Aproveitando tais rachaduras maiores entre as rochas, a água sobe bem depressa - sem tempo de perder muito calor - e jorra morninha para fora da terra, formando as chamadas fontes termais. "Também existem cidades em que as tubulações dos poços artesianos servem de atalho e evitam o resfriamento da água", afirma a geóloga Annkarin Aurélia Kimmelmann e Silva, da USP. Devido à pressão, a trajetória de subida é bem mais rápida que a de descida. Como a água penetra no subterrâneo poucos centímetros por ano, é bem provável que, antes de retornar à superfície, ela tenha circulado debaixo da terra durante mais de 5 000 anos. Aliás, apreciar esse tipo de banho também não é coisa recente. Já na antiguidade, gregos e romanos eram fãs de carteirinha das estâncias termais e muitos dos locais frequentados por eles atraem turistas até hoje.
Calor subterrâneo Na crosta terrestre, a
temperatura da água aumenta junto com a profundidade
1 - A água da chuva
se infiltra no subsolo. Nos terrenos sedimentares (mais porosos), ela desce
ocupando os espaços entre os grãos. Nas camadas metamórficas e ígneas (quase
impermeáveis), ela aproveita pequenas rachaduras entre as rochas.2 - Na descida, a água percorre um caminho tortuoso e lento, movendo-se poucos centímetros por ano. À medida que penetra no subsolo, ela esquenta: na crosta terrestre, a cada 33 metros de profundidade, a temperatura aumenta 1ºC.
3 - Em contato com rochas quentes até 3 000 metros abaixo da superfície, a temperatura da água chega a 150ºC. Como os reservatórios estão submetidos a uma grande pressão, o caminho natural da água é voltar à superfície - isso se houver alguma fresta para ela escapar.
4 - Com temperaturas que chegam a 90ºC em alguns balneários brasileiros, o manancial subterrâneo brota em rios e lagoas quentes.
5 - A trajetória para cima é rápida. A água quente passa por rachaduras maiores entre as rochas. Graças a esse atalho, ela perde pouco calor. Em algumas estâncias termais, a tubulação de poços profundos acelera a volta, impedindo que a água esfrie.
Revista Mundo Estranho Edição 6/ 2002
Nenhum comentário:
Postar um comentário