sexta-feira, 6 de abril de 2012

Elevador

Cynthia de Miranda

A resposta parece óbvia: íamos pela escada. Nada óbvio, porém, é saber que os elevadores e as escadas vivem juntos por mais de 4 mil anos. Como tantas outras tecnologias, a versão mais antiga do elevador surgiu no Egito, por volta de 2500 a.C. Era movido a tração animal – e humana –, mas não levava gente, apenas água e grãos para habitações faraônicas.
Durante a Idade Média, elevadores de polias foram usados para levar pedras na construção das muralhas em volta das cidades – os chamados burgos. No fim do período, as casas deram lugar a prédios de até sete andares. “Era preciso aproveitar melhor os espaços das cidades”, diz Lélio Reiner, professor de arquitetura da Faculdade Belas Artes de São Paulo. Mesmo assim, elevador continuou sendo privilégio de frangos e garrafas de vinho até mesmo nos grandes castelos.
Elevador de gente mesmo só surgiu com a Revolução Industrial, no século 19. Elis Graves Otis – cuja empresa sobrevive até hoje – criou em 1853 o primeiro elevador para transporte de passageiros. “Nova York e Chicago começaram a construir os primeiros arranha-céus nessa época”, diz Lélio. Para subir até o oitavo andar, a geringonça movida a vapor levava mais de dois minutos. Imagine que hoje há equipamentos que percorrem 100 andares em um minuto. Em 1889, em Nova York, foi lançado o primeiro elevador movido a eletricidade. No Brasil, essa maravilha do sedentarismo apareceu em 1906: foi instalada  no Palácio das Laranjeiras, prédio oficial do governo do Rio de Janeiro.

Revista Aventuras na História n° 014

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