Foi Salvador, capital da Bahia, fundada em 1549 por Tomé de
Souza, o primeiro governador geral do Brasil. A cidade foi erguida tendo como
base um traçado geométrico elaborado por Luís Dias, arquiteto nomeado pela
Coroa portuguesa. Não sobrou nenhuma cópia da planta inicial de Salvador, mas
quando se examina o mapa mais antigo existente, de cerca de 1620, dá para ver
que na construção da primeira capital brasileira foi usada uma planta urbana
muito semelhante àquilo que os arquitetos europeus do período renascentista
(séculos 15 e 16) consideravam como uma cidade ideal. Quando se olha hoje o
traçado das ruas da parte central de Salvador, que corresponde ao setor
construído por Tomé de Souza, dá para perceber que as quadras e praças são
todas retangulares. Na maioria, apresentam forma semelhante a um quadrado, como
se fizessem parte de um grande tabuleiro de xadrez. Apesar de Salvador ser
considerada a primeira cidade brasileira
a ser planejada, os especialistas afirmam que esse título é um pouco
discutível.
"Muitas outras
vilas e cidades do Brasil obedeceram a critérios de planejamento urbano, com a
finalidade de atingir determinados objetivos", afirma o arquiteto e
urbanista Antônio Carlos de Oliveira, da Unesp, em Bauru (SP). É que, de
maneira geral, as mais antigas ocupações urbanas no Brasil obedeciam a um certo planejamento, ainda que sem um traçado
geométrico preciso. Isso porque suas construções tinham funções específicas,
como garantir a posse do território para Portugal e a exploração dos recursos
naturais da colônia. Um bom exemplo de uma cidade anterior a Salvador que foi
razoavelmente planejada é a parte antiga de Olinda, em Pernambuco, fundada em
1537. Os desenhos mais velhos mostram que no local em que se situavam a Igreja
Matriz e a chamada torre do governador havia duas ruas retas, paralelas entre
si. Depois, com o desmoronamento de parte do morro onde estava uma delas, a
maioria desse traçado acabou se perdendo com o tempo.
Revista Mundo Estranho Edição 24/ 2004
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