quinta-feira, 3 de maio de 2012

Mangueira abriga ruínas do Império


 Mario Grangeia
Pouca gente sabe, mas o morro da Mangueira, no Rio de Janeiro, guarda relíquias preciosas do Brasil Imperial. Vizinha do Palácio São Cristóvão, residência da família imperial entre 1805 e 1889, a Mangueira servia de quintal para o imperador dom Pedro II. E assistiu, em 11 de maio de 1852, a instalação da primeira rede de sistema telegráfico do Brasil. Onde hoje há uma praça e uma caixa d’água que serve de mural para grafiteiros, dom Pedro II trocou mensagens com seu ministro da Guerra, Eusébio de Queiroz. E, depois de 1874, com a Europa.
No pé do morro, um pequeno chafariz de bronze instalado por volta de 1850, a Bica do Pedregulho, proveu água a cariocas e imigrantes no século 19 e ainda hoje funciona. Para os moradores, as relíquias são ainda mais numerosas. “Há restos de três senzalas no morro, que servem de parede para os barracos”, conta o líder comunitário Celso Peres. Já os historiadores acreditam que a povoação do morro começou só no início do século 20. “O terreno foi cedido à Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária para dar lugar a uma escola. Como o projeto não saiu do papel, a região foi loteada”, diz o arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti, da Universidade Federal Fluminense. “A área, próxima à estrada de ferro, atraiu a baixa classe média.”

Aventuras na História n° 019


Nenhum comentário:

Postar um comentário