sexta-feira, 6 de abril de 2012

Segunda Guerra Mundial: a verdadeira guerra total

João Barone

Conflito mobilizou grande extensão geográfica do planeta.
Um dos aspectos mais incríveis da Segunda Guerra Mundial foi sua extensão geográfica. O conflito envolveu as mais longínquas regiões do planeta, nos mares e na terra, na neve e no deserto. Uma guerra que começou no coração do continente mais “civilizado” do mundo, a Europa, berço dos grandes pensadores, artistas e cientistas modernos, recém-saída de um conflito  monstruoso que deixara milhões de mortos no início do século 20. Durante os 21 anos entre as duas grandes guerras, chocou-se o “ovo da serpente”. A ascensão de Hitler ao poder e o desejo de vingança do humilhante Tratado de Versailles, que impôs pesadas sanções à Alemanha, foram as fagulhas para engolfar o Velho Mundo numa guerra e, pouco depois, o planeta inteiro.
Era de conhecimento geral que a Alemanha não tinha matérias-primas suficientes para sustentar uma guerra de longa duração. Daí a necessidade de invadir e conquistar regiões ricas em petróleo e minerais, como a dos Países Baixos, com suas fontes de minerais nobres, como o tungstênio, ou o norte da África e as planícies do Cáucaso, regiões ricas em petróleo. Assim, as ações alemãs inicialmente vitoriosas na Europa, resultado da reconstrução de seu Exército sob as barbas da Liga das Nações, deram a falsa impressão aos nazistas de que seria fácil usurpar outros territórios. Ledo engano.
Depois de conquistar quase totalmente a Europa ocidental, Hitler não conseguiu deixar a Inglaterra de joelhos. Na seqüência, voltou-se para o Leste Europeu e invadiu a União Soviética, abrindo um novo front, no que foi reconhecidamente um de seus maiores equívocos estratégicos. Arrogantemente, Hitler escolheu o mesmo dia em que Napoleão invadiu a Rússia, 22 de junho, para começar a Operação Barbarossa, na primavera de 1941, com a certeza de que os alemães conseguiriam fazer o que os franceses não tinham conseguido. Acabaram também vencidos pelo “General Inverno”.
Em 1941, a Alemanha mandou tropas para ajudar a combalida Itália a manter suas linhas na Grécia e no norte da África contra os ingleses. A batalha pela ilha de Creta causou grandes baixas aos alemães. Enviado ao Egito, o Afrikakorps alemão fez o que pôde para dominar o estratégico porto de Tobruk e os campos de petróleo da região, até ser repelido pelos ingleses, em novembro de 1942. Pouco depois, os Estados Unidos entrariam no conflito, mandando suas primeiras tropas para o Mediterrâneo. As bases aéreas americanas em território brasileiro, no caminho para o norte da África, foram um exemplo de como todas as áreas do planeta estavam mobilizadas na luta global contra o Eixo.

Batalhas no Atlântico
Em 1939, a primeira batalha naval da Segunda Guerra aconteceu em plena América do Sul. O Graff Spee, nau símbolo da marinha alemã, foi encurralado por navios ingleses na foz do Rio da Prata, em plena Montevidéu. Avariado, foi destruído por seu comandante. A Marinha alemã estava subdimensionada para a guerra desde o início, mas se saiu bem em ações até 1940, quando sofreu fortes reveses na invasão da Noruega. Daí em diante, concentrou suas ações no uso de submarinos, afundando incansavelmente os comboios americanos no Atlântico Norte, que abasteciam a Inglaterra com armas e mantimentos. A ocupação da França pelos alemães, em 1940, abriu o acesso ao Atlântico para os U-boats, que passaram a operar de bases no litoral francês. Em 1942, os torpedeamentos de navios na costa brasileira, as patrulhas e o afundamento de U-boats que operavam em bases no Chile e na Argentina foram alguns dos muitos episódios da Batalha do Atlântico, considerada por historiadores como uma das mais extensas e duradouras frentes de combate durante a Segunda Guerra.
No começo da guerra no Extremo Oriente, as forças imperiais japonesas estavam em plena ascensão, dominando quase todo o Pacífico. Antes de Pearl Harbour, muitas áreas do extenso território chinês já estavam em guerra, com as colônias inglesas combatendo os japoneses. O Japão invadiu a China no começo dos anos 1930, cometendo inúmeras atrocidades contra a população, como na ocupação de Nanquin, com 300 mil mortos ou na instauração de um laboratório de armas bacteriológicas na área, responsável pela morte de mais de 10 mil prisioneiros de guerra, usados como cobaias. Como o Japão era aliado da Alemanha, o território da Indochina – então colônia francesa – foi ocupado por forças japonesas. A China já tinha o apoio explícito dos Estados Unidos antes de sua entrada no conflito, ao receber treinamento e equipamento militares americanos. Uma ponte aérea para levar suprimentos foi estabelecida pelos americanos entre a Índia, a Burma e a China. Os aviões sobrevoavam as perigosas montanhas do Himalaia, levando suprimentos preciosos na luta dos chineses, mantendo assim um grande número de tropas japonesas ocupadas.
Depois do ataque japonês a Pearl Harbour, os Estados Unidos declararam guerra ao Japão, que havia assinado o Tratado Tripartite em 1940, com a Alemanha e Itália, formando o Eixo. Na esperança de que o Japão também atacasse a URSS – o que seria muito bom para a Alemanha –, Hitler adiantou-se em declarar guerra aos americanos. Mas o Império japonês já estava ocupado em sua luta, além de não querer confrontar a União Soviética naquele momento. Mais uma bola fora de Hitler.
Em junho de 1942, os japoneses conquistaram algumas das Ilhas Aleutas, no extremo norte do Pacífico, parte do território americano do Alasca, um pequeno grupamento de ilhas do Cinturão de Fogo, nas fronteiras do Pólo Norte. O receio de que os japoneses pudessem atacar o território americano daquele ponto motivou a construção de uma longa estrada e de um oleoduto, que atravessou vários estados americanos até a região do Alasca, mobilizando o home front na defesa das fronteiras norte-americanas.
Em fevereiro de 1943, ao conclamar os alemães para uma “guerra total” (total krieg), Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda de Hitler, jamais poderia imaginar a maneira como o mundo inteiro cairia sobre suas cabeças, em maio de 1945. O que dizer das populações de Hiroshima e Nagasaki, em agosto do mesmo ano. Terminaria assim a guerra que mobilizou e modificou profundamente os quatro cantos do mundo.

Revista Aventuras na História n° 014

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