Para atingir esses objetivos, Mao se apoiou numa enorme mobilização da juventude urbana da China, organizando grupos conhecidos como Guardas Vermelhos (leia no quadro abaixo). Além de questionar os rumos do comunismo chinês, a Revolução Cultural combateu o confucionismo, idéias baseadas no pensamento do filósofo Confúcio, que durante milênios influenciaram a sociedade chinesa. Pelo valor que davam à hierarquia e ao culto do passado, tais idéias passaram a ser encaradas como reacionárias. "A Revolução Cultural foi a luta contra uma classe intelectual separada da massa", diz o historiador Mário Bruno Sproviero, da USP. O problema é que, na prática, ela resultou em escolas fechadas, no ataque (não só verbal) a intelectuais e no culto exagerado à personalidade de Mao. A morte do líder, em 1976, abriu caminho para a ascensão do político Deng Xiaoping. Com a mudança no poder, em 1977, a Revolução Cultural foi oficialmente encerrada.
Os guardas vermelhos
Unidades paramilitares tinham 11 milhões de estudantes.
Recrutados entre estudantes, os Guardas Vermelhos eram unidades paramilitares, organizadas pelo PCC, que ajudaram Mao Tsé-tung a derrotar seus rivais na luta pelo comando do país. O grupo, que chegou a ter 11 milhões de integrantes, iniciou uma onda de vandalismo contra monumentos históricos - que lembravam a antiga cultura chinesa -, perseguiu membros rivais do PCC, professores e pessoas acusadas de serem conservadoras. Logo, os Guardas Vermelhos racharam em várias facções, cada uma julgando ser a verdadeira representante de Mao. Com isso, o grupo foi perdendo sua força aos poucos até desaparecer.
Revista Mundo Estranho Edição 13/ 2003
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