Mario Grangeia
Pouca gente sabe, mas o morro da Mangueira, no Rio de
Janeiro, guarda relíquias preciosas do Brasil Imperial. Vizinha do Palácio São
Cristóvão, residência da família imperial entre 1805 e 1889, a Mangueira servia
de quintal para o imperador dom Pedro II. E assistiu, em 11 de maio de 1852, a
instalação da primeira rede de sistema telegráfico do Brasil. Onde hoje há uma
praça e uma caixa d’água que serve de mural para grafiteiros, dom Pedro II
trocou mensagens com seu ministro da Guerra, Eusébio de Queiroz. E, depois de
1874, com a Europa.No pé do morro, um pequeno chafariz de bronze instalado por volta de 1850, a Bica do Pedregulho, proveu água a cariocas e imigrantes no século 19 e ainda hoje funciona. Para os moradores, as relíquias são ainda mais numerosas. “Há restos de três senzalas no morro, que servem de parede para os barracos”, conta o líder comunitário Celso Peres. Já os historiadores acreditam que a povoação do morro começou só no início do século 20. “O terreno foi cedido à Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária para dar lugar a uma escola. Como o projeto não saiu do papel, a região foi loteada”, diz o arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti, da Universidade Federal Fluminense. “A área, próxima à estrada de ferro, atraiu a baixa classe média.”
Aventuras na História n° 019
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