo Estranho Edição 24/ 2004
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