Treinados para realizar missões perigosas em qualquer lugar do mundo, eles estão entre as forças mais poderosas do exército americano.
Eles são capazes de cumprir missões estratégicas em qualquer lugar do mundo. Precisam de apenas 18 horas para chegar ao local da operação, seja ele qual for, e foram treinados exaustivamente para aniquilar o inimigo. Se o esconderijo de Osama bin Laden fosse descoberto hoje, por exemplo, é bem provável que formariam a principal força de ataque para capturar o líder da Al-Qaeda. Não por acaso, os Rangers, também conhecidos como Boinas-Pretas, são a elite de guerra dos Estados Unidos. Acima deles, só a misteriosa Força Delta, a elite da elite, equivalente americana do SAS – Serviço Aéreo Especial britânico.Ao longo de sua história, os Rangers colecionaram diversas missões de risco – os próprios treinamentos já os põem em perigo, como na foto acima, em que correm em direção a um muro enquanto minas terrestres explodem praticamente sob seus pés. Eles foram, por exemplo, os primeiros soldados das Forças Especiais americanas a se infiltrar em território afegão, numa operação concebida para fulminar alvos do talibã e da Al-Qaeda. No Dia-D, durante a Segunda Guerra Mundial, escalaram um paredão vertical debaixo de intenso fogo inimigo e conseguiram se safar. Lutaram na Europa, na África e no Pacífico. Numa dessas investidas, foram os responsáveis pela maior operação de resgate da história do Exército americano.
Foi na Segunda Guerra, a propósito, que os Rangers ganharam notoriedade. A atuação do grupo durante as primeiras batalhas convenceu as autoridades dos Estados Unidos a criar uma unidade nos moldes dos Comandos, a versão britânica de choque e assalto. Assim, o primeiro batalhão Ranger foi ativado em 19 de junho de 1942 e outros vieram no rastro – seis na Europa, um no Pacífico e um na Ásia. No fim da guerra, as unidades foram desmanteladas, mas eles voltaram na Guerra da Coréia (1950-1953) e, na seqüência, foram lutar no Vietnã, quando enfim ganharam unidades permanentes.
Desde então, os Rangers têm sido convocados para os mais variados tipos de missões. São especialistas em escaladas, emboscadas, operações de reconhecimento, assaltos e contra-ataques. Em 1980, no Irã, tomaram o aeroporto de Manzariyeh durante a operação Eagle Claw. Em 1983, atuaram na invasão de Granada e, depois, na do Panamá. Na Guerra do Golfo (1991), foram usados como força de reação rápida. O bom desempenho em conflitos tão distintos os levou a se autodenominar como "a melhor unidade de infantaria do mundo".
A história do grupo é antiga e seu nome apareceu pela primeira vez há mais de três séculos, por volta de 1670, quando formaram uma companhia para lutar contra os índios americanos. Em meados do século 18, os Rangers ressurgiram como divisão militar para combater na revolução americana, e a partir daí apareciam a cada conflito que insurgia nos Estados Unidos – foi assim na Guerra de 1812 e na Guerra Civil. Alguns lemas daquela época são lembrados até hoje, mas pouca coisa sobrou para os Rangers atuais além do nome. Depois da Guerra do Vietnã, o regimento ganhou corpo, organização e tem outra identidade. Divide-se em batalhões, companhias de fuzileiros e quartéis-generais. A infantaria é treinada para conquistar instalações de grande importância estratégica, com ataques de surpresa, reconhecimento em áreas de alto risco e infiltração em território inimigo, além de preparação de emboscadas. Mas tem lá suas limitações: como usam Land Rovers ou veículos com metralhadoras .50, sua capacidade de fogo é relativamente restrita.
Para integrar o regimento, é preciso passar pelo Exército e pela Escola de Pára-Quedismo. O treinamento físico-militar não é fácil. Os voluntários preparam-se para operações em terreno urbano, deserto, selva, neve, montanha e guerra anfíbia. Exigem-se habilidade para liderança, demolição, mergulho de combate, contraterrorismo e pára- quedismo especial.
O dia da caça
A história dos Rangers não é feita só de glória. No dia 26 de agosto de 1993, em Mogadíscio, na Somália, eles se uniram à Força Delta para acabar com a guerrilha liderada por Maomé Aidid. Os combates terminaram depois que metade das forças Rangers e Delta foi dizimada, em apenas 18 horas de luta. Em 3 de outubro, durante um ataque diurno ao mercado de Bakara, tiveram dois helicópteros abatidos pelos guerrilheiros. Uma grande batalha urbana iniciou e a missão teve um saldo de 16 mortos e 57 feridos.Missão (quase) impossível
Dia-D, 6 de junho de 1944. Uma tropa de Rangers escala um paredão de 45 metros de altura, na praia de Pointe du Hoe, na Normandia, com o objetivo de neutralizar a mais perigosa posição de defesa do Exército nazista. No alto do precipício, o contingente alemão se restringe a um pequeno pelotão, mas a bateria está estrategicamente localizada. Durante a subida, os tiros vêm de todos os lados. Depois de muito sangue e suor, os primeiros Rangers conseguem chegar ao topo e dominar os inimigos com certa facilidade. Lá embaixo, na praia de Omaha, a segunda companhia do grupo luta para escapar do cerco inimigo e sofre dezenas de baixas. Apenas 31 homens sobrevivem e vão ao encontro de companheiros de batalhão no alto do monte. Juntos, eles avançam pela estrada e seguem vencendo trincheira após trincheira. A luta é corpo-a-corpo. Aos poucos, os aliados começam a dominar a região. As perdas foram grandes, mas a ação dos Rangers evitou que centenas de soldados aliados fossem mortos durante o desembarque na praia de Omaha.Revista Aventuras na História n° 014
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