1492- Dois meses
depois de conquistar Granada, a última cidade espanhola sob domínio mouro, os
reis católicos Isabel de Castela e Fernando de Aragão assinam um edital
expulsando da Espanha todos os judeus que recusassem a imediata conversão ao
cristianismo. Influenciados pelo dominicano Tomás de Torquemada, o chefe da
Inquisição que levou pelo menos 2 mil pessoas à fogueira, os reis consideravam
que os judeus “blasfemavam contra o nome de Jesus Cristo”. Com o Edito, 50 mil
dos 200 mil judeus espanhóis rumaram para o norte da África ou foram de barco
para a Turquia. A maioria, cerca de 100 mil pessoas, mudou-se para Portugal,
onde sofreriam, quatro anos depois, uma perseguição semelhante. Dia 31, em
Granada.
O edito de expulsão"Por esse nosso real edito de validade eterna, mandamos tirar de todos os nossos reinos e senhorios todos os judeus e judias grandes ou pequenos que se encontram tanto nas terras reais como nas da igreja, ou em outras de qualquer súdito. Que os judeus e judias saiam ou sejam obrigados a sair até o dia 1 de julho, de maneira que, passado esse tempo, nenhum judeu ou judia pode estar, nem voltar para essas terras, nem por elas passar, sob pena de morte e perda dos seus bens."
Trecho do decreto assinado pelo rei Fernando de Aragão.
44 a.C.- Com facões escondidos em suas togas, os senadores romanos avançam sobre Caio Júlio César. O ditador tenta se defender, mas percebe que seu amigo Marco Junio Brutus está entre os assassinos e desiste de qualquer resistência. Os senadores esfaqueam 23 vezes o ditador, que cai ao lado da estátua de Pompeu e murmura: “Até tu, Brutus?” Dia 15, em Roma
1000- Fazia 40 anos que os europeus temiam a chegada desse ano – e desse dia. Em 960, baseado em trechos do Apocalipse, o monge Bernardo da Turíngia (Alemanha) anunciara que o fim do mundo ocorreria no ano em que o dia da Anunciação da Virgem coincidisse com a Sexta-feira da Paixão. Mas o dia correu normalmente em todo o continente. Dia 25, na Europa.
1274- Aos 49 anos, morre Tomás de Aquino. Ele havia partido de Roma para França depois de ser convocado pelo papa Gregório X a participar do Concílio de Lyon. Na primeira madrugada de viagem, sentiu-se mal e precisou ser hospedado por monges da cidade de Fossa Nova, onde morreu. Dia 7, na Itália.
1870- Carlos Gomes, compositor brasileiro, apresenta no Teatro Alla Scalla sua ópera O Guarani, baseada no romance do escritor José de Alencar. No intervalo do recital, ele decide vender os direitos da ópera para o editor Francisco Lucca por 3000 liras. Dia 18, em Milão.
1899- O arqueólogo alemão Robert Koldewey encontra os primeiros vestígios da cidade da Babilônia. Em 14 anos, ele acharia restos da torre de Babel, da avenida principal e das muralhas externas da cidade. Dia 26, no Iraque.
1992- Quinhentos anos após a expulsão dos judeus da Espanha, 22 pessoas morrem e 250 ficam feridas no atentado contra a Embaixada de Israel na Argentina, cometido pelo grupo islâmico Hezbollah. Dia 17, em Buenos Aires
Eu me lembro
"Eu estava no hall central, sentada ao lado do balcão das telefonistas. De repente tudo aquilo explodiu e eu fui jogada para trás. Por sorte, o móvel que as telefonistas usavam caiu sobre mim, me protegendo da onda explosiva. Ferida no rosto e nas mãos, me levantei sozinha no meio dos escombros. Encontrei uma amiga e percebemos que as pessoas eram socorridas através de um buraco na esquina do prédio. Saímos de lá andando, desesperadas."
Lea Kovensky, 48 anos, funcionária da embaixada.
2000- Com a chegada do terceiro milênio, o papa João Paulo II pede perdão pelos pecados de toda a história da Igreja Católica contra as mulheres, culturas e tradições religiosas, e convida os membros da Igreja a um exame de consciência. Dia 12, no Vaticano.
Eu me lembro
"Lembro que fiquei extremamente irritado com o caráter retórico do papa. Ele pediu perdão apenas aos antigos, aos mortos, como Galileu Galilei. É importante que a Igreja reconheça seus erros e supere sua arrogância, mas não pode manter os mecanismos que criam mais vítimas. Durante o papado de João Paulo II, dezenas de teólogos foram condenados e banidos por causa de sua opiniões, e ainda existem muitas mulheres impedidas de expressar suas opiniões. Naquela época, pensei que o perdão seria mais significativo se o papa reconhecesse os seus erros."
Leonardo Boff, 66 anos, teólogo.
Aventuras na História n° 019
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